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Ruvik, de The Evil Within (Multi), é o rosto dos seus pesadelos

Prepara-se para não dormir por muitas noites depois de conhecer essa "mente brilhante".


The Evil Within é certamente um dos jogos mais aterrorizantes dos últimos tempos. E não é pra menos, já que o título é obra do gênio Shinji Mikami, responsável pela clássico Resident Evil. Mas quem diria que o personagem mais interessante da trama seria o vilão Ruvik e não o insensível detetive Sebastian Castallenos? É hora de entendermos mais sobre as origens dessa figura sinistra. Uma sugestão para não mergulhar na loucura desse personagem é ouvir a agradável Air on G String, de Bach, para relaxar enquanto acompanha esse conto de terror.

CUIDADO: O texto a seguir contém spoilers para quem não jogou The Evil Within. Leia por sua conta e risco!

Um estranho gênio

Filho de uma família de classe alta, Ruvik (apelido de Ruben Victoriano) era uma criança quieta, tímida e um pouco estranha. Não fica muito claro nas informações disponíveis no game, mas ele provavelmente possuía um grau de albinismo, devido à cor de sua pele e cabelos. Vestindo-se sempre de maneira formal, Ruvik era um rapaz alto para sua idade e também muito inteligente. Sua sede por conhecimento era saciada graças às pesquisas e experimentos que ele realizava com material doado pelo Beacon Mental Hospital, do qual seu pai era um dos principais beneficiários.

Apesar de possuir um bom relacionamento com seus pais, era com a irmã mais velha Laura que Ruvik era mais apegado. Parecia que somente ela entendia seu jeito de ser e sabia que ele era um jovem especial e diferente dos outros. Mas mesmo sua família não compreendia o fascínio de Ruvik pela psique humana. O rapaz era um gênio nas áreas de Psicologia e Biologia (especialmente em anatomia humana). Começando por pequenos animais, não demorou muito para que Ruvik começasse a dissecar cadáveres doados pelo hospital para trabalhar em suas pesquisas.
Primeiro em porcos, Ruvik passou a realizar experiências em indivíduos ainda conscientes.

Ruvik buscava desvendar os segredos mais profundos da mente humana e entender como o cérebro realmente funcionava. O problema era que além de mortos, o jovem começou a testar em pessoas ainda vivas, pacientes de doenças mentais. Ele estimulava certas regiões do cérebro para observar suas reações. Foi nesse momento que a família, com exceção de sua irmã, começaram a vê-lo como uma aberração. Apesar disso, Ruvik tinha um parceiro de ideias. O doutor Marcelo Jimenez, do Beacon Hospital, visitava a família com uma certa frequência e, ao falar com Ruvik e descobrir suas estranhas pesquisas, apoiou o rapaz lhe dizendo que isso não era obra de um monstro. O doutor via o verdadeiro potencial do menino, mesmo que fosse algo doentio e repugnante para a sociedade.

Dores no corpo e na alma

O trabalho de Ruvik avançava graças ao apoio do doutor Jimenez mas sua vida iria sofrer uma dura reviravolta. Em um dia que estava brincando e conversando com sua irmã Laura em um celeiro, o local foi incendiado por moradores dos arredores da mansão da família. Eles estavam descontentes com as recentes vendas e compras de terras que os pais de Ruvik haviam feito. Em questão de segundos, o celeiro foi engolido pelas chamas e, quase sem forças, Laura conseguiu jogar Ruvik pela janela do segundo andar, salvando a vida do irmão em lugar da sua.
Laura se sacrifica pelo irmão.

Ruvik sobreviveu à tragédia, mas sofreu sérias queimaduras que lhe causavam horrendas dores. Seu pai cuidou dele enquanto não tinha forças, mantendo-o preso no porão e sem o conhecimento da mãe de que seu filho estava vivo. Ruvik viveu meses confinando em isolamento apenas acompanhado de seus gemidos e dos gritos de sua irmã sendo queimada até os ossos dentro do celeiro infernal. Todas essas lembranças e o confinamento iriam destruir aos poucos a sanidade de Ruvik, mas não iriam diminuir sua vontade de terminar sua pesquisa.


Assim que as dores diminuiram um pouco e o jovem era capaz de se movimentar novamente, Ruvik já tinha decidido seu futuro. Não era apenas ele o culpado pela morte de sua irmã, mas também os seus pais inescrupulosos e que nunca entenderam seus sentimentos. Ele matou os pais no quarto e, com posse de toda a riqueza da herança, ele financiou seus pesquisas e experimentos com a ajuda do doutor Jimenez. Por anos a dupla trabalhou com os mistérios da psique humana e fizeram progressos fascinantes e macabros na área.
Ruben sofreu queimaduras horríveis e sua personalidade foi distorcida por angústias, tornando-se Ruvik.


Horrores alimentados pelo ódio

Tudo parecia correr conforme o planejado até o dia em que o doutor Jimenez decidiu publicar e divulgar os trabalhos de Ruvik como sendo seus. Ele dizia que o jovem jamais teria capacidade de lidar com uma pesquisa de tamanha importância como aquela. Cheio de ódio, Ruvik até tenta levar todo o material da pesquisa de sua vida e se prender em seu laboratório, para terminar tudo sozinho. No entanto o doutor e mais alguns agentes do Beacon Mental Hospital invadem o local e matam Ruvik. Como o principal projeto do jovem, o STEM, estava quase completo e somente lhe faltava um indivíduo de testes, Jimenez fez o impensável: desmembrou o corpo de Ruvik e acoplou seu cérebro à máquina, com todo o equipamento instalado no hospital.

O que Jimenez não sabia é que nenhuma máquina seria capaz de controlar uma mente tão perturbada e cheia de ódio e rancor quanto a de Ruvik. O equipamento podia conectar várias mentes para compartilhar pensamentos e experiências e nenhum indivíduo conseguia suportar os terrores criados pela mente de Ruvik. Ao investigar a mente de Jimenez, o jovem descobre que o doutor possui um paciente interessante chamado Leslie e, que talvez ele conseguria reorganizar os parâmetros do dispositivo para se apossar da mente do rapaz e escapar para mundo físico.
Laura ressurge como um monstro implacável que teme chamas, na mente de Ruvik.

É assim que os eventos em The Evil Within se iniciam. Ruvik, de alguma forma, consegue se manifestar no hospital de forma física e promove um massacre sangrento, atraindo a atenção da polícia e do detetive Sebastian Castallenos. Para melhor usufruir do poder de sua máquina, Ruvik conecta Sebastian, Leslie e os outros detetives no STEM, pensando que utilizando o poder das mentes de outros indivíduos ele teria forças mais do que suficientes para invadir o corpo de Leslie. Assim, incansavelmene Ruvik reproduz os horrores de sua mente doentia na forma de monstros e outras aberrações para destruir os cérebros de Sebastian e seus parceiros. O que ele não contava é que o detetive seria mais habilidoso e persistente do que ele imaginava, e não entregaria Leslie tão facilmente assim.
Em um dos capítulos do game, quando você ver Ruvik só faça uma coisa: CORRA!

Fim do pesadelo?

Ao longa da jornada infernal de Sebastian pela mente atormentada de Ruvik, o jovem tenta de todas as formas bloquear o progresso do detetive. Sua presença se torna cada vez mais forte, chegando ao ponto de que quando Sebastian está no interior da mansão de sua família, Ruvik aparece do nada em diversos momentos e, basta um toque no detetive para destruir sua mente. Causando inúmeros sustos tanto nos personagens quanto no jogador, o jogo de "gato e rato" por esse pesadelo parece não ter fim. Mesmo assim, Sebastian consegue encontrar um porto seguro em um quarto de manicômio, que se refere à antigas lembranças de Leslei.
No fim, ele consegue absorver Leslie.

Depois de muitas lutas contra coisas que você não imaginaria encontrar nem em seus piores pesadelos, Sebastian vê Ruvik absorver Leslie e, quando o jovem utiliza todo o poder de sua mente para criar o pior dos monstros, Sebastian quase é destruído. Felizmente o detetive encontra forças para combater Ruvik e, destruindo a última de sua ilusões macabras, ele retorna ao mundo real e, sem perder tempo, arranca o cérebro de Ruvik do centro da máquina e o esmaga. Mas será esse o fim desse psicopata?
Um monstro horrendo e cheio de ódio. Essa é a verdadeira forma de Ruvik.

A resposta não é clara. No final da história, Sebastian se sente como se tivesse acordado de um longo pesadelo e, a única pista sobre Ruvik é quando ele vê Leslie deixar o hospital, sozinho, e desaparecer na noite. Será que Ruvik de fato conseguiu possuir o corpo do jovem e escapar para o mundo real? Talvez nunca saberemos. A mente desse jovem gênio era tão atormentada e havia sido transformada em tal labirinto de horror que fica difícil dizer o que era real e o que era pesadelo.
Acabou?


Capa: Daniel Serezane
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do GameBlast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

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