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Análise: Darius Cozmic Collection Arcade (PS4/Switch) traz excelentes jogos, mas peca pela repetição

Se aventure em um dos mais inovadores títulos dos arcades japoneses.

Os fãs de shoot'em ups, os famosos "jogos de navinha", sempre são agraciados com diversos relançamentos e coletâneas de franquias que marcaram gerações. A vez agora é da icônica série Darius, da Taito.

Dividida em duas partes, Darius Cozmic Collection Arcade (PS4/Switch) e Darius Cozmic Collection Console (PS4/Switch), aqui iremos avaliar a versão arcade, que focou em trazer títulos lançados para os fliperamas na década de 1980, tanto no Japão quanto no Ocidente.

Combatendo criaturas marinhas no espaço

Em Darius é possível escolher qual caminho seguir após um triunfo, num esquema que remete a uma pirâmide. O jogador começa na Zona A e depois pode prosseguir para a B ou C, que por sua vez dá mais duas opções, e assim por diante. Ao todo são 28 zonas distintas, sendo que podiam ser percorridas sete por jogada. Nas versões americanas, ainda é possível fazer essa escolha de trajeto, mas apenas com 16 opções diferentes.

As naves, chamadas de Silver Hawks, possuem lasers e granadas. Esse armamento pode ser evoluído com itens que apareciam na tela após derrotar inimigos de cores diferentes. Quanto mais itens coletados, mais poderosos ficavam os tiros e, consequentemente, mais rápido os chefes eram abatidos. Porém, se o jogador fosse abatido, a nave ressurgia com seus equipamentos zerados e tudo precisaria ser coletado novamente.

Mesmo se tratando de um ambiente majoritariamente espacial, todos os chefes de fase eram inspirados em seres que vivem no mar. Logo, há robôs enormes que lembram baleias, baiacus, caranguejos, peixes-pescador e até mesmo anêmonas.

Um arcade diferenciado

A série Darius sempre teve uma identidade visual bastante peculiar. Sua característica mais marcante era sua cabine, que possuía três telas, uma ao lado da outra. Isso conferia uma disposição única que favorecia o seu estilo em progressão lateral.

Ao todo, o compilado reúne diferentes versões de quatro jogos distintos da saga, totalizando sete títulos:

Darius (Old Version): Lançado em 1987, este foi o primeiro de todos a trazer o gabinete com telas triplas. Ele também tinha como diferencial uma cabine com auto falantes acoplados no banco dos jogadores.

Darius (New Version): Lançada no mesmo ano que a versão anterior, esta trouxe alguns ajustes na dificuldade. Agora as batalhas contra os chefes se tornariam mais fáceis quando a nave estivesse com seu armamento totalmente evoluído.

Darius (Extra Version): Essa terceira versão, também lançada em 1987, reajustou novamente a dificuldade. O poder das armas aumentou e o início do jogo tornou-se mais fácil, com padrões de inimigos menos agressivos. Porém, ao passar da metade, tudo se dificultaria gradativamente, presumindo que o jogador já teria conquistado todos os upgrades disponíveis.

Darius II (Two-Screen Version): O segundo jogo da série chegou em 1989. Ele primeiro foi disponibilizado em uma versão de duas telas, que foi a escolhida para a coletânea, e posteriormente foi readaptado para o já clássico ecrã triplo. A principal novidade aqui era que a batalha contra os chefes poderia seguir da esquerda para a direita quanto ao contrário também, exigindo máxima atenção do jogador.

Sagaia (Version 1): Apesar do nome diferenciado e de ser tratado como um título próprio, trata-se de um port de Darius II para o Ocidente. Para se adequar aos mercados estrangeiros, a dificuldade, a vida dos chefes e o número de fases foram reduzidos. Outra diferença notável é a mudança de ambientes, como na primeira rota, na qual a japonesa trazia um rio de fogo, como se estivéssemos dentro do sol, e a ocidental trazia um voo sobre o mar.

Sagaia (Version 2): Esta versão trazia pouquíssimas diferenças em relação à primeira, como a mudança de alguns cenários de fundo e padrões de ataque de alguns chefes. Tornou-se uma raridade na época, sendo muito mais difícil de ser encontrada do que a primeira.

Darius Gaiden: O terceiro título da série só veio a ser lançado em 1994. Foi o primeiro a ser feito para uma tela só, o que tornou seu gabinete mais simples e fácil de ser importado, o que fez dele muito popular. A melhora visual é significativa, com diversos efeitos de luz e profundidade. As naves agora contam com uma bomba de buraco negro, além dos seus tradicionais lasers e granadas.

Fliperama informativo

Cada título da coletânea oferece a possibilidade de alterar sua dificuldade, customizar botões e determinar quantas vidas o jogador terá de início. Isso ajuda muito quem gosta de deixar os tiros e bombas acertados para os gatilhos do controle. Também é possível registrar o replay ao final de cada partida.

Também está à disposição para todos um Modo treino. Nele, o jogador pode escolher em qual zona começar livremente e quão evoluído estará seu equipamento. É uma alternativa bem vinda para quem não tem tanta aptidão com a velocidade em que as coisas acontecem nos shoot'em ups.

Como é de praxe, é possível usar diversos filtros de imagem, para aumentar a sensação de jogar em um arcade. Até a inserção das linhas divisórias entre suas telas triplas foram incluídas.

Por falar em tela tripla, a disposição de cada jogo deixa um espaço "morto" considerável ao seu redor. Até é possível selecionar um modo fullscreen, mas tudo fica horrivelmente achatado. Apenas Darius Gaiden se acomoda devidamente dessa maneira.

É possível preencher essas lacunas com informações muito úteis. Elas variam entre barra de vida do chefe, informações sobre a próxima zona, pontuação e nível do armamento do jogador. Até mesmo o painel de instruções original do fliperama pode ser colocado à mostra. 

As informações de pontuação e armas já aparecem normalmente durante o jogo, mas é muito mais confortável para a visão tê-las fora da ação frenética de cada fase, especialmente no primeiro Darius, em que tudo é bem menor.

Por fim, é possível ter infinitas fichas. Basta "inserir mais uma moeda" com o apertar de um botão que tudo segue exatamente de onde parou, sem ter que refazer uma fase do início. Se ainda assim o jogador se sentir inseguro ou quiser continuar mais tarde, existem 30 slots para salvamento por título, que podem ser utilizados a qualquer momento.

Uma coleção enxuta

Por mais que seja divertida essa reunião de títulos, a impressão que fica é que são poucos jogos. Isso acontece pois a diferença entre as versões de um mesmo jogo são muito sutis; algumas delas nem seriam perceptíveis se não estivessem descritas no breve texto que acompanha cada um.

O primeiro Darius, por exemplo, traz três variações que efetivamente não se distinguem. A diferença entre eles dificilmente é perceptível, ainda mais com a possibilidade de poder ajustar a dificuldade. Quanto a Darius II e Sagaia, tirando o fato das fases serem menores e mais fáceis, eles são rigorosamente o mesmo jogo, e ainda assim são retratados na lista como entradas distintas pelo fato de terem sido lançados com nomes diferentes.

Tendo isso em vista, e sabendo que foi feito um outro compilado focado nos jogos lançados para consoles, fica a impressão de que todos eles poderiam estar reunidos em uma coletânea só. Isso traria mais títulos diferentes de fato, e não passaria a impressão de que cada lista não foi inflada com essas diversas versões só para vender dois compilados separados.

Outra falta considerável cometida é a ausência de uma galeria ou qualquer tipo de memorabília que mostrasse um pouco da concepção da saga. Temos diversos exemplos, como o SNK 40th Anniversary Collection (Multi) e o Arcade Classics Anniversary Collection (Multi), da Konami, que traziam artes conceituais belíssimas, além de diversos rascunhos e até partituras dos temas de abertura. 

Com uma história tão simbólica nos arcades e uma trilha sonora bastante marcante, é uma pena que nada disso tenha sido aproveitado para mostrar a herança e o legado da franquia.

Perdido no espaço

Darius Cozmic Collection Arcade reúne ótimos jogos que são indispensáveis para os fãs dos shoot'em ups. Customizar a tela com informações úteis durante o jogo e deixar com um ar mais nostálgico também é uma ótima sacada.

Porém, a estratégia de separar seu legado em dois compilados distintos saiu totalmente pela culatra, uma vez que a parte dos arcades tem uma lista inflada com versões e poucos títulos originais de fato. A falta de uma galeria que fizesse jus ao legado de Darius também é uma ausência duramente sentida.

Prós

  • Customização de informações diversas na tela;
  • Modo treino;
  • Possibilidade de ajustar nível de dificuldade, número de vidas e disposição dos controles;
  • Continues infinitos.

Contras

  • Lista de jogos inflada com diversas versões de um título que pouco diferem entre si;
  • Falta de uma galeria ou informações e curiosidades sobre a franquia.
Darius Cozmic Collection Arcade — PS4/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: José Carlos Alves
Análise feita com cópia digital cedida pela ININ Games


é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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