Anunciado em 2020, Pragmata é a nova aposta da Capcom no sci-fi com foco em tiro em terceira pessoa. Por muito tempo, era só isso que sabíamos, além, claro, da premissa envolvendo um brutamontes cuidando de uma menininha, em um mundo tecnológico pós-apocalíptico na lua. Agora, já perto do lançamento, marcado para 24 de abril, e uma demo, temos inúmeros detalhes sobre a narrativa e as mecânicas que quero destacar hoje.
Vida artificial
Após a demo, já disponível para todos os jogadores, ficou mais claro como Pragmata constrói seu cenário inicial. A história começa em uma estação lunar pertencente à Delphi Corporation, que enfrenta uma crise interna ainda cercada de mistério. Para investigar o ocorrido, uma equipe é enviada ao local, incluindo Hugh, o protagonista. Mas a missão rapidamente sai do controle quando um forte abalo sísmico — um “lunamoto” — atinge a base.
É nessa estação que foi desenvolvido o lunafilament, um material revolucionário capaz de construir estruturas e objetos como uma espécie de impressora 3D extremamente avançada, com propriedades quase orgânicas. Todo o sistema é administrado por uma inteligência artificial. Quando algo dá errado, essa IA assume uma postura hostil, transformando os robôs da estação em ameaças letais.
Hugh é dado como desacordado após o último lunamoto, porém é salvo por Diana, uma androide criada pela própria IA. A partir desse encontro, a narrativa ganha seu eixo central: a tentativa dos dois de escapar da estação e retornar à Terra.
No entanto, não se trata apenas de sobreviver a máquinas fora de controle. A IA parece capaz de manipular percepções e distorcer a realidade ao redor, levantando dúvidas constantes sobre o que é real, com ela construindo réplicas das cidades da Terra. Suas verdadeiras intenções permanecem obscuras, sugerindo que o conflito pode ser mais complexo do que uma simples rebelião tecnológica.
Diana é a criação mais refinada da inteligência artificial, uma androide com aparência e comportamento de uma criança. Ela desenha, demonstra curiosidade e se expressa com inocência convincente, reforçando a ideia de que o lunafilament pode ir além da engenharia mecânica, tocando algo quase humano.
Hugh, por sua vez, é apresentado como auditor de sistemas, mas sua familiaridade com armas sugere um passado diferente do que aparenta. Gentil, porém com um humor seco e ocasionalmente sarcástico, ele cria um contraste interessante com a sensibilidade de Diana. Essa dinâmica entre os dois parece ser o verdadeiro coração da experiência.
Ação estratégica
A ação é outro ponto forte de Pragmata. Durante os combates, o jogo pode lembrar títulos como The Last of Us e Dead Space, combinando tensão, posicionamento e gerenciamento de recursos. Hugh pode utilizar quatro tipos de armas, cada uma com funções bem definidas.
Há uma pistola com munição infinita que, apesar de fraca, entra em recarga após esvaziar o pente. Existe também uma arma mais potente, capaz de causar grande dano — como uma shotgun — ideal para confrontos diretos. Outra opção interessante é a arma que dispara uma espécie de barreira energética, desacelerando os movimentos dos robôs e criando espaço estratégico no campo de batalha. As armas mais fortes possuem munição limitada e só podem ser recarregadas ao encontrar o mesmo tipo espalhado pelo cenário. Além disso, pelo menos na demo, só é possível carregar uma arma de cada tipo por vez, reforçando a necessidade de planejamento.
Diana tem um papel essencial no combate através do hacking. É ela quem ativa um minigame responsável por expor as fraquezas dos inimigos, permitindo que Hugh cause dano real. À primeira vista, pode parecer estranho resolver um minigame em meio à ação, mas o design do título oferece ferramentas para que isso funcione de forma dinâmica. Hugh conta com um jetpack para planar e desviar rapidamente, além da arma que desacelera adversários, criando janelas seguras para o hacking. O próprio minigame também pode aplicar debuffs adicionais, como reduzir ainda mais as defesas dos inimigos.
Já a exploração da estação lunar segue uma estrutura que lembra um grande complexo interligado. O jogador avança desbloqueando portas e acessando novas áreas de forma relativamente linear, algo que remete ao design clássico de Resident Evil. Ainda assim, não há garantia de que essa estrutura será mantida até o fim da campanha, especialmente porque ainda não está claro se toda a aventura se passará exclusivamente na Lua.
Muito belo
A RE Engine talvez nunca tenha parecido tão impressionante. Diana e Hugh são extremamente bem modelados, com alto nível de detalhamento nos rostos, roupas e texturas. Mesmo na demo — na qual vemos mais das expressões faciais de Diana — o resultado já chama atenção. As animações são naturais, os cabelos apresentam ótimo movimento e os efeitos de partículas ajudam a dar peso aos confrontos e à ambientação da estação lunar. No geral, Pragmata demonstra um acabamento técnico bastante sólido e, ao menos nesse primeiro contato, roda de forma estável e consistente.
Na parte sonora, o jogo não busca algo grandioso, mas cumpre bem seu papel. A trilha e os efeitos ajudam a sustentar a atmosfera de tensão e isolamento. Um destaque importante é que, seguindo a tendência dos lançamentos recentes da Capcom, o título contará com localização completa em português do Brasil, incluindo textos e dublagem. É uma excelente notícia e reforça o cuidado da empresa com o público brasileiro.
Quando?
Após uma série de adiamentos desde seu anúncio original, Pragmata finalmente tem data marcada: 24 de abril, com lançamento confirmado para PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.
O hype cresceu consideravelmente após a boa recepção da demo “Sketchbook”, que ajudou a esclarecer a proposta do jogo e destacar suas principais mecânicas. Diana já demonstra potencial para se tornar uma personagem marcante, enquanto Hugh aparenta ter carisma e profundidade suficientes para sustentar o peso da narrativa. Agora, resta aguardar para descobrir se Pragmata realmente se consolidará como o mais novo sucesso sci-fi da Capcom.
Revisão: Thomaz Farias

