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Análise: Arcade Classics Anniversary Collection (Multi) é lindo de ver, mas nem tanto de jogar

Nessa coletânea com poucos títulos, a nostalgia fala alto, mas pouco segura a atenção do jogador. Nem mesmo a extensa galeria consegue empolgar por muito tempo.

Aderindo à moda recente de reunir grandes clássicos de sua história em um lugar só, a Konami prometeu para esse ano três coletâneas. Isso tudo é para celebrar os 50 anos de vida da produtora japonesa.

Enquanto duas delas serão focadas em séries específicas, no caso Castlevania e Contra, essa primeira traz títulos mais variados. Pelo menos deveria ser assim…

“Navinha” Collection

Arcade Classics Anniversary Collection (Multi) reúne oito jogos da produtora que fizeram sucesso nos anos 80. O número é bem reduzido para uma coletânea que diziam ser variada. Só que desse montante, apenas um não é do estilo shoot’em up. Trata-se de Haunted Castle, versão arcade do primeiro Castlevania.

Os outros títulos são todos baseados na mesma mecânica, de uma nave que abate inimigos e coleta power-ups, seja em progressão lateral ou ascendente. Destaque para Twin Bee, que nunca havia saído do Japão e possui um visual mais cartunesco e cores mais vivas, elementos estes que foram um grande atrativo para o público feminino.

Talvez a Konami tenha perdido aí a oportunidade de fazer mais um apanhado de nomes de uma franquia. Ao todo, quatro títulos estão ligados à série Gradius: Scramble, considerado o ponto de partida para a criação da saga; Nemesis, que é de fato o primeiro de todos, mas com o nome europeu; Life Force, que seria o segundo da série, mas foi alterado para venda nos Estados Unidos; Vulcan Venture, o segundo Gradius, mas também com o nome europeu.

Seria perfeitamente aceitável separar esses títulos e incrementar a coletânea com outros jogos de gêneros mais variados. Biblioteca para isso a Konami tem de sobra.

Além dos já citados, completam a lista Typhoon, em que pilotamos um helicóptero e um avião caça em efeitos 3D bem trabalhados para a época, e Thunder Cross, que possui o melhor visual e jogabilidade mais precisa entre todos.

Gastando fichas

A estrutura é bem simples. Escolha o que quer jogar na tela inicial, aperte start e seja feliz. É possível mudar a disposição da tela para os formatos 4:3 ou 16:9, mas nenhum deles fica satisfatório. Também é possível colocar molduras para tirar o entorno preto, mas são desenhos genéricos e tampouco fazem alguma diferença.

Existe a possibilidade de customizar livremente os comandos, além de escolher a dificuldade e o número de vidas que poderão ser usadas em cada partida. Apesar disso tudo, jogar sozinho pode se tornar algo bem tedioso.

Apenas Scramble e Haunted Castle não contam com um modo para dois jogadores. Todos suportam dois jogadores de maneira local. Como as conquistas/troféus exigem pontuações altas, a possibilidade de ter um parceiro online seria muito bem vinda.

Memorial Caprichado

Se a quantidade de títulos selecionados deixa a desejar, não se pode dizer o mesmo da galeria. Trata-se de um livro digital de 102 páginas, que merecia estar na estante de qualquer apaixonado pelo mundo dos games e seus primórdios.

Nessas páginas estão reunidas diversas artes conceituais dos jogos, além de uma descrição básica deles. Porém, o destaque fica com as partituras originais das canções principais de cada um deles, totalmente disponíveis para quem sempre quis aprender a tocar direto do material original.

Para colocar a cereja no bolo, uma entrevista com Kengo Nakamura e Toshiaki Takatori, as mentes por trás de alguns desses título, nos mostra como era criar um jogo naquela época.

Bonito na estante

Arcade Classics é mais um exemplo de uma boa ideia nem tão bem executada. Nem mesmo a vasta galeria salva a coletânea de se tornar uma experiência de curto aproveitamento.

O baixo número de jogos e a variedade zero entre eles infelizmente acaba passando a impressão de que se está tudo sempre na mesma coisa. As próximas duas coletâneas provavelmente venham com as mesmas características, mas é bem provável que chamem mais atenção por terem um tema específico.


Prós

  • Títulos inovadores e exclusivos, como Typhoon e Twin Bee;
  • As altas pontuações exigidas para os troféus/conquistas trazem um gostinho de como era dominar esses jogos nos fliperamas;
  • Galeria muito rica e informativa. Incluir partituras foi algo bastante diferenciado e chamativo.

Contras

  • Pouca diversidade de títulos e de gêneros;
  • Falta de um modo cooperativo online;
  • Não é possível salvar durante a partida. Isso pode frustrar jogadores que não estão familiarizados com o estilo;
  • Molduras de telas genéricas.
Arcade Classics Anniversary Collection — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 5.5
Versão utilizada para análise: PS4
Análise feita com cópia digital cedida pela Konami
Revisão: Francisco Camilo

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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