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Análise: Watch Dogs 2 (Multi) é um passo na direção certa

Junte-se ao grupo hacker DedSec e exponha a verdade para o povo de São Francisco.


Eu não iria começar o texto assim, mas vamos lá: Watch Dogs 2 (Multi) me impressionou bastante. Gosto muito de conferir os mundos criados pela Ubisoft e tento jogar, na medida do possível, seus títulos desde sempre. Todos sabemos que as opiniões sobre o primeiro jogo foram no mínimo divisivas, com muitas críticas pesadas de um lado e os “não é tão ruim assim” do outro, então acabei indo com a expectativa bem baixa. O negócio é que, na verdade, este segundo consegue entregar uma experiência muito autêntica e divertida.

Em Watch Dogs 2 você é Marcus, um incisivo hacker que faz parte do grupo ativista hacker DedSec. O trabalho do grupo é sempre voltado a expor a verdade para a população de São Francisco, onde o jogo se passa, e desmascarar de uma vez por todas a Blume, corporação responsável pelas instalações do CtOS 2.0, programa que recolhe dados e “administra” (controla) a cidade.


Os conjuntos de missões são sempre muito atrelados à cultura de internet, com um bocado de “zoeira” e muitos memes, deixando o jogo com uma roupagem muito mais cômica e moderninha, o que incrivelmente faz com que ele tenha uma cara bem autêntica. O título não deseja ser levado a sério, mesmo nos momentos em que você, o jogador, o leva. É um conceito muito interessante, que acabou casando bem com a proposta de jogabilidade apresentada, sendo que a narrativa sempre se mantém no mesmo nível agradável: nada excepcional, mas também nada péssimo, no ponto certo.

O modelo de jogabilidade é bem parecido com o jogo anterior: uma cidade “hackeável”. Você pode hackear celulares (e assim obter informações pessoais e financeiras), semáforos, câmeras, carros, helicópteros, guindastes, portas eletrônicas e mais um monte de coisa. A cidade é muito bem reproduzida e também dinâmica, com todas essas opções de interação na palma da mão do jogador.


Para além disso, o jogo introduz também um novo elemento de jogabilidade, os drones. Marcus pode utilizar dois drones (o quadricóptero e o jumper) para realizar objetivos de missões furtivamente, já que eles também podem hackear e coletar alguns dos objetos no cenário e não tem metade do tamanho de Marcus. Essa implementação é bem importante para o modo como você decide enfrentar os desafios propostos pelo jogo, já que os drones te ajudam a ser mais silencioso e escorregadio.

Por falar em modos de enfrentar desafios, nesse Watch Dogs você pode fazer isso geralmente de duas maneiras. São elas: entrar nos lugares já atirando e limpando todos os inimigos para interagir com os pontos e progredir as missões, ou usar perturbações ambientais (tocar celulares, desligar luzes, apagão geral) e drones para distrair inimigos e passar despercebido nos cenários. Sendo que o segundo modo é de longe o mais condizente com o “ser hacker” e também o mais divertido.


Eu realmente gostaria que neste título a desenvolvedora tivesse se arriscado mais. O jogo grita o tempo todo que você é parte de um grupo ativista, do bem, que só quer expor a verdade, que é secreto. Mas lá está você correndo no meio da cidade com mil policiais atrás, machucando pedestres, destruindo propriedade, matando guardas em missões e várias outras ações que não condizem com a identidade do que é proposto. Na minha opinião, o jogo teria se beneficiado muito mais se tivesse se afastado mais do modelo “GTA” de mundo aberto e não que te limitasse, mas que desse mais recompensas ou mais opções de jogar sorrateiramente, como literalmente um jogo de furtividade. Seria muito mais condizente com o proposto.

Já na parte de customização, há várias lojas de roupas e carros para deixar Marcus do jeito que você achar melhor. No meu caso, coloquei um jeans azul skinny, óculos escuros e uma camisa quadriculada, e ficou excelente. Vale lembrar que o jogo oferece também várias músicas bem legais para ouvir enquanto dirige, direção essa que também é bem agradável. Para se ter ideia, a coisa que eu mais gostava de fazer era pegar um carro, colocar a visão de cockpit, abrir o media player (um dos apps que Marcus usa) e colocar uma música para dirigir. Relaxante.
Rapunzeeeel Uooohh Uoooh!
Vale lembrar de algo bem bacana também, o modo multiplayer. O mais incrível é que eu achei que ia ser chato e esquisito, mas foi bem pelo contrário, joguei com um amigo as missões cooperativas (há um monte delas) e foi muito divertido. Basicamente você invoca um amigo para o seu “mundo” e ele pode andar por aí e causar junto com você, além de que as missões cooperativas ficam disponíveis. Lembro só disso: “Dispersa, dispersa, vai pro matinho”. Isso foi eu e meu parceiro de crime depois de nos infiltrarmos num esconderijo de gangues, destruir estufas de drogas e fugirmos da posterior perseguição. Intenso.

Veredito

O que posso dizer de Watch Dogs 2? Bom, que ele é no mínimo muito agradável. Sua narrativa leve, jeitão mais no estilo juventude ativista (moderninha) e cidade bem reproduzida me deixaram bem impressionado. Se você gosta de jogos de mundo aberto e quer algo que apresente-se de uma forma diferente, vá em frente, pois dificilmente você vai se arrepender. Uma coisa que eu posso dizer com toda a certeza é que Watch Dogs 2 é certamente um passo na direção certa para a franquia.

Prós

  • Trilha sonora diversa;
  • Drones são muito úteis;
  • Narrativa leve;
  • Multiplayer divertido.

Contras

  • Não arrisca muito, só corrige erros cometidos.

Watch Dogs 2 — PS4, XBO, PC — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4.

Revisão: Arthur Maia
Pedro Gusmão aprecia bons jogos independente de plataforma e gênero, mas tem um apreço especial por RPGs e jogos de estratégia. Aficionado por temas fantásticos, adora passar seu tempo livre escrevendo e enfrentando seres mitológicos em videogames.

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