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Análise: Skate City (Multi) consegue divertir, mas poderia ser mais interessante

Título tem potencial para ser atrativo e agregar valor ao gênero, porém seu conteúdo poderia render mais.


Lançado em 2019 para o Apple Arcade, Skate City (Multi) vem para fazer parte de uma lista diversa de títulos que fazem um sucesso estrondoso nas plataformas mobile e tenta replicar essa fama nos consoles. Será que essa meta foi alcançada? Confira na nossa análise.

Sob a sombra do gavião

Como já era de se esperar, Skate City tem uma jogabilidade bastante simples. Usamos um botão para dar impulso de velocidade e as alavancas analógicas para realizar manobras, sendo cada uma das oito direções uma manobra específica. Os gatilhos superiores ajudam em algumas variações, o que aumenta um pouco nosso repertório. Assim, conseguimos estabelecer uma diversidade satisfatória entre flips, grabs, grinds e manuais.


Parece tudo muito simples, e é. Talvez essa natureza simplista possa dificultar o entendimento de como fazer combos longos, uma vez que é muito comum confundir direções similares, mas nada que um pouco de treino não resolva.

Porém, o subtítulo do texto não contém a palavra gavião à toa. É inato a jogadores de qualquer idade ligar títulos de skate à franquia Tony Hawk's Pro Skater, que, além de bem estabelecida, retornou de maneira triunfal no ano passado com um remaster dos seus dois primeiros títulos.


O que isso quer dizer? Quer dizer que nossa memória muscular está impregnada com os comandos que já usamos por anos, e ter que reaprender a jogar o gênero de maneira um tanto quanto peculiar pode ser um desafio a mais, principalmente para os veteranos. Isso não chega a ser um impedimento para curtir o jogo, mas também não será incomum apertar botões que não corresponderão como gostaríamos. É tudo uma questão de ter paciência e se dedicar.

O mundo é seu skatepark

O jogo possui três fases/cidades distintas, que representam uma variação no nível de dificuldade: Los Angeles (fácil), Oslo (médio) e Barcelona (difícil). Apesar da variedade de níveis, todas as localidades têm a mesma essência. Logo, mesmo com a diferença visual, parece que estamos sempre no mesmo plano de fundo, e isso é reforçado pela câmera estilo side-scrolling


Cada fase possui um total de 21 desafios, que rendem de uma a três estrelas de performance. Quanto melhor o desempenho, maior o dinheiro ganho para ser gasto na loja. Os objetivos variam entre fazer manobras e combinações específicas, ganhar corridas, superar pontuações e fugir da polícia. 


A loja possui algumas opções de customização. Podemos alterar penteado, gênero, roupas e equipamento do nosso profissional, mas nada muito profundo. Também podemos adquirir mais oito manobras, que também são executadas com a combinação de uma direção na alavanca analógica e um dos gatilhos superiores. Por fim, é possível comprar pontos de status para melhorar nossas habilidades, como velocidade, impulsão, giro e equilíbrio.


Ainda assim, o conteúdo parece pouco. Não seria de todo mal ter adicionado mais duas ou três cidades e dividir os 63 desafios disponíveis de maneira mais gradual, para pelo menos passar a sensação de que o jogo ficou mais robusto em comparação a sua versão mobile.

Além disso, também é possível dar um passeio livre, sem tempo cronometrado, por cada cenário. Nesse modo, ocorre um pequeno pecado, que é inserir outros pequenos desafios, como executar manobras em pontos específicos, que não fica claro onde estão. A corrida livre também não indica na tela o comando certo das manobras, diferente das missões principais, então novas confusões podem acontecer.

Poderia voar mais alto

Skate City poderia ousar mais ao chegar aos consoles. Sua composição visual atraente e sua trilha sonora acertada conseguem um certo nível de imersão, que infelizmente é rompido por alguns deslizes. Quem sabe com alguns conteúdos adicionais, a sensação de estar jogando um título mobile seja deixada de lado e ele seja encarado como o indie divertido que tem potencial para ser.


Pros

  • Ótima trilha sonora;
  • Os comandos se tornam bastante intuitivos ao se habituar;
  • Grande número de desafios.

Contras

  • Aprender os controles pode causar uma pequena confusão;
  • A customização não é tão relevante assim;
  • Poucas localidades, que se tornam repetitivas;
  • Os objetivos do modo livre são muito vagos.
Skate City — PC/PS4/Switch/XBO — 6.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Ives Boitano
Análise publicada com cópia cedida pela Snowman


é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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