Análise: Anno 117: Pax Romana é a chance de erguer o Império Romano à sua maneira

O novo título da série Anno é um grande acerto da Ubisoft e uma recomendação fácil para os entusiastas do gênero.

em 24/11/2025
Anno 117: Pax Romana
é o mais recente título da franquia Anno, que nasceu em 1998 e desde então é conhecida por entregar ótimos títulos dentro dos gêneros de simulação, gerenciamento e estratégia. Desenvolvido pela Ubisoft Mainz, este novo jogo não foge à regra, promovendo uma incursão na Roma Antiga e dando ao público a possibilidade de erguer seu próprio império virtual, resultando, no fim, em uma fácil recomendação para os apreciadores da proposta. 

Atendendo ao chamado do imperador

Como de costume para a série, Anno 117: Pax Romana oferece dois modos principais de jogo. De um lado, temos a campanha propriamente dita, na qual uma série de missões dão forma a uma história repleta de intrigas e ambição. Do outro, há o tradicional modo interminável (ou infinito), no qual é possível edificar o seu reino de forma sandbox, sem muitas amarras no processo.

No que tange à campanha, pela primeira vez na franquia, podemos escolher entre dois personagens para controlar: Marcus Naukratius, o filho caçula de Decimus, e Marcia Tertia, a terceira filha da Casa Naukratia. Independentemente do protagonista selecionado, porém, é fato que sua jornada se iniciará na ilha que outrora sediou a cidade de Ambrósia, tragicamente destruída pela erupção de um vulcão nas proximidades.

É lá que, guiado pelo fiel e experiente conselheiro Ben Baalion, você será encarregado de construir e administrar uma nova cidade. O nome escolhido para o lugar? “Juliana” — uma homenagem à aparentemente frívola esposa do Imperador.

Mas, em se tratando de um pedido da própria realeza, não haveria como negá-lo, não é mesmo? Então mãos à obra, pois, apesar de inesperada, esta é a sua chance de erguer o Império Romano à sua maneira, desde a posição das estradas e casas até a escolha do deus patrono que será cultuado nos templos.

A história jogável

Uma das principais diferenças da série Anno para outras franquias famosas que envolvem simulação, como Civilization, é o seu foco na construção e administração de cidades. Anno 117: Pax Romana entrega justamente isso, com os seus maiores diferenciais sendo a polidez esperada de uma franquia com mais de duas décadas de existência e, claro, a roupagem de um dos períodos mais interessantes da história da humanidade.

Tradicionalmente datada de 27 a.C a 180 d.C, a era Pax Romana (também conhecida como Pax Augusta) na vida real foi uma verdadeira “era de ouro” para os romanos, visto o seu amplo desenvolvimento cultural e econômico, além de sua expansão territorial. Já nesta versão virtual, o mesmo status pode ser alcançado, mas é preciso sabedoria e estratégia para planejar, construir e gerenciar.

Um exemplo disso são as suas atribuições. Inicialmente, tudo que o jogador precisa para cair nas graças do imperador é tornar a cidade de Juliana minimamente habitável, com algumas casas para os alforriados e uma cadeia básica de produção alimentícia — sardinhas e mingau, por custarem pouco, são especialmente úteis no início do jogo, por exemplo.

No entanto, conforme Juliana cresce e atrai mais pessoas, a situação vai se tornando progressivamente mais complexa. A partir de um certo número de habitantes, é imprescindível ter ao menos uma taverna e um mercado, assim como estruturas capazes de suprir outras necessidades humanas, como vestuário e religião.

O legal é que testemunhar essa progressão em Pax Romana é o mesmo que ter uma aula de história jogável, pois são várias as invenções romanas que revolucionaram o mundo contemporâneo (como as estradas e o concreto), mas elas não nasceram do dia para a noite. Logo, sair de algo parecido com uma aldeia para um império digno de dar inveja a César em algumas boas horas de jogo é uma jornada bastante atraente e divertida — e o fato de que o jogador está sempre no controle de tudo é o grande diferencial.

Lições de economia? Precisamos!

Logicamente, Anno 117 também traz uma série de novidades para se destacar da concorrência no segmento. De todas, talvez a principal seja o bônus de área que algumas construções oferecem em relação às outras, traço que acaba afetando toda a jogabilidade, mas sempre de forma positiva. Como exemplo, a simples presença de uma taverna rende bônus de felicidade às casas próximas, enquanto a existência de uma mina de carvão torna as residências próximas mais infelizes (além de suscetíveis aos possíveis incêndios).

Essa mecânica acaba influenciando toda a estrutura da cidade, além de naturalmente favorecer a divisão de zonas — qual romano não gostaria de morar perto do santuário ou da padaria em vez do armazém de telhas, por exemplo? O “pulo do gato” é que nem sempre esse planejamento urbano sai como esperado, principalmente em momentos de expansão, resultando em um quebra-cabeça constante que certamente agradará os fãs do gênero que apreciam idealizar (às vezes, milimetricamente) suas construções virtuais, agora com o suporte de estradas diagonais, à la Manor Lords.

Tudo isso é complementado pelo complexo sistema de economia: como em outros títulos da série Anno, o risco de falência em Pax Romana é sempre alto, e aqui ainda há a figura do imperador constantemente pedindo dinheiro (muitas vezes por motivos supérfluos, mas que bom administrador não atende seu imperador?).

No fim, expandir enquanto se mantém a felicidade, a saúde e os impostos da população em dia não é fácil (e a abordagem da mão de ferro pode ser a preferida de alguns jogadores), mas eu estaria mentindo se dissesse que não é divertido tentar e até mesmo fracassar, visto que, com tantas opções de construção disponíveis, o fator replay é notável tanto na campanha quanto no modo infinito (sempre um ponto positivo para o gênero).

Um problema considerável — a otimização

Pax Romana, porém, desliza em alguns pontos: particularmente, achei o tutorial consideravelmente simples para a complexidade natural do game, o que pode deixar os novatos confusos, principalmente quando o assunto é tornar a cidade rentável. Seguindo a mesma linha, a campanha termina um pouco cedo demais, dando a impressão de que o grande foco do game está no modo infinito, enquanto a narrativa fica em segundo plano. 

Também é preciso mencionar a otimização — ou melhor, a carência dela. Considerando os padrões do gênero (e os requisitos de seu antecessor: Anno 1800), Pax Romana se prova, surpreendentemente, bastante exigente em termos de hardware, por vezes de forma incompatível com o que é de fato exibido no monitor.

Usando uma RTX 3060 e um Ryzen 7 5700x (portanto, uma configuração acima dos requisitos recomendados oficialmente), experimentei quedas significativas na taxa de quadros e microtravamentos constantes durante os testes para esta análise. Até aí, tudo bem, mas o verdadeiro problema para mim foi notar que alterar as configurações gráficas não impactou significativamente na performance, demonstrando falta de escalabilidade — a solução prática neste momento é realmente recorrer aos métodos de upscaling, como DLSS e FSR.

Também não é incomum presenciar bugs como personagens flutuando ou se teletransportando enquanto se administra a cidade, e o recurso de crossplay no multiplayer (que deveria ser um ponto positivo) se encontra desativado no momento da escrita desta análise, devido a um problema grave de dessincronização, essencialmente tornando o modo injogável. Em resumo, são pontos que quebram um pouco da imersão e dão a impressão de um lançamento que foi um tanto quanto apressado — uma pena, considerando a qualidade geral do produto em vários outros aspectos, como a trilha sonora.

A boa notícia é que a Ubisoft Mainz prometeu um extenso suporte pós-lançamento, com suporte oficial a mods e atualizações constantes. A próxima, focada na correção dos bugs, está prevista para a primeira metade de dezembro. Fica registrada, portanto, a esperança de que Anno 117 alcance em breve o estado técnico esperado tanto no PC quanto nos consoles. Os fãs do gênero, como eu, certamente agradecerão.

Aumentando a frequência com que você pensa no Império Romano

Anno 117: Pax Romana prova ser um excelente simulador, digno do rico período histórico que o inspira e também do legado da longeva franquia da Ubisoft. O fato de que nem mesmo os seus deslizes técnicos são o suficiente para impedir uma recomendação mais ampla é um testamento à qualidade de seus sistemas e a toda a diversão envolvida em planejar, erguer e gerenciar cidades antigas. No fim, a verdade é que este lançamento pode não ser perfeito, mas com certeza aumentará a frequência com que você pensa no (seu) Império Romano — e isso, acredite, é algo positivo.

Prós

  • Fazendo jus ao legado da série Anno, se mostra um rico simulador de cidades, com potencial de entreter por horas a fio tanto no modo campanha quanto no modo infinito;
  • A boa representação histórica dos hábitos e tradições da era Pax Romana é certamente um diferencial;
  • As adições de qualidade de vida, como as estradas diagonais, fornecem liberdade e otimizam a parte de construção;
  • Localização em português brasileiro.

Contras

  • O tutorial poderia ser um pouco mais completo;
  • A presença de bugs e problemas de performance dão a impressão de que o lançamento se beneficiaria de um pouco mais de tempo no forno;
  • Como exemplo inegável do ponto acima, no momento de publicação desta análise, o crossplay está desabilitado em todas as plataformas devido a um problema grave de sincronia.
Anno 117: Pax Romana — PC/PS5/XSX — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ubisoft
OpenCritic
Siga o Blast nas Redes Sociais
Alan Murilo
é publicitário e copywriter que aprecia um bom jogo tanto quanto um bom café. Gamer desde que segurou um controle de Super Nintendo pela primeira vez, tem um apreço especial pelos títulos independentes e pelas diversas franquias da Big N.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).