Enfim, chegou a hora de uma das maiores editoras de quadrinhos colocar seus heróis novamente em combates frenéticos em um jogo novo. Quem frequentou fliperamas, ou pelo menos ouviu histórias daquela época, sabe que a Marvel sempre teve uma presença forte em jogos de ação, principalmente beat ‘em ups.
Em 1994, a missão heroica de salvar o planeta — de seja lá qual ameaça fosse — deu lugar à pura pancadaria franca, com X-Men: Children of Atom, no qual só precisávamos escolher um dos mutantes da lista e sentar a porrada nos outros despretensiosamente. A chancela da Capcom na criação dos games levou a uma das melhores fases da Marvel nos games.
A combinação de super-heróis com jogos de luta gerou uma febre absoluta entre jovens que adoravam colocar Ciclope contra Wolverine, Homem de Ferro contra Capitão América ou Homem-Aranha contra Hulk, replicando passagens épicas dos quadrinhos ou até tirando da fantasia embates que até então só aconteciam na teoria. Não demorou muito para as lutas escalarem para outra rivalidade, que gerou uma das maiores franquias crossover da história: Marvel vs. Capcom.
Vingadores, X-Men e até vilões tinham que lidar com Ryu, Mega Man, Captain Commando e companhia em um show de golpes elaborados que combinavam os talentos de uma dupla de personagens, escolhidos livremente entre o elenco. Essa combinação foi o suficiente para criar alguns dos títulos mais cultuados dos jogos de luta, como Marvel vs. Capcom 2 e Ultimate Marvel vs. Capcom 3.
O último respiro original dessa parceria, que após a virada dos anos 2000 decaiu fortemente, foi com Marvel vs. Capcom Infinite, em 2017, mas o título foi bombardeado pela crítica especializada e pelos fãs por diversos motivos, incluindo modelos reutilizados de MvC3, trilha sonora fraca e movimentação genérica.
Um último lampejo de nostalgia veio em 2024, com MARVEL vs. CAPCOM Fighting Collection: Arcade Classics, que reuniu os jogos de luta dessa parceria em uma coletânea, mas, ainda assim, sem promessas de alguma novidade no futuro.
A surpresa total veio em junho do ano passado, quando a Arc System Works, criadora de Guilty Gear e BlazBlue, surgiu do nada e anunciou Marvel Tōkon: Fighting Souls, trazendo os heróis da Casa das Ideias de volta para a arena de uma forma completamente diferente, mas sem perder a essência já conhecida.
Monte sua equipe e salve o universo (ou não)
Os jogos de luta da Marvel ficaram conhecidos pela possibilidade de escolher uma dupla ou trio, dependendo do título, para enfrentar seus adversários. Em Tōkon, isso não será diferente; inclusive, será maior. O universo da narrativa dividirá 20 personagens em cinco equipes, que são as seguintes:
- Unbreakable X-Men: Tempestade (Storm), Wolverine, Magia (Magik) e Perigo (Danger);
- Amazing Guardians: Homem-Aranha, Senhor das Estrelas (Star-Lord), Ms. Marvel e Peni Parker;
- Fighting Avengers: Capitão América (Captain America), Homem de Ferro (Iron Man), Hulk e Pantera Negra (Black Panther);
- Knights of Doom: Doutor Destino (Dr. Doom), Magneto, Carnificina (Carnage) e Duende Verde (Green Goblin);
- Samurai Outriders: Motorista Fantasma (Ghost Rider), Blade, Loki e Deadpool.
Assim como em diversas passagens das HQs, cada time formado tem uma nomenclatura e, se alterarmos a formação, um novo título é criado, só para deixar as coisas divertidas.
A interação entre os personagens durante a luta está um pouco diferente, como o GameBlast conferiu no hands-on durante a gamescom latam deste ano. Sempre escolhemos um integrante da equipe para iniciar a partida e os outros são adicionados como participantes ativos ao longo dos rounds seguintes, mas, até lá, atuam apenas como assistentes passivos. Isso ajuda a não tumultuar o combate logo de cara.
Chegar aos rounds finais com todos os heróis disponíveis habilita interações bacanas e até os famigerados especiais em grupo, nos quais todos participam de uma sequência. Agora resta saber como a criatividade da comunidade irá trabalhar ao escolher diferentes grupos, dos mais óbvios até os mais improváveis.
Por fim, haverá uma narrativa que justificará a existência desses times. O Campeão do Universo é uma entidade que extermina qualquer planeta que não seja capaz de produzir lutadores dignos. Por conta disso, novas alianças são formadas e inimigos tornam-se aliados com o objetivo de evitar a aniquilação da Terra. Assim, essas equipes vão batalhar entre si para decidir qual delas é digna de ficar frente a frente com o Campeão.
Meio original, meio localizado
O hype em cima de qualquer coisa que envolva super-heróis atualmente é enorme, ainda mais depois da criação do Universo Cinematográfico da Marvel, que serviu para introduzir uma série de personagens para um público mais diverso, que nem tinha tanto contato com os quadrinhos. Ainda assim, Marvel Tōkon também tem suas pitadas de originalidade.
A principal delas está nos trajes dos personagens. O que foi visto nos trailers é uma espécie de reinvenção, que busca evocar os visuais tradicionais, mas com uma cara original, distanciando-se da estética cinematográfica, que buscava menos cores e mais sobriedade. Ainda assim, já foi revelado que os trajes clássicos poderão ser desbloqueados ou adquiridos em expansões futuras.
Uma característica que persiste já há algum tempo será mantida aqui: os heróis terão seus nomes em inglês, mesmo que a localização para o nosso idioma já tenha sido confirmada pela Arc System Works. Inclusive, para a surpresa de muitos, também já foi revelado que Marvel Tōkon contará com vozes em português dos mesmos atores que integraram projetos anteriores da Marvel, como filmes, animações e outros jogos. Isso faz de Marvel Tōkon o primeiro jogo da ArcSys a contar com dublagem.
O elenco de vozes contará com os célebres Duda Espinoza como Capitão América, Marco Ribeiro como Homem de Ferro, Carol Crespo como Shuri, Raphael Rossatto como Peter Quill e Mauro Castro como Hulk. Diego Marques e Charles Dalla, responsáveis por dublar Spider-Man e Duende Verde em Marvel’s Spider-Man, respectivamente, também marcarão presença.
Uma das vozes que mais causavam curiosidade era a de Wolverine, pois desde o falecimento do lendário Isaac Bardavid, o bastão do personagem foi passado para Luiz Feier Motta (X-Men Evolution). Entretanto, no jogo, ele será dublado por Arthur Machado.
Combates eletrizantes, equipes incomuns e vozes no nosso idioma parecem ser a combinação que os fãs tanto esperavam para um novo jogo de luta da Marvel. Agora resta esperar se os heróis mais poderosos da Terra farão bom uso de tudo isso, enquanto, de quebra, salvam o planeta.
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut











