Jogamos

Análise: The Kreator (Mobile) – a longa viagem a um pequeno planeta sereno

Controle uma chama reluzente sobre as planícies e os oceanos de um mundo expansivo em constante transformação.

Desenvolvido pela StarRhyme e lançado em 2019 para dispositivos móveis, The Kreator é uma experiência free-to-play serena ambientada em um pequeno planeta com ambiente infinito e em constante transformação, na vicissitude das estações do ano. O título recicla a mecânica de toque implementada no icônico Flappy Bird (Mobile) de 2013, porém de uma maneira menos terrível, canalizando tranquilidade aos jogadores.

Colete fragmentos de luz, enquanto a terra floresce

Essencialmente, The Kreator não é um jogo, é uma aula de ioga interativa. O título da StarRhyme não apresenta qualquer narrativa e o seu único objetivo é guiar uma chama reluzente e coletar orbes dourados para prolongar sua viagem, enquanto flutua sobre planícies e oceanos para pintá-los com vida.

Para jogar, você apenas utiliza a tela sensível ao toque do smartphone e precisa alcançar todos os fragmentos de luz espalhados pelo ambiente. Clique uma ou mais vezes para levar o pequeno farol para o céu ou apenas pare de clicar para deixá-lo cair no solo e começar a plantar árvores e flores.

Apesar da semelhança jogável com Flappy Bird, The Kreator preza pela suavidade, mas sem deixar os desafios de lado. Quando alguns elementos coletáveis são deixados para trás, eles se tornarão orbes negros que te perseguirão. Isso significa que quanto mais fragmentos forem esquecidos, mais rápido o orbe fica para tentar encerrar sua viagem. Para impedir essa morte prematura, você pode coletar pequenas chamas rosadas que destruirão a escuridão que se aproxima, ou ocasionalmente enviarão pulsos que podem dissipar o inimigo, mas isso deve ser feito com inteligência, porque não existem muitos “ajudantes” nessa atmosfera.

O ambiente a sua volta vai mudando de acordo com o tempo que conseguir sobreviver. Durante minha experiência, o máximo foram 188 dias em órbita e, enquanto as estações mudam, o ecossistema do planeta se desenvolve de maneira belíssima. É um título com controles fluidos e responsivos, e feito com a simplicidade necessária para torná-lo momentâneo e mágico, enquanto você perde a noção do tempo.

Infelizmente, The Kreator não é uma experiência longeva, pois chega um ponto em que tudo fica sem profundidade e você percebe que só está tentando sobreviver o máximo que der, observando os mesmos padrões de jogo e as estações se repetindo dia após dia. Essa dinâmica de gameplay repetitiva pode culminar na desinstalação do aplicativo em pouco tempo.

Surpreendentemente, a StarRhyme não exagerou na implementação de microtransações e só existe uma única compra a fazer dentro do jogo. O modo Zen, como é chamado, apresenta uma nova viagem através de outro planeta, inclui uma animação desenhada a mão e um novo álbum de músicas. No entanto, nem esse modelo premium o salva da repetição, pois as mínimas adições de conteúdos extras deixam o título mais do mesmo. Se você puder ignorar todas essas falhas, The Kreator continuará sendo profundo e imersivo para lhe trazer tranquilidade nos momentos mais estressantes da vida.

Imersão com cores e música

Um dos pontos mais positivos de The Kreator é a linda direção artística minimalista, usando tons pastéis na maior parte do tempo. No modo Zen, a arte feita totalmente a mão é suave e estonteante, enquanto viaja-se por planícies e estações sublimes. Mesmo se você não adquirir o pacote premium, a experiência free-to-play ainda é digna, utilizando paleta de cores frias vibrantes, enquanto a vegetação parece transparecer vida com todo seu charmoso contraste 2D.

The Kreator também exala serenidade em sua breve trilha sonora, com músicas tocantes e sensíveis, capazes de curar nossas mais desesperançosas mentes exaustas, embora eu tenha sentido falta de mais faixas. No final das contas, as trilhas de piano presentes cintilam por todo o vazio daquela atmosfera, enquanto o planeta renasce de uma forma intensa e profunda.

Limitado, porém sublime

The Kreator sofre pela falta de conteúdo e pelo gameplay repetitivo, mas ainda assim tem a profundidade necessária para tranquilizar a mente e a alma do jogador, por meio de uma trilha sonora serena, direção artística minimalista transcendental e controles responsivos estáveis. Em último caso, não se trata de um jogo com objetivos ou uma história profunda, mas de uma experiência serena para meditação ou exercícios de atenção plena.

Prós

  • Experiência relaxante, leve e imersiva;
  • Linda direção artística minimalista;
  • Trilha sonora serena;
  • Controles fluidos e responsivos.

Contras

  • O gameplay pode se tornar repetitivo depois de um tempo;
  • Mínimas adições de novos conteúdos, mesmo na versão premium.
The Kreator – Android/iOS – Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Android

Revisão: Ives Boitano
Jogo adquirido pelo próprio redator e testado em um ASUS Zenfone 3

é entusiasta e apreciador de jogos com conceito artístico minimalista e narrativas de significado profundo. No GameBlast escreve notícias, análises, crônicas e especiais; no tempo livre produz roteiros autorais de séries e filmes. Criatividade, imaginação e curiosidade são algumas de suas características marcantes.


Disqus
Facebook
Google