Hands-on

Hands-on: X-COM: Board Game mostra que jogos não se limitam a videogames

A Galápagos Jogos disponibilizou dentro da BGS essa inovadora adaptação da franquia de estratégia para testes. Mas foi difícil achar quem venceu!


Jogos de tabuleiro estão presentes na história da humanidade, marcando presença até em civilizações antigas como astecas, egípcios e sumérios. Avançando alguns anos pela história vamos chegar a nomes que com certeza você já deve ter se divertido jogando, como Banco Imobiliário, Detetive e Jogo da Vida. Os jogos de tabuleiro podem ser vistos como a origem dos games que temos hoje em dia, e o pessoal da Galápagos Jogos não se esqueceu disso ao marcar presença com um estande dentro da Brasil Game Show.


Era possível conhecer alguns dos jogos recentemente trazidos ao Brasil pela empresa, como Ticket to Ride Europa, 7 Wonders, Zombicide, Krosmaster Arena, SmallWorld e A Guerra dos Tronos: Board Game. E assim como o restante dos estandes da feira, era possível testar os jogos com monitores explicando as regras. Assim ficava fácil entender e entrar no espírito de alguns dos divertidos jogos expostos. Mas mesmo com bastante conteúdo exposto, houve apenas um que realmente chamou minha atenção, X-COM: Board Game. Ele ganhou tanto pela relação de seu título com o jogo de estratégia assim como pela jogabilidade envolvida.

A Terra está em perigo

X-COM: Board Game segue a história apresentada em X-COM: Enemy Unkown lançado em 2012 pela 2K Games e Firaxis Games. Nele, a Terra está sendo invadida por diversos alienígenas extremamente hostis. Todas as nações do mundo se unem para lutar contra os invasores e montam o X-COM, organização militar de elite cujo objetivo é defender o planeta. As diversas nações contribuem mensalmente com dinheiro para manter a organização, porém podem abandonar o projeto caso o nível de pânico de seu país cresça demasiadamente por causa das invasões.
UFOs estão invadindo a América do Norte e do Sul ao mesmo tempo. Qual defender primeiro?


Nesse ponto, o jogo de tabuleiro segue bastante os conceitos do original, ao oferecer dinheiro limitado para as ações dos jogadores e eventualmente cortando fundos caso algum continente dispare seu nível de pânico. Outros pontos, como jatos para interceptar óvnis, as diversas classes de soldados e diferentes raças alienígenas também estão presentes por aqui. Então a versão para tabuleiro acaba sendo uma extensão muito boa para os fãs do game.

O jogo tem uma interação diferente para seus quatro possíveis jogadores ao requerer o uso durante toda a sessão de jogo com um aplicativo disponível para computadores, smartphones ou tablets. Esse aplicativo passa as ordens de cada rodada, assim como quais eventos randômicos irão acontecer agora. Também é possível consultar o manual e sanar dúvidas com o aplicativo. Algo interessante é que o aplicativo controla também o tempo que cada jogador tem para tomar algumas ações, lhe passando a sensação de pressão das decisões da equipe do X-COM.
Não se encante pelo belo tabuleiro. É preciso pensar bastante antes de suas ações!


A sessão de jogo começa com cada um dos quatro jogadores assumindo um dos papéis-chave do X-COM e vão cooperar entre si para defender a Terra. Cada um tem um período de tempo limitado para tomar suas decisões, controlado pelo aplicativo. As funções disponíveis são:

  • Chefe de Operações: Ele vai ser responsável por monitorar as instruções do aplicativo e repassa-las aos outros jogadores. Ele precisa entender e passar tudo bem rápido, já que as decisões costumam ser cronometradas. Caso ele atrase, vai tirar segundos preciosos do restante da equipe. Além disso, ele controla os satélites que mapeiam a atividade alienígena ao redor do mundo.
  • Comandante: O homem responsável por controlar o orçamento da equipe. O problema é que o dinheiro é bem apertado, e costuma ficar pior ainda conforme o tempo passa. Ele precisa planejar os investimentos futuros assim como os gastos emergenciais do time para defender locais sendo atacados.
  • Capitão: Ele precisa designar os melhores soldados para os combates mais indicados para vencerem, assim como proteger a base do X-COM contra invasores. Perder a base é game over automático, então você vai querer que o capitão faça seu trabalho direito.
  • Diretor Científico: Ele parece estranho por não ter uma atuação direta, já que sua função é gastar com pesquisas para melhorar o desempenho do restante do grupo. Porém, ele precisa estar bem atento com o que acontece ao redor dele, já que ele pode criar cartas para beneficiar as outras funções com suas pesquisas. Escolher qual a pesquisa ideal para o momento é seu desafio.
Se prepare para uma vida bem difícil por aqui.

É possível jogar com menos de quatro pessoas, mas fica bem complicado para alguém assumir mais de uma das funções. E por ser um jogo cooperativo com tempo bem limitado para decisões, dificilmente você vai poder parar para ouvir instruções ou opiniões de outros jogadores. Então não fica uma decisão do grupo sob suas ações, como já experimentei em outros jogos cooperativos.

Sentimentos misturados?

A dificuldade do jogo é gritante, tanto que no período que testei e vi outras pessoas jogando, ninguém conseguiu sair vitorioso. Isso que o jogo estava sendo apresentado na dificuldade fácil para o pessoal. Você vai precisar entender bastante as regras e cada uma das funções para conseguir se sair bem. Isso pode ser um problema para muitos jogadores, pois a enorme curva de aprendizado com certeza já afugenta muita gente. É preciso ser até um pouco masoquista para entender como tudo funciona e continuar tentando jogar mesmo depois de sofrer nas mãos dos alienígenas. Isso também acontece em outros jogos demonstrados, como A Guerra dos Tronos: Board Game e Zombicide.
Zombicide era outro jogo bastante procurado dentro da BGS

Mas mesmo assim a temática, o belo tabuleiro e a interação com o aplicativo continuavam atraindo mais gente para testar o jogo. E ele parece ficar cada vez mais legal conforme você aprende a superar os inúmeros obstáculos no seu caminho. Pelo jeito a Galápagos deu um tiro certeiro ao trazer o X-COM: Board Game ao país. Pronto para a aventura, comandante?
Vinicius Eleno é formado em Administração de Empresas pela USP, e mestre em cultura inútil pelas experiências de vida. Desde 1993 gosta de explorar o mundo dos games em seu tempo livre. Pode ser encontrado reclamando da vida no Facebook e Twitter.

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