Suda51 e o conceito de Kill the Past em sua obra

Conheça o mote que dita a narrativa, atmosfera e estética dos jogos do chefão da Grasshopper Manufacture.

em 14/01/2026


Com previsão de lançamento para o mês que vem, Romeo is a Dead Man é o próximo jogo do Grasshopper Manufacture após No More Heroes 3, em 2021. O novo título, que será escrito por Suda51, trará uma trama protagonizada por Romeo, um herói impedido de morrer e que será capaz de pular por diversos universos paralelos enquanto busca por seu amor, Juliet. Ao que tudo indica, esta será mais uma inserção no cânone do Kill the Past, uma espécie de conceito guarda-chuva que o game designer usa para explorar temas recorrentes ao longo de suas várias produções autorais.


Tendo isso em vista, que tal tirarmos um pouco a limpo a respeito do que se trata esse grande fio condutor e como ele se correlaciona com suas obras que vai além de seus jogos?  

O que é o Kill the Past?

O Kill the Past é um conceito recorrente que permeia a maior parte dos jogos de Suda51 e tem como como principal norte a ideia de um passado reprimido que precisa ser encarado e superado a fim de continuar seguindo a vida de forma plena, o mote ainda envolve um senso de paranoia que permeia todas as produções.

Nota-se que a maior parte dos protagonistas do Kill the Past são personagens deprimidos, que normalmente se encontram no fundo do poço, como Travis Touchdown, ou simplesmente apresentam algum aspecto dissociativo, como é o caso do Sindicato Harman de Killer7. A amnésia também é constantemente presente e correlacionada a esses protagonistas problemáticos.




Adicionalmente, eles também se mostram reféns ou vítimas de alguma sociedade opressiva, mas não de forma direta. Geralmente é um soft power, uma força-propaganda normalmente exercida por operações psicológicas e culturais e ditadas por grandes corporações ou governos corruptos — por vezes, ambos e de forma conjunta —, uma negação do status quo que inclusive condiz com os ideais da Grasshopper como um estúdio Punk.

Além disso, todos eles abordam a ideia da banalização da violência, especialmente como parte integrante e normalizada de um sistema, algo que é visto nos No More Heroes ou em The Silver Case. Há uma burocratização da ideia, que enxerga o ato como um mero trabalho como qualquer outro e faz parte do cotidiano, por isso que a ideia do assassino é sempre recorrente — e a questão é que é mais fácil assassinar pessoas do que encarar (e matar) seu próprio passado.




Nota-se que esse olhar está intimamente ligado à ideia da década perdida da sociedade japonesa dos anos 90 (quando Suda começou a se formar como game designer), um sentimento de desolação constante surgido após o furo da bolha do Japão dos anos 80 em que a estagnação e falta de estabilidade substituíram toda a euforia do período. É um conflito constante com o próprio passado porque ele não consegue dar condições para que o futuro seja promissor. 

Não somente isso, o período também foi atravessado por uma série de traumas coletivos que ficaram impregnados na percepção da segurança a nível social no Japão. A derrocada econômica fomentou um período propício para tragédias ultraviolentas, como o ataque terrorista que a seita Aum Shinrikyō promoveu ao liberar gás sarin no metrô de Tóquio.




Tanto que foi nesse período que a indústria cultural do Japão (para além dos games) começou a lidar com esse tipo de temática com maior intensidade, dado os surgimentos, por exemplo, de Battle Royale, romance autorado por Koushun Takami e publicado em 1999, e o Suicide Club, filme dirigido por Sion Sono e lançado em 2001. Outro caso é a filmografia de Takashi Miike, prolífico cineasta do qual Suda é declaradamente fã que, embora seja bem versátil e tenha dirigido até mesmo filmes infanto-juvenis e adaptações live action de mangás e jogos, acaba sendo mais conhecido por Ichi the Killer e Audition.

Ao lado da violência, a lua também surge como um elemento temático. Recorrente e silenciosa, ela se coloca como uma presença sempre constante, como quem observa distante os acontecimentos sem interferir neles.




É uma espécie de presença maior do que a existência humana, sempre indiferente, apesar de nunca imutável, já que suas fases operam em um ciclo constante. A certeza de que a lua nova sempre dá lugar à crescente e, eventualmente, à cheia, é a mesma de que o passado enterrado vai ressurgir e chegar ao seu ápice na lua cheia. Ela, adicionalmente, é o símbolo máximo da mudança e da reflexão, já que é um satélite cuja luz não é própria, mas reflete a do sol.

Essa representação de constância da lua, por sua vez, pode ser, ao mesmo tempo, contraposta à recorrência dos motéis, que normalmente são instalações temporárias para seus clientes, o que representa a efemeridade da situação dos personagens. É também o paradoxo, já que a maior parte dos personagens estabelece residência nesses locais, o que significa uma negação desse estado que deveria ser passageiro.

Tendo isso em vista, o Kill The Past acaba trazendo sempre a ideia de um passado trágico que volta para assombrar um protagonista normalmente imerso em uma sociedade corrupta e mergulhada em violência. Dito isso, quais são os principais títulos inseridos nesse cânone? 

The Silver Case

O primeiro jogo oficial do conceito foi The Silver Case, de 1999, que também é o título de estreia da Grasshopper Manufacture. Lançado para o PlayStation pela ASCII Entertainment apenas no Japão, o game com a história dos detetives responsáveis por investigar e encontrar um indivíduo chamado Kamui Uehara, um assassino em série fugitivo e laureado como um símbolo da contracultura na internet que, obviamente, precisa ser recapturado.




Para a mitologia do Kill The Past, trata-se da obra primordial que acaba pavimentando o entendimento do conceito até os dias de hoje, especialmente por seus personagens contarem com participações pontuais nos jogos subsequentes da desenvolvedora.

Seu desenvolvimento foi marcado pela escassez, seja no orçamento, seja na quantidade de funcionários envolvidos, já que foram apenas cinco responsáveis por sua concepção. Dentre eles, a direção de arte ficou a cargo de Takashi Miyamoto — que seguiu colaborando com a empresa pelo menos até No More Heroes 3 —, enquanto Masafumi Takada, que hoje faz seu nome na série Danganronpa, ficou a cargo da trilha sonora, além de Suda na direção e escrita.




Com recursos limitados, The Silver Case ficou marcado pelas soluções criativas para a apresentação de sua história (que também mescla ambientações 3D e alguns quebra-cabeças), o que resultou no desenvolvimento de um motor de jogo próprio, a Film Window Engine, concebida a fim de dispor as imagens e os textos na tela de uma forma dinâmica e própria.

Após muito tempo restrito às audiências japonesas, The Silver Case ganhou uma remasterização lançada internacionalmente em 2016 e posteriormente chegou ao PlayStation no ano seguinte e ao Switch em 2021.

Flower Sun and Rain

Inicialmente lançado para PlayStation 2 em 2001, Flower Sun and Rain traz a história de Sumio Mondo, um indivíduo cuja profissão é encontrar objetos perdidos com a ajuda de seu computador especial chamado Catherine. 

O diferencial do jogo, que hoje seria certamente seria chamado de walking simulator, é a existência de um loop temporal que o força a repetir o mesmo dia em que ocorre a explosão de um avião em uma ilha chamada Losspass, onde o hotel que dá nome ao jogo se situa. Por consequência, fica a cargo dele encontrar a bomba para não só para impedir o desastre aéreo, mas também escapar dessa prisão de tempo.




Dentro da temática referente ao Kill the Past, Flower Sun and Rain estabelece uma relação importante com The Silver Case, uma informação cujo teor diz respeito a algumas das principais reviravoltas do game.

Novamente, a versão original para o console da Sony é exclusiva do mercado asiático, porém o Ocidente teve a possibilidade de conhecer o título em 2009 devido ao seu relançamento para o Nintendo DS e com o subtítulo Murder and Mystery in Paradise. A nova versão não teve envolvimento algum da Grasshopper, contudo, por ora, é a única considerada mais acessível (até onde um jogo de DS pode ser acessível em 2026) enquanto a remasterização da versão de PS2, prometida há anos por Suda, não sai do papel.

Killer7

Divisor de águas na carreira de Suda51 e na história da Grasshopper Manufacture, Killer7 foi o primeiro responsável a levar seu nome para territórios internacionais devido à campanha que a Capcom, produtora do game, promoveu para o jogo ao incluí-lo no Capcom Five, uma iniciativa que visava a produção de jogos exclusivos para o Gamecube com o objetivo de alavancar a plataforma em questão.

Com respaldo de Shinji Mikami, Suda teve a mais completa liberdade criativa para colocar suas ideias em prática. O resultado foi um game cujo visual cel-shaded em estilo noir e enredo não linear com nuances psicodélicas e surrealistas que conta a história de um matador de aluguel de múltiplas personalidades — que, juntas, são conhecidas como o “Sindicato Smith” — e seu envolvimento em uma espécie de guerra fria do Japão contra Estados Unidos enquanto o mundo vive sob a ameaça de um grupo terrorista chamado Heaven Smile que ameaça disseminar um vírus que desperta o mais profundo instinto assassino dos infectados.




Como era de se esperar, o principal mistério a ser resolvido dentro do Kill the Past tem a ver com o passado de Garcian Smith, uma das principais personalidades do Sindicato Harman, e como ele se relaciona com as outras facetas do coletivo em questão.

Embora não tenha sido um verdadeiro estouro de vendas, Killer7 foi bastante elogiado à sua época devido à ousadia e fez com que Suda se tornasse um nome conhecido no Ocidente.

Killer is Dead

Embora a Grasshopper tenha lançado em 2013 um game com o exato mesmo nome, o Killer is Dead inserido na mitologia do Kill the Past é, na verdade, um folhetim publicado sazonalmente na revista DENGEKI antes de se mudar para um blog com outros trabalhos literários de Suda.
Recorte da publicação original do folhetim Killer is Dead.
A história, que se passa no mesmo universo de Killer7, é protagonizada por um assassino — observe os temas recorrentes — que vive nos Estados Unidos e usa um taco como principal arma, chamado Shigeki Birkin. Certo dia, ele recebe uma carta ameaçadora e, para se proteger, acaba se aliando ao Sindicato Smith e outros personagens do jogo em questão.

The 25th Ward: The Silver Case

Os acontecimentos da sequência de The Silver Case ocorrem alguns anos depois do original e se passam no chamado 25º Distrito (o tal 25th Ward), uma área artificial criada na Baía de Tóquio para representar um modelo ideal de sociedade de maneira controlada e vigiada. Assim como o original, o título não segue uma narrativa linear tradicional, contando com três linhas principais distintas, e parte do pressuposto que o jogador seja o responsável por conectar as informações para que o quadro geral da trama faça algum sentido.

O lançamento dessa sequência ocorreu em 2005 exclusivamente para o mobile, tornando-se mais um desses jogos voltados para os celulares da época que acabaram se perdendo com o tempo. Para então torná-lo acessível ao público novamente, um remake completo foi produzido, chegando em 2018 no PC e no PlayStation 4, além do Switch que recebeu um pacote conjunto com o primeiro jogo intitulado The Silver Case 2425 em 2021.

No More Heroes

Embora Killer7 seja, por vezes, considerado a obra-prima de Suda, é provavelmente No More Heroes que tenha sido a mais bem sucedida, uma vez que se tornou um dos games mais vendidos da Grasshopper Manufacture e rendeu duas sequências diretas, além de uma não tão direta assim.

No More Heroes conta a história de Travis Touchdown, um otaku que adquire uma espécie de sabre de luz em um leilão na internet e, com ele, parte para uma matança para subir nos rankings da United Asssassins Association. Para isso, ele é auxiliado por Sylvia Christel, a moça sedutora responsável por combinar cada um dos combates contra os outros assassinos e a quem ele prometeu uma noite caso chegasse ao topo.




Apesar de apresentar seu enredo de uma maneira muito mais direta e objetiva do que Killer7, No More Heroes ainda traz vários dos elementos recorrentes nos trabalhos de Suda, especialmente considerando que uma das principais revelações da reta final do game tem a ver, novamente, com o passado do protagonista e como toda a escalada nas colocações da associação se relaciona com essas memórias reprimidas.

Lançado originalmente no Wii em 2007 (2008 deste lado do mundo), o game recebeu uma versão HD intitulada Heroes’ Paradise para o PlayStation 3 e Xbox 360 (apenas no Japão) em 2010, antes de, mais recentemente, chegar ao Nintendo Switch e ao PC — em uma reedição muito ruim em sua época de lançamento, mas que hoje está quase plenamente corrigida por meio de uma série de atualizações que chegaram anos mais tarde.




Ainda que seja um fracasso de vendas no Japão, No More Heroes fez bastante sucesso no Ocidente, o que fez com que uma sequência, No More Heroes 2: Desperate Struggle fosse produzida e lançada em 2010.

O título nem sempre é considerado como parte do cânone do Kill the Past, porém ainda traz vários de seus elementos característicos, como é o caso do próprio retorno do protagonista ao painel de assassinos da Associação — para vingar a morte de Bishop, seu melhor amigo, que foi assassinado por um antigo alvo do passado e que agora assume a primeira colocação do ranking  — e a forma com que a narrativa acaba sendo exposta ao jogador, com uma narradora contando os eventos de um passado no qual estava envolvida.




Um terceiro jogo, também foi lançado em 2021 e ele dilui ainda mais alguns dos elementos dessa temática, embora ela ainda esteja presente de uma forma superficial, como quando Travis se reencontra com Kimmy Howell (que agora atende pelo nome artístico Kimmy Love), uma oponente de seu passado que ele acabou deixando viver e agora retorna para ir à forra — ela até é introduzida em uma batalha de rap contra o protagonista em que um dos versos faz referência direta ao Kill the Past como conceito. No More Heroes 3 pode ser jogado no Switch, PC, Xbox One, Xbox Series, PlayStation 4 e PlayStation 5.

Kurayami Dance

Em 2011, a Grasshopper Manufacture lançou Shadows of the Damned, que contava a história de Garcia Hotspur e sua viagem ao inferno para resgatar sua namorada, Paula, das garras do demônio Fleming. Com produção da Electronic Arts, é sabido que a versão final do jogo está bem longe do que era pretendido por Suda para o título, que originalmente era conhecido apenas como Kurayami e tinha como O Castelo, de Franz Kafka, como principal inspiração.

Anos mais tarde, enquanto a empresa enfrentava algumas crises após a sua aquisição pela GungHo, Suda51 chegou a escrever um mangá chamado Kurayami Dance. Embora não seja 100% precisa a afirmação de que essa seria a visão que Suda tinha para o Kurayami original, ainda é certo que a maior parte dela foi retrabalhada no roteiro do mangá, ilustrado por Syuji Takeya.




Nele, um agente funerário chamado Kaido Wataru acorda após três anos de um coma ocasionado após um acidente de moto. Nesse processo, ele acaba descobrindo que um reino chamado Kurogane se formou no território japonês — e seu primeiro trabalho termina por ser a entrega de um caixão para a família real dessa nova nação.

Mesmo sem ter sido lançado oficialmente no Ocidente, os fãs chegaram a traduzir o mangá em questão, que traz uma infinidade dos elementos recorrentes da mitologia do Kill the Past em seus dois volumes de extensão.

Red, Blue and Green

Dando continuidade à sua fase editorial, Suda chegou a produzir um conjunto de três contos disponibilizados em um dos artbooks da Grasshopper Manufacture, o Suda51 Official Complete Book, lançado em 2018.

Intitulados Redout, Blueout e Greenout, os enredos se situam no universo de The Silver Case e expandem certos elementos apresentados no remake de 25th Ward: The Silver Case, além de introduzir uma personagem completamente nova: Midori Midorikawa, que inclusive chegou a fazer uma aparição em No More Heroes 3.




Posteriormente, o trio de histórias acabou sendo adaptado no formato de mangá pelo mesmo Syuji Takeya de Kurayami Dance no intuito de acompanhar o lançamento de The Silver Case 2425. De forma similar, a adaptação chegou a ser traduzida para o Ocidente.

Travis Strikes Again: No More Heroes

Lembra-se de Killer is Dead? A publicação em formato de folhetim? Então, a história nunca chegou a ser formalmente encerrada durante sua publicação escrita. A questão é que Travis Strikes Again nada mais é do que uma espécie de crossover entre o protagonista do folhetim, Shigeki Birkin, aqui renomeado para Badman e que parte em uma busca psicótica contra o assassino de sua filha, e Travis Touchdown, o protagonista de No More Heroes e responsável pelo assassinato de Charlotte Birkin, a Bad Girl, no primeiro jogo  — acho que, a essa altura do campeonato, já deu para somar 1+1.

O game foi originalmente lançado como um exclusivo do Nintendo Switch antes de migrar para outras plataformas e traz um estilo de gameplay bem diferente do tradicional para Travis Touchdown, mesclando algumas fases jogáveis em perspectiva superior ou lateral e extensas sequências de visual novel em um estilo pixelado próximo ao dos text adventure.




Embora a qualidade da jogabilidade prática não seja unanimidade, os momentos puramente textuais trazem Suda em sua melhor forma, especialmente por ser uma maneira que o próprio game designer encontrou de revisitar seu passado de maneira prática ao inserir praticamente todos os jogos mencionados na reportagem em uma elaborada trama de conspiração envolvendo um console prototípico chamado Death Drive e a CIA.

E os outros jogos do Suda?

Ainda que haja discussões, nem todos os títulos da Grasshopper Manufacture ou de Suda se enquadram por completo dentro do Kill the Past. Apesar de eles trazerem vários aspectos que os considerariam parte do cânone, a maior parte dos fãs acaba desconsiderando a inclusão desses títulos, que terminam participando apenas de forma tangencial nessa mitologia.

O primeiro jogo dessa lista “secundária”, por assim dizer, é Fire Pro Wrestling Special, um dos primeiros trabalhos de Suda na indústria. Parte integrante da série de luta livre Fire Pro Wrestling, o título conta com um modo história que traz uma série de elementos característicos do game designer e, inclusive, trazia alguns temas bem complexos e fora do comum para a franquia.




Twilight Syndrome e Moonlight Syndrome, por sua vez, são dois títulos de horror lançados no PlayStation que carregam o nome de Suda. A dupla nunca chegou a outra plataforma, bem como permanece exclusiva ao Japão até hoje, então não há análises mais profundas a respeito de seu conteúdo.

Apesar disso, o crepúsculo e a luz da luz são elementos recorrentes até hoje nas produções do designer, como as personagens Alice e Margaret, de No More Heroes 2. A Síndrome do Luar, inclusive, é o nome da doença sobrenatural que assume um papel central em Fatal Frame: Mask of the Lunar Eclipse, co-escrito e co-dirigido por ele.




Shadows of Damned, mesmo que não seja integrante direto do Kill the Past, é um jogo acabou colaborando para a mitologia em Travis Strikes Again, que insinua que o título existe como um videogame, de fato, no universo em questão, sendo que um dos jogos para o Death Drive, o console fantasma da CIA, é uma sequência hipotética que serve como um comentário metalinguístico a respeito dos problemas enfrentados por Suda durante a produção do game sob a batuta da EA.

Por fim, Killer is Dead (o jogo), é mais um que se estabelece tangencialmente no Sudaverso ao trazer o assassino Sumio Mondo como protagonista em uma trama que culmina em um enfrentamento epopeico contra seu irmão, David, que assumiu para si o trono de regente da lua, remontando novamente o conceito de um protagonista que tem que encarar os problemas de seu passado após reprimir as memórias relacionadas a ele.



Matando o passado no futuro com Romeo is a Dead Man

O próximo lançamento do Grasshopper Manufacture, Romeo is a Dead Man, é aparentemente mais um título que se insere no cânone do Kill the Past ao acompanhar a história de Romeo Stargazer, um agente do FBI ressuscitado por um paradoxo temporal. 

Transformado no Dead Man, ele precisa utilizar uma máscara e desbravar os confins do espaço-tempo atrás de criminosos enquanto busca por pistas acerca do paradeiro de sua namorada Juliet Dendrobium, cujo sumiço está aparentemente relacionado com o fim do universo.

Considerando que o estúdio já declarou que tem liberdade para utilizar todos os personagens de Suda que apareceram em seus últimos jogos — Travis Strikes Again e No More Heroes 3 —, a simples ideia de que Romeo viaja por dimensões paralelas é suficiente para talvez especular a possibilidade de novas participações especiais e interações entre eles.

Constantemente sendo rotulado como o jogo mais violento da carreira de Suda, a própria empresa (que é uma subsidiária da NetEase) será a responsável pela publicação do título, que chegará ao PC, PlayStation 5 e Xbox Series no dia 11 de fevereiro. 
Revisão: Thomaz Farias
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João Pedro Boaventura
É jornalista formado pelo Mackenzie e pós-graduado em teoria da comunicação (como se isso significasse alguma coisa) pela Cásper Líbero. Tem um blog particular onde escreve um monte de groselha e também é autor de Comunicação Eletrônica, (mais um) livro que aborda história dos games, mas sob a perspectiva da cultura e da comunicação.
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