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Análise: Spellbound Survivors (PC) não empolga e ainda se mostra um produto inacabado

O título da ToastedSquadStudios é só mais um clone de Vampire Survivors que quer pegar carona na popularidade do gênero.


Vampire Survivors (Multi) emergiu como um verdadeiro fenômeno no momento de seu lançamento, conquistando destaque pela combinação quase impecável entre uma jogabilidade envolvente, uma atmosfera cativante e uma sensação de recompensa raramente encontrada em videogames. Inicialmente disponibilizado em acesso antecipado em 2021, e oficialmente lançado em 2022 pela poncle, este título abriu caminho para um subgênero no universo dos roguelikes de ação, que foi batizado como bullet heaven.

Desde então, vários outros desenvolvedores têm se inspirado na crescente popularidade desse gênero. Alguns jogos conseguem prender nossa atenção com suas mecânicas de jogo igualmente viciantes; outros optam por elementos mais originais para conferir identidade própria aos seus projetos. Por outro lado, alguns acabam se tornando apenas "clones", oferecendo apenas o essencial, sem trazer inovações significativas que os tornem memoráveis.

Um exemplo recente é Spellbound Survivors, que chegou ao PC em 29 de dezembro. Talvez devido à época do lançamento, que não é ideal por coincidir com as festividades de fim de ano, este título tem recebido pouca atenção e divulgação. Tivemos a oportunidade de experimentá-lo para avaliar se vale a pena investir seu tempo e dinheiro nele.

Sobrevivendo às hordas do Mago Supremo

Em Spellbound Survivors, assumimos o papel de aventureiros corajosos encarando incessantes hordas de monstros determinados a nos aniquilar. Nossa missão é derrotar esses inimigos, absorver orbes de alma para subir de nível e aprimorar nossas habilidades, transformando-nos em uma força destrutiva comparável ao poder do Mago Supremo, o vilão do jogo.


O objetivo é sobreviver o máximo de tempo possível em diferentes mapas até confrontarmos o próprio Mago. À medida que o tempo passa, os inimigos se fortalecem e aumentam em número. Nas primeiras partidas, qualquer deslize pode resultar em derrota precoce, obrigando-nos a começar do zero.

É possível coletar moedas para adquirir melhorias permanentes que beneficiam todos os personagens disponíveis. Esses aprimoramentos incluem melhorias na vida, ataque, defesa, velocidade, entre outros, demandando várias partidas para adquirir o máximo possível e tornar-nos capazes de sobreviver por períodos mais longos.
Elevando nosso herói a um nível de poder impressionante
Em resumo, a dinâmica de Spellbound Survivors assemelha-se à de outros títulos que o inspiraram, como o já mencionado Vampire Survivors; no entanto, há particularidades que o tornam único em termos de jogabilidade.

Cada personagem possui uma habilidade única chamada Ultimate, um ataque devastador capaz de aniquilar quase tudo na tela. Para utilizá-la, é necessário derrotar vários inimigos e preencher uma barra específica, que, ao atingir a capacidade máxima, permite o uso do ataque especial. Cada classe de personagem tem sua própria habilidade Ultimate, com algumas sendo muito úteis e outras menos eficazes, dependendo do mapa ou situação.


Outra mecânica exclusiva é a Legend Bar, uma segunda barra preenchida ao derrotar inimigos no mapa. Quando completa, permite o uso de quatro feitiços especiais: causar lentidão nos inimigos, absorver orbes de alma, receber uma quantidade generosa de moedas de ouro ou invocar uma criatura mística para um ataque poderoso na tela.

Esta mecânica requer estratégia, pois, ao usar um dos quatro feitiços, apenas os outros três permanecem disponíveis até a barra ser preenchida novamente e assim sucessivamente, até que todos os feitiços sejam usados. Ao preencher a barra pela quinta vez, todos os quatro feitiços tornam-se disponíveis novamente, exigindo que o jogador escolha o momento certo para cada um, garantindo que, em momentos cruciais, como o uso do monstro, eles sejam verdadeiramente úteis.

Parece que falta muita coisa

Spellbound Survivors se destaca pela essência intrínseca desse subgênero emergente, oferecendo uma jogabilidade viciante que recompensa o progresso do jogador à medida que ele evolui durante a partida e personaliza seu personagem com as habilidades disponíveis.

No entanto, o jogo enfrenta limitações em vários aspectos, tornando a jogabilidade excessivamente repetitiva e a progressão um tanto engessada. Um dos principais entraves é a quantidade restrita de equipamentos disponíveis para se usar nas primeiras horas de gameplay.
Alguns dos principais desbloqueios só são possíveis após jogar por várias horas.
Essa variedade bem limitada restringe o número de construção de builds mesmo ao jogar com diferentes personagens. A única diferenciação significativa reside nos Ultimates de cada herói. Por exemplo: passei a maior parte do tempo jogando com o Ronin até desbloquear o Hunter, mas mesmo assim mantive uma combinação de equipamentos constante para maximizar a sobrevivência.

Outro aspecto que contribuiu para a monotonia foi o desbloqueio de novos mapas, personagens e, principalmente, equipamentos. Os mapas são desbloqueados ao atingirmos determinado nível, os personagens requerem um certo nível com a arma associada e as armas são desbloqueadas com base no tempo de jogo.

Essa obrigação de jogar repetidamente apenas para desbloquear um novo equipamento, a fim de tentar obtê-lo durante a partida, e então precisar subir seu nível para, enfim, desbloquear um novo personagem, torna-se um ciclo cansativo.

Praticamente invencível, mas quase sempre com a mesma combinação de itens e armas.
A ausência de objetivos adicionais em cada mapa, como conquistar itens específicos ou atingir metas de tempo, poderia agregar mais dinamismo à experiência. Associar as conquistas do jogo somente ao ato de jogar por determinado tempo foi desanimador.

Além disso, apesar da simplicidade que o pixel art naturalmente transmite, a arte do jogo parece carecer de refinamento. O suporte para controles também é limitado, dando a impressão de que Spellbound Survivors ainda precisa de polimento e depende do feedback da comunidade para se tornar verdadeiramente cativante — uma oportunidade que pode ser comprometida pela falta de repercussão atual.


Atualmente, o título atende superficialmente aos entusiastas de roguelikes de sobrevivência, especialmente aqueles atraídos pelo jogo da poncle. Contudo, existem exemplos mais promissores dentro desse universo, como Keeper’s Toll (antes conhecido como Soul Survivors) e Slime 3K: Rise Against Despot, que estão em Acesso Antecipado para aproveitar o suporte e os insights dos jogadores, algo que Spellbound Survivors parece não estar explorando.

É legal, mas não recomendo

Spellbound Survivors, embora apresente uma base sólida e uma jogabilidade viciante, tropeça em diversos aspectos que limitam sua capacidade de envolver os jogadores de maneira duradoura. Enquanto o jogo oferece mecânicas interessantes, como habilidades únicas dos personagens e uma progressão baseada em níveis, sua experiência acaba comprometida por uma série de limitações que tornam a jornada repetitiva e, por vezes, tediosa.

Embora tenha seus pontos fortes, Spellbound Survivors sofre com limitações que comprometem sua longevidade e apelo geral. A progressão repetitiva e a falta de variedade nos equipamentos e nos objetivos dos mapas são pontos que precisam ser trabalhados para tornar a experiência mais cativante e estimulante para os jogadores.

Prós

  • Jogabilidade envolvente, como em outros jogos do gênero;
  • As habilidades únicas dos personagens adicionam um toque único e estratégico.

Contras

  • A pouca variedade de equipamentos limita a diversificação das estratégias de jogo;
  • O desbloqueio de mapas, personagens e itens está associado a barreiras de tempo e repetição excessiva, tornando a progressão lenta e entediante;
  • A falta de objetivos secundários ou metas adicionais torna a jogatina monótona e pouco desafiadora;
  • O suporte para controles é limitado, com alguns comandos faltando.
Spellbound Survivors — PC — Nota: 6.0
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela ToastedSquadStudios


Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege
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