Discussão

Final Fantasy VII Remake (PS4) e o grande problema com sua divisão

A primeira parte da enorme narrativa de Final Fantasy VII Remake já tem data para chegar, mas o restante da narrativa é uma incerteza até mesmo para a Square.



É notável o grande foco que a Square Enix está dando para o remake de Final Fantasy VII, dedicando um grande momento na E3 deste ano e revelando a data de lançamento de sua primeira parte, no dia 3 de março de 2020. Além disso, detalharam seu sistema de combate, apresentaram o novo visual de Tifa e até soltaram uma gameplay com a luta inteira do chefe Scorpion Sentinel, que inclusive os visitantes da feira puderam experimentar. No geral, todo o trabalho da desenvolvedora estava sendo recebido positivamente pelo público, mas uma coisa não agradou muito: a divisão e a incerteza de quantos jogos serão necessários para terminar a história.

O problema

Já foi declarado pela desenvolvedora que esse será um jogo dividido em partes, e até aqui no GameBlast chutamos em torno de três partes para o título, mais ou menos como ele foi dividido no PSOne em 1997. Mas esse não é o caso, e é certo afirmar isso, pois as primeiras horas dele em Midgar serão expandidas ao ponto de ocuparem a primeira parte do remake inteiro, usando para isso dois discos em Blu-ray inclusive (o segundo título dessa geração a fazer isso).

Essa decisão da Square deixou os fãs confusos e até se perguntando se essa é uma escolha sensata: para que esticar tanto as primeiras horas do jogo original? Qual a real necessidade de dividir o jogo em partes? Como a desenvolvedora não sabe quantas partes vão ser? Esses são apenas alguns questionamentos que a comunidade fez nessas últimas semanas, que normalmente levam a uma resposta: ganância. Mas deixo outro questionamento: será que é simplesmente isso mesmo? Vamos tentar responder essa pergunta aqui hoje, e verificar qual caminho a Square está seguindo.


Mais um Remake?

Olhando o histórico da Square Enix quanto a Remake, notamos que ela possui alguns em seu catálogo, até mesmo na franquia Final Fantasy, como é o caso do III, que recebeu uma reformulação para o Nintendo DS em 2006, com novos gráficos, som, enredo e mecânicas. Os personagens agora possuíam nomes e uma história de fundo, e era possível até usar o wifi do console para encaminhar e-mails para os seus colegas, usando um Moogle no jogo. Alguns anos depois, ele foi lançado para o PSP e sistemas mobile no mundo todo.

Claro, Final Fantasy III não tem o peso do capítulo VII em questão de relevância, ou mesmo conteúdo narrativo, mas é ainda um ótimo exemplo do que a Square consegue fazer em um Remake. Modernizar um clássico não está além das capacidades da desenvolvedora, com certeza.


Até onde vai Final Fantasy VII?

Essa pergunta pode ser estranha, já que esse é um dos RPGs mais aclamados dos últimos tempos e, para quem gosta do gênero,  se torna um título obrigatório. Mas nem todos conhecem sua dimensão narrativa, com tudo presente na Compilation of Final Fantasy VII, que inclui:
  • Before Crisis: Final Fantasy VII (Mobile) - Esse talvez seja o game mais desconhecido de toda a compilação. Lançado para os celulares japoneses em 2004, esse RPG de ação conta uma história que se passa seis anos antes do game original. Os personagens da organização Turks são o foco, em que seus membros, trabalhando para a Shinra, lutam contra seus chefes corruptos e os terroristas da AVALANCHE.
  • Dirge of Cerberus: Final Fantasy VII (PS2) - Esse é o game que mais foge de um RPG, focando sua jogabilidade em um Shooter em terceira pessoa. Lançado em 2006, ele conta uma narrativa focada em Vincent, três anos depois dos acontecimentos do jogo original. Após virar alvo de uma organização criminosa, nosso protagonista vai tentar detê-los, antes que consigam enfraquecer a criatura Omega, para destruir o planeta;
  • Crisis Core: Final Fantasy VII (PSP) - Esse é mais conhecido entre os fãs, lançado exclusivamente para o PSP em 2007. O game se passa em um período não muito longe do início do título original, e se foca no SOLDIER Zack, e nas relações dele com seu mentor, Angeal, seu melhor amigo Cloud e seu romance com Aerith, preenchendo assim várias pontas passadas. Esse ainda é um RPG, mas com várias liberdades interessantes nas batalhas, mesclando ação com os efeitos das Matérias.
  • Final Fantasy VII: Advent Children - Esse é um filme em CG que conta uma história dois anos depois dos acontecimentos do game original. Midgar e a corporação Shinra estão falidos e devastados, com muitas pessoas sofrendo de pobreza e com uma doença sem cura chamada Geostigma. Cloud se vê forçado a largar seu estilo recluso e vai em busca de ajudar seus amigos contra os novos “filhos” de Jenova.
  • Last Order: Final Fantasy VII - Para detalhar mais como se deu a destruição da cidade de Nibelheim, a Square lança, junto do Blu-ray de Advent Children, uma animação com foco em Cloud, Zack, Sephiroth e Tifa, nesse evento tão importante.
  • On a Way to Smile - Esse é o nome dado aos contos que precedem o filme, acontecendo entre os dois anos depois do original. Eles foram escritos por Kazushige Nojima e em 2009 saiu uma edição com todos eles;
  • Fantasy VII Lateral Biography: Turks ~The Kids Are Alright~ - Por fim, esse é um romance escrito pelo Nojima, contando alguns eventos que ocorreram um pouco antes do filme.
Todos esses jogos, animações e livros completam o que foi apresentado no próprio Final Fantasy VII, que por si só já possui um enorme enredo para conhecermos. E mesmo com tanto conteúdo e história, existem muitas coisas que não conhecemos muito bem, como o grupo AVALANCHE, por exemplo, cujo os integrantes têm um papel muito pequeno no início do game, o que é uma pena.


Ganância? Não

Final Fantasy VII tem um peso enorme na indústria, influenciando gerações de jogadores e produtores. Lançar o jogo em partes é um sacrifício pequeno para manter seu legado vivo.. Explorar novas narrativas, novos ambientes, novos sistemas, modernizando um clássico; para isso ela não usa a ganância e sim atenção, como disse o presidente da Square Enix, Yosuke Matsuda, em uma entrevista à Gameinformer:
“Os remakes são mais difíceis [de se fazer], mais desafiadores do que vocês podem imaginar. Apenas pela natureza de ser um remake, isso significa que existe um original e acredito que você precise ser capaz de superar o original. Não basta apenas você fazer reimpressões do antigo, porque você também quer conquistar novos fãs que possam gostar dele. Existem os fãs antigos que conhecem o jogo antigo e, ao mesmo tempo, você quer que novas pessoas gostem dele. Acho que você realmente precisa alcançar todas essas coisas e é por isso que digo que é bastante desafiador.”
Então não se preocupem, a Square sabe o que está fazendo, e ela vai fazer valer o tempo que esperamos e o preço que pagaremos em cada uma das partes desse game. Já que espremer todo o conteúdo que eles querem usar, ou mesmo realizar cortes, para caber tudo em um jogo, não é uma opção, os próximos anos serão recheados de Final Fantasy VII Remake. E esse redator não poderia estar mais satisfeito.



Revisão: Francisco Camilo

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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