Jogamos

Análise: Cat Quest (Multi) é fofo, divertido e com uma boa fórmula de RPG

Inspirado em franquias como Zelda, Skyrim e Final Fantasy, este RPG traz uma jogabilidade interessante com roupagem bonitinha.

Muitos são os games que se debruçam no gênero RPG ou em um dos seus subgêneros mais específicos atualmente. O saudosismo e o grande leque de possibilidades faz este um gênero muito cobiçado por grandes empresas e também pelas desenvolvedoras independentes, além, é claro, de ser bastante popular entre os jogadores desde sempre. Nesse palco é que a The Gentlebros, inspirando-se em grandes nomes do gênero, desenvolveu Cat Quest (Multi), um game de RPG em mundo aberto bastante diferente do que normalmente a gente encontra por aí.

A simplicidade que agrada

Cat Quest é simples. Isso pode ser dito em vários sentidos, mas em nenhum é um aspecto negativo do jogo. Começando pelo seu enredo, o herói da história (um gatinho) tem sua irmã raptada por um terrível mago e quase é morto em alto mar, chegando assim na costa do continente de Felingard. Por conta do ataque, ele é marcado com um selo dracônico que o dá poderes o suficiente para combater os terríveis dragões que ameaçam o lugar. Assim começa a exploração do simpático gatinho pelo continente em busca da sua irmã.



O enredo mistura elementos de The Elder Scrolls V: Skyrim (Multi) com alguns personagens que claramente foram inspirados na franquia The Legend of Zelda. Mas a simplicidade com a qual esses elementos são combinados torna tudo muito agradável e levemente cômico, sempre fazendo referências ao universo de piadas com gatos e com diálogos muito bem escritos, explicando a história do jogo e colocando personalidade nas falas.

A jogabilidade é outro ponto simples de excelente qualidade. Com uma movimentação baseada no clássico WASD e ataques com o clique do mouse, em alguns segundos o jogador já consegue pegar tudo que ele precisa saber sobre os comandos básicos. Além disso, a área de equipamentos, bem como a mecânica para utilizar cada um deles, é didática e bem básica, mas sem prejudicar a experiência do jogo e, principalmente, o seu desafio.



Por fim, outro ponto de grande simplicidade é o seu visual. Os traços cartunescos e sempre voltados para aspectos fofos ou bonitinhos dão o tom da aventura. A exploração acontece no mundo em formato de mapa, o que torna tudo mais caricato e com um aspecto bem diferente do que a mecânica de mundo aberto (open world) comumente tem de opções.

Combates fluidos e desafiantes

Outro aspecto muito agradável de Cat Quest são os seus combates. O jogo pega aspectos de Action RPG para estruturar um combate fluido e rápido, com áreas em vermelho que indicam a região na qual cada criatura causará dano. Com isso, o jogador precisa ser rápido para desviar de golpes ao mesmo tempo que acerta outros para vencer a luta. O mapa possui algumas restrições de território no início do jogo que logo são apagadas, dando margem para explorar o grande território continental e enfrentar criaturas de diversos níveis diferentes.

Se ele peca em alguma coisa, talvez seja na pouca variedade de criaturas distribuídas pelo mapa. Com exceção de áreas onde o clima é muito diferente, as criaturas aparecem em uma variedade muito baixa, o que pode tornar a exploração um tanto quanto repetitiva em alguns momentos. Cavernas também existem por toda a extensão do mapa, aumentando a exploração e tendo mais criaturas. Entretanto, elas são tão simples como todo o resto do mapa, o que pode ser bom ou ruim, dependendo da intenção do jogador com Cat Quest.

A verdade é que mesmo com aspectos próprios de RPG e um desafio considerável, Cat Quest é bastante casual. As criaturas e os combates são desafiantes, bem como a evolução do personagem, que não chega a ser nada muito fácil, o que torna as mortes bem corriqueiras — principalmente no início da aventura. Entretanto, o único prejuízo que temos ao morrer é o fato de voltarmos no último ponto de salvamento em uma cidade, mantendo equipamentos, pontos de experiência e níveis alcançados.

Classes para vestir

Um ponto bem interessante de Cat Quest é a facilidade com a qual o jogador troca de classe ao longo da aventura. Não existe uma classe fixa para ser escolhida no início da jogatina. No lugar disso, todos os bônus, estilos de combate e facilidades são ditados pelos equipamentos equipados no fofo felino controlado por nós. Com roupas de mago e um cajado, a recuperação de mana bem como o dano das magias será maior. Da mesma forma, as roupas de guerreiro com espadas e machados aumentam a defesa e/ou o ataque físico e assim vai.

Isso torna a experiência de jogo bem individual, fazendo com que cada um opte pelos equipamentos que mais combinem com o seu estilo e classe de jogo. O que torna o game bastante divertido nesse quesito é que nada impede que o gatinho troque de equipamentos a cada momento, adaptando-se aos inimigos e podendo utilizar o estilo de combate de várias classes intercaladas.


Evolução linear nem tão aberta assim

Mesmo que o jogo se ambiente em um mundo aberto e livre para a exploração, o jogador não é exatamente tão bem recompensado por sair explorando as terras de Felingrad do jeito que quiser. Isso porque as missões guiam de forma muito linear a aventura e, caso o jogador explore do seu jeito, provavelmente voltará e repetirá algumas das masmorras por conta das missões que deixou para fazer depois, tornando assim a experiência do jogo um tanto monótona dessa forma.

Como diversos tipos de RPG, Cat Quest se baseia num sistema de missões principais e missões secundárias que norteariam a exploração do jogador. O problema é que a missão principal chega em um ponto de ser impossível de ser resolvida sem o avanço que as missões secundárias propiciam. Até aí é uma forma interessante de manter o jogador vinculado às missões “opcionais”. Porém, essas missões são um tanto repetitivas e privam o jogador da exploração espontânea do mapa.



Isso porque praticamente não existe nada no mapa para o jogador explorar que não seja abarcado por uma missão secundária. Isso, visto que o foco do jogo é um mundo aberto, é um tanto problemático para a experiência. Mas a partir do momento que o jogador nota esse padrão e começa a se focar nas missões, o jogo se torna bastante divertido e esse problema é facilmente ignorado.

Um bom RPG para sair da rotina

Cat Quest inova principalmente em seus traços e estilo estético. Une bem alguns aspectos clássicos e basais de outros jogos do gênero, mas falha no quesito exploração do mundo aberto. Entretanto a experiência final é muito gratificante, pois a história é bem amarrada e entretém o jogador com piadas sutis sobre gatinhos e personagens curiosos. 



Os combates são muito interessantes e tudo parece conversar muito bem no jogo, numa continuidade narrativa que agrada muito ao ser jogada: os visuais condizem com o tom da história, que por sua vez recebe uma trilha sonora animada e aventuresca cheia de tons altos sendo completada por uma chuva de cores num mundo interativo muito criativo e numa perspectiva utilizada pouquíssimas vezes até então.

Os pecados do jogo estão relacionados a não observar a evolução dos jogos os quais ele se baseou para ser criado. Talvez se pegasse os aspectos de curiosidade e complexidade dos mundos abertos de Skyrim, Breath of the Wild e Final Fantasy XV, o mundo carismático de Cat Quest poderia ser muito mais atrativo para os curiosos. Mas de qualquer forma, ainda é uma ótima experiência casual.


Prós

  • Jogabilidade fluida;
  • Sistema de jogo muito simples e bem articulado;
  • Nível de desafio considerável mesmo mantendo a casualidade;
  • Uso criativo de aspectos fofos;
  • Mundo aberto agradável e colorido;
  • Trilha sonora condizente com a aventura;
  • Facilidade em trocar de classe durante o jogo;
  • História interessante, mesmo que simples.

Contras

  • Pode se tornar repetitivo em alguns momentos;
  • Exploração espontânea não é encorajada pelo jogo;
  • Evolução linear demais para um jogo em mundo aberto.
Cat Quest — PC, iOS, Android, Windows Phone — Nota: 8.0
Versão utilizada para a análise: PC

Revisão: Vitor Tibério
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook