Desde seu anúncio em 2020, Pragmata — a nova IP da Capcom — tornou-se um dos projetos mais instigantes e misteriosos da indústria dos jogos. A nova aventura de ficção científica da icônica desenvolvedora japonesa sofreu com múltiplos adiamentos e longos períodos de silêncio que frustraram as expectativas dos fãs, que aguardam ansiosamente pela oportunidade de viver a aventura de Hugh e Diana. Felizmente, Pragmata está a caminho, agora com data de lançamento definida para o dia 24 de abril. Tive a oportunidade de testar a demo disponibilizada pela Capcom em 5 de fevereiro, chamada de “Sketchbook”, que traz um curto trecho da experiência para o público.
Um enigma construído sobre tropos clássicos
Pragmata apresenta um cenário em que a humanidade tenta explorar e colonizar a Lua e até mesmo alcança certo sucesso nessa empreitada, encontrando um novo material chamado “lunafilamento” — capaz de replicar todo tipo de objeto e estrutura — e construindo uma extensa base de pesquisas em solo lunar.
Neste cenário de colonização lunar em decadência, o jogador assume o papel de Hugh, um agente de segurança equipado com um traje espacial de alta tecnologia. Sua missão principal gira em torno de investigar a base lunar após as comunicações com a Terra terem cessado subitamente. Nesse processo, ele conhece Diana — um androide com a aparência de uma pequena garota e que possui habilidades misteriosas que auxiliam Hugh em sua jornada. Juntos, eles precisam confrontar ameaças robóticas e a IA rebelde “IDUS” enquanto buscam respostas sobre o que ocorreu na Lua.
A premissa narrativa não é revolucionária, mas constrói um cenário interessante utilizando aspectos da ficção científica que, apesar de não serem originais, unem-se para formar um quebra-cabeça interessante que promete ser montado em sua totalidade no jogo final.
Um esboço do futuro
Não é exagero dizer que a demo “Sketchbook” cumpre admiravelmente o seu papel de mostrar para o público, pela primeira vez, o mundo de Pragmata. A demo engloba os primeiros minutos da experiência, durando em torno de 15 a 30 minutos, e funciona incrivelmente bem como introdução à ambientação e loop de gameplay.
A base lunar, assim como a própria premissa narrativa, não é o tipo de ambiente que nunca foi feito antes em um jogo, mas consegue saltar aos olhos com um visual próprio que destaca algumas cores vibrantes em meio à estética majoritariamente neutra dos corredores e salas do local.
A exploração segue os moldes de Resident Evil, disponibilizando itens úteis para a sobrevivência do jogador e arquivos de áudio e texto que revelam mais sobre a narrativa do jogo, para os mais curiosos. Apesar de ser mais um aspecto derivativo da experiência, traz uma certa cadência necessária à jogatina.
Também é apresentada ao jogador a dinâmica entre Hugh e Diana, que imediatamente evoca lembranças de outras duplas famosas dos videogames — como Joel e Ellie, Kratos e Atreus, Leon e Ashley. A duração curta da demo não possibilita uma análise completa da relação entre os personagens, mas, ao menos inicialmente, a impressão que fica é de que eles se complementam, com Hugh no papel de líder e protetor e Diana com alguns trejeitos inocentes, condizentes à sua aparência. O que distingue essa dupla de outras que já vimos é que a dinâmica entre eles foge do estereótipo de “missão de escolta”. A relação entre eles é bem mais simbiótica, e a experiência transmite isso para o jogador na prática, especialmente através do combate.
Preparar, apontar, hackear!
O combate de Pragmata traz uma ideia única que, à primeira vista, acaba parecendo tediosa, repetitiva e até mesmo desnecessária. O sistema não só coloca o jogador no controle de Hugh, que funciona como um personagem tradicional de jogos de ação — que corre, pula, atira, desvia — , mas também simultaneamente nas capacidades de hacking de Diana.
O loop funciona da seguinte forma: os inimigos não podem ser derrotados eficientemente apenas através do combate tradicional. Primeiro, Diana deve hackeá-los para expor seus pontos fracos, e só então Hugh consegue destruí-los de vez. Para o jogador, isso se traduz numa jogabilidade tradicional em terceira pessoa, com uma diferença: o menu de hacking de Diana é aberto sempre que se mira num inimigo, e então o jogador passa simultaneamente por uma espécie de minigame em que Diana move um seletor por uma grade de hacking até alcançar o ponto verde que denota sucesso na tentativa e expõe os pontos fracos dos inimigos.
O ponto curioso desse sistema é que essa descrição sequer faz jus ao quão engajante é essa dinâmica, e nem mesmo vídeos de gameplay conseguem traduzir a experiência sensorial trazida pelo balanceamento das duas coisas — o combate tradicional e o hacking de inimigos.
A Capcom conseguiu unir estratégia e ação em um pacote satisfatório seguindo numa direção que fortalece esse sistema como um todo. Os inimigos atacam deliberadamente, mas nunca rápido ou lento demais. Posicionamento e atenção aos seus arredores são extremamente importantes para triunfar em Pragmata.
O que parece pouco atraente no papel é, na verdade, fascinante e intuitivo na prática. Os confrontos têm um ritmo próprio que, quando dominado, torna-se extremamente satisfatório. Se a experiência completa apresentar uma certa variedade de inimigos, é difícil imaginar um cenário em que os embates de Pragmata se tornem repetitivos.
A jornada lunar já está chegando!
Pragmata é uma curiosa aposta da Capcom que chega anos após o esperado, mas que aparenta chegar de forma polida e empolgante, prometendo um novo mundo de ficção científica guiado pela dinâmica entre dois personagens cativantes.
A curta demo “Sketchbook” demonstra eficazmente o que Pragmata é: um jogo que não tenta reinventar a roda, preferindo apresentar bons fundamentos e construir uma base sólida sobre alguns tropos narrativos e sistemas de jogo já bem conhecidos pelo público. Ainda assim, a experiência não é totalmente derivativa, introduzindo mecânicas novas que tornam o combate tradicional em terceira pessoa numa experiência sensorial e tátil mais intrigante.
Pragmata será lançado em 24 de abril para PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC (via Steam). A demo “Sketchbook” já está disponível para o público em todas essas plataformas.
Revisão: Vitor Tibério
Texto de impressões produzido com demo gratuita disponibilizada no Steam







