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Análise: Erica (Multi) é um thriller interativo com muito mistério e múltiplos finais

Uma história sinistra em que você decide o destino da protagonista.

Erica
é um filme interativo de suspense, que conta a história de uma adolescente que perdeu o pai em um evento traumático. Esses pesadelos de infância ainda a atormentam no presente e pistas macabras acabam levando-a a explorar a Casa Delfos, que parece esconder segredos assustadores.

Lançado originalmente para PlayStation 4 em 2019, agora está disponível para Android, iOS e PC via Steam, que é a versão abordada nesta análise. Para a versão de PS4, você pode conferir a análise do meu colega Nycolas neste link.



Gráficos da vida real

O filme começa mostrando cenas da infância de Erica, com acontecimentos traumáticos envolvendo o desaparecimento de sua mãe e o trágico assassinato do pai, com detalhes macabros que parecem ser obra de cultistas. Transicionando para os dias atuais, Erica, já adolescente, recebe um pacote sinistro e precisa ajudar um detetive a desvendar o que houve. Para sua segurança, a adolescente é levada à Casa Delfos, uma instituição onde seus pais trabalhavam. Durante a investigação ela começa a descobrir fatos sombrios relacionados a seu passado e à própria Casa Delfos.




Visualmente falando, Erica é lindo, pois trata-se de um filme de verdade. A representação é feita com atores reais, o som e a fotografia são produzidos em formato de cinema. Os atores fizeram um ótimo trabalho de interpretação, passando bem expressões de desconfiança, medo, raiva e angústia, com destaque para a protagonista Holly Earl. Esse trabalho é particularmente importante pois em algumas situações você precisa decidir se confia ou não em determinadas pessoas, e a interpretação dos atores faz toda a diferença.


Erica possui diversas opções de idioma para dublagem e legendas, incluindo português do Brasil. Infelizmente, no momento em que escrevo esta análise essas opções não estão funcionais, portanto não tenho como avaliá-las. Acredito que na data de lançamento, ou em uma data próxima, esse problema estará corrigido. A análise foi elaborada com o filme no idioma inglês.

É preciso ter em mente que a proposta de Erica é ser um filme interativo e não um jogo. Ele tem duas horas de duração, um tempo normal para um longa-metragem, e não há puzzles ou nenhuma espécie de desafio aqui. É um entretenimento para sentar e apreciar, ainda que com a participação do espectador.


Com o mouse ou com o dedo

Na versão para PS4 a interação é feita por meio do PlayLink ou do touchpad do controle DualShock 4. Já no PC a interação é feita por meio de teclado e mouse, com o cursor sendo representado por uma discreta bolinha que se confunde com um reflexo de luz. O modo como o cursor do mouse foi representado é muito bom, pois uma seta pairando o tempo todo sobre a cena roubaria parte da imersão. No Android/iOS a interação é feita diretamente sobre a tela, sendo a interface mais direta e intuitiva de todas.

Os elementos de decisão são integrados às cenas de forma bastante orgânica, sendo posicionados em lugares relacionados às opções de resposta e guiando o espectador de forma natural.

O espectador é estimulado a tomar decisões rápidas, pois a maioria delas tem um tempo curto para serem tomadas. As opções de resposta são extremamente objetivas, quase sempre formadas por palavras únicas. Nada de frases ou interpretações complexas; é tudo muito direto.

Vale a pena ver de novo

Um dos aspectos mais atraentes de Erica é seu fator de rejogabilidade. Existem vários finais e nenhum deles traz todas as respostas. Isso faz com que o espectador sinta vontade de fazer escolhas diferentes para ver as outras possibilidades de desfecho. Infelizmente, apenas as decisões lá no final do filme é que influenciam o resultado que você verá. As decisões que você faz no começo do filme não têm importância alguma para a conclusão da trama.


O filme não possui nenhum sistema para criar pontos de salvamento ou revisitar cenas. Se você quiser ver os efeitos de uma escolha diferente, terá que reiniciar e passar por tudo de novo até chegar no ponto que quiser alterar. Na minha opinião, seria recomendável que o espectador pudesse ter acesso a cenas já vistas, como ocorre nos jogos da Telltale (The Walking Dead, The Wolf Among Us) e da Dontnod (Life Is Strange, Tell Me Why).

Recomendado? <<< sim | não >>>

Como filme, Erica é um thriller bastante envolvente, nem tanto pela trama um tanto clichê, mas pela interatividade que traz um sabor especial, uma vez que suas decisões definem o final que será exibido. É uma pena que apenas as opções lá no final do filme realmente importem para o desfecho e que não haja um sistema para revisitar cenas ou alterar decisões. Ainda assim, Erica é um título interessante para quem está procurando por um entretenimento simples, mas com participação do espectador, ficando num meio-termo entre um filme convencional e um jogo.

Prós

  • Visualmente lindo;
  • Diversos finais;
  • Alta rejogabilidade;
  • Interface simples e intuitiva.

Contras

  • Não possui pontos de salvamento;
  • Somente as decisões finais afetam o desfecho.
Erica – PS4/PC/Android/iOS – Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Flavourworks



é engenheiro eletrônico e tem uma filha fofinha que tenta morder os controles do papai. Curte jogos de luta, corrida e ação. Gosta de acompanhar a evolução da indústria dos games e considera-os um dos melhores entretenimentos do mundo.


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