Blast Test

Quake Champions (PC) tem a alma do jogo original, mas com um longo caminho a percorrer

Quake está de volta neste multiplayer online muito divertido. Mas falta ainda bastante conteúdo, mesmo sendo um early access.

Anunciado pela primeira vez na E3 2016, Quake Champions (PC) chamou atenção principalmente por ter o peso de ressuscitar o nome da franquia que ficou muito famosa nos anos 1990 e início dos 2000. A ideia é trazer Quake para o mundo dos jogos competitivos da atualidade, com personagens característicos com habilidades únicas, uma ideia que lembra bastante a pegada de Overwatch (Multi), mas sem deixar de fora a aura de multiplayer próprio que a franquia Quake sempre teve.

Nessa corrida, Quake Champions foi lançado este mês em formato de acesso antecipado, mas infelizmente fica um gostinho de que falta muito a se ver do jogo ainda, mesmo que seja um acesso antecipado. Mas com o pouco que temos, dá pra ver como a jogabilidade e os visuais estão excelentes, assim como a aura de Quake está presente, o que já é um ótimo fator para os fãs. Mas vamos falar de uma coisa por vez.


Tutorial interessante, mas incompleto

Quake Champions é um jogo de tiro online focado em combates contra outros jogadores através de partidas limitadas por tempo. Inicialmente, logo após se cadastrar, o jogador é convidado a jogar o tutorial básico que explica a funcionalidade de todas as armas e as regras gerais do jogo, tudo na prática, através de um mapa complexo e cheio de balões para se atirar. O tutorial é bem didático e permite a todos se acostumarem com os controles e relembrarem um pouco do clima clássico da série.

Entretanto, ao começar a jogar as partidas online, em poucos minutos qualquer um pode notar que falta algo nos tutoriais. As movimentações não são totalmente explicadas e exploradas no tutorial, assim como as técnicas de tiro e modos combinados de atirar e se mover mais rapidamente, elementos que alguns jogadores habituados com a série já conhecem e aplicam sem maiores problemas nas partidas. Felizmente, a lista de tutoriais possui vários capítulos com os dizeres “em breve”, o que garante que esse problema será resolvido pela Bethesda futuramente.


O clássico e o moderno em equilíbrio

Um fator muito benéfico ao jogo é a sua jogabilidade. Ao começarmos a jogar, rapidamente notamos as similaridades com os games clássicos da franquia, mas com um quê atual igualmente muito bem-vindo. Esse clima é comparável ao do novo DOOM (Multi), que consegue a mesma proeza. Quake Champions bebe muito da fonte de seus antecessores, principalmente de Quake 3 Arena (Multi), game do qual pega principalmente o sistema de batalhas multiplayer.

Mas claro que tudo isso se apresenta com uma roupagem nova e bem atual. Os gráficos do jogo são ótimos, bem coloridos e com tons que variam do cinza pesado para as luzes intensas, bem no estilo da franquia mesmo. Além disso, o jogo consegue rodar em um leque bem variado de configurações de PC, o que auxilia bastante para incluir nas jogatinas o pessoal que usa uma máquina mais mediana e não tem condições de acompanhar o mercado das placas de vídeo e processadores mais modernos.



O jogo continua bem rápido e frenético como todo bom Quake. Aqui, a ausência de inteligência artificial através de bots pode ser sentida pelos iniciantes, mas a experiência multiplayer dele está ótima. Times aleatórios em partidas PVP frenéticas era tudo que Quake precisava para voltar com força total, mas, como citamos no início do texto, ainda existem pontos a serem acertados até que Champions finalmente seja lançado oficialmente.

“Champions” não tão no plural assim…

A inovação de Quake para a franquia é justamente a inclusão do sistema de Champions, personagens caricatos com habilidades próprias que influenciam o modo como o jogador irá administrar sua partida. Os personagens possuem cada um uma habilidade que varia desde teletransporte até envenenamento, alterando parcialmente a mecânica do jogo. Digo parcialmente pois as diversas armas ainda são distribuídas pelo mapa, tal como nos jogos anteriores.



O problema é que existem apenas 11 personagens até o momento para se escolher, o que torna a jogatina um pouco maçante em alguns momentos, principalmente com a maioria dos jogadores utilizando apenas dois ou três deles. Entretanto, acredita-se que esse problema, assim como o dos tutoriais, seja resolvido em breve com atualizações que apresentem mais personagens para a jogatina, aumentando a dinâmica das partidas.

As armas são um dos fatores mais interessantes e nostálgicos de Quake Champions. Grande parte das armas clássicas está de volta repaginada e balanceada para o combate. São ao todo sete armas de fogo e a arma básica corpo a corpo, todas passíveis de serem usadas por qualquer um dos 11 personagens jogáveis até então. Isso faz das partidas aquela corrida alucinante e divertida atrás de armas e munição para conseguir dar conta de exterminar todos os adversários antes que eles façam isso com você.


Ainda falta balanceamento

O novo título da franquia Quake chama bastante atenção, como falamos, por sua ação frenética e gráficos agradáveis. Muito disso reforçado pela movimentação rápida e retorno ainda mais rápido após as mortes. Mas existe um problema crucial que precisa ser resolvido o quanto antes pela Bethesda: o balanceamento tanto de personagens quanto de partidas. Isso pode se tornar um elemento altamente frustrante e causar a evasão de jogadores do título.

Quake Champions, em suas inovações, se baseia bastante em títulos como League of Legends (PC) e o já citado Overwatch para incluir mecânicas de personagens diversos a serem utilizados e até as skins, bastante presentes em League of Legends desde o seu surgimento. Entretanto, Quake não pegou ainda uma mecânica deste último que será muito benéfica para ele: o balanceamento de partidas.



Enquanto jogava Quake Champions no modo Deathmatch, tanto em time quanto individual (cada um por si), os times eram montados aparentemente de forma completamente aleatória. Ao ponto de em um determinado momento eu (no nível 4 com a minha conta) cair em um time com mais dois jogadores no nível 16 contra três adversários todos acima do nível 30. Nem preciso dizer o quão desastrosa foi a partida, não é mesmo? Isso é frustrante e, inclusive, os próprios jogadores mais experientes reclamam disso nos chats de conversa, pois tira bastante a graça das partidas.

Além disso, alguns personagens possuem muitas vantagens frente a outros, como a capacidade de desviar muito mais de golpes e ser muito mais difícil acertá-los por conta de seu tamanho. Os personagens maiores raramente são utilizados, por serem alvos fáceis. Talvez um aumento mais generoso da diferença de vida e defesa deles para aqueles mais ágeis seja necessário, para que a variedade de personagens utilizados seja maior (mesmo que com apenas 11 na lista por enquanto).


Um jogo feito para fãs

Quake Champions claramente é voltado para os fãs da franquia dos anos 90 e início dos 2000. Seu visual, seus mapas, armas e narrações remetem principalmente a Quake 3 Arena, assim como outros jogos mais antigos também. Entretanto, o jogo ainda está muito focado somente na nostalgia e isso pode ser uma faca de dois gumes. A dúvida que fica é se o jogo possui algo para oferecer para além da nostalgia. Por enquanto, a diversão é garantida, mas ela tem um prazo de validade que vai depender das próximas atualizações do título.

A Bethesda tem nas mãos uma grande oportunidade de lançar um novo jogo com capacidade de se tornar um eSport de primeira. Quake é uma marca forte e o sistema multiplayer, bem como os servidores do jogo estão muito bons. Entretanto, a falta de variedade de conteúdo assim como os problemas de desbalanceamento podem minar o jogo aos poucos caso não sejam resolvidos o quanto antes. 



Agora, se você é fã da franquia e curte o gênero FPS mais rápido como DOOM, Wolfenstein e Quake, tem aqui uma oportunidade de ouro de curtir um ótimo multiplayer online. No entanto, caso você seja novato nessas franquias, pode ser um tanto quanto trabalhoso começar a adquirir habilidades dignas no game, pois ele ainda é bastante punitivo para os marinheiros de primeira viagem. Esperamos que isso mude com o tempo, como todo game em acesso antecipado que alcança a glória antes de seu lançamento oficial. Nos resta esperar para ver. E ir atirando em qualquer coisa que se mexer durante o processo.

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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