O mundo de horrores e estresse de Darkest Dungeon volta a pulsar com a expansão The Fire’s Edge. O primeiro DLC inédito em seis anos foca em expandir as possibilidades com a introdução de duas personagens da sequência Darkest Dungeon II, além de outras adições menores. Apesar de modesta, a expansão é um ótimo motivo para voltar a encarar o terror deste universo sombrio.
É no mínimo curioso um jogo receber uma expansão dez anos após seu lançamento, ainda mais quando já existe uma sequência há algum tempo. Nesse contexto, The Fire’s Edge faz o caminho contrário e adiciona duas heroínas de Darkest Dungeon II ao primeiro título: a Fugitiva e a Duelista. O mais interessante é que não se trata de uma mera transferência de personagens, pois inclui também mecânicas inéditas.
Espalhando o caos com as chamas
A Fugitiva é uma sobrevivente que escapou por muito pouco: a pele com queimaduras e as vestimentas em farrapos dão uma dica das dificuldades enfrentadas por ela. Agora, ela usa o fogo como arma em uma mecânica inédita neste primeiro título chamada Ardor. Inimigos infligidos com esse estado negativo queimam a cada turno, e com certas habilidades é possível espalhar as chamas para outros alvos.Além de colocar fogo nas coisas, a Fugitiva tem uma seleção diversa de habilidades focadas em ataque direto e reposicionamento. Além disso, a garota conta com um movimento defensivo que a move para o final da formação e ativa o estado furtivo, que impede que ela seja alvo de inimigos. Com isso, a personagem é uma opção viável em praticamente qualquer posição do grupo.
Com sua mecânica de incendiar e espalhar chamas, a Fugitiva é uma ótima adição a uma equipe que consegue reorganizar os oponentes. No meu tempo com ela, derrotei grupos poderosos simplesmente colocando fogo em um espaço e puxando inimigos até lá — depois de alguns turnos, eles simplesmente arderam e viraram cinzas. Gostei bastante da versatilidade proporcionada pela heroína.
Dançando graciosamente pelo campo de batalha
Já a Duelista é uma esgrimista que alterna entre as posturas agressiva e defensiva, que afetam as habilidades disponíveis. Um detalhe importante é que a maior parte de seus ataques a faz mudar de posição, o que é uma faca de dois gumes: por um lado, é fácil reposicioná-la; por outro, agir levianamente pode quebrar a formação e a estratégia da equipe ao utilizá-la.Graciosa e fatal, a Duelista é versátil e capaz de infligir muito dano, muitas vezes em conjunto com alterações interessantes de posicionamento. Muitas de suas habilidades também ativam contragolpes, o que é excelente para retaliar aqueles que a atacam. Porém, sua defesa e vida são baixas, então é importante alternar com sabedoria entre agressividade e defesa para sobreviver.
Particularmente, acho a Duelista uma das personagens mais interessantes de Darkest Dungeon por causa de sua dualidade entre posturas e movimentação constante. No entanto, ela é um pouco difícil de usar por se mover demais, então é importante pensar com antemão os movimentos futuros para não ficar em situações complicadas. Recomendo utilizá-la em conjunto com outros personagens que também se movimentam, pois assim é possível montar estratégias interessantes em cima da mobilidade de todos.
Outras pequenas adições quase esquecíveis
O grande atrativo da expansão é a dupla de personagens, mas há também algumas outras novidades. Foram adicionados novos berloques, alguns deles com características únicas, como efeitos que podem ser ativados por determinado número de vezes e atributos que mudam sob certas condições. Fora isso, o DLC inclui três novos distritos que liberam bônus semanais uma vez construídos. Essas novidades são bem discretas e têm impacto pequeno na experiência como um todo, mas não deixam de ser interessantes.É ótimo ver Darkest Dungeon receber uma última expansão dez anos depois de seu lançamento, no entanto este DLC acaba um pouco perdido no mar de conteúdo que o jogo recebeu durante essa década — atualizações, outras expansões e conteúdo criado por fãs mais que dobraram o escopo inicial do título. Isso se dá principalmente por causa da simplicidade do pacote: talvez por ser o último ele poderia ter oferecido algo mais substancial. Mas, no fim, o resultado é positivo.
Um fechamento modesto para um grande roguelike
Darkest Dungeon: The Fire’s Edge mostra que ainda há espaço para expandir o roguelike mesmo uma década após seu lançamento. A Fugitiva e a Duelista são as grandes responsáveis por isso, trazendo estilos de combate distintos que ampliam as possibilidades estratégicas, enquanto os novos berloques e distritos complementam o pacote. Embora o conteúdo seja modesto diante de tudo que o jogo acumulou ao longo dos anos, as duas heroínas tornam a expansão interessante para quem deseja retornar ou conhecer pela primeira vez o mundo sombrio de Darkest Dungeon.Prós
- Fugitiva e Duelista são personagens versáteis e interessantes;
- As novas mecânicas ampliam as possibilidades estratégicas.
Contras
- Os demais conteúdos fora as personagens têm impacto reduzido.
Darkest Dungeon: The Fire’s Edge — PC/PS4/PS5/XBO/XSX/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Red Hook Studios
Análise produzida com cópia digital cedida pela Red Hook Studios









