My Hero Academia: All’s Justice é o mais recente e possivelmente o último jogo baseado na obra de Kōhei Horikoshi. Com a conclusão da animação em dezembro de 2025, é o momento de os fãs reviverem os capítulos finais da saga de Izuku Midoriya em sua jornada para se tornar um herói, agora com o controle nas mãos e emoções à flor da pele.
A convite da Bandai Namco, tivemos acesso a uma versão de preview de My Hero Academia: All’s Justice e contamos o que esperar do título. Considerando a experiência com jogos anteriores da franquia, esta nova entrada talvez possa alcançar todo o seu Plus Ultra!
Revivendo o fim
Como ocorre na maioria dos jogos baseados em animes, My Hero Academia: All’s Justice não foge muito à regra. O principal atrativo do jogo é o modo história, baseado na temporada final, que coloca Deku, Bakugo, Uraraka e os demais alunos e professores da UA em uma luta frenética entre heróis e vilões, responsável por definir o destino da humanidade.
O modo é dividido em capítulos interativos, nos quais o jogador pode assistir a cutscenes animadas com cenas geradas in-game, além de slideshows de alta qualidade que utilizam artes do próprio mangá, totalmente estilizadas, colorizadas e dubladas — em inglês ou japonês. O objetivo é criar a sensação de estar acompanhando a série tanto na TV quanto nas páginas do mangá.
Paralelamente, alguns capítulos incluem batalhas jogáveis, permitindo que o jogador assuma o controle de personagens-chave da trama para reviver confrontos decisivos. A narrativa apresenta diversas ramificações que, em conjunto, formam um amplo encadeamento de eventos responsáveis por amarrar os atos finais da última temporada de My Hero Academia.
Sendo um herói
Após concluir a experiência de reviver os capítulos finais da história principal, o jogo oferece modos extras que permitem ao jogador se aprofundar ainda mais na rotina de um herói em treinamento. O principal deles é o Team Up Mission, que leva o jogador a um ambiente de realidade virtual que simula uma cidade. Nele, assumimos o controle de um grupo de alunos para realizar atividades de exploração e combate com o objetivo de cumprir missões.
Ao longo desse modo, novos personagens e eventos são desbloqueados, tornando a experiência mais envolvente e imersiva, em sintonia com o cotidiano de um estudante que aspira se tornar herói. Há também leves elementos de RPG, como a obtenção de pontos, melhorias para os personagens e recompensas de customização.
Já no modo Hero’s Diary, o foco está em histórias inéditas de cada aluno da classe 1-A. As atividades combinam cutscenes, desafios de exploração e combates individuais, permitindo uma conexão maior com cada herói em formação. Além de apresentarem narrativas novas e envolventes, essas missões também desbloqueiam novos lutadores para o elenco do jogo.
Character’s Memory cumpre o papel de recapitular os principais acontecimentos que antecedem a temporada final. O modo apresenta cenários de batalha com desafios de tempo que recriam momentos icônicos da série, como a invasão dos vilões à UA, as ações da Liga dos Vilões e o confronto entre All Might e All for One, entre outros.
Por fim, o jogo conta com modos de batalha local e online, além de opções de treinamento voltadas ao aprendizado de combos e das habilidades específicas de cada personagem. E tudo indica que o elenco disponível desta vez é bastante numeroso.
Dominando a arte da luta
My Hero Academia: All’s Justice é um jogo de luta em equipes 3v3, no qual o jogador pode alternar entre os membros do time em momentos específicos do combate. Assim como nos títulos da série Naruto Ultimate Storm, a troca de personagens é limitada por uma barra que, quando preenchida, permite a substituição pelo lutador selecionado.
Cada personagem possui sua própria individualidade (quirk) e a decisão de alternar membros da equipe depende diretamente da situação da luta. Os confrontos acontecem em arenas que, em muitos casos, contam com elementos destrutíveis, como carros e prédios danificados, o que adiciona camadas estratégicas à movimentação durante as batalhas.
Em comparação com jogos anteriores da franquia, My Hero Academia: All’s Justice apresenta o sistema de combate menos complexo. Combos e golpes especiais são fáceis de executar, e mecânicas como quebra de defesa e contra-ataque foram simplificadas, exigindo do jogador mais precisão e senso de oportunidade do que domínio técnico avançado.
Seguindo o padrão de jogos de luta tradicionais, como Street Fighter 6 e Fatal Fury City of the Wolves, o título oferece dois esquemas de controle para atender tanto jogadores experientes quanto o público mais casual. O modo Normal Control permite a execução de combos automáticos com poucos comandos, enquanto o Manual Control adota o sistema clássico, oferecendo controle total do personagem ao jogador.
A principal novidade nesse aspecto é o sistema Rising, uma barra adicional à de Plus Ultra! Quando totalmente carregada, ela permite liberar o potencial do lutador, desbloqueando novos golpes e aumentando atributos como força e velocidade. Por padrão, quando dois membros da equipe são derrotados, o Rising é ativado automaticamente para o último personagem, concedendo uma vantagem final na luta.
Saber o momento certo de ativar essa mecânica, assim como escolher personagens que se beneficiam melhor dela, é fundamental para alcançar a vitória. Alguns lutadores se tornam extremamente poderosos com o Rising ativo, enquanto outros recebem apenas melhorias discretas em seus atributos. Trata-se de um sistema que adiciona um elemento de novidade ao jogo, mas que ainda apresenta limitações e pode ser aprimorado após o lançamento.
Expectativas? Boas! As melhores? Talvez!
My Hero Academia: All’s Justice, em uma primeira impressão, cria boas expectativas sobre o que esperar de mais um jogo baseado em anime. Entre os títulos da franquia, já é possível afirmar, sem exagero, que este é o mais bonito e fiel visualmente já produzido.
Apesar de o jogo ainda estar nas mãos da Byking, estúdio cujo trabalho com jogabilidade não me agrada muito — como visto no problemático Jujutsu Kaisen: Cursed Clash e nos medianos My Hero One’s Justice e My Hero One’s Justice 2 —, All’s Justice se apresenta como um produto visual e tecnicamente superior. Ainda assim, no aspecto técnico, não é algo que impressione muito além do esperado.
A jogabilidade está mais acessível, simplificada e intuitiva. Executar combos e ataques especiais é claramente mais fácil, o que funciona bem em um jogo de luta menos exigente como este. As apresentações dos golpes especiais são um espetáculo à parte, com destaque para personagens centrais como Deku, All Might e Todoroki. Embora nem todos recebam o mesmo cuidado visto nos jogos da franquia Naruto, o resultado ainda é bastante agradável na maior parte do tempo.
Os modos extras são os que realmente podem levar o jogo a um verdadeiro Plus Ultra! Todos apresentam dinâmicas envolventes que, especialmente para os fãs de My Hero Academia, garantem boas horas de conteúdo e diversão adicional. Durante a sessão de testes, passei um bom tempo explorando esses modos, que chamaram mais a atenção do que os tradicionais confrontos de batalha.
Mesmo não sendo um fã assíduo da série, e considerando a experiência apenas mediana com o título anterior, já é possível dizer que All’s Justice entrega algo mais sólido e condizente com o que os fãs de My Hero Academia merecem, especialmente após o recente encerramento do anime, em dezembro.
O Plus Ultra! finalmente vem?
Como impressão final, My Hero Academia: All’s Justice se apresenta como um encerramento digno para a trajetória da franquia nos videogames, ainda que não isento de limitações. O jogo acerta ao priorizar acessibilidade, variedade de modos e uma apresentação audiovisual que respeita e celebra os momentos decisivos da obra de Kōhei Horikoshi, tornando a experiência especialmente atraente para os fãs que acompanharam a jornada até o fim.
Embora não reinvente o gênero nem alcance o mesmo nível de refinamento técnico de alguns dos principais jogos de luta do mercado, All’s Justice demonstra evolução em relação aos títulos anteriores e deve entregar um pacote mais coeso e confiante. Se este realmente for o último jogo da série, ele cumpre bem o papel de homenagear o legado de My Hero Academia, oferecendo uma experiência divertida, visualmente impactante e alinhada com o espírito heróico que consagrou a franquia.
My Hero Academia: All’s Justice será lançado em 6 de fevereiro para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.
Revisão: Johnnie Brian
Texto de impressões produzido com chave de acesso para PC cedida pela Bandai Namco Entertainment










