Originalmente lançado para PC em agosto de 2025, Abyssus é um jogo de tiro em primeira pessoa com elementos de roguelite em um universo denominado brinepunk. Com suporte a partidas multijogador para até quatro pessoas, o esquadrão deve enfrentar os perigos de uma antiga civilização nas profundezas do oceano.
No fim de junho, Abyssus recebeu versões para PlayStation 5 e Xbox Series X|S, juntamente com uma nova atualização que adiciona uma nova área e suporte ao multijogador entre plataformas (crossplay). Na análise a seguir, vamos conhecer um pouco deste interessante projeto e como sua chegada aos consoles poderia ter sido melhor aproveitada.
A luta pela salmoura
Em Abyssus, conhecemos um mundo onde a principal fonte de energia é a salmoura, uma substância rara e poderosa que só pode ser encontrada nas profundezas do oceano. Na pele de uma ousada equipe de exploradores, nossa missão é adentrar as profundezas do mar em busca do cobiçado recurso, que existe em abundância nas ruínas de uma antiga civilização submarina.
O que era para ser uma expedição em busca de recursos logo se torna uma verdadeira batalha pela sobrevivência quando os habitantes corrompidos do reino submerso se rebelam e resolvem revidar a invasão dos seres da superfície. Cabe a nós enfrentar essa ameaça para obter o recurso desejado e retornar à superfície.
Abyssus é um jogo de tiro em primeira pessoa com foco no aspecto multijogador cooperativo. Grupos de até quatro jogadores podem ser formados para explorar juntos as profundezas do oceano em busca da valiosa salmoura. Ainda é possível jogar em modo solo. Porém, fica evidente que o ideal é ter companheiros para auxiliar nas atividades que envolvem enfrentar ondas de inimigos, cumprir objetivos e vencer os chefes de cada área.
A cada nova incursão, o jogador é guiado por diferentes áreas compostas por diversas salas, em que os inimigos precisam ser derrotados para que se possa prosseguir. Em alguns momentos, objetivos adicionais são atribuídos, como destruir alvos específicos ou defender alguma área.
Cada área é composta por quatro etapas, aqui denominadas Profundidades. Na segunda e na quarta etapa de cada área, enfrentamos, respectivamente, um subchefe e um chefe. Ao derrotá-los, temos acesso a recursos valiosos que podem ser usados para desbloquear aprimoramentos permanentes e temporários, que auxiliam durante a incursão atual.
Ao concluir uma etapa, em alguns casos, é possível interagir com um totem que oferece algum tipo de modificador ao jogador. Em geral, são habilidades místicas que criam novas sinergias durante o combate, como efeitos diversos, aprimoramentos e bônus para nosso armamento. Conforme jogamos e concluímos desafios, como derrotar certa quantidade de inimigos, usar determinadas armas ou chegar a certas áreas durante a incursão, novos equipamentos e habilidades são desbloqueados para serem usados no saguão inicial, antes de uma nova incursão.
Como é de praxe no gênero roguelite, mais conteúdo é desbloqueado à medida que jogamos, criando novas possibilidades graças ao uso de outras armas, modificadores para elas e equipamentos para auxiliar em uma nova descida, além de diversos itens cosméticos para personalizar o personagem dentro do jogo.
Ação rebuscada
Abyssus é um título curioso que chama a atenção por sua ambientação única, mas não é inovador a ponto de ser considerado um ponto fora da curva. Apesar de a proposta de roguelite de ação em primeira pessoa não ser uma novidade, a jogabilidade tem seus méritos por entregar uma mecânica de tiro satisfatória.
As armas, apesar de serem livremente inspiradas em armamentos reais, conseguem transmitir originalidade e personalidade ao jogo. De metralhadoras e revólveres a armas de Tesla e atiradores de arpões, elas possuem modificadores próprios que criam possibilidades únicas e meios engenhosos de jogar, seja você um jogador já habituado a jogos de tiro ou não.
Um dos pontos que motivou minha jogatina foi justamente o desbloqueio de novas armas e apetrechos para usá-las, o que propicia diferentes abordagens a cada incursão e outros meios de combater os inimigos, graças à forma única como cada uma funciona. As habilidades secundárias, como lançar bombas e ativar torretas de apoio, também criam oportunidades de ser engenhoso e criativo em cada encontro com uma nova leva de inimigos.
A isso se somam as bênçãos, que possibilitam diferentes tipos de sinergia durante o combate, seja no controle de multidões, no dano massivo ou em aspectos defensivos para quem ainda tem certo receio de partir para cima dos monstros. A experimentação dos diferentes tipos disponíveis é outro fator que incentiva a jogatina, na busca pela combinação ideal de armas e técnicas que permitem avançar no jogo.
Mas faltou o principal: o grupo
Como mencionado no início desta análise, Abyssus chegou aos consoles com dois destaques: uma nova área inicial, acessada de forma aleatória após a conclusão de determinada atividade no jogo, e o suporte ao crossplay entre plataformas. Ambas as novidades reforçam o incentivo à jogatina em grupo.
A nova área, um submarino abandonado, é uma boa adição. Ela traz um nível de desafio distinto para a primeira área do jogo, com inimigos diferentes e uma ambientação que enriquece ainda mais a atmosfera de Abyssus. O destaque fica para o chefe, que pode representar um desafio considerável caso você não esteja bem equipado para o embate.
Já a funcionalidade multijogador, de um modo geral, ficou devendo bastante: desde o lançamento do jogo, simplesmente não consigo jogar uma única partida com outras pessoas.
No PS5, versão usada para esta análise, nas poucas vezes em que consigo me conectar com outros jogadores, a conexão é desfeita momentos após eu me reunir com o grupo, e recebo a notificação de que "a sessão está lotada".
Em outras ocasiões, mesmo realizando uma busca bem-sucedida por partidas com outros jogadores, ao tentar me conectar, sou levado de volta ao menu inicial. Minha única opção foi me aventurar nas profundezas sozinho, o que deixou a experiência menos divertida e mais difícil, visto que algumas dinâmicas são evidentemente mais bem aproveitadas em grupo, como na batalha contra diversos inimigos e na conclusão de objetivos, quando disponíveis.
Em parte, a equipe da DoubleMoose Games conseguiu cumprir sua promessa de trazer a experiência envolvente de Abyssus para os consoles. Um roguelite com personalidade única e jogabilidade viciante que, infelizmente, ao menos na minha experiência, não pôde ser aproveitado da forma ideal, ao lado de outros exploradores em busca da cobiçada salmoura.
Nadando para quase morrer na praia
Abyssus chega aos consoles como um roguelite competente, sustentado por uma ambientação brinepunk que consegue se destacar em meio a um gênero cada vez mais concorrido. O arsenal variado, as sinergias proporcionadas pelas bênçãos e a progressão constante de equipamentos garantem horas de jogatina envolvente, especialmente para quem aprecia experimentar diferentes combinações de armas e habilidades a cada nova descida.
A adição da área do submarino reforça essa qualidade, trazendo um desafio bem construído que expande o conteúdo inicial sem soar repetitivo. É uma prova de que a equipe da DoubleMoose Games sabe onde estão as forças do jogo e como explorá-las. No entanto, a proposta central de Abyssus é a cooperação, e é justamente aí que a versão para consoles decepciona.
Os problemas recorrentes de conexão tornam a experiência multijogador praticamente inacessível, o que compromete boa parte do que o jogo tem de melhor a oferecer. Jogar sozinho é possível, mas está longe de ser a forma ideal de aproveitar tudo o que Abyssus propõe. Pelo menos no PS5, onde não consegui experimentar esse método de jogo.
Fica, portanto, a recomendação cautelosa: quem busca um roguelite de tiro em primeira pessoa com identidade própria encontrará em Abyssus um bom motivo para mergulhar nas profundezas. Basta torcer para que os problemas de multijogador sejam corrigidos em breve, permitindo que a experiência alcance todo o seu potencial. Caso contrário, continue jogando no PC.
Prós
- Ambientação brinepunk única, que diferencia o jogo dentro do gênero roguelite;
- Arsenal variado, com armas que possuem modificadores próprios e mecânicas de tiro satisfatórias;
- Sistema de bênçãos que permite diferentes sinergias e abordagens de combate;
- Progressão constante de equipamentos e habilidades, que incentiva novas incursões;
- Suporte a crossplay entre plataformas.
Contras
- Funcionalidade multijogador extremamente instável, com falhas recorrentes de conexão no PS5;
- Dificuldade (ou impossibilidade, em muitos casos) de formar grupos com outros jogadores;
- Experiência em modo solo mais difícil e menos divertida, já que várias dinâmicas foram pensadas para o cooperativo.
Abyssus — PC/PS5/XSX — Nota: 6.5Versão utilizada para análise: PlayStation 5
Revisão: Heloísa D’Assumpção Ballaminut
Análise produzida com cópia digital cedida pela The Arcade Crew












