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Análise: Kaiju Panic (PC/XBO) é uma mistura de estratégia e fofura

O novo game da Mechabit é mais uma demonstração de que a temática Kaiju retornou também ao mundo dos games.


Depois de jogos como o clássico Rampage (SNes) e o polêmico Godzilla (PS3/PS4), no qual você controla as criaturas gigantes que destroem a cidade e lutam uns contra outros, finalmente, chegou o momento de você estar do lado mais frágil deste eterno conflito, o lado dos humanos.
Rampage, um jogo de Super Nintendo, no qual você é um monstro gigante que deve causar o máximo de caos e destruição.

Kaiju Panic (PC/XBO) é o primeiro game do estúdio britânico Mechabit, que, por si só, já é um nome muito sugestivo para este tipo de jogo, uma vez que parece fazer referência aos robôs gigantes típicos da cultura japonesa. O estúdio britânico foi o responsável por  desenvolver e distribuir o título, que foi lançado no Steam no dia 9 de outubro. Apesar de ser difícil categorizá-lo em um determinado gênero, podemos dizer que o game é um Tower Defense com elementos RTS, que mistura ação e estratégia, mas que parece deixar todas as partes mais complexas, típicas deste último estilo, de lado, focando na simplicidade e objetividade.

Olha, mamãe, dinossauros! 

Kaiju é uma palavra japonesa que significa “bestas estranha” ou “animal incomum”, mas que também pode ser traduzida simplesmente como “monstro”. Ela é usada, em especial, para se referir a tokusatsu, séries e filmes de baixo orçamento que contêm efeitos especiais e cuja história sempre envolve heróis ou monstros.

Seu Visual é bem cartunesco e os personagens lembram bastante os bonecos de Playmobil, brinquedos que eram bastante populares nos anos 70 e que na época era tão populares quanto o Lego, seu eterno rival. A única diferença, nesse caso, é que, diferentemente do que ocorre  no Playmobil, os personagens não possuem pernas e se movimentam saltitando. E se essa descrição já fez com que você achasse os personagens fofos é porque você ainda não viu os Kaijus, que parecem uma espécie de globos gelatinosos de face muitíssimo amigável. No final das contas, você irá preferir apertá-los e abraçá-los a exterminá-los.

A história do jogo nos é apresentada em formato de H.Q. e, mesmo sem utilizar um único balão de conversação, se faz clara e compreensível, de uma maneira geral. Ela começa quando vários meteoritos atingem a Terra causando devastação e pânico nas ruas. Esse evento causa um grande impacto na região e obriga o governo a não só investigar as áreas de impacto como também resgatar os poucos sobreviventes que ainda habitam estas regiões. Mas como se esta catástrofe não fosse o bastante, monstros gigantes começam a surgir ao redor do mundo e atacar grandes metrópoles.

Você não tem ideia do que está vindo 

Eliminar os kaijus é só um dos vários objetivos do game. Na verdade, cada uma das fases tem objetivos próprios, mas, independente destes, em todas elas você terá de evitar a destruição da cidade e salvar os sobreviventes que, por algum motivo, lá permanecem. O único modo de você perder uma partida é deixar que destruam o quartel general, que é facilmente reconhecível por ser o maior prédio de cada uma das fases e também por ser o principal alvo dos monstros, logo, apesar dos vários objetivos, esse será foco majoritário.

Para isto você contará com um grande arsenal que inclui enormes canhões, ácido, armas lasers, explosivos, entre outros vários equipamentos. No intervalo entre uma missão e outra, você terá acesso ao Kaiju Lab, uma espécie de laboratório em que você poderá pesquisar todas as espécie e subespécies de monstros, seus pontos fracos e será capaz de desenvolver novas tecnologias para detê-los. Em outras palavras,  aqui você poderá utilizar toda a matéria prima coletada dos Kaijus para comprar novas armas e melhorar aquelas que você já possui. Afinal de contas, até mesmo para os monstros que a primeira vista parecem invencíveis, como o famoso Godzilla, há armas que exploram seus pontos fracos.

O problema é que, da mesma maneira que você pode desenvolver e aprimorar suas armas, devido aos meteoritos, a atmosfera e o clima da Terra fazem com que os Kaijus também possam evoluir das mais diversas maneiras, podendo alterar a composição de suas pele, adquirir asas, aumentar seu tamanho e adquirir novas habilidades, ou seja, sua aventura se transformará em uma corrida contra tempo. Essas transformações fazem clara referência a clássicos monstros de filmes japoneses como Mothra, que é uma espécie de lagarta gigante que se transforma em borboleta, e  Ghidorah, que são pequenas criaturas que se fundem e se tornam um enorme dragão de três cabeças. Em suma, pelos mais variados motivos, dependendo do título em questão, esses monstros sofrem mudanças em sua anatomia, evoluindo e se tornando mais poderosos.

A vantagem é que todas as fases do jogo podem ser revisitadas à vontade, permitindo assim que você acumule matéria prima e possa evoluir seus equipamentos ao máximo antes de passar para o próximo desafio. Entretanto certas armas permanecerão bloqueadas até que você conclua determinados estágios.

O game possui uma total de 30 fases espalhadas por seis diferentes regiões do mundo. No último estágio de cada uma dessas regiões você se deparará com um monstro colossal, que lhe obrigará a resgatar os sobreviventes e fugir ou combatê-lo. De qualquer maneira, isso exigirá um plano mirabolante típico de clássicos filmes de Kaiju, como a versão japonesa de Godzilla, que apesar dos efeitos especiais toscos possui histórias espetaculares que agradariam qualquer fã de monstros gigantes.

A primeira missão, que serve como tutorial, lhe apresentará as mecânicas básicas do jogo, como mover a câmera e seu personagem principal: a missão consiste somente em salvar os sobreviventes do meteoro e aproveitar esse resgate para pegar uns pedaços dos meteoros.

Os personagens, aliás, são um elemento essencial no andamento do game, cada um deles possui atributos distintos e diversas finalidades dentro das mecânicas do game. Entre elas está a de acelerar a contrução de armas e equipamentos, contanto que estejam próximos a estes, e melhorar temporariamente os atributos das armas, o que exige que os personagens entrem dentro delas, o que pode ser um grande risco, podendo ocasionar suas mortes se o armamento for destruído.

Esse não é o fim do mundo

Os únicos possíveis defeitos do game estão no aumento da dificuldade que progride de modo não linear, em outras palavras, no início o jogo é extremamente fácil, mas de uma hora para outra se torna quase impossível.

Outro aspecto que deveria ser mais bem trabalhado é a história, que apesar de nos apresentar vários clichês e elementos típicos de filmes de Kaijus, nos dá poucos detalhes sobre a natureza e a fisiologia destes monstros, o que enriqueceria muito a narrativa do jogo.


Kaiju Panic é um jogo divertido e que irá agradar tanto aos fãs de tower defense quanto aos fãs de monstros gigantes. Sua história, entretanto, peca na falta de detalhes e nos dá impressão de certa superficialidade. Ademais, a dificuldade também poderia ser mais bem nivelada, o que pode ocorrer posteriormente, através de um update.

Prós

  • “Visual “playmobil” e cartunesco;
  • História contada em formato de H.Q.;
  • Diversidade de armas e aprimoramentos;
  • Mais de 40 espécies de Kaijus.

Contras

  • História rasa;
  • Dificuldade mal nivelada.
Kaiju Panic - PC/XBO - Nota: 8.0
Revisão: Luigi Santana
Capa: Marco Monteiro
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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