A notícia sobre o fim das mídias físicas nos consoles PlayStation a partir de 2028 ganha mais um capítulo nesta semana. Desta vez, uma organização de defesa do consumidor dos Países Baixos afirmou que a mudança fortalece sua ação judicial contra a empresa, alegando que o fim dos discos pode reduzir a concorrência e ampliar o controle da Sony sobre os preços dos jogos.
Segundo a Stichting Massaschade & Consument (SM&C), órgão responsável por um processo coletivo movido contra a Sony, o abandono dos discos pode concentrar ainda mais poder nas mãos da fabricante. O principal argumento é que, sem a opção da mídia física, a PlayStation Store se torna o único canal oficial para a compra de novos jogos no ecossistema PlayStation, criando um monopólio na venda de jogos para suas plataformas.
Após a primeira audiência, realizada nos últimos dias, a entidade está prosseguindo com o caso 'Fair PlayStation' em nome de cerca de 1,7 milhão de jogadores holandeses. A ação pede um valor na casa dos 400 milhões de Euros (mais de R$2,3 bilhões na cotação atual) em verbas indenizatórias.
A redação do portal Wccftech entrou em contato com a entidade e recebeu a seguinte resposta de Lucia Melcherts, presidente da Stichting Massaschade & Consument, que deu uma declaração sobre o assunto. Confira:
"O fim dos discos físicos elimina o último lugar onde um jogo de PlayStation ainda podia ser comprado e vendido a um preço competitivo. Sem discos, não há mercado de segunda mão nem alternativa à PlayStation Store. Assim, a partir de 2028, somente a Sony decidirá o preço de um jogo e até mesmo por quanto tempo você poderá usá-lo. É exatamente esse o problema que nossa reivindicação por um PlayStation Justo enfrenta: um preço nunca será justo quando o comprador fica sem a propriedade do jogo e sem alternativa."
Desde o anúncio do fim da produção de mídias físicas feito pela Sony no início do mês, as discussões sore a propriedade de jogos pelos consumidores e a preservação de jogos voltou com força em todo o mundo. Entidade e até autoridades políticas já declararam algum tipo de ação para evitar que consumidores sejam lesados pela decisão da Sony em limitar a venda de jogos para seus consoles em sua loja digital.
No Brasil, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), abriu uma representação junto à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), solicitando a abertura de um procedimento administrativo para apurar os impactos da medida aos consumidores brasileiros. A mesma também realizou uma denúncia junto ao PROCON-SP, que já deu uma resposta preliminar sobre o tema.
Relembrando a decisão polêmica da Sony, a empresa japonesa publicou uma nota em seu blog oficial no último dia 1 de julho sobre o fim da produção de mídias físicas para seus consoles a partir de janeiro de 2028. Com isso, novos jogos lançados para os atuais e novos consoles PlayStation a partir desta data só poderiam ser comprados por meio da PlayStation Store.
Desde o anúncio a empresa vem enfrentando uma enxurrada de críticas da comunidade em seus perfis nas redes sociais, em que muitos adotaram o termo "No Disc, No Buy" (sem disco, sem compra), como forma de protesto pela decisão da empresa pelo fim da produção de discos para seus jogos. A Sony não deu nenhuma declaração complementar sobre o assunto desde então.
Fonte: Wccftech



