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Análise: Tony Hawk's Pro Skater 1+2 (Multi) é o melhor remaster que os jogadores poderiam desejar

Vicarious Visions e Activision acertam em cheio e estabelecem o retorno triunfal de Tony Hawk e companhia para o mundo dos games.

2020 tem se consolidado como um ano especial para os adoradores de remakes e remasters. Se alguns, como FFVII, já eram longamente aguardados, outros viviam apenas nos mais profundos sonhos de fãs nostálgicos.




Um destes devaneios se refere à franquia Tony Hawk, que após um título horroroso em 2015, pareceu estar fadada ao esquecimento. Dado o tamanho sucesso que a série fez no começo dos anos 2000 e o quanto ela seguiu rumos duvidosos em seus anos posteriores, é totalmente compreensível o frenesi causado pelo anúncio de Tony Hawk's Pro Skater 1+2 (Multi), o remaster dos dois primeiros jogos da série.

A Activision já havia provado que a ideia de remasterizar seus clássicos poderia dar muito certo após êxitos com Crash Bandicoot e Spyro. Porém, nem a própria poderia imaginar o quanto seria importante que ela e seus estúdios fizessem um bom trabalho para resgatar esta amada franquia de skate. Agora que finalmente temos o título em mãos, podemos respirar aliviados e exclamar: "O Birdman voltou!".

Como se fosse ontem

O jogo começa com um golpe certeiro nos sentimentos já na abertura, ao som de Guerrilla Radio, do Rage Against The Machine, e logo em seguida tocando Superman, do Goldfinger, duas das canções mais emblemáticas das versões originais.

Isto automaticamente nos leva às doces memórias da época do primeiro PlayStation. Some a essa nostalgia diversos easter eggs e referências espalhados pelos estágios e tudo fica cada vez mais perfeito, com destaque especial para a fase do Hangar, que foi decorado com pôsteres de quase todos os jogos da franquia, fazendo do local uma espécie de memorial à série.

Ao começar a jogatina já podemos escolher de cara o nosso skatista e se iniciaremos os objetivos do primeiro ou do segundo título. Ao todo são 19 fases, sendo 17 regulares, com as missões de praxe, e duas extras que também já estavam presentes em THPS2.


Foram poucas as alterações significativas em relação à fonte de inspiração. A principal é que as localidades do primeiro Tony Hawk também possuem 10 objetivos, em vez de apenas cinco como antigamente. Outra coisa é que agora não é mais necessário realizar tudo com todos os personagens. A escolha é livre e não altera a progressão entre os títulos.

A jogabilidade da série foi preservada, o que é ótimo, e também contou com algumas adições vindas de títulos posteriores aos dois primeiros. Além das tradicionais manobras de grabs, flips, grinds e ollies (pulo), também é possível realizar Reverts, de Pro Skater 3, Drops Ácidos, Wallplants e Hip Transfers, de Underground. Entretanto, existe a possibilidade de escolher a jogabilidade tradicional, sem os movimentos adicionais.

Para incentivar o uso de mais skatistas e assim liberar seus vídeos especiais, é necessário coletar os pontos de status de cada um. Estes sim têm que ser recolhidos em cada lugar com o personagem correspondente e sua posição no mapa varia de acordo com a especialidade do escolhido, que pode ser Vertical, Street ou Pista.

Outro acréscimo foram os desafios. Eles existem aos montes e possuem diversas categorias, com restrições a um tipo específico de combinação de manobras, localidades e até exigindo o uso de todos os especiais de um skatista em um combo. Eles são necessários para liberar uma série de itens, como emblemas, pranchas e roupas.

Agora, caso o jogador esteja em seu primeiro contato com a franquia, ele não ficará desamparado. Um tutorial rápido explica os controles básicos e cada tipo de manobra. Também é possível acessar a qualquer momento pelo menu a lista de manobras de cada personagem, ver quais os comandos corretos de cada especial e até escolher mais algumas para integrar seu arsenal, podendo totalizar dez movimentos especiais.


Todas as missões, assim como alguns colecionáveis, ajudam a aumentar o fator replay. Ainda assim, após pegar os pontos de atributos de uns quatro ou cinco personagens, repetir cada estágio sem os objetivos pode se tornar uma tarefa um pouco arrastada. Algo que cairia bem seria a adição de algum estágio original ou até mesmo uma pequena amostra de como ficaria uma localidade do terceiro jogo, por exemplo. Seria um bônus interessante e bem-vindo.

Sobe no skate, meu filho

Apesar do elenco com mais de duas dezenas de skatistas famosos e habilidosos, ainda é mais divertido criar nosso próprio avatar. Contamos com um guarda-roupa de respeito recheado com marcas famosas, como Adidas, Volcom, Santa Cruz e Vans. Além das roupas, também podemos customizar nossa prancha com uma infinidade de modelos, lixas e rodas e, por fim, também é possível escolher suas manobras especiais.

O personagem customizável, assim como os profissionais, também possui seus desafios específicos, mas eles rendem mais recompensas que os dos outros, além de serem um pouco mais difíceis. Uma delas é o clássico personagem secreto Agente Dick (Officer Dick no original), que aqui ganhou rosto e voz do ator Jack Black.

Além de criar um copatriota para Bob Burnquist e Leticia Bufoni, também podemos ter nossa própria pista. Estão à nossa disposição uma gama de acessórios que podem ser colocados da maneira que bem entendermos pelo espaço disponível para construção: corrimões, rampas, piscinas, escadas e até coqueiros; tudo isso pode fazer parte do nosso skatepark. As possibilidades são infinitas.

Em um esquema similar ao visto na série Trials, da Ubisoft, podemos subir nossa criação para a rede e deixar que outros jogadores andem livremente por ela, deixem um voto positivo e até criem um remix, fazendo algumas alterações.

Pro Skater 1+2 também conta com um modo multijogador local e em rede. No local, podemos escolher o tipo de desafio e o mapa. Estão de volta disputas como Grafite e Horse, além de batalhas de combo e pontuações. Estas mesmas modalidades estão disponíveis no online, mas a escolha delas é aleatória, assim como o local da disputa.

O gavião que ressurgiu das cinzas

Tony Hawk's Pro Skater 1+2 é simplesmente tudo o que os fãs pediram por anos. Ele não traz inovações, mas se manteve fiel às suas origens e trouxe um recomeço digno para uma das franquias mais adoradas da história dos games.

Prós

  • A jogabilidade clássica foi mantida, com adições relevantes de títulos posteriores;
  • A trilha sonora nova se junta perfeitamente à clássica;
  • Fases recriadas nos mínimos detalhes com diversas referências à franquia;
  • Infinitas possibilidades ao criar sua pista e seu skatista;
  • Centenas de desafios.

Contras

  • Não é possível escolher a fase e o tipo de disputa no multijogador online;
  • Retornar muitas vezes a cada fase para realizar os desafios e coletar os pontos de status pode se tornar um pouco repetitivo;
  • Nenhuma adição além do conteúdo original, como bônus.
Tony Hawk's Pro Skater 1+2 — PC/PS4/XBO — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Activision



é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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