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Análise: Dynasty Warriors 9 Empires (Multi) traz intermináveis batalhas na China antiga

Com elementos já conhecidos da famosa franquia, esta versão mantém a pegada para quem realmente gosta de algo menos intenso.


Dynasty Warriors 9
Empires é uma variante da famosa franquia Dynasty Warriors (Sangoku Musou) e tira um pouco o foco da jogabilidade frenética que é uma marca registrada da série. Nesta versão, apesar de ainda contar com os intensos combates contra centenas de inimigos, o destaque maior vai para o fator estratégico, em que o jogador precisa ser bem mais que um poderoso guerreiro no campo de batalha.

A arte da guerra

Dynasty Warriors 9 Empires coloca o jogador no papel de um guerreiro durante o período de unificação da China, inspirado pela obra literária de Luo Guanzhong, o Romance dos Três Reinos. O livro é parcialmente baseado em fatos reais durante o período histórico da unificação chinesa no século II d.C. A série principal de jogos diretamente ligada ao livro, Romance of the Three Kingdoms, continua em evidência, com sua entrada mais recente lançada em 2020.
A obra de Luo Guanzhong, O Romance dos Três Reinos, já recebeu diversas edições em vários idiomas
Aos que já estão familiarizados com a série Dynasty Warriors, é sabido que sua principal característica são os intensos combates corpo a corpo contra centenas de inimigos com o intuito de conquistar territórios. Com uma desnecessária quantidade de personagens munidos de vários armamentos e habilidades, o jogador luta em diversos mapas que contam a história da época, dadas as devidas proporções, obviamente.

A variante Empires ainda conta com essa marca registrada do gênero, mas adiciona e dá mais atenção no aspecto estratégico da coisa. No papel de um oficial a serviço do líder de um reino na China antiga, um personagem criado pelo próprio jogador, nossa função é administrar os recursos das terras dominadas pelo seu soberano para progredir, fortalecendo o reino que ele defende, e nos tornando o dominante-mor do território chinês.
Crie seu personagem para participar diretamente dos combates
Por conta do foco dado a esse aspecto do game, já fica o aviso aos fãs do gênero: você não vai lutar tanto quanto gostaria, a não ser que realmente queira. E isso não é um fator determinante para triunfar no jogo. Suas ações na mesa de estratégia são fundamentais para permitir que sua facção saia triunfante deste período conflituoso da história da China.

Cada rodada é representada pelo período de um mês, e sempre que o conselho de guerra se reúne, são estabelecidos objetivos-base que, se completados, fornecem pontos de experiência e itens que fortalecerão seu personagem e os demais oficiais do exército do seu soberano. As atividades que devem ser desempenhadas até que uma nova assembleia seja realizada são bastante variadas, indo desde o recolhimento de impostos, passando pelo recrutamento e treinamento de tropas, até a possibilidade de organizar invasões fora dos planos originais quando já se tem o status de Senhor da Guerra.
Durante o conselho de guerra são definidos os próximos objetivos de sua facção.
A cada rodada, os demais reinos que possuem intenção de invadir novos territórios são indicados no mapa, e quando uma das regiões do jogador é alvo de uma invasão, dependendo do nível de defesa que a área possui, é necessária a intervenção direta do jogador. É aí que entra a jogabilidade musou já conhecida. No comando do personagem criado no começo da campanha, ou algum outro oficial que está em atividade naquele local, você precisa atuar diretamente naquela região para defendê-la.

Quando o reino que representamos está no ataque, o território a ser invadido é informado durante o conselho de guerra. Então, o jogador tem alguns meses (rodadas) para organizar suas tropas e fortalecer o exército que usará na investida. Conforme crescemos e ganhamos influência com os demais membros militares do reino, é possível até usar de táticas de sabotagem para enfraquecer o território que será invadido.

Ilustrando: no último conselho de guerra, ficou estabelecido que em seis meses nosso reino invadirá um território vizinho, dominado por um reino rival. Nesse meio-tempo, consegui persuadir um oficial do reino que seria invadido, além de sabotar parcialmente suas defesas, permitindo que a investida fosse menos trabalhosa no momento do ataque.
Escolhas difíceis determinam o sucesso ou fracasso da próxima investida de seu exército.
Entretanto, sabendo que seria atacado, o inimigo organizou um ataque que ocorreria no mês anterior ao de minha invasão, fazendo uso de outro território próximo. O resultado foi um enfraquecimento do meu exército antes de meu ataque, deixando-me praticamente sem tempo e recursos para um fortalecimento antes da batalha e levando a um conflito moderadamente difícil, mas que acabei vencendo.

Enxugando gelo

Por conta de situações como a relatada acima, o progresso em Dynasty Warriors 9 Empires pode ser bem lento, dependendo do tipo de cenário que o jogador escolhe para realizar a campanha, além de situações variadas no decorrer da jogatina. Alguns já possuem diversos reinos estabelecidos, que realizam suas estratagemas e alianças para progredir; outros possuem menos facções, e um cenário em específico não possuem nenhum reino, fazendo com que eles se estabeleçam com o tempo e criando uma campanha mais dinâmica. São muitas variações, mas com um único objetivo: dominar a China.
São diferentes cenários para escolher, o que rende muitas horas de jogatina.
Sendo assim, a dominação acaba se tornando um árduo, lento e monótono trabalho de formiguinha, em que cada ação precisa ser bem pensada e executada, já tendo em mente o que pode ocorrer várias rodadas à frente, dependendo do comportamento dos adversários. Por muitas vezes não é possível realizar os objetivos estabelecidos no conselho de guerra, por causa de situações que forçam o jogador a realizar outras atividades.

Por que devo alcançar uma meta de 10000 rações com um território vizinho na iminência de invadir uma região importante de minha facção, pois ele faz fronteira com outros três que desejo dominar? Preciso recrutar novos oficiais, mas minha moral está baixa. Uma região necessita de desenvolvimento no comércio e na agricultura para aumentar os ganhos mensais, mas suas defesas estão baixas e ele está situado em uma região cobiçada… São dilemas constantes que acabam mudando o foco de prioridade do jogador e atrasando muito o progresso geral.
Os intensos combates acabam se tornando muito repetitivos, com objetivos pouco variados.
Junto a isso, os segmentos de batalha contribuem para deixar o progresso chato. Todos os mapas, sem exceção, contam com apenas duas atividades principais: ataque ou defesa. Um indicador no canto superior direito informa um valor numérico que representa a moral das tropas. Quando um oficial, ou mesmo o jogador, é derrotado, o número é decrescido substancialmente. Quando o quantitativo referente às suas tropas chega a zero, se o jogador for derrotado, a batalha é encerrada e é computada uma derrota.

O esquema de jogabilidade conta com o que já é conhecido da série, em que devemos derrotar centenas de inimigos para conquistar bases inimigas e levantar a moral de nossos soldados. Quando nosso exército está no ataque, o objetivo é dominar o campo até que as tropas quebrem as defesas da fortaleza inimiga, permitindo a entrada para o confronto direto contra o general da facção rival.
Desenvolver um bom relacionamento torna o jogador mais suscetível a recrutar novos oficiais e ser cobiçado pelos soberanos rivais.
Na defesa, a tática é um pouco semelhante: pode-se, em alguns casos, criar uma reviravolta e fazer o exército inimigo recuar graças aos nossos esforços. Em outras ocasiões, principalmente quando nossas tropas estão em desvantagem, devemos resistir ao ataque por um determinado período de tempo para obter a vitória. Antes de cada combate, são apresentados dados que informam quem tem a vantagem naquele confronto, restando ao jogador apenas decidir se quer intervir diretamente ou simplesmente deixar a deus dará e seguir com seus próprios planos.

Por fim, em relação aos aspectos técnicos, temos um jogo bem ‘OK’. Apesar de contar com ajustes de performance para priorizar gráficos ou performance, nos consoles da geração passada temos constantes momentos de queda na taxa de quadros, além de texturas malfeitas. Meu personagem, por exemplo, possui um cabelo que parece de borracha e uma barba igual àquelas que as crianças pintam no rosto no período de festas juninas. Dá pra jogar? Dá! Mas já fica o alerta que tem horas que o caos na tela é tanto que parece até que o próprio console também está lutando para manter o jogo funcionando.

Estes são meus termos de rendição

Dynasty Warriors 9 Empires continua sendo um título voltado apenas a quem quer dar uma variada nos caóticos combates que são uma marca registrada no gênero musou, e apesar de contar com esse elemento, ele não é tão satisfatório quanto o de sua versão original.

A repetitividade excessiva e com objetivos pouco variados nos combates, e o excesso de informações e situações que devem ser administradas pelo jogador são pontos que deixam a experiência geral bastante maçante e desinteressante depois de algumas horas, fazendo o jogador querer subir logo uma bandeira branca.


Prós

  • Uma imensa quantidade de personagens para jogar, incluindo a opção de criar um próprio;
  • Os diferentes cenários proporcionam muitas horas de jogatina;
  • Ainda é uma forma interessante de conhecer a história da China.

Contras

  • Muitas informações para assimilar podem dificultar o aprendizado do jogador;
  • Situações adversas que complicam e atrasam o progresso na campanha;
  • Repetitividade excessiva, com mapas muito semelhantes e objetivos poucos variados;
  • Performance comprometida por constantes alterações na taxa de quadros;
  • Modelos de personagens e cenários com texturas pouco trabalhadas.
Dynasty Warriors 9 Empires — PC/PS5/PS4/XSX/XBO/Switch — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: PlayStation 4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital fornecida pela Koei Tecmo Games

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora quando as partidas acabam em discórdia e fogo no parquinho. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege


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