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Análise: Ghosts of Memories (Mobile) une beleza e desafios na tela do celular

Game convida o jogador a desbravar mundos e resolver quebra-cabeças com o auxílio de um cetro mágico e de uma voz misteriosa.



A combinação entre celulares e jogos de puzzle tem se tornado muito popular nos últimos tempos, com incontáveis títulos sendo lançados. Nesse contexto surge Ghosts of Memories, um jogo que, apesar de ter se inspirado em outros games do gênero (é de você mesmo que estou falando, Monument Valley), tenta se destacar e criar uma identidade própria. Será que a desenvolvedora Paplus International conseguiu atingir seu objetivo?

Uma aventura literalmente mágica

Ghosts of Memories já começa surpreendendo pela beleza e pelos efeitos sonoros: utilizando visão isométrica 2.5D (nos moldes de Monument Valley e Lara Croft GO), o título apresenta gráficos belíssimos, com cenários muito caprichados e coloridos que vão desde florestas até montanhas com neve. Tudo isso é embalado por uma trilha sonora excelente, que dá todo o clima ao jogo. Aliás, cabe aqui uma dica preciosa: experimente o game usando fones de ouvido e garanto que você não se arrependerá.
A beleza do jogo impressiona.
Além do capricho nos gráficos e no áudio, o game consegue ser independente também em outros elementos. A começar pela história: aqui você é Charon, um viajante que encontra um cetro mágico capaz de mover objetos distantes e de levar o protagonista a diferentes mundos. Mas com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, já dizia o tio Ben, e aqui não é diferente: sua missão é utilizar o cetro para reconstruir cristais e salvar uma mulher misteriosa que guia o protagonista apenas pelo som da sua voz. A história é bem simples, e até poderia ter sido melhor aproveitada (principalmente no desfecho), mas já cumpre o seu papel de deixar o jogador curioso e de incentivá-lo a resolver os diversos puzzles que virão pelo caminho. 

Admirável mundo novo

Falando em puzzles, são eles que manterão você ocupado por um bom tempo. Durante 15 fases, você precisará pensar na melhor maneira de mover totens e blocos de forma a utilizá-los para atravessar os grandes cenários. Os blocos não podem ser movidos livremente; alguns só se movem em um sentido ou em uma direção, e o desafio é justamente conseguir alinhá-los de forma que ajudem o protagonista a prosseguir pelas fases.
Mova o bloquinho para chegar ao outro lado.
Para dificultar um pouco o seu trabalho, além de adicionar um pouco de variedade, existem portais que precisarão ser utilizados e que te levam a outras dimensões (representadas por mundos distintos entre si); tudo o que você fizer em uma dimensão afetará a outra. Por exemplo: existem momentos em que você precisa criar uma espécie de ponte e usá-la para atravessar uma região, mas não há blocos disponíveis. Nesses casos, você precisa usar o portal e ativar um dispositivo no segundo mundo que fará surgir blocos no primeiro. Essa ideia, aliada à jogabilidade simples, funciona muito bem na maioria das vezes. Transitar entre dimensões diferentes não é tão complicado quanto parece, pelo contrário: é gratificante a sensação de conseguir resolver um puzzle que envolve dois mundos distantes.
Os portais são representados pelos símbolos coloridos.
Outro ponto interessante são os mapas, que à primeira vista podem até assustar pela sua grandiosidade, principalmente nas fases um pouco mais avançadas. Porém, em alguns cenários é possível utilizar diferentes caminhos para terminar os desafios, o que deixa a jogabilidade um pouco menos linear. Tudo isso contribui para que o game prenda tanto a atenção que, quando você se der conta, já terá passado por várias fases em pouco tempo. 
É ou não é assustador?
Uma coisa que também me impressionou foram os controles. Confesso que não tenho o costume de jogar muito no celular justamente porque não consigo deixar de me irritar quando um jogo exige que eu deslize o dedo na tela, fazendo com que a minha visão fique obstruída. Felizmente, isso é algo que não acontece em Ghosts of Memories: você movimenta o personagem apenas tocando na região que deseja alcançar, e move objetos deslizando o dedo rapidamente, de modo que sua visão não seja prejudicada (quem já experimentou Monument Valley sabe do que estou falando). A única exceção são os totens, que precisam ser “girados” com o movimento dos dedos e, por causa disso, muitas vezes você vai acabar girando a câmera inteira do jogo. 

Jogue menos, divirta-se mais

Como nem tudo é perfeito, o título peca em alguns outros detalhes que acabam atrapalhando um pouco a experiência final. Um deles diz respeito ao nível de dificuldade: os desafios são relativamente fáceis e você provavelmente não terá muitos problemas para chegar ao final do game. Existem até alguns elementos que provavelmente foram pensados para trazer mais desafio à vida do jogador, como monstros que bloqueiam sua passagem em certas áreas, mas que no fim das contas acabaram sendo mal aproveitados.

Outro ponto negativo é que você dificilmente vai conseguir jogar por muitas horas seguidas. Apesar de cada fase apresentar mecânicas novas, você vai basicamente fazer sempre a mesma coisa para solucionar os desafios, o que acaba deixando o título um pouco repetitivo. Por isso, o ideal seria jogá-lo em pequenas doses. 
Você nunca viu tantos blocos e totens de uma só vez.
Porém, apesar dos problemas, Ghosts of Memories conseguiu se destacar o suficiente para sair da sombra de suas inspirações. É um ótimo título, definitivamente merecendo a sua atenção.

Prós

  • Gráficos belíssimos;
  • Excelente trilha sonora;
  • Transição entre mundos é bem interessante;
  • Controles, na maior parte do tempo, funcionam muito bem.

Contras

  • Os desafios são relativamente fáceis e não variam muito entre as fases;
  • Mover objetos (totens) atrapalha em alguns momentos;
  • O jogo se torna repetitivo após certo tempo.
Ghosts of Memories — iOS/Android — Nota: 7.5 
Versão utilizada para análise: Android
Revisão: Gabriel Verbena 
July Dourado é aspirante a jornalista e redatora no GameBlast. Sua paixão por games começou com o Nintendo 64 e só tem crescido desde então. Além dos games, também é viciada em séries de TV e gatos.

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