Vocês estão prontas, crianças?
Quem curtiu os jogos anteriores do Bob Esponja e sua turma — Battle for Bikini Bottom – Rehydrated e The Cosmic Shake — já deve ter uma ideia do que esperar em Titãs da Maré. Ou seja, uma aventura repleta de bom humor, com personagens e cenários coloridos e agradáveis. O enredo é inédito, mas parece ter saído diretamente do desenho animado tal a sua qualidade na utilização da marca.
Em meio a mais uma movimentada abertura do Siri Cascudo, cujo Hambúrguer de Siri é desejado por todos os sete mares, duas figuras importantes acabam brigando na fila do caixa. São eles o Rei Netuno, o sereiano soberano submarino, e o Holandes Voador, fantasma do submundo marinho. O conflito de duas figuras tão poderosas (e malucas) acaba afetando o oceano de maneira radical.
A Fenda do Bikini é devastada em meio a uma invasão de fantasmas, deixando nas mãos de Bob Esponja e Patrick Estrela a responsabilidade de salvar todo mundo. Ao longo da campanha, encontramos outras figurinhas carimbadas como Lula Molusco, Sandy Bochechas, Senhora Puff e Gary. Para completar a diversão, temos um jogo completamente localizado para o português brasileiro.
Melhor que isso: a grande maioria das vozes é dos dubladores oficiais dos personagens, sendo que as que não parecem ser oficiais ainda assim estão muito boas. O mesmo ocorreu em Cosmic Shake, então fica o elogio para a manutenção desse trabalho competente. Minha única crítica é que, eventualmente, falas, músicas e efeitos sonoros se sobrepõem excessivamente, dificultando o entendimento geral.
Como um abacaxi no fundo do mar
Ainda sobre o som, a produção faz bonito nas músicas, muito caprichadas e divertidas. Em termos visuais, Titãs da Maré também tem uma produção de primeira, com gráficos coloridos e repletos de estilo, tal como esperado de um produto da marca Bob Esponja. Os ambientes do jogo — divididos em cinco grandes áreas — trazem uma variedade interessante, seja para a campanha, seja para os objetivos secundários.
Cito essas duas categorias porque a história do game não é muito longa (me pareceu um pouco menor do que as anteriores), mas ele conta com várias missões secundárias interessantes. Portanto, mesmo após o final da campanha — repleta de reviravoltas e momentos hilários — o jogador ainda tem muita coisa para explorar. Colecionar todas as roupas para Bob Esponja e Patrick é uma das atrações mais legais.
Um ponto importante é em relação a dificuldade do game, sobretudo das missões principais, que trazem fases razoavelmente fáceis. Um ou outro momento vai exigir mais atenção ou algum planejamento, mas no geral o game é bastante acessível. De forma contraditória, mas muito meritória, o game faz com que cada seção resolvida proporcione uma agradável sensação de satisfação.
Não é fácil equilibrar dificuldade e recompensa, algo que temos aqui com muita competência. Isso torna o game interessante para praticamente qualquer público, não importando a idade ou o nível de dedicação aos videogames. Mesmo as corridas (contra o tempo ou não) são razoavelmente tranquilas. Claro que seria melhor ter um pouco mais de desafio no longo prazo, porém isso não compromete a experiência geral.
Dupla dinâmica submarina
Boa parte dessa qualidade vem da dinâmica de troca entre Bob Esponja e Patrick. Devido à briga entre os “titãs” Rei Netuno e Holandês Voador, somente um dos membros da dupla de heróis pode ser controlado por vez, com o outro se transformando em fantasma. É possível alternar entre eles instantaneamente, sobretudo para podermos utilizar as habilidades únicas que cada um possui.
O dono das calças quadradas pode usar golpes de caratê e soprar bolhas de sabão, enquanto a estrela do mar pode andar por debaixo da terra e arremessar itens como caixas e pedras. Trocar entre os dois é bem divertido, permitindo que você avance por todo tipo de plataforma e obstáculo de forma ininterrupta. Caso o jogador não queira ser tão “radical”, é só ir alternando de forma mais tranquila.
Outra mecânica legal de Titãs da Maré são as estruturas fantasmas, que podem ser alteradas entre sólidas e intangíveis ao acionarmos recipientes coloridos. Eles alternam entre as cores verde e azul, ajudando o jogador a saber o que irá sumir ou aparecer ao serem ligados. Paredes, plataformas, entre outros elementos, exigem trocas no momento certo para avançar nas fases.
Um oceano de diversão
As cinco grandes áreas são divididas em seções menores, cada uma com sua própria quantidade e variedade de itens e missões. É possível fazer uma viagem rápida até elas a partir de qualquer lugar, inclusive do hub principal do game, o Siri Cascudo Voador (não vou explicar, pois seria spoiler). Isso é perfeito para capturar mais águas-vivas, procurar baús com colecionáveis — como pedaços de cueca para aumentar a vida e filtros para o modo foto — e competir nas corridas contra o tempo.
Mantendo a evolução do título anterior, Titãs da Maré tem menos telas de carregamento, que por sua vez são mais breves. Elas ainda aparecem de forma um tanto repentina em transições de cutscenes, mas de maneira tolerável. Até porque esses vídeos são bem engraçados, pois são neles em que a dublagem e as animações brilham mais.
Embora o elemento plataforma — com seus pulos, itens fantasmagóricos e elementos exclusivos para Bob Esponja ou Patrick interagirem — seja a parte principal do game, ele também oferece diversas mecânicas de luta. Os principais inimigos são os fantasmas, que aparecem em formatos diferentes ao longo da campanha. Esses combates não são incríveis, porém conseguem cumprir o seu papel.
Na realidade, as lutas mais interessantes são as batalhas contra chefes, em que a jogabilidade mostra ainda mais as suas qualidades. Elas são bastante divertidas e exigem mais atenção por parte do jogador. Não que fosse preciso mais do que o bom humor e a jogabilidade sólida para nos dedicarmos a um título tão agradável quanto uma gostosa brisa do mar.
Na espera pelo próximo capítulo!
Mantendo o alto nível de qualidade visto nos títulos anteriores, Bob Esponja: Titãs da Maré mais uma vez entrega uma aventura divertida e envolvente. Com uma produção audiovisual muito competente, destaque para a ótima dublagem brasileira, e desafios muito legais, sobretudo nos elementos de plataforma, temos um daqueles jogos que é uma delícia de se jogar. Mesmo que algumas coisinhas pudessem ser melhores, ele ainda é uma ótima pedida para a sua biblioteca, principalmente se você for fã da esponja amarela que espirra água.
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| Uma aventura que honra a memória de Stephen Hillenburg, criador do Bob Esponja |
Prós
- Jogo entrega uma aventura no estilo plataforma divertida e envolvente;
- Enredo engraçado faz excelente uso da marca Bob Esponja e companhia;
- Produção visual bonita digna do famoso desenho animado;
- Dublagem em português brasileiro de alta qualidade para praticamente todos os personagens;
- Jogabilidade e mecânicas de jogo divertidas, incluindo missões secundárias e chefes;
- Boa quantidade de colecionáveis e surpresas para continuar jogando.
Contras
- Telas de carregamento aparecem com certa frequência e, por vezes, de forma repentina;
- Nível de dificuldade geral dos desafios é relativamente baixo.
Bob Esponja: Titãs da Maré — PC/PS5/XSX — Nota: 8.0Versão utilizada para análise: PS5
Revisão:Beatriz Castro
Análise redigida com cópia digital cedida pela THQ Nordic














