Com previsão de lançamento para o mês que vem, Romeo is a Dead Man é o
próximo jogo do Grasshopper Manufacture após No More Heroes 3, em 2021. O novo
título, que será escrito por Suda51, trará uma trama protagonizada por Romeo,
um herói impedido de morrer e que será capaz de pular por diversos universos
paralelos enquanto busca por seu amor, Juliet. Ao que tudo indica, esta será
mais uma inserção no cânone do Kill the Past, uma espécie de conceito
guarda-chuva que o game designer usa para explorar temas recorrentes ao longo
de suas várias produções autorais.
Tendo isso em vista, que tal tirarmos um pouco a limpo a respeito do que se
trata esse grande fio condutor e como ele se correlaciona com suas obras que
vai além de seus jogos?
O que é o Kill the Past?
O Kill the Past é um conceito recorrente que permeia a maior parte dos jogos
de Suda51 e tem como como principal norte a ideia de um passado reprimido
que precisa ser encarado e superado a fim de continuar seguindo a vida de
forma plena, o mote ainda envolve um senso de paranoia que permeia todas as
produções.
Nota-se que a maior parte dos protagonistas do Kill the Past são personagens
deprimidos, que normalmente se encontram no fundo do poço, como Travis
Touchdown, ou simplesmente apresentam algum aspecto dissociativo, como é o
caso do Sindicato Harman de Killer7. A amnésia também é constantemente
presente e correlacionada a esses protagonistas problemáticos.
Adicionalmente, eles também se mostram reféns ou vítimas de alguma sociedade
opressiva, mas não de forma direta. Geralmente é um soft power, uma
força-propaganda normalmente exercida por operações psicológicas e culturais
e ditadas por grandes corporações ou governos corruptos — por vezes, ambos e
de forma conjunta —, uma negação do status quo que inclusive
condiz com os ideais da Grasshopper como um estúdio Punk.
Além disso, todos eles abordam a ideia da banalização da violência,
especialmente como parte integrante e normalizada de um sistema, algo que é
visto nos No More Heroes ou em The Silver Case. Há uma
burocratização da ideia, que enxerga o ato como um mero trabalho como
qualquer outro e faz parte do cotidiano, por isso que a ideia do assassino é
sempre recorrente — e a questão é que é mais fácil assassinar pessoas do que
encarar (e matar) seu próprio passado.
Nota-se que esse olhar está intimamente ligado à ideia da década perdida da
sociedade japonesa dos anos 90 (quando Suda começou a se formar como game
designer), um sentimento de desolação constante surgido após o furo da bolha
do Japão dos anos 80 em que a estagnação e falta de estabilidade
substituíram toda a euforia do período. É um conflito constante com o
próprio passado porque ele não consegue dar condições para que o futuro seja
promissor.
Não somente isso, o período também foi atravessado por uma série de traumas
coletivos que ficaram impregnados na percepção da segurança a nível social
no Japão. A derrocada econômica fomentou um período propício para tragédias
ultraviolentas, como o ataque terrorista que a seita Aum Shinrikyō promoveu
ao liberar gás sarin no metrô de Tóquio.
Tanto que foi nesse período que a indústria cultural do Japão (para além dos
games) começou a lidar com esse tipo de temática com maior intensidade, dado
os surgimentos, por exemplo, de Battle Royale, romance autorado por Koushun
Takami e publicado em 1999, e o Suicide Club, filme dirigido por Sion Sono e
lançado em 2001. Outro caso é a filmografia de Takashi Miike, prolífico
cineasta do qual Suda é declaradamente fã que, embora seja bem versátil e
tenha dirigido até mesmo filmes infanto-juvenis e adaptações live action de
mangás e jogos, acaba sendo mais conhecido por Ichi the Killer e Audition.
Ao lado da violência, a lua também surge como um elemento temático.
Recorrente e silenciosa, ela se coloca como uma presença sempre constante,
como quem observa distante os acontecimentos sem interferir neles.
É uma espécie de presença maior do que a existência humana, sempre
indiferente, apesar de nunca imutável, já que suas fases operam em um ciclo
constante. A certeza de que a lua nova sempre dá lugar à crescente e,
eventualmente, à cheia, é a mesma de que o passado enterrado vai ressurgir e
chegar ao seu ápice na lua cheia. Ela, adicionalmente, é o símbolo máximo da
mudança e da reflexão, já que é um satélite cuja luz não é própria, mas
reflete a do sol.
Essa representação de constância da lua, por sua vez, pode ser, ao mesmo
tempo, contraposta à recorrência dos motéis, que normalmente são instalações
temporárias para seus clientes, o que representa a efemeridade da situação
dos personagens. É também o paradoxo, já que a maior parte dos personagens
estabelece residência nesses locais, o que significa uma negação desse
estado que deveria ser passageiro.
Tendo isso em vista, o Kill The Past acaba trazendo sempre a ideia de um
passado trágico que volta para assombrar um protagonista normalmente imerso
em uma sociedade corrupta e mergulhada em violência. Dito isso, quais são os
principais títulos inseridos nesse cânone?
The Silver Case
O primeiro jogo oficial do conceito foi The Silver Case, de 1999, que também
é o título de estreia da Grasshopper Manufacture. Lançado para o PlayStation
pela ASCII Entertainment apenas no Japão, o game com a história dos
detetives responsáveis por investigar e encontrar um indivíduo chamado Kamui
Uehara, um assassino em série fugitivo e laureado como um símbolo da
contracultura na internet que, obviamente, precisa ser recapturado.
Para a mitologia do Kill The Past, trata-se da obra primordial que acaba
pavimentando o entendimento do conceito até os dias de hoje, especialmente
por seus personagens contarem com participações pontuais nos jogos
subsequentes da desenvolvedora.
Seu desenvolvimento foi marcado pela escassez, seja no orçamento, seja na
quantidade de funcionários envolvidos, já que foram apenas cinco
responsáveis por sua concepção. Dentre eles, a direção de arte ficou a cargo
de Takashi Miyamoto — que seguiu colaborando com a empresa pelo menos até No
More Heroes 3 —, enquanto Masafumi Takada, que hoje faz seu nome na série
Danganronpa, ficou a cargo da trilha sonora, além de Suda na direção e
escrita.
Com recursos limitados, The Silver Case ficou marcado pelas soluções
criativas para a apresentação de sua história (que também mescla
ambientações 3D e alguns quebra-cabeças), o que resultou no desenvolvimento
de um motor de jogo próprio, a Film Window Engine, concebida a fim de dispor
as imagens e os textos na tela de uma forma dinâmica e própria.
Após muito tempo restrito às audiências japonesas, The Silver Case ganhou
uma remasterização lançada internacionalmente em 2016 e posteriormente
chegou ao PlayStation no ano seguinte e ao Switch em 2021.
Flower Sun and Rain
Inicialmente lançado para PlayStation 2 em 2001, Flower Sun and Rain traz a
história de Sumio Mondo, um indivíduo cuja profissão é encontrar objetos
perdidos com a ajuda de seu computador especial chamado Catherine.
O diferencial do jogo, que hoje seria certamente seria chamado de walking
simulator, é a existência de um loop temporal que o força a repetir o mesmo
dia em que ocorre a explosão de um avião em uma ilha chamada Losspass, onde
o hotel que dá nome ao jogo se situa. Por consequência, fica a cargo dele
encontrar a bomba para não só para impedir o desastre aéreo, mas também
escapar dessa prisão de tempo.
Dentro da temática referente ao Kill the Past, Flower Sun and Rain
estabelece uma relação importante com The Silver Case, uma informação cujo
teor diz respeito a algumas das principais reviravoltas do game.
Novamente, a versão original para o console da Sony é exclusiva do mercado
asiático, porém o Ocidente teve a possibilidade de conhecer o título em 2009
devido ao seu relançamento para o Nintendo DS e com o subtítulo Murder and
Mystery in Paradise. A nova versão não teve envolvimento algum da
Grasshopper, contudo, por ora, é a única considerada mais acessível (até
onde um jogo de DS pode ser acessível em 2026) enquanto a remasterização da
versão de PS2, prometida há anos por Suda, não sai do papel.
Killer7
Divisor de águas na carreira de Suda51 e na história da Grasshopper
Manufacture, Killer7 foi o primeiro responsável a levar seu nome para
territórios internacionais devido à campanha que a Capcom, produtora do
game, promoveu para o jogo ao incluí-lo no Capcom Five, uma iniciativa que
visava a produção de jogos exclusivos para o Gamecube com o objetivo de
alavancar a plataforma em questão.
Com respaldo de Shinji Mikami, Suda teve a mais completa liberdade criativa
para colocar suas ideias em prática. O resultado foi um game cujo visual
cel-shaded em estilo noir e enredo não linear com nuances psicodélicas e
surrealistas que conta a história de um matador de aluguel de múltiplas
personalidades — que, juntas, são conhecidas como o “Sindicato Smith” — e
seu envolvimento em uma espécie de guerra fria do Japão contra Estados
Unidos enquanto o mundo vive sob a ameaça de um grupo terrorista chamado
Heaven Smile que ameaça disseminar um vírus que desperta o mais profundo
instinto assassino dos infectados.
Como era de se esperar, o principal mistério a ser resolvido dentro do Kill
the Past tem a ver com o passado de Garcian Smith, uma das principais
personalidades do Sindicato Harman, e como ele se relaciona com as outras
facetas do coletivo em questão.
Embora não tenha sido um verdadeiro estouro de vendas, Killer7 foi bastante
elogiado à sua época devido à ousadia e fez com que Suda se tornasse um nome
conhecido no Ocidente.
Killer is Dead
Embora a Grasshopper tenha lançado em 2013 um game com o exato mesmo nome, o
Killer is Dead inserido na mitologia do Kill the Past é, na verdade, um
folhetim publicado sazonalmente na revista DENGEKI antes de se mudar para um
blog com outros trabalhos literários de Suda.
![]() |
| Recorte da publicação original do folhetim Killer is Dead. |
A história, que se passa no mesmo universo de Killer7, é protagonizada por
um assassino — observe os temas recorrentes — que vive nos Estados Unidos e
usa um taco como principal arma, chamado Shigeki Birkin. Certo dia, ele
recebe uma carta ameaçadora e, para se proteger, acaba se aliando ao
Sindicato Smith e outros personagens do jogo em questão.
The 25th Ward: The Silver Case
Os acontecimentos da sequência de The Silver Case ocorrem alguns anos depois
do original e se passam no chamado 25º Distrito (o tal 25th Ward), uma área
artificial criada na Baía de Tóquio para representar um modelo ideal de
sociedade de maneira controlada e vigiada. Assim como o original, o título
não segue uma narrativa linear tradicional, contando com três linhas
principais distintas, e parte do pressuposto que o jogador seja o
responsável por conectar as informações para que o quadro geral da trama
faça algum sentido.
O lançamento dessa sequência ocorreu em 2005 exclusivamente para o mobile,
tornando-se mais um desses jogos voltados para os celulares da época que
acabaram se perdendo com o tempo. Para então torná-lo acessível ao público
novamente, um remake completo foi produzido, chegando em 2018 no PC e no
PlayStation 4, além do Switch que recebeu um pacote conjunto com o primeiro
jogo intitulado The Silver Case 2425 em 2021.
No More Heroes
Embora Killer7 seja, por vezes, considerado a obra-prima de Suda, é
provavelmente No More Heroes que tenha sido a mais bem sucedida, uma vez que
se tornou um dos games mais vendidos da Grasshopper Manufacture e rendeu
duas sequências diretas, além de uma não tão direta assim.
No More Heroes conta a história de Travis Touchdown, um otaku que adquire
uma espécie de sabre de luz em um leilão na internet e, com ele, parte para
uma matança para subir nos rankings da United Asssassins Association. Para
isso, ele é auxiliado por Sylvia Christel, a moça sedutora responsável por
combinar cada um dos combates contra os outros assassinos e a quem ele
prometeu uma noite caso chegasse ao topo.
Apesar de apresentar seu enredo de uma maneira muito mais direta e objetiva
do que Killer7, No More Heroes ainda traz vários dos elementos recorrentes
nos trabalhos de Suda, especialmente considerando que uma das principais
revelações da reta final do game tem a ver, novamente, com o passado do
protagonista e como toda a escalada nas colocações da associação se
relaciona com essas memórias reprimidas.
Lançado originalmente no Wii em 2007 (2008 deste lado do mundo), o game
recebeu uma versão HD intitulada Heroes’ Paradise para o PlayStation 3 e
Xbox 360 (apenas no Japão) em 2010, antes de, mais recentemente, chegar ao
Nintendo Switch e ao PC — em uma reedição muito ruim em sua época de
lançamento, mas que hoje está quase plenamente corrigida por meio de uma
série de atualizações que chegaram anos mais tarde.
Ainda que seja um fracasso de vendas no Japão, No More Heroes fez bastante
sucesso no Ocidente, o que fez com que uma sequência, No More Heroes 2: Desperate Struggle fosse produzida e lançada em 2010.
O título nem sempre é considerado como parte do cânone do Kill the Past,
porém ainda traz vários de seus elementos característicos, como é o caso do
próprio retorno do protagonista ao painel de assassinos da Associação — para
vingar a morte de Bishop, seu melhor amigo, que foi assassinado por um
antigo alvo do passado e que agora assume a primeira colocação do
ranking — e a forma com que a narrativa acaba sendo exposta ao
jogador, com uma narradora contando os eventos de um passado no qual estava
envolvida.
Um terceiro jogo, também foi lançado em 2021 e ele dilui ainda mais alguns
dos elementos dessa temática, embora ela ainda esteja presente de uma forma
superficial, como quando Travis se reencontra com Kimmy Howell (que agora
atende pelo nome artístico Kimmy Love), uma oponente de seu passado que ele
acabou deixando viver e agora retorna para ir à forra — ela até é
introduzida em uma batalha de rap contra o protagonista em que um dos versos
faz referência direta ao Kill the Past como conceito. No More Heroes 3 pode
ser jogado no Switch, PC, Xbox One, Xbox Series, PlayStation 4 e PlayStation
5.
Kurayami Dance
Em 2011, a Grasshopper Manufacture lançou Shadows of the Damned, que contava
a história de Garcia Hotspur e sua viagem ao inferno para resgatar sua
namorada, Paula, das garras do demônio Fleming. Com produção da Electronic
Arts, é sabido que a versão final do jogo está bem longe do que era
pretendido por Suda para o título, que originalmente era conhecido apenas
como Kurayami e tinha como O Castelo, de Franz Kafka, como principal
inspiração.
Anos mais tarde, enquanto a empresa enfrentava algumas crises após a sua
aquisição pela GungHo, Suda51 chegou a escrever um mangá chamado Kurayami
Dance. Embora não seja 100% precisa a afirmação de que essa seria a visão
que Suda tinha para o Kurayami original, ainda é certo que a maior parte
dela foi retrabalhada no roteiro do mangá, ilustrado por Syuji Takeya.
Nele, um agente funerário chamado Kaido Wataru acorda após três anos de um
coma ocasionado após um acidente de moto. Nesse processo, ele acaba
descobrindo que um reino chamado Kurogane se formou no território japonês —
e seu primeiro trabalho termina por ser a entrega de um caixão para a
família real dessa nova nação.
Mesmo sem ter sido lançado oficialmente no Ocidente, os fãs chegaram a
traduzir o mangá em questão, que traz uma infinidade dos elementos
recorrentes da mitologia do Kill the Past em seus dois volumes de extensão.
Red, Blue and Green
Dando continuidade à sua fase editorial, Suda chegou a produzir um conjunto
de três contos disponibilizados em um dos artbooks da Grasshopper
Manufacture, o Suda51 Official Complete Book, lançado em 2018.
Intitulados Redout, Blueout e Greenout, os enredos se situam no universo de
The Silver Case e expandem certos elementos apresentados no remake de 25th
Ward: The Silver Case, além de introduzir uma personagem completamente nova:
Midori Midorikawa, que inclusive chegou a fazer uma aparição em No More
Heroes 3.
Posteriormente, o trio de histórias acabou sendo adaptado no formato de
mangá pelo mesmo Syuji Takeya de Kurayami Dance no intuito de acompanhar o
lançamento de The Silver Case 2425. De forma similar, a adaptação chegou a
ser traduzida para o Ocidente.
Travis Strikes Again: No More Heroes
Lembra-se de Killer is Dead? A publicação em formato de folhetim? Então, a
história nunca chegou a ser formalmente encerrada durante sua publicação
escrita. A questão é que Travis Strikes Again nada mais é do que uma espécie
de crossover entre o protagonista do folhetim, Shigeki Birkin, aqui
renomeado para Badman e que parte em uma busca psicótica contra o assassino
de sua filha, e Travis Touchdown, o protagonista de No More Heroes e
responsável pelo assassinato de Charlotte Birkin, a Bad Girl, no primeiro
jogo — acho que, a essa altura do campeonato, já deu para somar 1+1.
O game foi originalmente lançado como um exclusivo do Nintendo Switch antes
de migrar para outras plataformas e traz um estilo de gameplay bem diferente
do tradicional para Travis Touchdown, mesclando algumas fases jogáveis em
perspectiva superior ou lateral e extensas sequências de visual novel em um
estilo pixelado próximo ao dos text adventure.
Embora a qualidade da jogabilidade prática não seja unanimidade, os momentos
puramente textuais trazem Suda em sua melhor forma, especialmente por ser
uma maneira que o próprio game designer encontrou de revisitar seu passado
de maneira prática ao inserir praticamente todos os jogos mencionados na
reportagem em uma elaborada trama de conspiração envolvendo um console
prototípico chamado Death Drive e a CIA.
E os outros jogos do Suda?
Ainda que haja discussões, nem todos os títulos da Grasshopper Manufacture
ou de Suda se enquadram por completo dentro do Kill the Past. Apesar de eles trazerem vários aspectos que os considerariam parte do cânone, a maior parte
dos fãs acaba desconsiderando a inclusão desses títulos, que terminam
participando apenas de forma tangencial nessa mitologia.
O primeiro jogo dessa lista “secundária”, por assim dizer, é Fire Pro
Wrestling Special, um dos primeiros trabalhos de Suda na indústria. Parte
integrante da série de luta livre Fire Pro Wrestling, o título conta com um
modo história que traz uma série de elementos característicos do game
designer e, inclusive, trazia alguns temas bem complexos e fora do comum
para a franquia.
Twilight Syndrome e Moonlight Syndrome, por sua vez, são dois títulos de
horror lançados no PlayStation que carregam o nome de Suda. A dupla nunca
chegou a outra plataforma, bem como permanece exclusiva ao Japão até hoje,
então não há análises mais profundas a respeito de seu conteúdo.
Apesar disso, o crepúsculo e a luz da luz são elementos recorrentes até hoje
nas produções do designer, como as personagens Alice e Margaret, de No More
Heroes 2. A Síndrome do Luar, inclusive, é o nome da doença sobrenatural que
assume um papel central em Fatal Frame: Mask of the Lunar Eclipse,
co-escrito e co-dirigido por ele.
Shadows of Damned, mesmo que não seja integrante direto do Kill the Past, é
um jogo acabou colaborando para a mitologia em Travis Strikes Again, que
insinua que o título existe como um videogame, de fato, no universo em
questão, sendo que um dos jogos para o Death Drive, o console fantasma da
CIA, é uma sequência hipotética que serve como um comentário metalinguístico
a respeito dos problemas enfrentados por Suda durante a produção do game sob
a batuta da EA.
Por fim, Killer is Dead (o jogo), é mais um que se estabelece
tangencialmente no Sudaverso ao trazer o assassino Sumio Mondo como
protagonista em uma trama que culmina em um enfrentamento epopeico contra
seu irmão, David, que assumiu para si o trono de regente da lua, remontando
novamente o conceito de um protagonista que tem que encarar os problemas de
seu passado após reprimir as memórias relacionadas a ele.
Matando o passado no futuro com Romeo is a Dead Man
O próximo lançamento do Grasshopper Manufacture, Romeo is a Dead Man, é
aparentemente mais um título que se insere no cânone do Kill the Past ao
acompanhar a história de Romeo Stargazer, um agente do FBI ressuscitado por
um paradoxo temporal.
Transformado no Dead Man, ele precisa utilizar uma
máscara e desbravar os confins do espaço-tempo atrás de criminosos enquanto
busca por pistas acerca do paradeiro de sua namorada Juliet Dendrobium, cujo
sumiço está aparentemente relacionado com o fim do universo.
Considerando que o estúdio já declarou que tem liberdade para utilizar todos
os personagens de Suda que apareceram em seus últimos jogos — Travis Strikes
Again e No More Heroes 3 —, a simples ideia de que Romeo viaja por dimensões
paralelas é suficiente para talvez especular a possibilidade de novas
participações especiais e interações entre eles.
Constantemente sendo rotulado como o jogo mais violento da carreira de Suda,
a própria empresa (que é uma subsidiária da NetEase) será a responsável pela
publicação do título, que chegará ao PC, PlayStation 5 e Xbox Series no dia
11 de fevereiro.
Revisão: Thomaz Farias





















