Story of Seasons: Grand Bazaar foi um jogo que me chamou atenção quando descobri que existia uma versão da franquia com o famoso personagem Doraemon, mais precisamente Doraemon Story of Seasons: Friends of the Great Kingdom, o título mais recente da série com o personagem. Apesar da curiosidade, sempre esperei o melhor momento para comprar o jogo (entenda “melhor momento” como promoção), mas acabava dando prioridade para outros games, até surgir a oportunidade de finalmente jogar um título da franquia com Story of Seasons: Grand Bazaar.
Quando descobri que Story of Seasons era, na verdade, o novo nome da clássica franquia Harvest Moon, fiquei ainda mais interessado. Lembro do meu melhor amigo comentar várias vezes que era um dos jogos que ele mais gostava no PS1, e isso só aumentou minha curiosidade para entender o que tornava a série tão especial.
Na minha casinha de barro
Story of Seasons: Grand Bazaar é um comfy game de fazendinha, mas que traz um diferencial interessante em relação a outros jogos da franquia: aqui, você realmente precisa correr atrás do próprio dinheiro através das vendas feitas na feira da cidade. O jogo é um remake de um título originalmente lançado para Nintendo DS, que posteriormente ganhou versões para PC, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2, chegando agora também ao PlayStation 5 e Xbox Series.
Aliás, aqui no GameBlast já fizemos a análise das primeiras versões do remake lançadas para PC e consoles da Nintendo. Grand Bazaar é um jogo em terceira pessoa com gráficos totalmente em 3D, diferente da versão original do Nintendo DS. O visual chama bastante atenção pelas cores vivas, pela iluminação agradável e pela interface modernizada.
A trilha sonora segue exatamente o clima esperado de um cozy game. As músicas acompanham o ritmo da aventura, variando entre temas mais calmos, relaxantes e até um pouco mais agitados dependendo do ambiente, da cidade e das situações do jogo.
De resto, as mecânicas clássicas continuam presentes: plantar, colher, cuidar dos animais, produzir itens e, além disso, criar laços com outros personagens, algo muito importante para a progressão durante o jogo.
Bom dia, bom dia, o sol já nasceu lá na fazendinha
Como em praticamente todo jogo do gênero, antes de começar a vida de fazendeiro, você passa pela parte de customização do personagem. Dá para alterar cabelo, olhos, boca, tipo físico, roupas e outros detalhes do avatar. Inclusive, apesar de não ser algo tão utilizado durante a jogatina, também é possível escolher a voz do personagem.
Com tudo pronto, finalmente chega a hora de começar a aventura. Você chega em Zephyr Town como o novo fazendeiro da cidade e logo encontra o prefeito na entrada. Ele explica que a feira local já não atrai tantos visitantes quanto antigamente e espera revitalizá-la com a sua ajuda, utilizando os produtos cultivados na fazenda que você ficará responsável por administrar.
Depois desse primeiro diálogo, começa um tour pela cidade. Além de apresentar os personagens e pontos importantes, esse momento também serve para você começar a memorizar os locais, já que será necessário retornar à cidade constantemente.
Após o passeio, o prefeito entrega alguns itens para que você venda assim que a feira abrir. É nesse momento que o jogo introduz, de forma bem natural, a principal mecânica de Grand Bazaar: o sistema de vendas. Sem perceber, você já entra em um tutorial que ensina como funcionam as negociações, algo extremamente importante para entender as estratégias que serão necessárias mais tarde.
Outro detalhe legal é que o próprio prefeito acompanha você durante essa primeira experiência, ajudando nas vendas e explicando o funcionamento da mecânica.
Uma pena que, apesar do sistema de vendas ser divertido, a movimentação do personagem durante esse momento não acompanha a proposta. O sistema de movimentação durante as vendas atrapalha porque momentos que deveriam ser rápidos acabam exigindo correções constantes de posicionamento.
Outro detalhe importante é prestar atenção no que os NPCs procuram. Você só pode deixar três itens expostos na bancada ao mesmo tempo, mas alguns personagens podem pedir produtos específicos que estão guardados no seu estoque. Nesses casos, basta substituir rapidamente um item exposto para concluir a venda.
E é justamente essa mecânica que diferencia Grand Bazaar dos outros jogos da franquia Story of Seasons. Em vez de simplesmente plantar e esperar o dinheiro aparecer automaticamente, aqui você realmente precisa participar das vendas para lucrar e evoluir.
A partir da segunda venda, seu personagem passa a levar produtos da fazenda para a cidade e vendê-los na feira. É preciso ter cuidado na hora de escolher o que levar e, para ajudar a atrair clientes, você pode tocar um sino que chama a atenção de quem está passando. A mecânica é simples, fácil de entender e não muito diferente da venda apresentada no tutorial com o prefeito.
O sistema de vendas também altera completamente o ritmo da progressão. Como o dinheiro depende diretamente do seu desempenho na feira, existe uma preocupação maior em administrar estoque, qualidade dos produtos e até o que vale mais a pena cultivar. Isso faz com que atividades simples da fazenda tenham mais peso estratégico do que em outros jogos da franquia.
Eu fiz um pé lá no meu quintal
Com a principal mecânica apresentada, chega a hora de começar a cuidar da fazenda de verdade. Mais uma vez, o prefeito surge para ensinar os conceitos básicos de cultivo.
Ele explica passo a passo como plantar corretamente: preparar o solo, colocar a semente, regar e utilizar fertilizante. Os primeiros vegetais crescem rapidamente, mas conforme o jogo avança, novas plantações passam a exigir mais tempo e dedicação.
Seu primeiro animal também chega através da ajuda do prefeito: uma galinha. Ela serve como introdução ao sistema de criação de animais, mostrando exatamente o que você pode esperar do restante da experiência. É preciso alimentar, dar carinho, levar para pastar e acompanhar o desenvolvimento dela com o passar dos dias. No meu caso, a Milú, minha galinha, começou a produzir ovos maiores e até um ovo dourado conforme eu cuidava melhor dela.
Os tutoriais funcionam bem porque apresentam as mecânicas de forma gradual, sem interromper excessivamente o ritmo do jogo. Mesmo para quem nunca teve contato com a franquia, o aprendizado acontece de maneira natural.
Conforme os dias passam, outros personagens começam a aparecer na fazenda pedindo ajuda. Em troca, você recebe itens, desbloqueia novas áreas e ganha novas possibilidades de evolução. Ajudar os moradores se torna uma parte importante da progressão.
Passa o inverno, chega o verão
Além da parte social, Story of Seasons: Grand Bazaar também leva muito a sério o sistema de estações do ano. É importante ficar atento ao período correto de cada plantação, já que determinados cultivos só podem ser feitos em épocas específicas.
O calendário pendurado na parede da fazenda se torna um grande aliado durante a jogatina. Ele mostra não apenas a estação atual, mas também datas importantes, aniversários, festivais e eventos especiais da cidade.
E é justamente em Zephyr Town que sua fazenda e seu personagem evoluem ainda mais. Criar laços com os moradores traz vantagens importantes no decorrer da aventura, tanto em eventos quanto nas próprias vendas da feira. Só é bom tomar cuidado na hora de presentear alguns personagens, já que nem todo mundo reage bem a qualquer item.
Outro fator importante são as mudanças climáticas. Dias chuvosos, por exemplo, fazem os moradores permanecerem mais tempo dentro de casa, mas também trazem a vantagem de irrigar automaticamente suas plantações.
Apesar de toda a dinâmica que acompanha o jogo, tive a impressão de que os dias passam rápido, O problema é que o jogo parece exigir produtividade constante do jogador. Como há pouco tempo disponível durante o dia, algumas atividades possam ser deixadas de lado, principalmente exploração e interação com NPCs. Isso faz com que parte da experiência cozy acabe entrando em conflito com a pressão da rotina.
Além disso, muitas dessas tarefas podem funcionar apenas como preenchimento de rotina, sem acrescentar tanto à narrativa ou aos relacionamentos com os personagens. Isso faz com que alguns momentos do jogo pareçam mais repetitivos do que realmente recompensadores.
Toca o berrante, seu moço
Story of Seasons: Grand Bazaar é um jogo que segue bastante a estrutura clássica dos RPGs. Existe muito diálogo, a progressão demora um pouco para engrenar e o ritmo é mais lento no começo. Porém, se você insistir, a experiência acaba sendo bastante recompensadora.
O jogo é muito bonito visualmente, possui uma trilha sonora agradável e conta com uma jogabilidade simples e fácil de entender. É uma experiência que realmente consegue relaxar enquanto você joga e até ajudar a se desligar um pouco das situações ao seu redor.
Story of Seasons: Grand Bazaar pode ser uma ótima opção de cozy game para quem busca passar horas em uma experiência relaxante, com desafios simples, mas que ainda exigem estratégia, sem se tornar cansativa ou necessitar de atenção excessiva do jogador.
Prós:
- Diferente dos outros jogos da franquia, aqui você precisa vender tudo diretamente na feira da cidade. Isso torna a experiência mais dinâmica e estratégica, já que é necessário escolher bem os produtos, lidar com diferentes qualidades de itens e atrair clientes para sua barraca;
- Os tutoriais podem ser pulados, o que pode ser bom para quem já está familiarizado com a franquia;
- A primeira venda feita com suprimentos fornecidos pelo prefeito ajuda muito a entender a mecânica de vendas.
Contras:
- Como grande parte dos RPGs, demora um pouco para o jogo realmente desenvolver;
- O avatar ficar escorregando na frente do balcão e se continuar pressionando para frente, pode acabar atrapalhando nas vendas;
- Algumas tarefas soam repetitivas e não agregam a história.
Story of Seasons: Grand Bazaar - PS5/ XSX - Nota: 8.0Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Marvelous USA (XSEED)













