Recomeçando a aventura
Lançado originalmente em 2024, Granblue Fantasy: Relink foi considerado um ótimo RPG de ação. Mais de dois anos depois, em julho de 2026, chega Endless Ragnarok, uma grande expansão que adiciona muito conteúdo ao jogo base. E, embora a compra não seja obrigatória, esse DLC certamente torna o título mais robusto e interessante para novatos e veteranos.
Antes de focar nas novidades da atualização, vale falar de maneira geral sobre o game. Ele tem uma temática de fantasia medieval fantástica, fazendo uso de ilhas flutuantes como as regiões nas quais o jogador vive suas aventuras com o Capitão (cujo nome é personalizável), Lyria, Katalina e demais tripulação de seu navio voador. As missões colocam quatro personagens para enfrentar inimigos em grandes cenários repletos de magia e criaturas fantásticas.
Embora os heróis possam evoluir ao subir de nível e com o uso de itens melhores, eles possuem características bem definidas de ataques e habilidades. Cada um deles é bem diferente do outro, permitindo a criação de equipes variadas. Outro ponto importante é o dos elementos, que pertencem a um sistema de fraquezas e de resistências familiar, como os demais RPGs do gênero.
A jogabilidade é relativamente simples, tornando combates menos um teste de habilidade e mais um de estratégia e timing, favorecendo posicionamento adequado, uso de golpes no tempo certo e a possibilidade de evitar ataques fortes dos inimigos. Em termos de produção, temos um game no estilo anime, com visuais muito bonitos e coloridos, boa dublagem e temática fantástica muito bem explorada.
Ótimas novidades (com um porém)
Granblue Fantasy: Relink - Endless Ragnarok é um daqueles DLCs que não muda radicalmente sua base, mas sim a reforça de maneira contundente, ainda que de forma localizada. Para começar, seis novos personagens foram adicionados ao elenco de heróis “disponíveis” para montar sua equipe. Coloquei a palavra entre aspas porque é preciso obter tíquetes dentro do jogo para liberar novos membros ou para avançar no novo conteúdo adicionado (ou pagar com dinheiro real na loja do seu dispositivo).
Embora isso não chegue a ser injusto, quem quiser liberar todos os personagens vai precisar jogar bastante. Inclusive, a nova expansão me pareceu uma oportunidade perdida para inovações mais abrangentes, como a criação de um sistema de troca dinâmico de heróis durante as lutas. Infelizmente, não é possível alternar ativamente entre os membros da sua equipe, uma inclusão que poderia tornar as lutas ainda mais dinâmicas e variadas.
Outra adição são os Primal Bursts, ataques que causam dano massivo (e têm uma bela animação) após uma sequência de golpes especiais. Mais uma novidade é a possibilidade de invocar e controlar criaturas poderosas durante as lutas, aumentando o arsenal disponível. Infelizmente, essas opções estarão disponíveis para o jogador somente após o final da campanha (e algumas tarefas de dificuldade específica) base do game.
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| Temos uma longa lista de membros para recrutar |
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| As lutas tem bons recursos para serem travadas (mas poderiam ter mais) |
Quem já havia jogado Granblue Fantasy: Relink deve saber do que estou falando: o game tem uma história principal que leva o jogador a diferentes ilhas voadoras de Zegagrande e a enfrentar a organização secreta chamada Igreja de Ávia. Missões paralelas podem ser cumpridas para obter mais recursos e pontos de experiência extras para ficarmos mais fortes.
Após concluir a campanha, é possível continuar jogando para subir os personagens de nível e obter equipamentos melhores, de modo a enfrentar as missões mais difíceis do game. É quase como se esse fim de jogo fosse o modo “principal” do título, colocando os jogadores para testar combinações de habilidades, itens e equipes para vencer os muitos desafios disponíveis.
Work hard, play hard
Endless Ragnarok amplia as possibilidades desse pós-campanha com uma breve história (que faz uso dos novos personagens), novos níveis de dificuldade e mecânicas de jogo inéditas. Logo, as invocações e Primal Bursts, embora muito legais e úteis, não estão disponíveis logo de largada, exigindo terminar a história base e jogar em dificuldades altas. Vale a pena percorrer esse caminho, mas não deixa de ser uma decepção para quem comprou Granblue Fantasy: Relink só agora e ficou interessado nas novidades.
Como eu não tinha jogado a versão base antes, fiquei meio perdido por não ter tudo isso à minha disposição ao começar o game. Ainda que faça sentido trancar algumas novidades mais poderosas para depois da campanha, confesso que seria legal ter acesso a algumas delas logo no início. Um bom exemplo são os personagens novos, que exigem boas horas de jogo para ficarem disponíveis (salvo se você pagar a mais por eles).
O modo Confluência é mais um caso de novidade “presa”: uma espécie de roguelite, essa opção de jogo conta com dungeons geradas aleatoriamente que se tornam progressivamente mais difíceis, oferecendo melhorias permanentes conforme o jogador avança. Ela é bem interessante, só que ela só fica disponível a partir do Capítulo 6 da campanha base do game. Mais uma vez, isso não demora muito e a experiência até lá é bem divertida.
Dificuldades maiores, novas habilidades – organizadas em categorias de dano, suporte e acertos críticos – e novos níveis para os equipamentos complementam as opções de final de jogo. Tudo isso é um prato cheio para quem curte Granblue Fantasy: Relink - Endless Ragnarok, aumentando o conteúdo do game em termos de quantidade sem comprometer a sua ótima qualidade.
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| Faça seu caminho no modo Confluência |
Faltou mais ousadia
Além da relativa demora em acessar as novidades da expansão, minha única crítica mais forte ao jogo é a sua proposta um pouco morna. Provavelmente visando ser acessível para um público mais amplo, ele tem uma violência mais leve e personagens “bem-comportados”. Isso não é um demérito em si, pois Granblue Fantasy: Relink - Endless Ragnarok é um jogo sólido e que sabe bem o que está fazendo.
A questão é que para mim faltou um pouco mais de ousadia, tanto em termos de mecânicas, quanto de história. Lembra da troca de personagens em meio às lutas? Esse é um exemplo simples que incrementaria bastante a experiência em relação ao jogo original - assim como ter acesso aos recursos do DLC. Num nível mais intrínseco, penso que os próprios personagens poderiam ser mais expressivos e interessantes.
As expressões faciais poderiam ser mais... expressivas, seguindo o exemplo das vozes, que estão muito boas (infelizmente, existe uma dessincronia entre dublagem e movimentos labiais). Preciso deixar claro que essas críticas ficam mais no quesito gosto pessoal do que propriamente um problema. Embora eu mantenha a questão da falta de expressão e do jogo não ousar muito, ele é sim um ótimo RPG de ação.
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| Um jogo com ambientação bonita e orgânica |
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| Os efeitos do jogo são muito bonitos |
Boas qualidades
O ciclo de conhecer um novo local, enfrentar as suas missões e inimigos, melhorar o time e repetir tudo novamente funciona muito bem. A produção é muito caprichada, contando com efeitos luminosos e cores vibrantes. O desempenho é suave e competente, com telas de carregamento breves e uma ótima localização dos textos em português brasileiro.
Considerando a grande quantidade de informações que o game traz, essa providência foi importante para que os jogadores tupiniquins pudessem acompanhar tudo direitinho. Outro ponto forte é que a jogabilidade padrão de explorar e combater em grupo por vezes é substituída por usar armas fixas, controlar robôs e lutar como um monstro gigante. Não quero trazer spoilers, mas o jogo sabe variar sua jogabilidade de vez em quando.
Vale comentar que a expansão Endless Ragnarok chega juntamente com uma grande atualização para o jogo base. Essa sim trouxe novidades desde o primeiro minuto de jogo e também está disponível para quem não comprar o DLC. As mudanças são numerosas: melhoria das informações mostradas nas telas; recompensas aumentadas para várias missões; ajustes nas habilidades dos heróis; novas cenas e a possibilidades de pular algumas delas; etc.
Por fim, destaque para a estreia do cross-play completo entre os consoles que possuem uma versão do jogo. Assim, disputar missões online ao lado de amigos ou de jogadores aleatórios ficou bem mais fácil. Considerando os níveis de dificuldade Chaos adicionados, jogar em grupo é uma ótima pedida para ter sucesso nas missões mais difíceis e obter as melhores recompensas do game.
A aventura não tem fim
É possível dizer que Granblue Fantasy: Relink - Endless Ragnarok é um ótimo exemplo de como expandir um bom game. O DLC adiciona muito conteúdo para o RPG de ação, incluindo novas missões, personagens inéditos, e mecânicas de jogo interessantes. Apesar de boa parte das novidades estar restritas para depois da campanha, a diversão e as qualidades dessa aventura estão lá desde o início, sendo uma ótima sugestão para novatos e veteranos da franquia.
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| Uma ótima pedida para a sua biblioteca |
Prós
- RPG de ação recebe um DLC que traz bastante conteúdo interessante, sobretudo em termos do pós-campanha;
- Seis novos personagens aumentam o elenco de opções para montar a sua equipe, cada um com características únicas;
- O modo Confluência é um jeito interessante de jogar, oferecendo novos desafios no estilo roguelite;
- Mais missões e níveis de dificuldade para explorar após a finalização da história principal, bem como as habilidades de invocação e Primal Bursts;
- A grande atualização que chega junto a expansão traz várias melhorias de qualidade de vida aos jogadores, com destaque para o sistema de cross-play.
Contras
- Expansão poderia ter ido além do pós-campanha e ter trazido mais novidades logo de início, incluindo liberar e customizar novos personagens, bem como acessar itens e habilidades inéditas;
- Em termos gerais, personagens, mecânicas e eventos poderiam ser mais ousados.
Granblue Fantasy: Relink - Endless Ragnarok — PC/PS4/PS5 — Nota: 8.0Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Juliana Santos
Análise redigida com cópia digital cedida pela Cygames















