Contra: a história e a evolução da franquia

Vamos conferir a evolução dessa clássica série e seus tiroteios emocionantes.


Um dos gêneros mais clássicos dos videogames é o shoot-’em-up. Presente desde as primeiras gerações de consoles e arcades, ele tem sempre a mesma premissa básica: atirar e destruir todos os inimigos pelo caminho. E alguns dos melhores exemplos desse segmento são os títulos da franquia Contra.

A série Contra é de propriedade da Konami, embora tenha sido produzida por várias empresas diferentes ao longo dos anos. Começando no NES e chegando até os consoles da atual geração, a franquia é conhecida pela ação intensa, exigindo habilidade nos movimentos e precisão nos tiros. Nesta matéria especial, vamos contar um pouco sobre a história e a evolução dessa série.

O começo de tudo

A nossa história começa em 1987, com o lançamento do primeiro título da franquia para os fliperamas. Chamado simplesmente de Contra (Multi), seu enredo é bastante simples: em um distante futuro (2633 D.C.), a organização maligna Red Falcon construiu uma base perto da Nova Zelândia para realizar seus planos de acabar com a humanidade. O jogador assume o papel da unidade Earth Marine Corp's Contra, enviada para derrotar os vilões utilizando um arsenal de armas diferentes.
Capa do primeiro título da série para o NES
O primeiro Contra trouxe as principais mecânicas e conceitos que se tornaram marcas registradas dos seus sucessores. Dentre elas, podemos citar a presença de power-ups, a grande quantidade de inimigos, que no fim das contas revelaram-se alienígenas disfarçados, e a possibilidade de até dois jogadores poderem se aventurar no game. Esse recurso, na época considerado uma novidade, diminuía um pouco o seu elevado nível de dificuldade, também um elemento recorrente.

Contra teve sucesso com o público, sendo adaptado para diversos consoles diferentes. Em 1988 o game chegou para o NES, também recebendo versões para computadores PC com DOS, ZX, C64, entre outros. Vale aqui ressaltar que o jogo sofreu várias modificações de acordo com a região em que foi lançado.

A mais notável delas é o seu nome, que se tornou Gryzor nos arcades europeus e Probotector na versão de NES para pontos da Europa e Ásia (região PAL). E essas variações de um mesmo título foram comuns no começo da franquia. Especula-se que as mudanças de nome, assim como outros elementos, deveu-se ao game ter alguns pontos retirados do polêmico caso Irã-Contras, que envolveu os governos americano e iraniano.
Mudanças incluíram a troca de seres humanos (Japão e EUA) para robôs (região PAL)
A continuação do primeiro título chegou nos arcades em 1988 com o nome de Super Contra (Multi). Chamado simplesmente de Super C na versão americana para NES, o game também chegou para PCs e o dispositivo Amiga. A história é uma continuação do jogo anterior, onde as forças alienígenas derrotadas agora tomaram uma base aliada e controlaram seus soldados. Logo, neste título o jogador deve enfrentar tanto aliens quanto humanos.

Praticamente todas as mecânicas foram mantidas: até dois jogadores podem participar, cada um começando com uma arma simples com munição infinita. Até quatro tipos de armas mais poderosas podem ser encontradas durante as fases, assim como outros itens e power-ups. Tal qual como no título anterior, Super C teve seu nome alterado na região PAL para Probotector II: Return of the Evil Forces.

Operation C chegou em 1991 como um exclusivo para o Game Boy. Esse nome, utilizado na América do Norte, mudou para Contra no Japão e para Probotector na região PAL. Novamente a jogabilidade com progressão lateral e utilização de armas para derrotar os inimigos retorna. O game foi muito bem recebido, pois conseguiu adaptar com qualidade as mecânicas da série no portátil da Nintendo.

Aumentando o poder de fogo

Em 1992 chegou Contra III: The Alien Wars (Multi), com versões para SNES, GB e GBA. Juntamente com o avanço técnico que os novos consoles trouxeram, esse título trouxe novidades como gráficos mais caprichados, cenários com elementos interativos como paredes destrutíveis e o uso de veículos. A história consiste em uma invasão global do planeta pelos alienígenas derrotados nos títulos anteriores.

O game fez uso da função Mode 7, também utilizada em jogos como Super Mario Kart e The Legend of Zelda: A Link to the Past. Com esse recurso, chefes mais complexos e fases com top-view puderam incrementar ainda mais o jogo. O game possuía três níveis de dificuldade, o que ajudou a torná-lo mais acessível para mais jogadores.

No mesmo ano, o NES recebeu seu último título da série. Chamado de Contra Force (NES), o game foi o primeiro a oferecer uma seleção de personagens, cada um com características e armas diferentes. Ao contrário de seus predecessores, o game não seguiu uma história com alienígenas, focando agora no combate a terroristas. Isso se deve ao fato dele ser uma versão de um título japonês cancelado, inicialmente não relacionado com a franquia.

Primeiro título para um console da Sega, Contra: Hard Corps (MD) chegou para Mega Drive em 1994 como uma continuação direta de The Alien Wars. A história consiste em uma equipe de quatro agentes de elite que deve impedir um grupo terrorista que obteve um fragmento alienígena do jogo anterior. Também lançado como Probotector na Europa e Austrália, Hard Corps foi o primeiro da franquia a oferecer finais alternativos.

Revitalizando a franquia

A série teve a sua primeira entrada no mundo dos gráficos tridimensionais com Contra: Legacy of War (PS/SS). Lançado em 1996 para PlayStation e Sega Saturn, o game teve uma recepção aceitável visto a drástica mudança. Os gráficos foram elogiados, assim como as mecânicas básicas dos jogos da franquia, como os vários tipos de armas, power-ups e combates. Por outro lado, os elementos de plataforma e o exagerado nível de dificuldade foram considerados pontos negativos.

Se a primeira tentativa de uma adaptação da série para o universo 3D foi apenas OK, a sua continuação infelizmente não teve nem essa sorte. C: The Contra Adventure (PS) foi lançado exclusivamente para o primeiro console da Sony em 1998. Apesar de trazer várias mecânicas de jogo diferentes como sidescrolling 2D, visão superior e fases em 3D, todas foram mal implementadas.

Tentando deixar para trás o fracasso de seu predecessor, Contra: Shattered Soldier (PS2) chegou para o PlayStation 2 em 2002 utilizando gráficos em três dimensões, mas com uma progressão em 2D. Ou seja, o título buscou unir dois mundos, mesclando as mecânicas clássicas da série com uma produção gráfica mais caprichada. Até hoje o game é um dos mais bem avaliados.

Neo Contra (PS2), apesar de ser uma continuação do título anterior, trouxe um foco na perspectiva isométrica. O jogador podia se deslocar por cenários tridimensionais utilizando uma câmera fixa, onde o principal objetivo era enfrentar inimigos sem grandes desafios na movimentação. O game de 2004 teve uma recepção mista, novamente por fugir das raízes da franquia.

Em comemoração aos 20 anos de aniversário da série, Contra 4 (DS) foi lançado em 2007 trazendo todas as mecânicas clássicas e várias boas novidades. Continuação direta dos clássicos para o NES e SNES, a progressão em duas dimensões e o alto nível de dificuldade retornaram em toda a sua glória. Apesar de não utilizar todos os recursos do Nintendo DS, o jogo alcançou um bom sucesso.
As duas telas do DS permitiram várias mecânicas interessantes em Contra 4
Com a mesma ideia de seguir fortemente a influência dos primeiros títulos da franquia, Contra ReBirth (Wii) foi lançado exclusivamente de forma digital para o Nintendo Wii em 2009. No game o líder de um grupo terrorista do futuro volta no tempo para dominar o mundo, sendo dever do esquadrão Contra impedi-lo. Apesar de curto, o título reuniu todos os bons predicados da série e foi bem recebido.

Contra na atualidade

Nos últimos anos a série Contra teve poucos lançamentos significativos. Alguns títulos foram lançados para dispositivos móveis como Contra: The War of the Worlds, Contra: Evolution e Contra Return. Máquinas do tipo caça-níqueis também receberam “jogos” da franquia, como Contra 3D e Neo Contra.

O jogo inédito mais recente para consoles é Hard Corps: Uprising (PS3/X360), que se passa antes de Contra: Hard Corps. Com visual mais cartunesco, ele trouxe dois modos principais: um com a presença de uma barra de vida e a possibilidade de adquirir power-ups, e o outro mais próximo da experiência tradicional. Como sempre, os desafios apresentados tinham nível de dificuldade acentuado.

Em junho de 2019 foi lançado Contra Anniversary Collection (Multi). Embora tenha recebido algumas críticas por trazer o mesmo jogo em suas versões regionais (e assim relativamente semelhantes), o título é uma ótima coletânea. Vários games clássicos foram muito bem portados, permitindo que antigos fãs e novos jogadores possam experimentar a série Contra nos novos consoles.
Anniversary Collection trouxe vários clássicos da série Contra
Para terminar, o mais novo título da franquia é Contra: Rogue Corps (Multi), que será lançado em setembro de 2019. Como foi possível conferir em vários vídeos, alguns deles divulgados durante a E3 2019, o game será tridimensional e terá foco no combate armado. A temática é diferente das anteriores, tendo uma pegada mais forte na ficção científica.

Infelizmente, o game parece divergir das mecânicas que tiveram mais sucesso na franquia. E como foi possível perceber ao longo do texto, ela teve vários altos e baixos justamente por não saber lidar com a sua fórmula clássica. Os fãs até hoje esperam por algum título digno dos primeiros sucessos que a série teve.

Mas se a Konami não consegue acertar a mão, os jogadores ainda podem curtir títulos no melhor estilo Contra graças a outras produtoras que se inspiram no clássico. O game Blazing Chrome (Multi) é um recente e ótimo exemplo: consistindo em uma mistura da franquia com elementos de outra série famosa, Metal Slug, o game é divertido e desafiador na medida certa. As fases e inimigos são variados e bem construídos, os gráficos e mecânicas incríveis, e a jogabilidade muito boa.
Blazing Chrome fez um ótimo uso de vários elementos dos jogos Contra

Um shoot-’em-up que atravessou gerações

A série Contra é um clássico presente desde as primeiras máquinas de jogos eletrônicos. Suas mecânicas básicas consistem em atirar em todos os inimigos, normalmente alienígenas, e coletar itens e melhorias. Os títulos também têm como marcas registradas os altos níveis de dificuldade e o suporte a dois jogadores.

Apesar dos altos e baixos ao longo da sua história, a franquia é obrigatória para os fãs do gênero shoot-’em-up. Agora é esperar que o novo game, Contra: Rogue Corps, faça jus à tradição e consiga trazer grandes emoções e diversão para os todos os públicos.
Contra é sempre sinônimo de aventura e ação no mundo dos games
E você, leitor? Já jogou algum título da série Contra? Deixe o seu comentário.

Revisão: Raphael Barbosa

é redator do site GameBlast desde maio de 2018 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: Kingdom Hearts, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, COD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.

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