Análise: Reigns: The Witcher traz retorno satisfatório de Geralt ao mundo do carteado

Game entrega uma experiência viciante e familiar, explorando a dinâmica entre Dandelion e o bruxo.

em 05/03/2026
Quem diria que o universo denso e pesado de The Witcher se encaixaria tão bem em um jogo de "sim ou não"? Reigns: The Witcher surge como uma colaboração que, parando para pensar, faz todo o sentido. A CD Projekt Red e a Nerial conseguiram adaptar, com maestria, o universo criado por Andrzej Sapkowski e as escolhas difíceis tradicionais dos videogames, unindo a vida de Geralt de Rívia e sua amizade com o bardo Dandelion em um jogo de escolhas rápidas, provando que a alma de um bom RPG não tem fronteiras.

O que é Reigns?

Para quem não conhece a franquia, o conceito de Reigns é simples: o jogo apresenta uma série de situações, através de cartas, nas quais você desliza para a esquerda ou para a direita para tomar uma decisão. Cada escolha afeta, de forma positiva ou negativa, quatro ícones de recursos fixos no topo da tela. Se qualquer uma dessas barras chegar ao máximo ou ao mínimo, sua jornada acaba — geralmente de forma trágica e engraçada. Depois, você começa uma nova vida,  ou história, no caso deste game,  herdando as consequências ou os benefícios das jogadas anteriores.

Que tal um carteado?

Ao analisar as mecânicas e o loop de gameplay, o grande desafio era entender se o minimalismo da franquia Reigns conseguiria fazer justiça à densidade do universo de The Witcher — e a resposta é que a adaptação é surpreendentemente interessante. O equilíbrio de poder, que no original focava em Igreja, Povo, Exército e Dinheiro, aqui foi substituído por elementos que fazem mais sentido na obra original: humanos, não-humanos (elfos, anões, dúplices etc.), feiticeiros e o foco em caçar monstros.

Essa mudança temática se estende à adição de minijogos de combate; considerando que a luta é um pilar central nos títulos principais de The Witcher, o minijogo de batalha integra o combate de espadas, o uso de Sinais e as habilidades características dos monstros. Inclusive, a movimentação lateral de esquiva — marca registrada dos jogos da CDPR — está presente, e é impressionante como é fácil reconhecer cada elemento adaptado. Temos aqui mais uma adaptação primorosa, assim como o sistema de esgrima utilizado em Reigns: Game of Thrones, que se baseava em diálogos e técnicas; a Nerial prova ser tão competente neste quesito quanto Geralt é em matar monstros. 

Porém, apesar de a curva de aprendizado se mostrar justa, no combate as derrotas podem ser frustrantes em momentos absurdamente desafiadores para um jogo que se propõe ser casual. As mortes aleatórias porém, são curiosamente divertidas e até cômicas, o que incentiva o jogador a continuar tentando chegar ao objetivo final — que, aqui, é tornar Dandelion em um bardo reconhecido.

No que diz respeito à narrativa, a transição para as cartas impressiona pelo quão natural a ambiguidade moral do universo foi capturada. Para quem já vem dos títulos da CDPR e está acostumado com sistemas de escolhas pesados, a grande diferença aqui é apenas a apresentação; o peso das decisões continua lá — de forma mais leve, é claro, mas ainda presente. 

A presença de figuras icônicas como Yennefer, Vesemir, Carpeado e Triss é totalmente orgânica e divertida, sendo muito satisfatório reconhecer tramas que remetem aos jogos e até aos livros, conforme surgem na tela. Quanto à troca de protagonistas e perspectivas, o jogo opta por uma abordagem simples e sem grandes invenções, seguindo padrões que quem jogou a versão de Game of Thrones da franquia Reigns vai identificar rapidamente; fica claro que o estúdio estava "jogando em casa" ao adaptar mais uma grande saga de fantasia medieval ao seu estilo.

Além disso, o tom sombrio e o sarcasmo ácido do Geralt sobreviveram intactos ao formato de poucas frases, já que ele é naturalmente um homem de poucas palavras. A dinâmica dele com o Dandelion parece extremamente familiar e fiel ao que já consumimos nos livros, games e até no live-action.

“Às vezes... Às vezes, as cabeças simplesmente rolam.”

No campo visual, o estilo minimalista de Reigns deu conta do recado e conseguiu representar os monstros e cenários do Continente sem parecer simples demais. Na verdade, o design das cartas lembra muito os pôsteres que encontramos dentro dos jogos da CDPR; como os personagens possuem traços e trajes muito característicos, a adaptação visual flui com facilidade. Outro ponto positivo é que o fã da franquia já está acostumado com versões desenhadas de The Witcher — seja pelas HQs, animações ou pelas próprias cutscenes estilizadas dos games principais —, o que torna a estética familiar de imediato.

A trilha sonora e os efeitos seguem pelo mesmo caminho de alta fidelidade, transportando o jogador totalmente para aquele clima folk e épico da trilogia original; as músicas poderiam estar tranquilamente nos títulos maiores, e a vibe casual do jogo é muito próxima da que experimentamos nos games spin-off: Gwent: The Witcher Card Game ou Thronebreaker: The Witcher Tales. Isso se deve ao fato de serem assinadas pelo artista Marcin Przybyłowicz, o compositor principal de The Witcher 3: Wild Hunt e Cyberpunk 2077

Tudo isso é amarrado por uma interface simples, em que a navegação e o visual das cartas colaboram com a experiência — mesmo que o game renda partidas bem curtas,  às vezes até demais, por conta daqueles erros bobos que, obviamente, eu nunca cometi.

No fim das contas, a recompensa por continuar jogando Reigns: The Witcher vale muito a pena, já que cada nova partida ajuda a enriquecer o conteúdo para a próxima balada do Dandelion — e a construção dessas histórias é, inclusive, um charme à parte do título. Nas primeiras jogadas, a curiosidade em explorar as múltiplas opções nesse novo formato pode até render sessões mais longas, mas, com o tempo, o jogo eventualmente retorna ao seu propósito original: ser um excelente game casual.

Compará-lo aos outros títulos da franquia é uma tarefa difícil; enquanto o primeiro Reigns mantém aquele charme especial de ter começado tudo, este é, de longe, o meu favorito e me fez questionar o porque de terem levado quase 11 anos para faze-lo. Para quem é fã da obra de Sapkowski e dos jogos da CD Projekt Red, a combinação é certeira e jogada obrigatória.

Prós:

  • Adaptação fiel ao universo de The Witcher;
  • Gameplay simples e divertido, conhecendo ou não Geralt e sua turma;
  • Visual minimalista e charmoso;
  • Trilha sonora impecável;
  • Historias divertidas e interessantes;
  • Inúmeras escolhas e consequências;

Contras:

  • Eventualmente se torna repetitivo;
  • É mais atrativo como game mobile;
  • Dificuldade do combate as vezes muito alta dentro da proposta. 
Reigns: The Witcher — PC/Android/iOS — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Devolver Digital

OpenCritic
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Windsor Santos
Jogadorino desde os áureos anos 90, geralmente surpreende amigos com a quantidade de títulos que já finalizou. Divide o amor por games com seus mangás, Hq's e filhotes. Agora seu objetivo é registar seus conhecimentos para as novas gerações de jogadores.
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