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Análise: My Hero One's Justice (Multi) confia no carisma dos personagens

O jogo baseado no anime Boku no Hero Academia depende do carisma dos heróis para ser interessante.

















My Hero Academia vem se tornando um dos animes mais populares da atualidade. Baseado no mangá de Kōhei Horikoshi da revista Weekly Shonen Jump, parte do seu sucesso é por causa de sua narrativa ocidentalizada, que foge um pouco do padrão.

Temos como exemplo o herói número 1 do mundo na história, All Mighty, que é em todas as medidas uma caricatura dos super heróis de quadrinhos norte-americanos, desde as cores de sua fantasia que remetem à bandeira dos Estados Unidos, aos seus poderes de força e velocidade sobre humanas e aos nomes de seus golpes, baseados em estados estadunidenses, como “Detroit Smash”, “Texas Smash” ou o mais poderoso de todos “United States Smash”, entre outros.

Essa narrativa, que carrega elementos ocidentais e orientais, junto aos personagens carismáticos e bem construídos são fatores fundamentais para o sucesso da história.O jogo de luta My Hero One’s Justice (Multi) aproveita dessas coisas ao colocar os heróis e vilões do anime para lutar entre si.

Carismático e divertido, mas falta profundidade 

O visual cartunesco foi uma das coisas que mais me agradou no jogo, se aproximando mais de quadrinhos americanos do que de mangás os menus e interfaces coloridas reforçam as caracterizações que já estão presentes na narrativa do anime. Os personagens, que já são carismáticos por si só, ficam ainda mais divertidos com as personalizações que misturam elementos dos personagens.

O jogo abusa das cores e animações vibrantes, ressaltando as cores fortes dos personagens como uma forma de distinção dos cenários, todos lugares marcantes do anime. Manter a identidade visual dos personagens é importante para deixar o combate menos confuso, já que ele é rápido e movimentado.

As lutas são simples, você pode dar dash, atacar a curta ou longa distância, usar até dois sidekicks que tem um tempo de espera e escolher entre 3 especiais com forças diferentes, com uma barra medindo o poder. Fora isso a mecânica não se aprofunda muito, o contra ataque é peculiar e por vezes frustrante, não permitindo quebrar combos no meio. Você deve atacar em direção ao oponente para criar um escudo dourado que funciona como contra ataque, mas o tempo de resposta é ruim e isso acaba não funcionando direito.


A despeito de tudo isso o combate é divertido. Os personagens variados por suas “individualidades” (como super poderes são conhecidos na história) fazem a descoberta de cada um ser divertida. Como já conhecia o anime uma das coisas mais legais foi ir descobrindo o que os desenvolvedores trouxeram de cada personagem e um o equilíbrio entre eles funcionam independente da força do personagem no anime.

No final das contas a mecânica entre um e outro não é muito diversa, você não vai mudar radicalmente a forma de jogar escolhendo o All Mighty ou a Uraraka, o que é um pouco decepcionante, mas ao mesmo tempo é uma forma de equilibrar bem e permitir que essa luta aconteça, o que seria impensável no anime.

As variações são importantes não só para jogo casual entre amigos ou online, mas também para definir uma meta caso o jogo seja considerado para eventos como EVO ou ser competindo profissionalmente, mas a falta de profundidade do combate e seus problemas com peso e falta de diversidade na jogabilidade me faz pensar que não vai tão longe assim.


Em comparação com outros jogos do gênero, Naruto Ultimate Ninja por exemplo, as lutas são desajeitadas, os especiais nem sempre acertam quando deveriam, o sistema de contra ataque é frustrante e a impossibilidade de quebrar o combo inimigo por conta própria deixa a luta desequilibrada, parecendo uma troca de turnos entre os ataques.

A única forma de acabar com um combo inimigo é ativar um dos sidekicks quando ele te acertar, mas o tempo de recarga, tanto desses personagens secundários como dos especiais é longo demais, muitas vezes podendo ser usados apenas uma vez na luta, quase nunca completando o terceiro nível dos ataques especiais denominados “Plus Ultra” no jogo.

Um dos pontos positivos das lutas é a verticalidade. As batalhas não estão limitadas ao chão, com possibilidade de arremessar seus oponentes para o ar e continuar lutando acima da terra por muito tempo, com ataques diferenciados entre jogo terrestre e aéreo. Isso aumenta a dinamicidade das lutas, com outras saídas possíveis, outros tipos de combinação e até alterando um pouco o ritmo entre os ataques a partir dessas combinações que são muito interessantes principalmente nos cenários com possibilidade de “ringout”.

Variedades de modos 

My Hero One’s Justice apresenta algumas possibilidades de jogo, entre eles o modo história, os desafios e o clássico arcade, além dos modos de luta local e online. Essas possibilidades mantém o jogo vivo por mais tempo e permitem que a descoberta das mecânicas e dos personagens aconteça de forma mais natural.

O modo história se passa basicamente entre a segunda e terceira temporada do anime, entre o começo do treinamento de Deku Midoriya, o protagonista, com o mestre Gran Torino e o ataque final do vilão All for One. O modo não apresenta nenhuma novidade e não acrescenta em nada na história do anime, portanto para quem já sabe a história é o modo é até um pouco repetitivo, separando a narrativa entre Heróis e Vilões para dar os pontos de vista opostos do mesmo evento.

Apesar disso, a forma como a história é contada, parecendo a leitura de uma HQ, faz sentido para o que o jogo propõe, mas acaba sendo muito apressada, deixando escapar alguns detalhes que podem tornar a experiência de quem já não conhece a história meio confusa e sem saber exatamente o que está acontecendo.


As recompensas do modo história são itens de customização para os personagens e para o perfil do jogador, fora isso completar a parte “Héroi” do modo história libera o vilão All for One como jogável. O tutorial faz parte dos primeiros capítulos do modo história, que se propõe a ser o primeiro contato do jogador com o modo de luta e as mecânicas e nesse sentido funciona muito bem, com uma progressão de dificuldade natural que nunca é muito difícil mas também é desafiador.

O primeiro teste de habilidade acontece no final do modo na luta contra o All Mighty, primeiro momento que senti realmente dificuldade em vencer uma luta, fora isso só refiz as lutas para tentar alcançar os rankings S em cada uma, que faz liberar mais itens de customização.


O modo desafios é o mais divertido do jogo singleplayer. Cada desafio é composto por um número de lutas de acordo com a dificuldade e cada luta tem um diferencial, entre não poder usar o dash, ou poder limitado, entre outros. Cada desafio você monta um time de 3 lutadores e tem que sobreviver até a última luta com os três para acumular pontos, cada luta perdida são pontos retirados e no final as recompensas são de acordo com o acumulado.

Infelizmente o modo fica limitado a liberar roupas e itens de customização, então não existe um bom incentivo para continuar nos mais difíceis, apesar das coisas interessantes que cada um apresenta. Em oposição ao modo história os desafios tem uma progressão muito mais agressiva, então já no segundo ou terceiro já fica difícil completar sem morrer algumas vezes. O modo arcade não acrescenta nada ao que já é comumente conhecido, a progressão não é muito difícil e os desafios são previsíveis, de todos os modos ele é o que tem menos personalidade.

Só mais um jogo de luta

Apesar dos seus pontos positivos, muita coisa poderia ser acrescentada ao jogo, como um elenco mais extenso do que os 20 personagens jogáveis no momento. Nomes que eram muito interessantes no anime poderiam compor essas possibilidades e que foram deixados de fora deixam um sentimento de incompletude. O elenco de personagens jogáveis reduzidos deixa o jogo com pouca possibilidade e por consequência repetitivo, assim como suas mecânicas.

Optando por tão poucos personagens o jogo perde um dos fatores que deixa Boku No Hero único, que é justamente as individualidades de cada um dos heróis, que deixa aquele mundo rico e interessante e com a vontade de descobrir mais sobre cada um ali.

No final, My Hero One’s Justice é divertido e bom de se jogar por um tempo, mas falta precisa melhorar muito para se consagrar como um jogo forte no gênero de luta. O jogo aproveita o sucesso da série mas não faz jus ao prometido, ficando com um gosto de apenas mais um jogo de luta que aproveita o sucesso do anime.

Pontos positivos

  • Variedade de modos
  • Personagens carismáticos
  • Lutas dinâmicas e rápidas

Pontos negativos

  • Elenco limitado
  • Não possui história própria
  • Mecânicas repetitivas e limitadas

My Hero One's Justice - PS4/Xbox One/Switch/PC - Nota: 7,0


Versão usada para análise: PS4


Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco
Thiago Henrique escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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