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Análise: Darius Cozmic Collection Console (PS4/Switch) traz mais e entretém menos que sua contraparte

Focado nos jogos lançados domesticamente, compilado não consegue ser tão atrativo quanto a versão baseada nos arcades.

A série de shoot'em ups Darius fez um enorme sucesso nos fliperamas. Como de praxe, não demorou muito para que fossem criadas versões caseiras do game. Algumas delas foram reunidas nesta coletânea, a Darius Cozmic Collection Console (PS4/Switch).


A ideia é trazer exatamente a mesma proposta do outro compilado da saga, Darius Cozmic Collection Arcade (PS4/Switch), com algumas variações de um mesmo jogo. Foram reunidos títulos lançados na década de 1990, que chegaram para os consoles da Sega, Nintendo e PC.

Revivendo uma antiga rixa

Se Darius inovou a disposição dos arcades com sua tela tripla e cabine diferenciada, nos consoles ajudou a evidenciar ainda mais a diferença de poder entre os consoles da Sega e da Nintendo. Ao todo estão disponíveis nove versões de seis títulos diferentes:

Darius II (Mega Drive): Lançado no Japão em 1990, trata-se de um port da versão arcade para o console. Toda a disposição de elementos precisou ser redesenhada para se adequar à mudança de duas para uma tela. Isso acarretou em sprites de inimigos menores e a troca de alguns chefes. Outra perda notável foi a possibilidade de adicionar um segundo jogador, mas ainda assim o título conseguiu manter a atmosfera do original e agora era possível escolher entre jogar com Proco Jr. (nave vermelha de tiro único) ou Tiat Young (nave azul de disparo duplo).

Sagaia (Sega Genesis): Como aconteceu nos fliperamas, a chegada de Darius II em território norte-americano resultou em uma troca de nomes. A versão caseira de Sagaia é idêntica à sua contraparte japonesa, apenas com a diferença de não ser possível usar códigos ou trapaças.

Sagaia (Sega Master System): Esta versão só foi lançada em 1992, visando o mercado europeu, que ainda consumia um comércio muito ativo de jogos 8-bit. Logo, ela nunca foi comercializada no Japão ou nos Estados Unidos, que já estavam consolidados com as plataformas 16-bits na época.

Darius Twin (Super Famicom): Enquanto a Sega lançou ports, a Nintendo recebeu o primeiro título original da série para consoles. Lançado em 1991, alguns meses depois da chegada do Super Famicom às lojas, Darius Twin foi desenvolvido para aproveitar ao máximo tudo o que podia ser oferecido em apenas uma tela. O resultado foi um sucesso enorme no Japão entre os que já eram fãs da franquia nos arcades e pessoas que adquiriram o console e tiveram seu primeiro contato com shoot'em ups.

Darius Twin (Super Nintendo): O sucesso de Darius Twin no Japão resultou em seu lançamento em outros países, e dessa vez sem troca de nome. Como o cartucho de Super Nintendo possuía uma capacidade maior que o Super Famicom foi possível uma melhora notável na qualidade do som. A versão japonesa só possui áudio em mono, enquanto a internacional é toda trabalhada em qualidade estéreo.

Darius Force (Super Famicom): Lançado em 1993, este é outro título que chegou direto ao console da Nintendo. Esta continuação trouxe a possibilidade de escolher entre três naves diferentes, cada uma com o seu equipamento e evoluções próprias, além de quebrar a tradição de trazer chefes inspirados em criaturas marinhas, com a inclusão de dinossauros e bactérias.

Super Nova (Super Nintendo): Diferente de Twin, Darius Force acabou renomeado para Super Force ao chegar em outros países. A única diferença entre eles é que alguns chefes foram renomeados, para evitar confusões linguísticas e duplo sentido.

Darius Alpha (PC Engine): Alpha não foi projetado para ser vendido. Só era possível obtê-lo através de uma ação especial após comprar Darius Plus. Sua distribuição foi restrita a 800 pessoas e nada mais era do que um título especial, que colocava o jogador diretamente contra 16 chefes, um seguido do outro. Além do modo normal, ele continha Score Attack, Time Attack, e 4 Min. Time Trial.

Darius Plus (PC Engine):  Lançado em 1990, trata-se de uma versão com qualidade reduzida de Super Darius, que já era um port do primeiro Darius para PC e não foi incluído nesta coletânea. Por se tratar de um downgrade, Plus conta com apenas 16 dos chefes originais de Super, que possuía 26.

Mais cheio ou mais vazio?

Como o nome já denuncia, Collection Console focou em trazer os títulos caseiros da exata maneira como eles foram lançados. Sendo assim, existem algumas diferenças bem distintas entre ele e o Arcade.

Respeitando suas fontes originais, nenhum dos jogos têm suporte para um segundo participante. Ainda é possível salvar a partida a qualquer momento, pois aqui cada um também conta com 30 espaços para armazenar seu progresso. Isso se torna muito útil, já que os continues são limitados e ao final deles é game over, sem choro nem vela. Também não é possível recomeçar instantaneamente após perder uma vida. O jogo retorna para o início da fase ou a um checkpoint, que nunca fica claro onde está.

Salvar o replay após uma partida também foi mantido, porém foram retiradas diversas outras funcionalidades. Não é mais possível colocar informações na tela, pois só dá para escolher entre o formato normal ou o fullscreen, para preencher o ecrã inteiro. Caso seja escolhido o original, sobram lacunas nas laterais e ponto final. A única exceção é Darius Alpha, que dispõe de uma lista vertical da sequência de chefes a serem abatidos, que pode ser colocada à direita. 

Por mais que este compilado traga jogos que se adequam por inteiro, de maneira muito mais agradável à tela, seria bacana ter a disposição diversas informações, como a sequência de zonas, dados sobre os chefes ou até mesmo decorações cosméticas, na lateral vazia.

O treino também foi retirado. Apenas Darius II, Darius Force e Darius Alpha contam com modos extras e, apesar destes terem nomes diferentes, consistem em abater todos os chefes do jogo em sequência para registrar seu tempo e pontuação.

Outro ponto contra é que, mais uma vez, fica notável o que já ocorreu no outro compilado. Por mais que a descrição indique nove versões de seis jogos, é nítida a sensação de ter repetições desnecessárias, ainda mais que na versão console as diferenças entre os relançamentos de um mesmo título são ínfimas, se resumindo apenas a mudanças de nomes e traduções.

Tiro na carteira

Se o compilado de arcade já passava a impressão de uma reunião curta por um custo-benefício não tão proveitoso, o de console potencializa isso com o auxílio de outro fator enorme: o valor. Os títulos tem como preço US$ 44,90 e US$ 59,90, tanto na PSN quanto na eShop americana.

Quem tem um PS4 ainda pode tentar comprar pela loja virtual brasileira, mas os valores praticados são ainda mais pesados. O Arcade foi lançado por R$ 186,90, enquanto o Console a R$ 323,90, reduzido posteriormente para R$ 249,90. Esses valores geralmente correspondem a títulos de grande porte, como o recém-chegado The Last of Us Part II ou o esperado Ghost of Tsushima, ambos do mesmo PS4. Cobrar o preço de um AAA em uma coletânea que sequer traz uma galeria ou um número mais robusto de títulos chega a ultrapassar os limites do absurdo.

Seria muito mais vantajoso e rentável reunir tudo em um compilado só, abdicar de algumas versões que trazem alterações apenas de nome ou, já que a ideia é incluir tudo, acrescentar jogos que ficaram de fora, como Darius+ (Atari), Super Darius (PC) e Darius R (GBA). Sem deixar de lado também uma amostra do legado da série com uma galeria, que é algo imprescindível para uma franquia com tamanha história e influência no gênero.

Perdido no espaço

Darius Cozmic Collection Console é mais fraco que seu "irmão" Arcade, mesmo trazendo mais jogos (em teoria). A ausência do modo treino é bastante sentida, uma vez que ela dava uma mão para quem ainda está se acostumando com o ritmo de um shoot'em up. A pá de cal fica por conta da ausência do co-op local, já que esse tipo de aventura é mais divertida de se aproveitar em duplas.

Prós

  • Jogos se encaixam muito melhor em tela cheia;
  • Alguns títulos possuem mais de um modo de jogo.

Contras

  • Diferenças entre versões de um mesmo título não são significativas, se limitando a nomes e traduções;
  • Não é mais possível customizar a tela com informações caso o jogador opte pelo formato original;
  • Ausência do modo treino;
  • Falta de uma galeria;
  • Jogos não possuem co-op;
  • Preço muito alto para o conteúdo oferecido.
Darius Cozmic Collection Console — PS4/Switch — Nota: 5.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Mariana Mussi S. Infanti
Análise feita com cópia digital cedida pela ININ Games


é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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