Amazônia: conheça o primeiro jogo criado no Brasil

Reconhecido como o primeiro game comercial brasileiro, Amazônia simboliza o ponto de partida da produção de jogos nacionais.

em 26/11/2025

Os videogames surgiram no Brasil na segunda metade dos anos 70, principalmente por meio de consoles inspirados em Pong, jogo da Atari que ganhou uma versão doméstica em 1975. O título, que já era um fenômeno nos fliperamas, simulava uma partida simples de tênis de mesa usando duas barras como raquete e um quadrado como bola.


Com o sucesso desse modelo, começaram a surgir aparelhos nacionais que traziam versões desse jogo. Entre eles estavam o Telejogo (1977), fabricado pela Philco Ford e considerado o primeiro videogame brasileiro, e o pouco documentado TVBol, que, mesmo de forma limitada, marcaram o início da história dos videogames no Brasil.
A era dos “Pongs” no Brasil: do clássico Home Pong ao Telejogo e TVBol. (Imagem: VGDB; Brazilian Pong Clones).

A popularização efetiva ocorreu nos anos 80, impulsionada pelos fliperamas e pelas versões nacionais de consoles estrangeiros, os famigerados clones. Com o crescimento desse mercado, alguns brasileiros passaram a enxergar a possibilidade de criar seus próprios jogos, dando início às primeiras produções locais.

Foi nesse contexto que surgiu Amazônia, reconhecido pela Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Digitais (Abragames) como o primeiro jogo de computador do país e também o primeiro game comercial desenvolvido no Brasil.

Criando um jogo nos anos 80

De autoria de Renato Degiovani, Amazônia (ou Aventuras na Selva em seu título original) surgiu em uma época que pouco se falava em criar jogos nacionais. Em entrevistas posteriores, ele contou que precisou aprender a programar praticamente do zero, já que não havia muitos livros, manuais ou qualquer tipo de material de referência para o desenvolvimento de jogos.

Devido à sua formação em Desenho Industrial e Comunicação Visual, Degiovani colaborou por muitos anos com a revista Micro Sistemas, publicada nos anos 80 e reconhecida como a primeira revista brasileira dedicada a computadores. Como a publicação trazia programas para digitar e testar, ele passou a ter a revista como sua principal referência teórica e prática.

A partir desse aprendizado, Renato pôde enfrentar os desafios do desenvolvimento e conseguiu contornar as limitações das máquinas da época. O resultado foi um adventure completo e original, que hoje é lembrado como um marco do cenário brasileiro de jogos.
Renato Degiovani com parte de suas criações, incluindo o clássico "Amazônia". (Imagem: Revista Jogos 80, ed. 23).

Gameplay de perdidos na selva

Em Amazônia, o jogador controla um explorador que sofre um acidente aéreo e precisa sobreviver na floresta amazônica enquanto busca uma forma para sair da selva.

A mecânica segue o formato de aventura em texto, ou seja, em vez de controlar o personagem diretamente, o jogador digita comandos para realização de ações. O jogo responde com descrições de cenários, pistas e perigos, guiando a progressão a partir dessas interações.
Gameplay inicial do jogo Amazônia. (Imagem: Reprodução/GameBlast).
A dificuldade vem tanto da lógica dos quebra-cabeças quanto da interpretação das descrições. Muitas pistas ficam escondidas no texto, e avançar exige atenção aos detalhes. Essa combinação cria uma sensação constante de exploração e sobrevivência, reforçando o clima de mistério da floresta.

O impacto e legado

O legado de Amazônia é inquestionável. O título surgiu em um contexto marcado pela política de reserva de mercado na informática, que limitava a importação de computadores e acabava incentivando o desenvolvimento local.

Mesmo com recursos reduzidos, o jogo simbolizou o potencial criativo local e ajudou a pavimentar a cena de desenvolvimento nacional de jogos. Décadas depois, Amazônia continua sendo referência por sua inovação técnica (como a engine própria) e por representar a coragem de criar algo original em um mercado iniciante

Onde jogar Amazônia hoje

Há diversas formas de jogar Amazônia atualmente. A versão remasterizada de 2023 pode ser baixada gratuitamente no site da Tilt, otimizada para computadores modernos.

Para quem prefere fidelidade ao original, o próprio Renato Degiovani disponibilizou no itch.io uma versão que pode ser jogada diretamente no navegador e preserva toda a experiência clássica.

Para os colecionadores, a Bitnamic Software relançou em 2023 edições físicas especiais de Amazônia, perfeitas para quem gostaria de ter o clássico na estante.
A Box-art da edição física de Amazônia, relançada pela Bitnamic Software. (Imagem: VGDB).
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Revisão: Johnnie Brian


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Felipe Batista
Amante de boas histórias, sejam elas contadas em jogos, livros ou filmes. Quando não estou escrevendo, é provável que eu esteja cuidando dos meus Pokémon e bebendo mais uma xícara de café.
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