Blast Test

Impressões: UFL parece mais alfa do que beta, mas demonstra potencial para o bom futebol

Em meio a diversos pontos que precisam melhorar, temos uma base interessante para o futuro jogo de futebol.


Em um mercado dominado por eFootball, o antigo PES, e por (principalmente) EA Sports FC, o antigo FIFA, parecia improvável que uma terceira força de futebol eletrônico pudesse surgir. Foi então que chegou o anúncio de UFL, que prometeu ser uma nova e relevante opção aos jogadores. Nós conferimos a versão beta do jogo e, apesar de alguns problemas, ela traz muito potencial, como vamos conferir agora!

Uma promessa entra em campo

Anunciado em agosto de 2021, o game da produtora Strikerz prometia alta qualidade em um pacote gratuito. Em janeiro de 2022, tivemos o primeiro trailer com gameplay, que trouxe uma ideia melhor do que poderíamos esperar do novo jogo de futebol. Agora, finalmente ele foi disponibilizado para testes e de forma gratuita para Xbox Series e PlayStation 5 entre os dias 7 e 9 de junho.
Essa versão encontra-se na fase beta, o que pressupõe uma produção ainda não acabada. Em outras palavras, um jogo sujeito a bugs, falta de refinamento, problemas técnicos, etc. Embora disponibilizar UFL nesse estado seja compreensível e louvável, afinal já podemos ter um gostinho do lançamento sem pagar nada por isso, acredito que aqui temos uma versão ainda no estado alfa.
Ou seja, um passo atrás do que eu consideraria beta. Digo isso porque, apesar de várias coisas legais que estão disponíveis, ainda será preciso muito trabalho para tornar o jogo de futebol eletrônico uma boa experiência. Antes de falar da produção em si, vale salientar que o título é, simplificadamente, um clone de EA Sports FC; mais especificamente, do modo Ultimate Team, também conhecido como FUT.
UFL não contém nenhuma referência a clubes, seleções ou marcas afins. Somente jogadores estão lá, baseados nas suas contrapartes reais, prontos para serem reunidos no seu time. A versão beta trouxe um modo local para dois jogadores, mas o foco com certeza está nas partidas online.

Bola na trave não altera o placar

Vamos agora falar da jogabilidade do game: de maneira geral, ela precisa de mais equilíbrio quanto a velocidade. Os atletas sofrem com uma inércia significativa, tendo dificuldades para arrancadas e movimentos rápidos. Na realidade, creio que a falta de agilidade também se dá por uma certa latência entre comandos e ações.
Ainda é incerto dizer se esse atraso é decorrente da versão beta, de poucos servidores online, etc. O fato é que isso precisa ser mudado para um lançamento completo. Falando em mudar, UFL copiou a jogabilidade base do antigo FIFA sem alterar quase nada; jogadores familiarizados com ela não terão dificuldades, salvo os probleminhas que estamos discutindo.
Outro ponto que precisa de atenção são os passes. Eles funcionam na maioria das vezes, mas podem gerar alguns momentos estranhos, como lançamentos longos e fortes demais. Creio que falte algum ajuste na precisão de quem vai receber a bola, um erro que mesmo em EA Sports FC acontece de vez em quando. Essa situação também escancara outro problema: a “atenção” dos atletas à partida.
Jogadores podem praticamente ignorar a bola passando ao seu lado, mesmo numa situação em que o domínio é simples. Por vezes, passes muito complexos funcionam justamente por causa desse desequilíbrio no sistema de passes. Até o goleiro sofre com cruzamentos rasteiros, o que pode resultar em gols pouco realistas.

Elenco promissor, mas carente de melhorias

Apesar de todas essas críticas, quero deixar claro que a minha impressão de UFL é positiva. Os visuais são bastante interessantes, com um nível de detalhes adequado para uma versão beta de um jogo gratuito. Isso vale para estádios, torcedores e, claro, atletas. O desempenho também merece elogios, pois foi fácil e rápido encontrar partidas, que ocorreram de forma suave, sem quedas ou travamentos.
Já a narração foi um dos pontos baixos, com um narrador e um comentarista (que parece ser o dublador do Burro do Shrek) que tentam a todo momento encaixar uma piada, a maioria sem graça. Considerando que a sincronização de falas e eventos sempre foi uma dificuldade, qualquer que seja a franquia de futebol eletrônico, as coisas ficam ainda piores.
Os menus são organizados e limpos, deixando uma boa impressão. Quanto à questão do FUT, ainda é cedo para ter certeza de como as coisas vão funcionar. Considerando somente os dias disponibilizados, foi relativamente simples conseguir recursos para formar um time estrelado. Isso precisará ser devidamente revisado no futuro, de modo que exista uma progressão ao mesmo tempo divertida e desafiadora.
Também foi possível conferir o sistema de evolução dos atletas, que melhoram conforme são mais utilizados, algo que poderá incrementar as coisas. É possível que tenhamos microtransações, mas não acredito que chegue no nível dos concorrentes (estou olhando para você, EA).

Pré-temporada promissora

Se por um lado os chutes são meio lotéricos e as tabelinhas do tipo 1-2 (ou toco y me voy) estão muito apelonas – como nos tempos do Winning Eleven para o saudoso PlayStation –, por outro temos um sistema de dribles com potencial e uma interessante base de sistema para construção de times. É essa dualidade que a versão beta de UFL deixou, com uma certa propensão para o lado positivo, ainda que tenha muito trabalho pela frente.
Um bom exemplo são as animações, muito boas em comemorações, dribles e chutes, mas que podem ser feiosas em desarmes e quedas. Espero que a produtora tenha analisado com cuidado os resultados da avaliação e escute os comentários dos jogadores. Só assim o futuro promissor do game poderá se concretizar, conquistando seu espaço em meio a um mercado dominado por duas entidades do futebol eletrônico.
 
Revisão: Davi Sousa

é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
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