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Análise: Vampire: The Masquerade - Swansong (Multi) traz uma narrativa investigativa que deixa a desejar

O título traz uma narrativa investigativa baseada no clássico RPG de mesa.


Vampire: The Masquerade - Swansong (Multi), título desenvolvido pela Big Bad Wolf e publicado pela Nacon, é um RPG de ação narrativo onde suas escolhas determinam o futuro de três personagens principais e o destino da Camarilla de Boston. 

Diferente dos RPGs convencionais, Swansong se destaca por trazer em sua jogabilidade mecânicas mais semelhantes às vistas em RPGs de mesa e tem como objetivo satisfazer os fãs do universo criado por Mark Rein-Hagen, apresentado no título Vampire: Masquerade - Bloodlines (PC).

A Camarilla de Boston precisa de você

Uma festa entre os não vivos está para acontecer, porém uma chacina atrapalha o que deveria ser uma noite de comemoração da aliança entre a Camarilla de Boston e os bruxos de Hartford. Um código vermelho é enviado para a seita e significa: cuidado, TODOS estão em perigo. 

Hazel Iversen, o novo príncipe da Camarilla de Boston, acredita que uma conspiração está sendo tramada para que ela perca seu título e convoca três vampiros de sua confiança: Galeb, um homem intimidador do clã Ventrue; Emem, uma “amazona sedutora” do clã Toreador; e Leysha do clã Malkavian, que confia na percepção sobrenatural e espalha a loucura. Os três vampiros são designados a missões investigativas para descobrir quem está por trás do ataque e o porquê.
Os protagonistas de The Vampire: Masquerade - Swansong.


É preciso vencer na lábia

O título conta com mecânicas diferenciadas em comparação a RPGs modernos ou títulos narrativos com os quais estamos acostumados a jogar. Aqui as barras de vida e de mana são trocadas pelas barras de Força de Vontade e Fome. 

A Força de Vontade é representada por uma barra de losangos azuis. Nos diálogos ela será usada através das habilidades do personagem. Caso o seu oponente vença um diálogo, você irá ganhar poucos pontos de Força de Vontade. Ela não será usada única e exclusivamente em diálogos, mas também para realizar algumas ações, como hackear equipamentos eletrônicos, abrir fechaduras, ter acesso a alguns arquivos etc.


O Foco é mais uma ramificação do diálogo e poderá ser usado para aumentar uma habilidade temporariamente em um ou dois níveis, consumindo mais da sua força de vontade e ocasionando maior sucesso durante um diálogo. 




Porém, o jogo não irá facilitar, pois o oponente poderá focar nas próprias habilidades e isso irá resultar em seu fracasso em um diálogo. Quando há um empate, um dado é jogado representando a chance de vitória, que poderá ser influenciada por bônus ou penalidades, bem como gastando pontos de experiência.


Podemos escolher qual será o perfil de nossos personagens, sendo 4 opções disponíveis: investigador, pau pra toda obra, veterano ou livre. Cada perfil irá focar na forma como você irá conduzir o personagem ao decorrer da jogatina. Para cada personagem, escolhi um perfil diferente.


Terão alguns diálogos que levarão você a um confronto. O resultado do confronto impacta o desenrolar da história e há um número limitado de erros aceitáveis, ou seja, há chance de você perder o confronto e assim atrapalhar a narrativa da sua história.


As poderosas habilidades sobrenaturais

Os vampiros possuem habilidades sobrenaturais chamadas de Disciplinas. Algumas delas poderão ser usadas em diálogos. Ao usar uma Disciplina, a barra de Fome, que é representada por gotas cor-de-rosa, é consumida. Ela tem um valor que não pode ser excedido. 


Um vampiro com a Fome no limite corre o risco de perder o controle, atacar e se alimentar do humano mais próximo. Para recuperar sua barra de Fome, é preciso se alimentar. Em cada cena você terá à disposição uma área segura para se alimentar. Por perto sempre teremos Presas, um jeito carinhoso com que os humanos são chamados. Outra forma de saciar a sede dos personagens é se alimentando de ratos.


Quando o personagem se alimenta de um humano, uma animação é apresentada e podemos controlar a quantidade de sangue que iremos consumir de nossa Presa. Temos de soltar antes que a barra encha. Caso o contrário aconteça, a Presa morre.


Cada um dos personagens conta com as suas próprias Disciplinas. A ficha de Disciplinas lembra as árvores de habilidades presentes em títulos modernos. Emem tem as Disciplinas de: 
  • Celeridade, que permite que ela circule pelo ambiente em alta velocidade e desacelera sua percepção do tempo;
  • Presença é ligada ao carisma: ela pode ser capaz de influenciar as emoções de todos ao seu redor;
  • Auspícios é a percepção sobrenatural: quando ativada, os 5 sentidos dela ficam aguçados e permitem a possibilidade de ver o futuro e ler os seus inimigos.

Galeb tem as Disciplinas de: 
  • Sentir o invisível faz com que ele consiga detectar o sobrenatural, tanto nas criaturas ao seu redor como nos vestígios que deixam para trás;
  • Fortitude traz resiliência física e mental sobrenaturais;
  • Dominação é a habilidade de comandar outros e transformá-los em marionetes;
  • Presença é ligada ao carisma: ela pode ser capaz de influenciar as emoções de todos ao seu redor.

Leysha tem as Disciplinas de: 
  • Auspícios é a percepção sobrenatural: quando ativada, os 5 sentidos dela ficam aguçados e permitem a possibilidade de ver o futuro e ler os seus inimigos;
  • Dominação é a habilidade de comandar os outros e transformá-los em marionetes;
  • Ofuscação permite com que ela se movimente sem ser detectada ou se disfarce de outra pessoa.

Os três vampiros possuem Talentos. Eles aumentam as habilidades e para desbloquear basta repetirmos diversas ações específicas progressivamente. Um exemplo é se alimentar de ratos. Conforme você vai apenas se alimentando de ratos, seu Talento para caça aumenta. 

As Características nos apresentam os efeitos positivos e negativos que influenciam as habilidades dos personagens em questão. Elas só aparecem quando são conquistadas através do resultado de uma ação, escolha de um personagem ou de uma consequência.

Explorar também faz parte

Apesar de o diálogo ser o principal elemento usado para avançar na trama, nem só nisso ele se sustenta. O jogo conta com uma instigante jogabilidade investigativa. Teremos de explorar ao máximo cada canto e conversar com todos os que estão ao redor da cena. As Disciplinas e Força de Vontade irão ajudar durante as investigações.

Em algumas cenas teremos puzzles para resolver. Eles consistem em descobrir senhas, girar círculos etc. Isso ajuda a tornar o jogo não tão cansativo em alguns pontos. Os vampiros podem fazer uso de Consumíveis que irão ajudá-los a melhorar seus conhecimentos, saciar a sede ou aumentar pontos de Força de Vontade. Sempre que encontrar um consumível, use-o. Eles serão de grande ajuda na hora de um possível confronto ou diálogo.


Ao explorar, podemos encontrar muitos arquivos que nos auxiliam a entender um pouco mais do que está acontecendo. E fique ciente de que há caminhos alternativos dentro de cada cena, como encontrar arquivos importantes ou lugares escondidos que podem te levar a um outro rumo da história.

Para explicar um pouco mais do universo de Vampire: Masquerade, um Códex foi incluído. Ele explica os conceitos apresentados ao decorrer da narrativa. Os personagens também possuem suas informações detalhadas.


Ao final de cada cena, um resumo nos é apresentado. Ele mostrará as nossas conquistas, falhas e o que poderíamos ter feito de diferente durante a cena concluída. Para cada sucesso, nosso personagem recebe um número de pontos de experiência.


Ao prosseguir com a próxima cena, a ficha de personagem e a ficha de Disciplinas nos é apresentada, e é aqui que podemos usar os pontos de experiência obtidos na cena anterior para aprimorar atributos e habilidades dos personagens. A ficha de Disciplinas lembra as árvores de habilidades presentes em títulos modernos.

Como estamos no controle de três personagens diferentes, no início teremos a opção de escolher qual deles iremos controlar. Você poderá escolher qualquer um de acordo com a sua ordem de preferência. Um texto com a missão designada a cada personagem é apresentado. Mais para o final o jogo irá manter uma ordem própria para cada personagem.


Não era o que eu esperava

Swansong sofre de graves problemas. O principal deles é que ele não é um jogo fácil para iniciantes. Quando vi um trecho de jogabilidade, me interessei por ter uma pegada parecida com Detroit: Become Human (PS4/PC), porém ele passa longe disso.

Detroit é muito bem trabalhado, tanto no quesito jogabilidade como em narrativa. Ele é muito mais bem escrito e você acaba se apegando ao universo ali apresentado e a seus personagens. Mérito da Quantic Dream, que está há anos desenvolvendo jogos do gênero. Já em Swansong a coisa é diferente. A jogabilidade dele em certos momentos é falha. Por vezes perdi para oponentes em diálogos e confrontos, inclusive tendo o que era necessário para obter sucesso ou ficando sem opções além das apresentadas que me levaram ao fracasso. Isso se torna totalmente frustrante.

O início de Swansong nos joga em uma situação onde tudo soa muito vago. Muitos detalhes do Mundo das Trevas estão ali somente para encher linguiça. Os protagonistas não demonstram estar impactados com o que está acontecendo ao seu redor. 

Temos à disposição três personagens e a única com a qual me identifiquei e consegui me dar bem foi a Emem. Ela foi o único ponto fora da curva dentro de uma narrativa confusa. Suas missões eram muito mais interessantes e gostei de como ela foi apresentada.

Galeb achei um personagem bem caricato e nada mais. Ele é o único que não se desenvolve. Leysha aparenta ter uma história ascendente, porém se torna entediante. Ela passa o jogo todo se questionando sobre seu passado e tem como companheira uma criança irritante.

Os pontos altos presentes no jogo são os puzzles. Eu me diverti com o desafio de alguns e os momentos de investigação. Só achei exagerada a quantidade de coisas para desbloquear: são senhas de celulares, portas, computadores etc. Praticamente em todas as cenas tinha um momento em que precisávamos desbloquear algo para poder conseguir algo mais da trama.

A falta de um mapa é a maior falha de design presente no jogo. Por vezes fiquei andando em círculos sem saber o que fazer. Minha jogatina teria sido muito mais dinâmica se eu tivesse um mapa à disposição.

Um RPG feito para os fãs de Vampiro: Masquerade

Vampire: The Masquerade - Swansong poderia ser um jogo excelente. Ele tem uma excelente direção de arte e gráficos excelentes para o que se propõe, porém sua trama previsível e sua jogabilidade confusa podem fazer com que os jogadores que não estão assimilados com o universo de Vampire: Masquerade o abandonem. Os puzzles e os momentos de investigação, por mais que sejam o ponto alto, poderiam ter sido melhor trabalhados. Tendo isso em mente, se você é um verdadeiro fã do universo de Vampire: Masquerade, vale a pena dar uma chance, até porque ele foi feito para você.


Prós:

  • Momentos de investigação e puzzles divertem;
  • Personagem Emem é a mais interessante dentre os protagonistas;
  • Direção de arte bem trabalhada, destacando o universo de Vampire: Masquerade;
  • O jogo está localizado para o português.

Contras:

  • O jogo não é didático para os iniciantes;
  • A narrativa por vezes é arrastada e desinteressante;
  • Confrontos através de diálogos por vezes decepcionantes;
  • A falta de um mapa atrapalha a experiência.
Vampire: The Masquerade - Swansong
 — PS4/PS5/XBO/XSX/Switch/PC — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano

Análise produzida com cópia digital cedida pela Nacon

Poderia estar dando um rolê na Epoch, ou participando do torneio Mortal Kombat, e quem sabe escapando de alguns zumbis, mas estou aqui, feliz por estar escrevendo sobre games.
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