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Análise: Call of Duty: Modern Warfare Remastered (Multi) traz uma experiência clássica revitalizada

Ainda mais bonito, rápido e dinâmico, Modern Warfare retorna em edição definitiva para a atual geração de videogames


Um dos jogos que definiu o mercado de games no começo da geração passada, Call of Duty: Modern Warfare retorna em um remaster de extrema qualidade, apresentando uma experiência refinada para o jogo que contribuiu para o sucesso da franquia CoD e dos FPS de modo geral.

Nasce um clássico 

Desenvolvido pela Infinity Ward e lançado originalmente em 2007 pela Activision para PC, Mac, PS3, Xbox 360 e com versões para Nintendo Wii e até para o Nintendo DS, Call of Duty 4: Modern Warfare se tornou rapidamente um fenômeno de crítica e venda (passando das 17,39 milhões de unidades vendidas somadas todas as plataformas em que foi lançado), além de ser um marco para a franquia CoD, que de seu lançamento até hoje transformou-se em uma das mais rentáveis da indústria de jogos eletrônicos.

Com visuais realistas, jogabilidade dinâmica e um multiplayer cativante e divertido, Modern Warfare ajudou a consolidar o gênero FPS como um dos favoritos da geração passada. Agora, quase uma década depois de seu estrondo sucesso, o game retorna nesta remasterização junto de Call of Duty Infinite Warfare.

A nossa guerra

Fruto de um período que ainda sofria com o duro golpe dos atentados de 11 de setembro, Modern Warfare deixava de lado a temática inspirada na Segunda Guerra Mundial, tão comum aos jogos naquele contexto, e apostou em um grande guerra moderna, que poderia, inclusive, acontecer a qualquer momento.

Ambientado em 2011 (o enredo não sofreu nenhum tipo de alteração nesse remaster), Modern Warfare coloca o jogador no controle de duas frentes contra o terror. De um lado controlamos um soldado da SAS, as forças especiais do Reino Unido, lutando contra um golpe militar no Oriente Médio, enquanto, do outro, vive-se um Marine dos Estados Unidos na corrida para impedir um grande ataque dos ultranacionalistas russos.


O enredo funciona bem, trazendo personagens marcantes, momentos cinematográficos e uma ambientação convincente. Porém, a falta de um protagonista fixo pode dificultar em criar certa empatia em alguns jogadores. De todo modo, temos o plano de fundo ideal para criar uma ótima atmosfera capaz de convencer o jogador que ele está mesmo participando de um confronto real. E isso foi o bastante para me prender por horas em Modern Warfare.

Campanha de respeito

Intercalando momentos de ação frenética, furtividade e até trechos mais dramáticos, a campanha de Modern Warfare consegue manter o interesse do jogador sempre em alta. Desde do treinamento na primeira fase, passando pelos combates urbanos até os momentos em que é preciso rastejar na grama, tudo parece se encaixar e ter a medida certa para não cansar o jogador. Até mesmo a pouca duração das fases (dificilmente você passará mais 20 minutos em um único estágio) parece ser proposital para instigar o jogador a continuar.

Tanto o enredo quanto o design de fases, que tão bem funcionaram em 2007, continuam servindo muito bem hoje. Os estágios, embora lineares, possuem um vasto campo de ação, permitindo com que o jogador escolha a melhor maneira de completar o desafio proposto. Se você gosta de sair como um louco atirando em quem aparece, você pode fazer. Mas, se preferir ser mais cauteloso e preciso, o jogo permite que a missão, na maioria das vezes, também seja finalizada assim.

Assim como os estágios, o jogo em si também é curto. Gastei cerca de 5h para terminar a campanha principal. Porém, a qualidade da campanha é capaz de fazer com que muitos jogadores retornem ao jogo para experimentar concluir a aventura em dificuldades mais altas e procurar pelos itens escondidos, o que elevará um pouco mais esse número de horas jogadas.

Guerra total 

Mesmo com um modo campanha caprichado e adorado pelos fãs da série, ainda é o multiplayer de Modern Warfare o maior atrativo. São mais de 10 mapas e modalidades, dos mais variados estilos, já consagrados nessa quase década desde o lançamento do jogo original. O meu favorito continua sendo o mata-mata em equipes, com combates estratégicos e muita ação. Não, não sou um grande jogador de FPS. Nem consigo contar quantas vezes morri em menos de 10 minutos de jogo. Mas foi só pegar o velho jeito de antes para começar a fazer bonito no online.

Infelizmente, tive certa dificuldade para conseguir jogar modos menos populares, como o inédito Kill Confirmed. Quase não apareciam jogadores. Porém, durante a jogatina, a conexão se manteve sempre estável. Não consegui culpar o jogo por as minhas derrotas, pois rodou suave e estável o tempo todo. Além disso, o velho sistema de evolução continua sendo uma grande incentivo para o jogador se manter jogando e evoluindo o próprio personagem, pois os itens desbloqueados fazem muita diferença na hora de encarar a galera no online.

De cara nova

Com o mesmo enredo, jogabilidade e modos de jogo, Modern Warfare já merecia ser rejogado pelo simples fato de ainda ser uma excelente experiência, mesmo em sua versão original. Contudo, esse remaster consegue ir além, trazendo uma excelente remasterização que vale ser conferido, principalmente se você é fã do gênero e reclama da direção futurista de jogos atuais.

A primeira grande novidade de Modern Warfare Remaster fica a cargo da melhoria nos visuais. Toda a parte gráfica foi retrabalhada para se adaptar a nova geração. Texturas, efeitos de luz e sombra, partículas, e até ângulos de câmera durante as cutscenes foram melhorados, dando a nítida impressão de que se trata de um jogo da geração atual.

Quando comecei a jogar Modern Warfare eu tinha acabado de passar algumas dezenas de horas com Infinite Warfare. Evidentemente, a diferença visual é grande, mas o remaster faz bonito, sendo raros os momentos em que você percebe que está com um game da geração passada. As expressões faciais e a movimentação dos personagens, por exemplo, são de extrema qualidade e muito melhores do que no original. Para completar, temos 60 quadros por segundo constantes.


Sonoramente também foram feitas melhorias. Essas um pouco menos perceptíveis, mas que fazem muita diferença caso você jogue com um bom sistema de som. Os efeitos e a trilha sonora receberam um novo tratamento, ganhando nitidez e definição. Agora, quando muita coisa acontece na tela ao mesmo tempo, é possível ouvir cada detalhe: prédio desmoronando, arma atirando, personagem gritando e estilhaços caindo. Tudo é audível.

Para poucos

Com tantas qualidades e melhorias, Call of Duty Modern Warfare Remastered seria um jogo obrigatório para qualquer fã de FPS. Digo seria, pois a forma de obter o jogo não é das mais acessíveis. O título, infelizmente, ainda não pode ser adquirido de forma individual. A única maneira de jogá-lo é comprando uma das versões de luxo de Call of Duty: Infinite Warfare, que chegam a custar até R$ 300,00. É um excelente bônus para os compradores do pacote, mas um duro golpe para quem gostaria apenas de reviver um dos maiores clássicos da história recente dos videogames. Uma coisa, pelo menos, é certa. Esse remaster é uma excelente jogo e merece ser jogado.

Prós

  • Remasterização de extrema qualidade;
  • Jogabilidade dinâmica e fluida;
  • Campanha bem construída;
  • Multiplayer online estratégico e divertido.

Contras

  • Curta duração da campanha;
  • Dificuldade para encontrar jogadores em alguns modos online;
  • Forma de aquisição desmotivadora.
Call of Duty: Modern Warfare Remastered — PS4, XBO, PC — Nota: 8.5
Plataforma usada para análise: XBO
Ítalo Chianca escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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