Como este é o meu primeiro artigo de 2026, deixo aqui um rápido “Feliz ano novo”, caro leitor(a). Dito isso, no final do ano passado, decidi dar uma nova chance a um dos jogos mais marcantes da franquia da Ubisoft: Ghost Recon Wildlands. Ao rejogá-lo, senti-me incentivado a trazer algumas informações sobre essa aventura na Bolívia, seja para apresentar o título a novos jogadores ou para relembrar os veteranos sobre os pontos altos dessa jornada.
Afinal, o que é a franquia Ghost Recon?
Antes de mergulharmos no título ambientado na Bolívia, vamos a uma breve introdução: a franquia Tom Clancy’s Ghost Recon teve seu primeiro jogo lançado em 2001, utilizando a mesma engine de Rainbow Six. Nele, acompanhamos os "Ghosts" (Fantasmas), uma equipe de elite americana que age nas sombras em situações de alto risco — como no jogo original, que retratava uma invasão soviética.
O game foi um sucesso, vendendo 760 mil cópias até 2002, destacando-se pela abordagem tática em primeira pessoa e uma inteligência artificial interessante para a época. Após isso, a franquia decolou com inúmeros lançamentos. O último antes do hiato foi Ghost Recon: Future Soldier (2012), que trouxe uma temática futurista e consolidou a câmera em terceira pessoa. Depois dele, a série ficou em silêncio por cinco anos até a chegada de Wildlands.
Ubisoft vs. Governo Boliviano
Anunciado em 2017 e atualmente já tendo vendido mais de 10 milhões de cópias, Ghost Recon Wildlands apresentava a equipe liderada por Nomad infiltrando-se na Bolívia para libertar o país do controle do cartel narco terrorista, Santa Blanca, comandado por El Sueño. Porém, a escolha desse cenário gerou uma repercussão negativa imediata: o governo boliviano criticou duramente a Ubisoft, chegando a apresentar uma queixa formal ao governo francês(lembrando que a Ubisoft é uma empresa Frances).
O estúdio defendeu-se declarando que a franquia é uma obra de ficção e que a escolha do país deveu-se exclusivamente à sua cultura rica e paisagens deslumbrantes — representadas de forma magistral naquele que era, até então, o maior mapa já criado pela Ubisoft. A França não se pronunciou oficialmente e o assunto acabou esfriando, mas esse incidente influenciou possivelmente a decisão da empresa de optar por uma localização totalmente fictícia na sequência, Ghost Recon Breakpoint.
A polêmica da faca
O jogo foi um marco por estabelecer o mundo aberto, rompendo com o padrão de fases lineares da franquia. O mapa trouxe uma campanha não linear, permitindo a escolha de quais alvos do cartel priorizar, jogando sozinho ou em cooperativo com até quatro jogadores.
A jogabilidade era em terceira pessoa, porém, ao mirar, a visão mudava para primeira pessoa (com a opção de permanecer em terceira). No entanto, o game nasceu com uma falha bizarra: não possuía facas militares. Algo básico para o gênero, as eliminações furtivas eram feitas apenas com as mãos ou armas de fogo.
A situação tornou-se polêmica quando a expansão paga Fallen Ghosts introduziu as lâminas, mas apenas para quem comprasse o conteúdo. Após muitas críticas, a Ubisoft adicionou missões gratuitas anos depois, como a Operação Archangel, que finalmente disponibilizou facas sem custo adicional. Felizmente, esse problema foi resolvido nativamente em seu sucessor, Breakpoint.
Inimigos que realmente desafiam o jogador
Uma das maiores façanhas de Wildlands foi entregar adversários que, embora não sejam perfeitos, representam um desafio real. Comparado a títulos mais recentes do estúdio, como Assassin’s Creed Shadows — em que os inimigos às vezes parecem "surdos e cegos" mesmo diante de um cadáver —, os membros do cartel e a polícia militar (Unidad) são surpreendentemente astutos.
Eles buscam cobertura, mudam de posição constantemente, tentam flanquear o jogador e utilizam explosivos de forma agressiva. É claro que, ocasionalmente, a IA falha e os inimigos correm em sua direção sem cobertura, mas a experiência geral é sólida.
Em dificuldades elevadas, como o Modo Ghost — no qual a morte é permanente e apaga o progresso do jogador —, os adversários alcançam outro nível de ameaça. Devido ao alto dano, um único disparo pode ser o suficiente para eliminar Nomad. Contudo, nem tudo são flores: até hoje o jogo apresenta bugs persistentes, como NPCs atravessando o chão ou o próprio jogador caindo no limbo abaixo do mapa em momentos inesperados.
O jogo está disponível para a antiga geração (PlayStation 4, Xbox One e PC). Infelizmente, ele não recebeu versões nativas para a nova geração (PS5 e Xbox Series X|S) e carece do famoso patch de 60 FPS que a Ubisoft lançou para outros títulos, como The Division e Assassin's Creed Origins.
O retorno promissor dos Fantasmas
Ghost Recon Wildlands continua sendo um dos títulos mais bem avaliados da franquia no Metacritic, superando sua sequência, Breakpoint. É um game que vale a pena revisitar ou conhecer pela primeira vez. Fora a campanha principal, oferece modos multiplayer e duas expansões(Fallen Ghost e Narco Road) que frequentemente entram em promoção com valores baixos, chegando a custar doze reais. Além disso, tem à disposição um dos mapas mais bonitos e imersivos que o estúdio francês já produziu.
Revisão: Thomaz Farias







