Análise: Darkest Dungeon: The Fire's Edge revive o terror do clássico dez anos depois em um DLC básico

Duas personagens inéditas e outras pequenas adições são motivos suficientes para readentrar esse universo de estresse e horror.

em 21/08/2026

O mundo de horrores e estresse de Darkest Dungeon volta a pulsar com a expansão The Fire’s Edge. O primeiro DLC inédito em seis anos foca em expandir as possibilidades com a introdução de duas personagens da sequência Darkest Dungeon II, além de outras adições menores. Apesar de modesta, a expansão é um ótimo motivo para voltar a encarar o terror deste universo sombrio.

É no mínimo curioso um jogo receber uma expansão dez anos após seu lançamento, ainda mais quando já existe uma sequência há algum tempo. Nesse contexto, The Fire’s Edge faz o caminho contrário e adiciona duas heroínas de Darkest Dungeon II ao primeiro título: a Fugitiva e a Duelista. O mais interessante é que não se trata de uma mera transferência de personagens, pois inclui também mecânicas inéditas.

Espalhando o caos com as chamas

A Fugitiva é uma sobrevivente que escapou por muito pouco: a pele com queimaduras e as vestimentas em farrapos dão uma dica das dificuldades enfrentadas por ela. Agora, ela usa o fogo como arma em uma mecânica inédita neste primeiro título chamada Ardor. Inimigos infligidos com esse estado negativo queimam a cada turno, e com certas habilidades é possível espalhar as chamas para outros alvos.


Além de colocar fogo nas coisas, a Fugitiva tem uma seleção diversa de habilidades focadas em ataque direto e reposicionamento. Além disso, a garota conta com um movimento defensivo que a move para o final da formação e ativa o estado furtivo, que impede que ela seja alvo de inimigos. Com isso, a personagem é uma opção viável em praticamente qualquer posição do grupo.

Com sua mecânica de incendiar e espalhar chamas, a Fugitiva é uma ótima adição a uma equipe que consegue reorganizar os oponentes. No meu tempo com ela, derrotei grupos poderosos simplesmente colocando fogo em um espaço e puxando inimigos até lá — depois de alguns turnos, eles simplesmente arderam e viraram cinzas. Gostei bastante da versatilidade proporcionada pela heroína.



Dançando graciosamente pelo campo de batalha

Já a Duelista é uma esgrimista que alterna entre as posturas agressiva e defensiva, que afetam as habilidades disponíveis. Um detalhe importante é que a maior parte de seus ataques a faz mudar de posição, o que é uma faca de dois gumes: por um lado, é fácil reposicioná-la; por outro, agir levianamente pode quebrar a formação e a estratégia da equipe ao utilizá-la.


Graciosa e fatal, a Duelista é versátil e capaz de infligir muito dano, muitas vezes em conjunto com alterações interessantes de posicionamento. Muitas de suas habilidades também ativam contragolpes, o que é excelente para retaliar aqueles que a atacam. Porém, sua defesa e vida são baixas, então é importante alternar com sabedoria entre agressividade e defesa para sobreviver.

Particularmente, acho a Duelista uma das personagens mais interessantes de Darkest Dungeon por causa de sua dualidade entre posturas e movimentação constante. No entanto, ela é um pouco difícil de usar por se mover demais, então é importante pensar com antemão os movimentos futuros para não ficar em situações complicadas. Recomendo utilizá-la em conjunto com outros personagens que também se movimentam, pois assim é possível montar estratégias interessantes em cima da mobilidade de todos.



Outras pequenas adições quase esquecíveis

O grande atrativo da expansão é a dupla de personagens, mas há também algumas outras novidades. Foram adicionados novos berloques, alguns deles com características únicas, como efeitos que podem ser ativados por determinado número de vezes e atributos que mudam sob certas condições. Fora isso, o DLC inclui três novos distritos que liberam bônus semanais uma vez construídos. Essas novidades são bem discretas e têm impacto pequeno na experiência como um todo, mas não deixam de ser interessantes.

É ótimo ver Darkest Dungeon receber uma última expansão dez anos depois de seu lançamento, no entanto este DLC acaba um pouco perdido no mar de conteúdo que o jogo recebeu durante essa década — atualizações, outras expansões e conteúdo criado por fãs mais que dobraram o escopo inicial do título. Isso se dá principalmente por causa da simplicidade do pacote: talvez por ser o último ele poderia ter oferecido algo mais substancial. Mas, no fim, o resultado é positivo.



Um fechamento modesto para um grande roguelike

Darkest Dungeon: The Fire’s Edge mostra que ainda há espaço para expandir o roguelike mesmo uma década após seu lançamento. A Fugitiva e a Duelista são as grandes responsáveis por isso, trazendo estilos de combate distintos que ampliam as possibilidades estratégicas, enquanto os novos berloques e distritos complementam o pacote. Embora o conteúdo seja modesto diante de tudo que o jogo acumulou ao longo dos anos, as duas heroínas tornam a expansão interessante para quem deseja retornar ou conhecer pela primeira vez o mundo sombrio de Darkest Dungeon.

Prós

  • Fugitiva e Duelista são personagens versáteis e interessantes;
  • As novas mecânicas ampliam as possibilidades estratégicas.

Contras

  • Os demais conteúdos fora as personagens têm impacto reduzido.
Darkest Dungeon: The Fire’s Edge — PC/PS4/PS5/XBO/XSX/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Red Hook Studios
OpenCritic
Siga o Blast nas Redes Sociais
Farley Santos
é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).