Top 10

PlayStation Vita: dez pérolas esquecidas do console

Mesmo com o anúncio da Sony neste ano de que encerrará a produção do aparelho e do particular desinteresse da empresa em promovê-lo, é inquestionável que se trata de um console completo e que ainda diverte muitos de seus possuidores.


Este ano o PlayStation Vita completará seu 8° aniversário e, mesmo diante de um lançamento conturbado por ausência de jogos, repleto de polêmicas (alguém realmente adorou a ideia dos cartões de memória proprietários?) e de uma repaginada em versão slim, muitos fãs e entusiastas dedicaram muito tempo (e dinheiro) no pequeno notável.


E para celebrar todo o potencial de diversão que ele possui, elaboramos uma lista com 10 jogos, de grandes desenvolvedoras às indies, que simplesmente foram ignorados pelo público (seja quando do lançamento, seja em decorrência do tempo) mas que valem a experiência.

1. Unit 13 



O jogo de ação em 3ª pessoa desenvolvido pela Zipper Interactive possui uma premissa básica: cumpra as missões que lhes sejam dadas. Embora a temática “soldados VS terroristas” tenha se tornado um clichê ao longo do tempo, as mais de 40 missões presentes no jogo são divertidas e variam entre o bom e velho tiroteio típico até concluir um objetivo em tempo pré-determinado, passando também por missões stealth. Tudo fica ainda melhor em modo cooperativo, já que as funções online ainda estão em funcionamento.

Com bons gráficos, controles com boa resposta (embora a função touch se limite à navegação pelos menus e lançamento de granadas in game) e AI desafiante, Unit 13 conta ainda com tradução e dublagem em português brasileiro.

2. PlayStation All-Stars Battle Royale


O jogo de luta desenvolvido pela SuperBot Entertainment em conjunto com SCE Santa Monica Studio reúne 24 lutadores (2 dos quais disponíveis somente mediante DLC), que variam desde personagens de jogos exclusivos dos consoles Sony como Kratos, Nariko, Nathan Drake e Kat, passando por personagens de jogos multiplataforma, como Dante, Raiden, Big Daddy, Isaac e Heihachi. Cada personagem possui golpes, armas, movimentos, golpes especiais, história e customização próprios.

Os modos de jogo atualmente disponíveis se limitam ao single player e multiplayer mediante conexão local, mas a quantidade de personagens amados (e odiados) oriundos dos jogos que foram lançados para os consoles da Sony, acrescida de tradução e dublagem em português brasileiro, faz desse título um prato cheio para os fãs de lutas despretensiosas e mesmo dos jogos de onde os lutadores surgiram. O enredo fraco é o aspecto negativo do jogo mas é facilmente ignorado pela diversão que proporciona. 

3. Asphalt: Injection



Desenvolvido pela Gameloft sob licença da Ubisoft, Asphalt: Injection oferece ao jogador mais de 45 veículos licenciados de montadoras famosas, que disputarão seu espaço nas 15 pistas disponíveis. Embora a quantidade de veículos disponíveis, a diferença na jogabilidade entre eles é mínima, senão na velocidade e potência dos esportivos em relação aos demais.

Os controles dão a sensação de serem “duros” se comparados aos dos jogos de corrida contemporâneos, no entanto, se mostram suficientes ao estilo arcade proposto pelo jogo, o que pode ser um fator interessante para aqueles que se sintam inundados (e sufocados) por títulos realistas como Gran Turismo e Forza Motorsport. O jogo faz uso do sensor de movimento do portátil, logo, pode chamar a atenção de alguns jogadores que buscam um pouco mais de realismo. O jogo ainda possui suporte online e comporta corridas com até 8 jogadores.

4. Soul Sacrifice







O Action RPG Soul Sacrifice, criado por Keiji Inafune, desenvolvido pela Marvelous AQL em associação com a SCE Japan Studio, se baseia na premissa de que todo ganho demanda sacrifícios (literalmente, no caso). O protagonista é um mero mortal encarcerado pelo poderoso Magusar, que se utiliza de vítimas humanas para consumir suas almas, concedendo-lhe o dom da imortalidade. Quando o prisioneiro encontra Lebrom, um livro amaldiçoado que lhe dá instruções (além de observar, falar e eventualmente praguejar) sobre como se tornar um feiticeiro e, com as novas habilidades, se libertar do julgo de Magusar.

O enredo se baseia na premissa de “escolhas e sacrifícios”, que levará o jogador a optar pelo sacrifício de inocentes e até mesmo de si para obter maior poder — ou em seguir por um caminho de “retidão”, que refletirá diretamente no desenvolvimento do jogo. Com gráficos à altura da capacidade do portátil, dublagem em inglês, legendas em português brasileiro e multiplayer cooperativo, Soul Sacrifice é um título recomendado não apenas aos fãs do gênero, como também àqueles que procuram bons títulos para o Vita.

5. Need for Speed: Most Wanted (2012)






A franquia Need for Speed não deixaria de marcar sua presença no portátil da Sony, trazendo todos os elementos existentes nas versões lançadas para PC e consoles de mesa, inclusive seus mais de trinta veículos licenciados, que variam de hatchs a esportivos — além de uma caminhonete.

A despeito de sofrer com a redução no número de veículos “civis” e de viaturas durante perseguições (dada a menor capacidad de processamento do console), toda a adrenalina do jogo original foi transmitida para sua versão portátil. Belos gráficos, ótima jogabilidade e uma trilha sonora que mantém o ritmo eletrizante das partidas garantem a diversão daqueles que preferem um pouco mais de realismo em jogos de corrida mas sem abrir mão da pegada arcade presente na franquia.

6. Hotline Miami






Desenvolvido pela Dennaton Games, este Shoot 'em up com a base de one hit, one kill se tornou um dos indies mais aclamados pelo público. A temática violenta e aparentemente sem propósito se alinha a um enredo que pouco entrega no início, forçando o jogador a concluí-lo para compreender as motivações em torno dos personagens. Acrescente uma boa dose de trilha sonora psicodélica que coaduna com a temática e empolga a jogatina durante todos os cenários. O nível de dificuldade em Hotline Miami é acompanhado pela grande variedade de armas e uma imensa abertura para a elaboração de diferentes estratégias a serem empregadas pelo jogador para avançar todas as 22 fases do jogo.

A despeito dos controles se tornarem difíceis em alguns momentos no uso da função touch, dada a limitação de botões do PS Vita em comparação às versões para PC e consoles de mesa, não será algo que interferirá na experiência como um todo. O estilo retrô, por sua vez, apenas incrementa a beleza da obra, sendo recomendado mesmo àqueles que nunca jogaram algo do gênero.

7. Tearaway



Se há um jogo que utiliza exatamente todos os recursos do PS Vita (ênfase em “todos”), esse é Tearaway. O mundo construído em papel da Media Molecule utiliza do acelerômetro ao microfone de formas tão inteligentes e criativas que fez este marmanjo de 32 anos abrir sorrisos de satisfação enquanto explorava o jogo. Não apenas os gráficos são exuberantes como a jogabilidade flui suavemente, exigindo toda a criatividade do jogador para a solução dos problemas propostos — excluída a barreira linguística, já que ele possui legendas em português brasileiro.

Tanto a trilha quanto os efeitos sonoros incrementam a beleza do conjunto com o propósito simples e direto de Tearaway: contar histórias — e essa é uma daquelas que não se pode deixar de presenciar e (literalmente) participar. O único aspecto negativo está no curto tempo de duração que, por ser tão magistral, apenas deixa um profundo sentimento de saudade, além da certeza sobre o real potencial do PS Vita para jogos inesquecíveis quando há estúdios comprometidos a extrair o seu melhor.

8. Fifa 14



Desenvolvido pela EA Sports, Fifa 14, pertence ao famigerado sistema “Legacy”, onde versões anteriores (Fifa 13, Fifa 12 etc) recebem uma repaginada nos clubes, correção de bugs e eventualmente alguma melhoria na jogabilidade, nada trazendo de revolucionário ou inovador. Embora o último jogo da franquia lançado para o PS Vita seja Fifa 15, optei pela versão anterior por uma razão que interessa muito aos fãs brasileiros de futebol: a presença de alguns clubes nacionais em nosso próprio Campeonato Brasileiro, além de ser o último jogo da franquia compatível com o PlayStation TV.

A trilha sonora é empolgante e a jogabilidade funciona de forma adequada à proposta básica do jogo, contudo, alguns bugs nas colisões entre jogadores (corrigidos na versão seguinte) podem variar entre o cômico e o irritante. A ausência de partidas multiplayer local, por sua vez, é algo que torna o jogo forçosamente singleplayer (algo inadmissível para jogos deste gênero), em vista dos servidores da EA para o jogo estarem desabilitados. A despeito dos aspectos negativos, Fifa 14 é a versão mais interessante para o PS Vita.

9. Killzone: Mercenary





Após o lançamento do mediano Resistance: Burning Skies e do catastrófico Call of Duty: Black Ops: Declassified, os proprietários do PS Vita são redimidos com Killzone: Mercenary, desenvolvido pela Guerrilla Games. O jogo mantém o tradicional fundo sobre a guerra contra os Helghast, no entanto, ao colocar o jogador no papel de um mercenário, a guerra é vista sob a perspectiva daqueles que combatem o inimigo mas esperam uma boa recompensa em razão disso, sendo essa a premissa em torno das nove missões.

Os controles respondem bem aos comandos e, a despeito dos botões de ação reduzidos do portátil ante a ausência dos gatilhos L2/R2 e L3/R3, a Guerrilla fez um ótimo trabalho de adaptação com a função touch, sendo improvável que um jogador, ainda que eventual de jogos do gênero, não se adapte logo na primeira missão. Por sua vez, os gráficos são um espetáculo à parte (com eventuais quedas de quadros, embora não prejudiquem a experiência), demonstrando que o PS Vita chega ao máximo sua capacidade de processamento.
 
O modo multiplayer para até 8 jogadores estende a vida útil do jogo e, contrariando o próprio título, não exige a aquisição de qualquer online pass para que seja utilizado. Com tradução e dublagens em português brasileiro (a voz do vendedor de armas e equipamentos é marcante e ainda ressoa em meus ouvidos), Killzone: Mercenary é o FPS definitivo para os amantes do gênero no portátil da Sony.

10. Gravity Rush






Desenvolvido pela Project Siren, Gravity Rush coloca o jogador no controle de Kat, que descobre possuir a habilidade de manipular a gravidade, o qual utiliza para enfrentar “nevis”, criaturas de outro plano que atacaram sua cidade natal e ainda descobrir os mistérios que os cercam. O enredo parece superficial mas a curiosidade alimentada sobre os tais monstros e as reviravoltas na história fazem deste Adventure um jogo que vale a pena experimentar.

Os gráficos e a arte como um todo são muito bonitos, enquanto a trilha e os efeitos sonoros agradáveis contribuem ainda mais para a ambientação. A mecânica de controlar a gravidade é interessante até mesmo durante os combates, no entanto, muda de figura contra os chefes que, diferentes de seus asseclas que possuem tamanhos equivalentes aos da protagonista, são colossais. E nesses momentos, o ideal posicionamento da câmera se mostra um desafio às vezes maior do que os próprios adversários, tornando a jogabilidade um tanto confusa. O uso do giroscópio, no entanto, pode resultar em melhor desempenho e serve como ponto de equilíbrio, sendo uma das melhores formas em se explorar o recurso.

Considerações finais

Longe em ser um “top 10” ou definir padrões — mesmo alguns dos indicados não foram bem recepcionados pela crítica —, o redator tem apenas o prazer em recomendar jogos ignorados pelo público que ainda possuem algo a oferecer no quesito diversão para o PS Vita. O propósito, num todo, é tão somente apresentar um referencial, caso esteja em dúvida onde explorar novos mundos e possibilidades.

Revisão: Francisco Camilo.


Mineiro, apaixonado por livros, música, filmes, discussões, Magic: The Gathering e, claro, jogos eletrônicos.

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