Jogamos

Análise: Forager (Multi) é uma aventura sandbox muito divertida e bem equilibrada

Pegue sua picareta e triture o mundo nesse misto de Zelda clássico com mecânicas de crafting!


Uma mescla de RPG de ação retrô a la The Legend of Zelda com os aspectos de criação sandbox de jogos focados em crafting como Minecraft (Multi) ou Terraria (Multi). A ideia é tão obviamente convidativa quanto é desafiadora: de um lado, o level design meticuloso e a experiência guiada do jogador; do outro, a liberdade criativa quase total.


Se deixarmos esses elementos de lado, a proposta dessa mistura corre o risco de não querer dizer muita coisa: há muito do Zelda clássico nesses jogos mais contemporâneos, assim como os rumos da franquia da Nintendo provaram que dá para incluir vários dos elementos de livre exploração no modelo tradicional da jornada sem perder sua essência.

Forager, projeto da produtora indie HopFrog parece entender muito bem isso, com uma proposta de mistura de estilos que tenta equilibrar em um pacote único os elementos mais díspares desses dois mundos não tão distantes. Será que o resultado final fica à altura da proposta? Confira o que achamos!


Ingredientes já conhecidos, receita inovadora

Minha jornada com Forager se iniciou com um sentimento de bastante curiosidade. Embora não dê para ignorar o charme inegável dos jogos focados na temática de crafting, não acho que compartilho do mesmo entusiasmo pela ideia do que o impressionante público fiel de um Minecraft, por exemplo. Sabe aquela dúvida do tipo: “Será que eu faço parte do público-alvo desse game?”? Pois é!



Felizmente, a simplicidade cativante do game dispensou quaisquer dúvidas logo de cara e sem cerimônia. Tão cedo quanto na primeira hora de jogo, já me vi totalmente capturado pelas mecânicas de coleta de recursos e crafting de itens dos mais variados tipos.

Evitando amarrar o jogador com tutoriais torturantes, Forager aposta logo de cara no charme de sua proposta ambiciosa de ser uma “aventura sandbox”, combinando elementos de progressão de um RPG de ação a la Zelda com mecânicas de crafting que estimulam a criatividade livre do jogador.



Temos, tecnicamente, uma lista de objetivos principais e secundários e uma aventura com começo, meio e fim. Porém, a apresentação do jogo consegue nos despistar a respeito disso de forma brilhante, enfatizando o senso de exploração e curiosidade a respeito do que a experiência nos reserva pela frente enquanto coletamos o material necessário para o próximo projeto.

Tudo começa com nosso simpático avatar solitário em uma ilhazinha verde e ainda bastante deserta. Sem grandes firulas explicativas, o game estimula que o jogador desde o início vá explorando as opções à sua disposição. Iniciando sua carreira de explorador (e minerador, engenheiro. banqueiro e mago, nas horas vagas) as tarefas não fogem muito do esperado: juntar Madeira, Ferro, Pedra e Ouro para erguer as primeiras construções e craftar os primeiros utensílios da jornada.



O charme do audiovisual 16-bits, aliado à interface sólida e bom ritmo da progressão sustentam que o jogo tenha logo de cara o potencial de transformar uma breve espiada em uma sessão de horas e mais horas de diversão.

Um dos aspectos mais agradáveis da experiência para mim foi a sensação de progressão espontânea — inevitavelmente distraído em “projetos pessoais” aparentemente sem finalidade, fui encontrando as possibilidades de expansão do jogo e desenvolvendo minha indústria praticamente “sem querer”. Esse esquema de progressão não-linear garante que o jogador estabeleça sua própria sequência de prioridades, decidindo quais objetivos perseguir primeiro.



Além disso, temos várias formas de se chegar ao mesmo resultado, a depender da preferência do freguês. Por exemplo, o avanço na aventura se dá principalmente através da aquisição de novas ilhas, que vão se anexando ao ponto de partida e expandido o mapa do mundo disponível para nosso explorador.

Para tanto, é necessário pagar em Moedas, as quais podem tanto ser forjadas a partir do Ferro, Ouro e Carvão minerados, quanto obtidas através de Mercados ou Bancos. O Carvão, por sua vez, é um recurso-chave que pode ser farmado diretamente nas pedreiras, ou produzido a partir da Madeira, caso se prefira abordar a coisa pelo desmatamento. Na minha experiência, essas alternativas não só resultaram em velocidades diferentes de evolução, mas em uma própria experiência diferente, conforme as coisas vão se ramificando.

Explorador polivalente

A bem da verdade, o desmatamento de todos os recursos naturais que recobrem as terras de Forager é inevitável. Após picaretar algumas pedras, coletar frutinhas em arbustos e extrair madeira de algumas árvores, o primeiro level up nos introduz ao esquema de pontos de habilidades (Técnicas) do jogo, que na verdade se assemelha mais à tech tree de um jogo de estratégia do que à skill tree de um RPG. 

Cada nível adquirido garante um novo ponto para ser investido pelo jogador em quatro grandes quesitos: Agropecuária, Industrial, Economia e Magia. Cada habilidade comprada habilita os blocos de habilidade adjacentes, em um esquema de progressão bastante intuitivo, totalizando 64 upgrades adquiríveis no total.



As habilidades de Agropecuária focam a coleta de materiais primários, habilitando novas espécies de vegetais e construções como os Moinhos, que inicialmente produzem sementes a partir dos frutos e depois podem ser usados para transformar materiais primários em produtos culinários mais elaborados.

A frente Industrial contempla as atividades de mineração e forjas, oferecendo bônus de eficiência para a extração de metais e novos amálgamas ao longo da evolução do personagem. É com ela que se torna possível construir e reforçar equipamentos - e até mesmo produzir eletrônicos complexos como Microchips e Dróides!



O eixo da Economia presenteia o jogador com altos retornos financeiros automáticos, a partir da construção de Bancos. Além disso, traz benefícios comerciais diversos para ajudar na aquisição de produtos que estejam fora da linha de produção do jogador.

Por fim, a Magia é uma frente bastante diversificada que possibilita o craft de Pergaminhos e Poções que ajudam com buffs e efeitos dos mais diversos - desde cobrir uma ilha com árvores até uma poderosa explosão que aniquila tudo em uma área. A construção de Shrines é outro aspecto bem bacana, garantindo bônus aleatórios dos mais variados.



A ênfase escolhida pelo jogador muda tanto a velocidade quanto a forma de sua progressão na aventura. Como acabei tendo que jogar o jogo desde o início por diversas vezes (logo mais você saberá o porque), percebi de que maneira as “builds” diferentes de nosso explorador propiciam ritmos diferentes de jogo, o que é um aspecto muito positivo e contribui para um sólido fator replay, desejável para um jogo relativamente curto.

Para avançar no jogo, não é possível ignorar nenhum dos quatro eixos por completo. No entanto, a progressão garante que ao final da aventura nosso explorador conte com todas as 64 habilidades — a diferença é na ordem através da qual se escolhe chegar até lá. Investir pesado na frente econômica possibilita a aquisição de mais território com mais rapidez, mas a coleta de recursos pode ficar atrasada. Da mesma forma, o investimento em Magia é necessário e desejável para se obter pontos de experiência e não ficar empacado, principalmente em níveis mais elevados.


Uma aventura engenhosa

Cada compra de terreno novo incrementa as possibilidades de exploração do jogador, e é em meio a essa expansão territorial que a inusitada inspiração em Zelda se faz presente. O mapa do mundo é gerado randomicamente a partir de templates pré-determinados de ilhas.

Ou seja, o que muda é apenas a ordem dos fatores, mas não o produto final. Por outro lado, como a sequência de apresentação muda os desafios e estratégias a se adotar, esse elemento básico de randomização já ajuda bastante no quesito replay.



Divididos em cinco biomas diferentes, que vão variando os cenários em relação à paisagem verdejante inicial. De paisagens glaciais até as profundezas do cemitério, nada escapa ao alcance de nosso herói e sua picareta. As ilhas podem trazer desafios de três tipos: puzzles a céu aberto, puzzles especiais (chamados Galáxias) e dungeons tradicionais. Além disso, alguns NPCs também dão as caras requisitando sidequests de coleta de itens.



Os puzzles a céu aberto trazem pequenos enigmas e desafios de complexidade variada, recompensando o jogador com Artefatos (equipamentos mágicos que concedem habilidades especiais) randômicos ou valiosas Orbes Espirituais, que incrementam os atributos do personagem. Bem desenhados e charmosos, esses pequenos desafios são bastante divertidos, ainda que um tanto curtos.

Já as Galáxias, variantes especiais dos puzzles, trazem desafios mais complexos escondidos dentro de torres - uma para cada bioma. Entre charadas criativas e quebra-cabeças capazes de nos fazer sentir humildes a respeito de nossas habilidades lógicas (prezada Galáxia de Fogo, tens meu ódio e ressentimento eternos), essas mini-dungeons adicionam uma camada extra de desafio e representam uma boa quebra de ritmo em meio ao caos crescente do “mundo exterior”.



Por fim, as dungeons tradicionais também se dividem por biomas, cada qual apresentando uma série de puzzles concatenados ao longo de várias salas, terminando em um combate contra um chefe. Neste ponto, a troca de ambientes procedurais pelo design manual mostra ter valido toda a pena.

O level design dessas dungeons me agradou muito, sendo legítimos desafios ao melhor estilo de Zelda clássico. Puzzles muito bem desenhados, segredos bem colocados e ambientações carismáticas me deixaram desejando que tivéssemos mais cenários do tipo para explorar no jogo. Os combates contra os chefes também são bem bacanas, embora essa frente poderia se valer de um pouco mais de variedade.




Ao longo de cada dungeon, novos equipamentos especiais são obtidos, e algo muito bacana é a forma como eles possuem usos para além do combate nas dungeons. Por exemplo, além de eletrocutar inimigos, descobri (por acaso, enquanto fuçava por aí esperando minhas fábricas trabalharem) que o Cajado de Trovão, quando apontado para uma construção, concede um boost de eficiência. O jogo tem vários detalhes escondidos desse tipo, que adicionam uma profundidade muito boa à experiência principal.


Picareta vs. Mundo

Mesmo conforme fui adquirindo novas Técnicas, expandindo as fronteiras da minha terra e conquistando dungeons a torto e a direito, o mesmo encanto inicial de Forager não deixou de me manter vidrado por horas e mais horas a fio. Parte do segredo provavelmente tem a ver com o quanto o jogo consegue adicionar camadas e mais camadas de complexidade sem sacrificar a simplicidade do convidativo estilo “pegue e jogue” que passa desde o início. 

Conforme novas construções vão sendo desbloqueadas, os recursos vão se acumulando e as nossas ferramentas vão sofrendo upgrades cada vez mais poderosos, e a empreitada solo de nosso explorador vai se tornando uma mega-indústria automatizada de proporções continentais.



Eu já acumulava mais de 8h em meu save, tendo produzido grandes complexos agrícolas e explorado três dungeons inteiras quando finalmente consegui recursos o suficiente para fabricar um Dróide. Sem saber muito bem qual seria o papel desse item no jogo, construí um imaginando se tratar de uma espécie de mini-turret automático que fosse me ajudar a manter os malditos Slimes à distância enquanto estivesse nas terras iniciais do jogo.

Foi aí que eu passei a receber a ajuda de Kud, um andróide com um adorável capuz de raposa que, surfando em um glider, começou a cuidar de todas as atividades que antes cabiam a mim: buscar os itens "craftados" nas portas das fábricas, colher os ovos das galinhas, coletar os recursos já minerados pelas brocas laser, pegar os peixes (e demais objetos) capturados nas armadilhas. Era o início da automatização, que vai crescendo de forma a transformar a experiência do jogo.

A chegada de Kud abriu o caminho para a segunda metade do jogo, em que a produção manual deu lugar a linhas de produção cada vez mais complexas. Empacado em meu ganho de XP, percebi que talvez tivesse faltado investir em habilidades de Magia, e fui descobrindo os vários buffs com os quais poderia tornar minha indústria cada vez mais eficiente.

Tendo sido liberado de minhas funções braçais pelo meu novo proletariado robótico, passei a ter o tempo de entender os aspectos do jogo que até então tinham me passado batido em meio à divertidísima mineração frenética de recursos e exploração de cavernas em busca de tesouros.

O humilde explorador solitário foi se tornando uma força destrutiva capaz de minerar ilhas inteiras em poucos segundos. A mineração toque-a-toque da picareta inicial deu lugar a uma hecatombe de gelo e fogo, robôs surfando pelo ar e fazendo chover raios laser sobre inimigos, pedreiras e árvores sem perdão ou distinção. 

Em meio a esse caos completo, os recursos vão se acumulando, e o jogador se vê livre para debruçar sobre a tela de status que mostra todas as atividades disponíveis no jogo, em busca de tentar descobrir onde fica um tesouro ainda não descoberto ou qual seria uma Façanha ainda não cumprida.



Revelando uma inesperada faceta "collect-a-thon", Forager faz compensar a ausência de uma variedade muito grande de itens para incentivar a coleta de tudo que é possível se obter no jogo. E tem muita coisa! São seis Acessórios, nove Selos, doze Artefatos, nove Ferramentas/Armas (cada qual contando com seus devidos upgrades), 64 Técnicas, 84 Façanhas, 46 Baús de Tesouro e 49 Ilhas para se descobrir e tomar posse. Em meio a isso tudo, encontram-se a divertida coletânea do Museu, onde o jogador precisa entregar coleções de itens específicos divididos por tema; além de uma ferramenta particularmente complicada de se construir.

Mesmo com poucas dicas in-game, o caráter intuitivo do jogo faz com que a descoberta dessa coletânea inteira seja algo interessante e um desafio bem equilibrado, revelando um bom aproveitamento do caráter mais focado do game, em comparação aos jogos de crafting com sistemas mais robustos e opções mais diversificadas de inventário.



Completar a tela de colecionáveis foi um elemento extra que me manteve totalmente cativado, alternando momentos de caça de itens e recursos raros com os já citados rompantes de mineração destrutiva. Ver os números dos recursos subindo na tela enquanto fazemos chover destruição pelo mapa tem um efeito viciante, e a variedade e carisma audiovisual do jogo sustentam muito bem essas sessões mais despreocupadas de expansão de nossa indústria de acordo com a nossa imaginação.


Picareta vs. Glitches

Mesmo entregando tudo o que eu esperava e muito mais, Forager acabou se revelando uma experiência “apenas” quase perfeita. Isso porque um inimigo inesperado acabou se colocando, por mais de uma vez, entre meu explorador e o sucesso: os sempre temidos glitches.

Ao longo de minha experiência inicial, ainda com a versão de lançamento 1.0.0, acabei perdendo dois jogos salvos com mais de 6h de progresso em cada um, em situações semelhantes: após morrer (para o maldito Slime, que me pegou desprevenido dentro da minha própria cidade!) logo após coletar um produto, o jogo falhou em dar o novo spawn a meu personagem e o autosave obrigatório deu conta de me garantir um jogo salvo em que tudo seguia funcionando muito bem, exceto pelo fato de que meu personagem já não mais existia!



A única forma de progredir no jogo, já na terceira tentativa, foi com o uso corrente da função de backup do PlayStation 4. Desativando o upload automático da PS Plus e me preocupando em realizar uploads de tempos em tempos (e ficando alerta ao ponto de nunca mais morrer de novo), escapei de repetir a experiência. Erros menores, como ficar preso sem saída na sala de uma dungeon e o desaparecimento de todo o texto (!) do jogo foram mais facilmente solucionados. 

O patch 1.0.2 felizmente resolveu o glitch do “permadeath surpresa”, porém não foi o suficiente para manter a experiência livre de outros problemas. Bem ao final do jogo, já com mais de 30h computadas, uma nova fatalidade: ao sair de uma dungeon, o jogo travou completamente, teletransportando meu personagem para um vácuo sem nada, zerando pontos de experiência e barra de vida e coroando o feito com um belo autosave involuntário.



Sequer consegui fechar o jogo por meios normais, e ao tentar abrir novamente, a surpresa: save corrompido. Não apenas o save principal em questão, mas todos os três slots - incluindo os dois anteriormente perdidos e que tinham sido restaurados pelo patch. Não fosse eu ter continuado a fazer meu backup manual, corria o risco de ter perdido tudo pela terceira vez.

Com essas surpresas indesejadas tendo sido os únicos pontos de (considerável) frustração em uma experiência que, no restante, não deixou de divertir e empolgar do início do fim, a única recomendação para quem se interessar por Forager é: faça um backup manual de seus saves. Afinal de contas, a frustração de se perder repetidamente um jogo salvo pode sabotar até mesmo um jogaço como esse.

Há ainda outros elementos técnicos menores a respeito do port, mas que valem o comentário. A interface apresenta ainda algumas pequenas inconveniências, a principal sendo a dificuldade de visualização da barra de equipamentos a partir de um certo número de itens do tipo no inventário. Mais frustrante que isso, no entanto, é a mira automática dos equipamentos, que não raramente dificulta administrar ações em algumas situações específicas (tentar deixar vivos os animais de criação por muito tempo é um desafio à parte), especialmente para a demolição de pontes, que por vezes se torna quase impossível.



Combinando muito bem seus aspectos bem executados de sandbox com elementos de RPG de ação retrô, Forager é um pequeno pacote repleto de charme e conteúdo. Equilibrando ideias ambiciosas com simplicidade, o jogo equilibra muito bem o uso da imaginação com a progressão pré-definida, resultando em uma experiência que empolga (e vicia!) do início ao fim. Uma forte recomendação, mesmo com o porém (sempre frustrante) relativo aos problemas técnicos.

Prós

  • Atmosfera leve e carismática embala muito bem a aventura;
  • Excelente level design das dungeons;
  • Mecânicas de crafting inventivas, fluidas e bem focadas;
  • Puzzles intrigantes e charadas divertidas mantém o ritmo variado;
  • Colecionáveis trazem um desafio bem dosado, com várias possibilidades de jogo;
  • Fator replay garantido pela implementação de randomização e pelo desenho geral da progressão da aventura.

Contras

  • Glitches ainda frequentes de save corrompido podem causar frustração e fazer o jogador perder o pique após horas de investimento;
  • Mira do cursor poderia ser melhor otimizada, em especial para a demolição de pontes e blocos de terra.
Forager — PC/PS4/Switch — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela Humble Bundle

é gamer pra todo jogo, mas tem predileção por títulos retrô e um bom e velho JRPG. Sonic, Donkey Kong Country, Ratchet & Clank, Final Fantasy e Disgaea são algumas das séries que formaram a paixão pelos games, desde que ganhou seu Mega Drive, muitos (nem tantos!) anos atrás. Além de escrever para o Nintendo Blast e Game Blast, pode ser encontrado tagarelando no Plano Crítico.

Comentários

Google
Disqus
Facebook