Análise: R-Type III Dimensions traz de volta dos maiores carrascos dos anos 1990 com algumas modernidades

O terceiro título da célebre série de shmups ganha nova modelagem e trilha sonora, mas mantém sua dificuldade altíssima, sem oferecer nenhum refresco.

em 26/05/2026
R-Type é um nome indiscutível para quem gosta de shoot ‘em ups, não importa em qual console a pessoa tenha começado a jogar. O legado dessa lenda começou a ser revisitado em 2018, com R-Type Dimensions EX, que trazia os dois primeiros títulos. Depois, veio R-Type Delta HD Boosted, um relançamento da primeira entrada tridimensional da franquia que é muito aclamado por fãs e críticos. Mas houve um pequeno “pulo” aí, que agora foi reparado.

Lançado inicialmente em 1993, o terceiro título da saga finalmente foi trazido de volta. R-Type III Dimensions traz um dos jogos de navinha mais casca-grossa dos anos 90, com direito a novos visuais e trilha sonora rearranjada.

Os seis estágios de dor

É sempre bom lembrar a galera mais nova de que muitos jogos da era dos cartuchos aliavam dois elementos: curta duração e dificuldade elevada. Um jogo como R-Type III dura uns 40 minutos, mas isso só se você for treinado por algum tipo de ninja espacial. Sua nave vai explodir milhares de vezes e seus continues irão acabar rapidinho até você pegar o esquema de pilotagem, o que é normal.

A nave que pilotamos pode contar com uma sonda destacável para aumentar o seu poder de fogo. A trajetória dos projéteis varia a partir do modelo que escolhemos antes de iniciar a aventura. Cada uma das três opções possuem suas características únicas. Além disso, também podemos carregar um híper disparo ou fortalecer nossa arma básica por alguns instantes.

Além das ondas de inimigos, os cenários em si também trazem uma série de armadilhas letais, fixas e móveis, o que significa que não adianta só liquidar quem perambula pelo espaço. É necessário ter olho vivo com as armações metálicas que mudam de orientação, tochas acopladas nas paredes e formações que aparecem no meio do caminho.

Dimensions trouxe duas opções para dar uma chance aos novatos: um seletor de dificuldade e a possibilidade de ter vidas infinitas. Na prática isso não muda muita coisa, pois os níveis são chamados de Normal e Avançado, mas ambos são muito difíceis. Logo, usar as vidas infinitas ao longo das seis fases pode acabar se tornando uma jornada de deixar a nave seguir até cada chefe enquanto vai sendo destroçada e reaparecendo na tela. 

Isso acaba tirando um pouco da graça para quem quer curtir o game. Inclusive, atualmente temos diversas opções, seja de títulos novos ou coletâneas das antigas, que apresentam uma gama de opções bem mais generosas com o público. Para mim, não precisaria nem das vidas infinitas se houvesse o já manjado recurso de rebobinar ou um nível de dificuldade realmente mais baixo, nem que fosse ao custo de desativar a conquista de troféus, já que a ideia era apenas mostrar o andamento de R-Type de uma forma mais branda.

Pelo menos agora dá para convidar um amigo para sofrer junto com você, pois foi adicionado um modo cooperativo para dois jogadores de maneira local. E um último aviso: não adianta tentar procurar artimanhas da época do SNES para usar aqui. R-Type III é um dos poucos, senão o único da franquia a não ter códigos de trapaça. Elas só foram introduzidas na versão de Game Boy Advance. Então boa sorte… você vai precisar.

Mudança de planos

A maior inovação que R-Type III Dimensions traz está no aspecto estético. É possível jogar em sua essência bidimensional original, como já é esperado, e também com novos modelos em 3D. Ao optarmos pela nova versão, ainda podemos escolher uma câmera com um ângulo levemente inclinado, o que adiciona uma profundidade interessante à ação.

Infelizmente, os novos modelos não conseguem ser tão atraentes assim. Nada do que aparece na tela consegue ser mais impressionante do que os visuais vistos em Delta HD Boosted, por exemplo, ou até mesmo no estilo original do R-Type III de 1993. Claro que não dava para esperar um mega retrabalho só para este lançamento, mas um pouco mais de cuidado com elementos como luminosidade e texturas já teria sido de bom tamanho.

Uma escolha que pode dividir opiniões é a da possibilidade de alternar entre os gráficos durante a partida. Para alguns, pode ser divertido ficar mudando toda hora entre 2D e 3D para notar cada diferença possível. Para outros, pode parecer um desperdício adicionar isso ao meio da partida. Eu particularmente acredito que essas opções deveriam ficar restritas apenas ao menu. E não adianta tentar tirar essas funcionalidades do controle, pois não há opção de remapeamento de botões.

No fim, o destaque positivo mais vistoso do game está na trilha sonora. A original já era muito boa e a versão remasterizada canaliza perfeitamente o seu espírito, com uma releitura adequada e bem feita dos temas clássicos.

Uma joia (muito) bruta

Com a chegada de R-Type III Dimensions, agora temos os quatro primeiros títulos da franquia relançados de maneira oficial, mas ainda assim este aqui merecia uma apresentação melhor. A ideia de remodelar o jogo é ótima na teoria, mas na prática foi feita de maneira bem aquém do seu potencial. A dificuldade exagerada também envelheceu mal, ainda mais se colocarmos outras franquias do gênero que ressurgiram em coletâneas e edições de aniversário. Pelo menos fomos agraciados com uma ótima trilha sonora rearranjada.

Prós

  • A implementação de vidas infinitas nos ajuda a chegar até o final do jogo (nem que seja pelo cansaço);
  • Não deixa de ser um clássico e o R-Type do SNES que faltava ser lançado para fechar o trio original;
  • Modo co-op local para dois jogadores;
  • A trilha sonora rearranjada acerta em cheio em manter a essência original e adicionar elementos modernos.

Contras

  • A dificuldade exagerada até mesmo para a época afasta novatos e cansa veteranos;
  • Falta de uma opção de remapear os botões do controle;
  • Os modelos tridimensionais merecem alguns cuidados com texturas e iluminação;
  • Ter um botão só para ficar alternando gráfico e outro para mexer na câmera em um shoot ‘em up é um pouco desnecessário.
R-Type III Dimensions — PC/PS4/PS5/Switch/Switch 2/XSX — Nota: 5.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela Clear River Games
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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