Jogamos

Análise: Demon Slayer - Kimetsu no Yaiba - The Hinokami Chronicles (Multi) é imperdível para os fãs do anime

Um jogo de luta ágil com uma boa campanha.

Demon Slayer - Kimetsu no Yaiba - The Hinokami Chronicles
é um jogo de luta em arena 3D, inspirado no anime homônimo, em que acompanhamos Tanjiro Kamado, um pobre garoto que vende carvão para sustentar a família. Ao voltar para casa após o trabalho, o jovem encontra a família dizimada por demônios e Nezuko, sua irmã mais nova e a única sobrevivente, transformada em um demônio. Determinado a caçar o assassino de sua família e restaurar a humanidade de sua irmã, Tanjiro resolve tornar-se um Demon Slayer.

Uma campanha sólida

The Hinokami Chronicles oferece os modos de jogo Story (campanha), Versus (lutas online ou offline), Rewards (complete tarefas para ganhar recompensas), Training (aprenda técnicas com diversos instrutores), Archives (visualização das recompensas) e Tutorials (aprenda as mecânicas básicas).

Eu esperava que o jogo seria um fighting game genérico com personagens de Kimetsu no Yaiba, e com um modo campanha fraco que estaria ali só para fazer número, mas felizmente eu estava completamente enganado. A campanha é o principal modo de jogo, e o primeiro que devemos completar para desbloquear personagens para usar no Modo Versus.

Cada capítulo possui uma sequência de eventos, que podem ser revisitados
O Story Mode recria, usando sua própria engine, momentos marcantes do anime. É um absoluto deleite para os fãs, que reviverão cenas bastante emocionantes, com a interação que só um videogame pode proporcionar, o que torna a experiência ainda mais imersiva.

Mesmo aqueles que não acompanharam o anime poderão curtir o game, pois a campanha segue uma storyline apresentada de uma maneira consistente em nove capítulos com cutscenes e cenas jogáveis. Todos os diálogos são dublados de forma impecável em inglês e japonês, com os elencos originais de dubladores. As legendas estão disponíveis em diversos idiomas, mas não há opção para português do Brasil, o que é uma pena.

Cada capítulo começa com uma fase de exploração em que andamos pelo cenário e podemos coletar itens, memórias (cutscenes desbloqueáveis) e fazer sidequests, que consistem em encontrar pessoas ou objetos. Essa tarefa não é realmente difícil, pois todos os pontos de interesse aparecem marcados no mapa, então o desafio é praticamente zero. Os cenários modelados em 3D são ricos em detalhes, as cidades são povoadas com diversos NPCs e muitos deles podem interagir com o protagonista.

Quanta gente!

Em determinadas situações, Tanjiro precisa localizar demônios e pode fazê-lo por meio de seu olfato apurado. Isso foi traduzido em uma mecânica que torna os odores visíveis através da percepção do personagem, o que foi uma sacada bem legal.

Durante a exploração eventualmente encontramos inimigos menores, que desencadeiam lutas um contra um. Esses inimigos menores têm ataques muito simples e apresentam dificuldade muito baixa, servindo mais como um passatempo do que como um desafio de fato.

Cada capítulo termina em uma luta contra um boss, que também não costuma ser muito difícil, exceto nos capítulos finais. Mesmo assim, essas batalhas são interessantes, pois cada chefe possui uma mecânica de ataque diferente. O demônio do tambor, por exemplo, utiliza o próprio cenário como forma de ataque, rotacionando o ambiente e você precisa se adaptar às mudanças. Já os demônios Yahaba e Susamaru usam projéteis que o obrigam a se defender em múltiplas direções.

É bola pra todo lado!
As batalhas contra os chefes terminam em um quick time event, com cutscenes muito bem feitas que acrescentam mais dramaticidade ao combate. Infelizmente não há penalidade alguma caso o jogador erre os comandos, apenas sua pontuação final será diminuída, o que tira um pouco a sensação de recompensa pela habilidade do jogador.

Ainda na campanha, há duas fases com minigames rítmicos, que representam os exercícios de respiração e agilidade de Tanjiro durante seu treinamento na Butterfly Mansion. Esses minigames conferem ainda mais variedade ao gameplay, além de representarem bem esse treinamento.

Eu levei dez horas para completar o Story Mode, um tempo que eu considero adequado para curtir o enredo e não muito demorado para liberar personagens, bom para quem está ansioso para disputar com amigos no modo Versus.

Modo Versus: a criatividade será recompensada

The Hinokami Chronicles foi desenvolvido pela CyberConnect2, empresa especializada em jogos de luta inspirados em anime, mesma desenvolvedora de Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4 (Multi), o que explica algumas similaridades com o jogo do ninja laranja nos controles e sistema de luta.

O combate se dá em uma arena 3D, onde podemos correr para todas as direções e saltar. Os controles são bastante simples e funcionais, contando com botões dedicados para ataque, pulo, corrida, ataque especial, bloqueio, Boost e ataque supremo.
Controles bastante simples
Eu gostei muito do sistema de combos, que é bem simples de executar, permitindo que até mesmo novatos façam sequências visualmente sofisticadas, e que tem profundidade suficiente para que jogadores avançados se aproveitem de brechas e controlem o espaço para fazer sequências devastadoras. A simplicidade torna possível um jogador casual jogar contra um veterano e ambos se divertirem.

Os combos são divididos em três fases: início, combo principal e finalização. Do ponto de vista técnico, existem diversas possibilidades de desencadear um combo por meio de dashes, skills ou até mesmo ataques comuns. Depois de iniciado, o combo é como um jogo de ritmo, em que controlar o espaço e saber usar os ataques certos é crucial para encaixar sequências mais longas.

A maioria dos personagens possui três skills, que consomem uma barra de energia que é exibida abaixo da barra de HP. Esta barra limita o abuso de especiais, fazendo com que o gerenciamento de energia seja parte importante da estratégia. Um sistema interessante é que o uso repetitivo de uma mesma skill diminui o dano em cada uma das repetições, incentivando o jogador a ser mais criativo, variando os tipos de ataque e intercalando as magias com combos de ataque normal e aéreos.
Seja criativo e encaixe longas sequências de combos
No modo Versus, cada jogador escolhe dois personagens, que podem ser alternados em qualquer momento durante a partida. O personagem “na reserva” pode ser chamado como striker ou substituir o lutador ativo, consumindo uma barra de Support, que se recarrega sozinha com o tempo. A substituição, porém, não altera a barra de HP ou energia, portanto, o jogo se parece muito mais com um sistema 1x1 do que 2x2.

Ao fazer ou receber ataques, uma barra de energia especial é lentamente recarregada, podendo ser acumulada em até três níveis. Esta energia pode ser usada para despertar um estado de Boost, que melhora seu ataque, defesa e movimento. Ao acionar o Boost duas vezes você entra no modo Surge, que confere bônus ainda maiores e permite usar skills sem consumo de energia. Por fim, a barra de especial também pode ser consumida para desencadearmos a Ultimate Art, uma skill suprema com dano massivo e visual lindíssimo.
O Prólogo libera quatro personagens, os demais são desbloqueados durante a campanha.
O jogo começa com apenas quatro personagens disponíveis (Tanjiro, Makomo, Sabito e Sakonji). Ao avançar no modo Story é possível obter mais personagens, chegando a um total de dezoito. Na verdade menos, pois alguns deles são variações de aparência do mesmo lutador. Outro problema é que a maioria usa o estilo da água, pois foram treinados pelo mesmo mestre, o que faz parecer que o jogo aparente pouca variedade de estilos. A desenvolvedora já confirmou que futuras atualizações trarão mais personagens, incluindo demônios.

O Modo Versus possui batalhas online ranqueadas, bem como disputas offline contra um amigo ou contra a CPU. Não existe modo cooperativo.

Recompensas

Demon Slayer oferece um grande número de colecionáveis, como roupas alternativas para os lutadores, imagens para usar como perfil, frases dubladas, trilhas sonoras, cenários e personagens desbloqueáveis para usar no modo Versus. Fragmentos de Memória coletados durante a campanha permitem assistir cutscenes de momentos marcantes no enredo.
Memórias
Podemos desbloquear os colecionáveis de duas formas: a primeira é gastando Kimetsu Points, uma moeda que pode ser coletada durante a campanha ou obtida através de ações como obter vitórias no modo Versus ou completar desafios no modo de treinamento.

A segunda forma de obter os colecionáveis é satisfazendo condições no painel de recompensas. Essas condições são realizadas por meio de tarefas como obter um determinado resultado ao vencer um inimigo específico.

Respire fundo!

Demon Slayer - Kimetsu no Yaiba - The Hinokami Chronicles é um jogo absolutamente imperdível para os fãs do anime, que reviverão momentos emocionantes da saga. Acredito que também tem potencial para agradar quem nunca acompanhou a animação, devido ao seu modo campanha bem consistente. O sistema de luta é extremamente satisfatório, simples em suas mecânicas, sendo amigável para novatos, e divertido para veteranos. Trata-se de um fighting game mais casual que competitivo, muito bem feito e focado na experiência do jogador.

Prós

  • Modo campanha emocionante e divertido;
  • Estética belíssima;
  • Totalmente dublado em dois idiomas com os elencos originais;
  • Adequado para públicos com diversos níveis de habilidade;
  • Chefes do modo Story têm ataques e estratégias variadas;
  • Combate fluido com mecânicas simples de compreender.

Contras

  • Não há penalidade por errar quick time events;
  • Não possui localização para português;
  • Pouca variação de personagens no modo Versus, o que deve ser corrigido em futuras atualizações.
Demon Slayer Kimetsu no Yaiba - The Hinokami Chronicles - PS5/PS4/XSX/XBO/PC - Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Thais Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela Sega


é engenheiro eletrônico e tem uma filha fofinha que tenta morder os controles do papai. Curte jogos de luta, corrida e ação.


Disqus
Facebook
Google