Em agosto de 2000, a série de RPGs criada por Yuji Horii chegava ao PlayStation com Dragon Quest VII: Fragments of the Forgotten Past. Além de marcar a transição da franquia para o 3D, o título também representou o retorno da série ao Ocidente após um hiato de quase oito anos, já que o último jogo localizado em inglês havia sido DQIV, lançado para o NES do nosso lado do globo em 1992.
Agora, em 5 de fevereiro, esse clássico receberá um remake intitulado Dragon Quest VII Reimagined, que chegará ao PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2. A Square Enix já disponibilizou uma versão de demonstração e tivemos a oportunidade de testá-la para compartilhar nossas primeiras impressões sobre essa nova versão.
Fragmentos de um passado esquecido
Em Dragon Quest VII, assumimos o papel de um jovem filho de pescador da vila de Pilchard Bay, localizada na pequena ilha de Estard, cujos moradores acreditam ser a única massa de terra existente no mundo. Essa visão limitada da realidade começa a ruir quando o rapaz, ao lado de Maribel, filha do prefeito do povoado, e de Kiefer, príncipe de Estard, descobre misteriosos fragmentos de pedra.
Ao serem posicionados em um pedestal em uma antiga ruína, esses estilhaços funcionam como portais, transportando o grupo para regiões que não existem mais no presente. A partir dessa descoberta, os heróis passam a compreender que o mundo já foi muito mais vasto no passado, formado por inúmeros continentes e culturas que, por razões desconhecidas, desapareceram. Movidos por esse mistério, eles embarcam em uma jornada para restaurar o planeta ao seu estado original.
É justamente essa estrutura que define a campanha de Dragon Quest VII. Cada nova região acessada por meio das tábuas apresenta uma história própria, com personagens, conflitos e dramas locais que, embora pareçam isolados a princípio, acabam se conectando a uma ameaça maior. Aos poucos, as narrativas revelam a influência de um antagonista central, cuja presença está ligada ao colapso do mundo e a muitos dos eventos que moldam tanto o passado quanto o presente.
Durante a demo, é possível acompanhar o início da jornada na ilha de Estard e explorar o passado de uma segunda região, com foco na cidade de Ballymolloy. Nesse arco, a narrativa gira em torno de Maeve, uma jovem marcada pela perda de seu irmão mais velho Molloy, que sacrificou a vida ao tentar proteger o vilarejo que hoje carrega o seu nome.
É importante destacar que uma das maiores críticas ao jogo original — especialmente no Ocidente — sempre foi a sua extensão. Segundo os desenvolvedores, Dragon Quest VII Reimagined trará ajustes significativos no ritmo da narrativa, com trechos otimizados para tornar a experiência mais equilibrada. Isso já é nítido na demo: enquanto na versão de PlayStation levava-se horas até o primeiro combate, aqui a introdução às lutas é muito mais ágil.
Ainda de acordo com a Square Enix, houve um esforço especial para tornar o elenco mais carismático e melhor desenvolvido, permitindo que o público crie uma ligação mais forte com os heróis. Isso será feito por meio de novos episódios de história, incluindo um arco que retrata aventuras do protagonista e de Maribel durante a infância, além de um novo cenário focado em Kiefer adulto.
Para finalizar sobre a trama, outro ponto que gera grande entusiasmo é a qualidade da dublagem em japonês (também há vozes em inglês), que, durante a demo, reforçou com maestria as nuances e particularidades do elenco. Para citar dois exemplos de peso, temos Maribel sendo interpretada por Aoi Yūki (Maomao em Diários de uma Apotecária e Tsuyu em My Hero Academia) e o Príncipe Kiefer por Mamoru Miyano (Light Yagami em Death Note e Death the Kid em Soul Eater).
Um mundo em forma de diorama
Seguindo a estrutura da obra original, Dragon Quest VII Reimagined traz um mapa-múndi repleto de áreas internas, como cavernas, cidades e florestas. Embora o game comece apenas com a ilha de Estard, o escopo do mundo vai sendo reconstruído e ampliado à medida que o jogador encontra novas pedras e resolve os conflitos de cada região visitada no passado.
Um dos aspectos que mais chama atenção nessa reimaginação é o seu visual. Para esta versão, os desenvolvedores criaram bonecos físicos reais dos personagens, que depois foram digitalizados e transformados em modelos dentro do jogo. Essa abordagem, combinada com cenários altamente detalhados e uma câmera em perspectiva quase isométrica, cria a sensação de que estamos explorando uma maquete ou diorama, dando ao título um estilo estético bastante único dentro da franquia.
É importante destacar que essa escolha não impacta apenas o aspecto visual, pois a visão aérea permite observar grandes porções do mapa de uma só vez, facilitando a identificação de caminhos, construções e pontos de interesse no cenário. Considerando que Dragon Quest VII Reimagined promete ser tão grande (ou até maior) quanto a obra original, especialmente com a confirmação de que haverá bastante conteúdo opcional, essa abordagem torna a exploração mais fluida e agradável, algo essencial para uma aventura dessa escala.
Como incentivo à exploração, a demo já confirma o retorno das clássicas Mini Medals, que podem ser trocadas por recompensas, além da presença de pontos brilhantes espalhados pelos cenários, que rendem itens ao serem investigados. O remake também mantém o sistema de inimigos visíveis no mapa (introduzido na versão de 3DS), permitindo que o jogador escolha quando entrar em combate. Para tornar a navegação ainda mais amigável, a missão principal pode ser marcada no mapa e os baús de tesouro agora são exibidos no minimapa das masmorras.
Outro destaque é o retorno do Party Chat, um recurso que possibilita ouvir os comentários dos aliados de acordo com o local em que estamos e com o objetivo atual da jornada. Mesmo considerando a curta duração da demo, é impressionante a quantidade e variedade de diálogos disponíveis, o que já cria uma forte expectativa de como esse sistema pode enriquecer a narrativa e a caracterização dos personagens no jogo completo.
Sistema de vocações redesenhado
No que diz respeito ao combate, Dragon Quest VII Reimagined mantém o clássico sistema por turnos, no qual habilidades, magias, equipamentos e efeitos benéficos ou debilitantes têm papel fundamental nas batalhas. Durante o conteúdo da demo, controlamos o protagonista, Maribel e Kiefer, além de contar com a ajuda temporária de Maeve em um trecho específico.
Um dos pilares do título original também está de volta: o robusto sistema de vocações, que oferecia cerca de 50 classes diferentes. Embora ainda não se saiba quantas delas estarão no remake ou se o acesso a essas especializações será antecipado — algo que era relativamente demorado na obra de 2000 —, os desenvolvedores confirmaram uma novidade promissora: a possibilidade de fixar um ofício secundário.
No jogo original, trocar de ocupação significava recomeçar a progressão do zero. Em Reimagined, essa nova função permite que a segunda linhagem evolua em paralelo à principal. Isso deve tornar o desenvolvimento de múltiplas funções muito mais fluido e menos trabalhoso, incentivando a experimentação e a personalização total do grupo.
De forma resumida, o título de PlayStation dividia esses caminhos entre aprendizados humanos e de monstros, sendo que estes últimos eram obtidos por meio de corações raros deixados por inimigos específicos. Durante a demo, enfrentamos uma criatura maior e mais poderosa que o normal, que derrubou justamente um desses itens. Caso esse tipo de encontro seja recorrente e, de algum modo, rastreável no produto final, a obtenção desses jobs especiais será muito mais prática e menos dependente de sorte.
A (possível) versão definitiva de uma das aventuras mais extensas da franquia
Com base no que foi possível experimentar na demo, Dragon Quest VII Reimagined se mostra mais do que um simples remake: trata-se de uma releitura cuidadosa e ambiciosa de um dos capítulos mais longos da série.
As melhorias no ritmo, as adições à narrativa, o novo sistema de vocações e o estilo visual único indicam um esforço claro da Square Enix em preservar a essência do original enquanto remove muitas de suas barreiras para torná-lo mais atrativo a público mais amplo. Se o restante da aventura conseguir manter o nível apresentado nesse trecho inicial, o jogo tem tudo para se tornar a melhor forma de vivenciar DQVII.
Revisão: Thomaz Farias
Texto de impressões produzido com demonstração gratuita disponível na PSN












