Lançado originalmente em 2016, Persona 5 representou uma ruptura estética e temática dentro da franquia da Atlus. Com foco na crítica social, na juventude marginalizada e na luta contra sistemas opressivos, o jogo apresentou uma narrativa que rapidamente conquistou o público. O sucesso levou à criação de novas versões e títulos derivados, cada um ocupando um espaço específico na cronologia da obra.
Apesar da grande quantidade de jogos associados ao nome Persona 5, nem todos possuem o mesmo peso narrativo. Alguns funcionam como expansões diretas da história principal, enquanto outros exploram eventos paralelos, sonhos ou linhas do tempo alternativas. Compreender essa organização é essencial para entender como a jornada dos Phantom Thieves se constrói de forma coesa.
O despertar da rebelião
A base de toda a cronologia começa com Persona 5, quando o protagonista chega a Tóquio sob liberdade condicional e acaba despertando o poder de sua Persona. A formação dos Phantom Thieves ocorre gradualmente, à medida que cada membro enfrenta figuras de autoridade que distorceram seus desejos no Metaverso.
Durante esse período, a narrativa se concentra na descoberta dos Palácios, na origem do Metaverso e no impacto das ações do grupo sobre a sociedade. É também nesse intervalo que se encaixam histórias paralelas como Persona Q2: New Cinema Labyrinth e Persona 5 Tactica, que transportam os personagens para realidades alternativas sem causar alterações permanentes na linha do tempo, geralmente justificadas pela perda de memória ao final dos eventos. Essas experiências funcionam como desvios narrativos: acontecem, mas não deixam marcas duradouras, preservando a integridade da história principal.
Sonhos, distorções e eventos sem consequências
Ainda durante os acontecimentos centrais de Persona 5, surgem os títulos de ritmo, como Persona 5: Dancing in Starlight. Nesse jogo, os Phantom Thieves são envolvidos em um sonho coletivo criado no Velvet Room, em que música e dança substituem o conflito direto.
Assim como nos crossovers, o encerramento reforça que os eventos não possuem impacto narrativo real. Ao despertar, os personagens não se lembram do que ocorreu, caracterizando o jogo como uma experiência canônica em conceito, mas neutra em termos de cronologia.
Esse padrão reflete uma abordagem recorrente da Atlus: permitir encontros e variações criativas sem comprometer a progressão da narrativa principal.
O final definitivo
A linha do tempo central encontra sua forma completa em Persona 5 Royal. Essa versão revisada substitui o desfecho do jogo original, adicionando um novo semestre, personagens inéditos e um antagonista cujo conflito é mais emocional do que ideológico.
Royal aprofunda o tema da liberdade ao questionar se uma realidade sem dor, mas construída sobre ilusões, pode ser considerada justa. Cronologicamente, ele representa o final canônico da história principal, redefinindo o encerramento da jornada dos Phantom Thieves.
Tudo o que vem antes converge para esse ponto, e tudo o que vem depois parte dele.
Consequências e continuidade
A sequência direta da cronologia é Persona 5 Strikers, ambientado meses após os eventos finais. O jogo acompanha o reencontro dos Phantom Thieves durante uma viagem de verão pelo Japão, apresentando uma nova manifestação do mesmo problema central: o controle da vontade humana.
Embora introduza novos personagens e conceitos, Strikers mantém coerência com os acontecimentos anteriores e funciona como a continuação legítima da história, expandindo o impacto das ações do grupo para além de Tóquio.
Universos alternativos
Por fim, Persona 5: The Phantom X ocupa um espaço separado na cronologia. Apesar de reutilizar conceitos, estética e estruturas narrativas semelhantes, o jogo apresenta um novo protagonista e novos Phantom Thieves, situando-se em uma linha do tempo alternativa, sem conexão direta com a história original.
Essa separação permite à Atlus explorar Persona 5 sob outra perspectiva, sem interferir no arco já estabelecido.
Uma cronologia fragmentada, mas coesa
Mesmo fragmentada entre jogos principais, spin-offs e experiências paralelas, a cronologia de Persona 5 se mantém surpreendentemente organizada. A narrativa central permanece intacta, enquanto desvios criativos são cuidadosamente isolados por meio de sonhos, distorções e realidades alternativas.
Esta estrutura permite que Persona 5 seja, ao mesmo tempo, uma história fechada e um universo em constante expansão, refletindo o próprio tema da série: múltiplas máscaras, uma mesma identidade.
Revisão: Beatriz Castro

