Impressões: Mistfall Hunter deixa uma primeira impressão mista entre boas ideias e problemas técnicos

Um ARPG com foco em combates físicos, uma vasta variedade de classes e bastante potencial.

em 02/07/2026


O gênero de jogos de extração (principalmente o subgênero extraction shooter) está se tornando gradualmente a nova febre da indústria. Empresas como PlayStation e Embark Studios já começaram a investir nele com projetos como Marathon e Arc Raiders. Mas, em meio a tantos games com foco em tiro presentes nessa vertente, Mistfall Hunter se destaca pela sua proposta de trocar as armas balísticas para ser um ARPG sombrio com uma vasta variedade de especializações e foco em combate corpo a corpo.

Durante uma oportunidade de beta aberta que ocorreu do dia 20 de junho até 2 de julho, consegui testar a obra pela primeira vez, e, infelizmente, minha experiência não foi como gostaria. Enfrentei vários problemas com os servidores e com algumas escolhas de design, as quais vou detalhar logo. Mesmo assim, adianto que esse é um projeto com bastante potencial para ser um diferencial no nicho.

Um mundo nórdico e sombrio

A jornada começa com uma criação de personagem bem robusta, com diversas opções de cabelos, vozes e rostos. Logo após isso, foi o momento de escolher uma das várias classes disponíveis, tendo tanto as clássicas (como guerreiro, mago e arqueiro) quanto outras inusitadas (como vidente, cavaleiro decaído e sombrastrix), o que me deixou impressionado com a quantidade e, principalmente, com sua diversidade na jogabilidade.


Em seguida, temos uma breve contextualização da trama que se desenrola em meio a um conflito entre deuses e divindades do Além. Como consequência, esse embate gerou um fenômeno chamado de Névoa Áurea, que se espalhou pelo mundo e enlouqueceu tudo e todos que encontrava. Para reverter isso, entra Orvalha, a dama imortal que concede vida eterna a guerreiros como o protagonista.

A partir disso, ela enviará o jogador para mapas específicos para realizar missões e ocasionalmente enfrentará outros jogadores. Sinceramente, a narrativa não me chamou muita atenção, pois achei-a bastante desinteressante, embora tenha inspiração na mitologia nórdica. Ela é desenvolvida de um modo que os diálogos tornam-se monótonos e maçantes, o que faz com que o enredo seja transmitido de maneira vaga.


Além da história, nesse começo da jornada também é apresentada a base principal, que conta com baú para guardar equipamentos, um ferreiro para melhorá-los, mercadores e uma NPC que fornece bebidas especiais que fortalecem o herói e, por último, um corvo falante que funciona como vigia do porto da base, ao qual utilizamos para ir até os territórios.

Guerreiros imortais em um conflito eterno

Mistfall Hunter é um ARPG de extração, sendo assim seu loop de jogabilidade consiste em ir até o porto e partir para explorar um dos dois cenários que estavam disponíveis na beta. Essa atividade pode ser feita solo ou com três jogadores. Infelizmente não era possível jogar em dupla, o que limita bastante as opções cooperativas.


Os territórios são visualmente chamativos, cheios de arquiteturas gigantescas, além dos visuais das criaturas que perambulavam e também eram interessantes. Tudo isso se soma a uma ambientação nórdica e sombria, que à primeira vista lembra Elden Ring. Nas locações existem várias atividades secundárias, baús para serem abertos com diversos artefatos e equipamentos, inimigos para serem enfrentados e as já citadas missões principais. 

No entanto, a interface do título é muito poluída; o minimapa ocupava muito espaço e ainda tinha uma bússola totalmente desnecessária atrapalhando a visibilidade, os ícones de habilidades também estavam mal posicionados e, por último, várias mensagens de tutoriais apareciam mesmo eu já os tendo feito. Além disso, as configurações durante esse período de teste não permitiam alterar tais problemas, como o mapa.


Mesmo com o design “duvidoso” da interface, ainda me diverti durante minhas partidas graças à jogabilidade, que consegue ser simples e intuitiva de aprender. Podemos usar ataques fracos e fortes, mas é necessário ficar atento, pois cada golpe consome um pouco de stamina.

Na minha experiência, joguei principalmente com a classe de cavaleiro caído, que era focada em espadas de duas mãos, pois prefiro arquétipos mais robustos. No entanto, estranhei a falta de algumas mecânicas, como a possibilidade de defender e a falta de uma trava de mira, o que tornava o confronto contra outros jogadores atrapalhado e, de certa forma, engraçado.


A variedade de arquétipos disponíveis foi um dos pontos que mais me chamaram atenção durante meus embates; sempre era surpreendido com alguma estratégia diferente, como em uma partida em que fui emboscado por um Sombrastrix capaz de ficar invisível e um feiticeiro. Embora eu tenha morrido nesse encontro, o jogo foi generoso e recuperou uma parte dos itens que perdi.

Muitos problemas técnicos

Um dos principais problemas que tive, além dos já citados, foi com os servidores. Embora tenha sido uma grata surpresa ver que existe um servidor dedicado ao Brasil, ele não funcionou direito durante o período de testes e ficou indisponível várias vezes, o que dificultou jogar tanto quanto gostaria.


Mesmo tentando utilizar o servidor americano, a tarefa de conseguir sequer entrar em uma partida era árdua e, devido à diferença de pings, os confrontos eram injustos. Como a obra possui crossplay entre plataformas, isso ficou ainda pior. Mesmo assim, os desenvolvedores fizeram bastante pesquisa para ouvir a opinião dos jogadores.

Um RPG sombrio com potencial, mas que precisa de polimento


Mistfall Hunter
deixou uma primeira impressão mista devido a problemas na conexão com os servidores, uma interface que mais atrapalha do que ajuda na exploração e a falta de algumas mecânicas básicas (como trava de mira) dificultou a experiência. Mesmo assim, a vasta variedade de especializações, a ambientação sombria dos mapas e a jogabilidade intuitiva e simples conseguiram me manter preso ao game.

Provavelmente esses problemas devem ser arrumados até o lançamento do título em 29 de julho de 2026, visto que a empresa fez várias pesquisas para saber a opinião da comunidade e se mostrou bem ativa com seus fãs durante o período da beta. 

Revisora: Juliana Piombo dos Santos
Texto de impressões produzido com demonstração, adquirida durante o período da beta aberta

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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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