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Análise: Phoenix Wright Ace Attorney Trilogy (Multi) é a mistura perfeita entre comédia e seriedade

A coletânea definitiva da trilogia de jogos do advogado mais icônico dos videogames apresenta uma ótima narrativa.

Na vida real ser um bom advogado de defesa é algo que demanda anos de estudo e dedicação, porém engana-se quem acha que é necessário devorar livros de direito para se interessar por Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy. A inusitada franquia de Light Novels da Capcom é a prova viva de que defender um suspeito de assassinato no tribunal pode ser muito mais divertido e engraçado do que assistir uma comédia nos cinemas.


Os três primeiros jogos da série fizeram um enorme sucesso nos portáteis da Nintendo e agora finalmente ganharam a chance de alcançar um novo público com o relançamento em forma de trilogia, disponível para todas as plataformas de videogame da atual geração. Portanto, apresente as suas evidências e chame as testemunhas, pois hoje o supremo tribunal do GameBlast vai julgar se Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy vale ou não a pena.

Remasterizando a justiça

Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy é uma remasterização completa em HD da trilogia original da franquia de Light Novels da Capcom. Mais especificamente, a coletânea inclui os jogos Phoenix Wright: Ace Attorney (2001), Phoenix Wright: Ace Attorney - Justice For All (2002) e Phoenix Wright: Ace Attorney - Trials and Tribulations (2004) em seu pacote.

A principal novidade da coletânea é a substituição dos sprites de baixa resolução dos jogos originais por ilustrações em alta definição que, mesmo com menos frames de animação para trabalhar, ainda conseguem transmitir com fluidez as expressões caricatas de cada personagem.

Os três jogos são compostos de 4 ou 5 capítulos no geral. Cada capítulo cobre os eventos de um caso específico que na maioria das vezes precisa ser resolvido em 3 dias. Em cada dia, o protagonista participa das duas partes centrais da jogabilidade do jogo: a Investigação e o Julgamento.

Durante a fase de investigação, o objetivo do jogador é descobrir o máximo de informações possíveis sobre o caso. Para cumprir essa tarefa, é necessário se locomover entre as áreas de investigação disponíveis para encontrar as testemunhas e procurar por evidências ou pistas. Com um simples toque no menu de ações, Phoenix pode analisar o cenário, abordar quem estiver presente com perguntas ou apresentar algum tipo de evidência para essa pessoa.

Goste ou não, o “bicho” só pega mesmo na hora do julgamento. É dentro do tribunal que as suas evidências e argumentos vão se mostrar relevantes ou não para a solução do caso. Depois de ouvir o depoimento das testemunhas, o jogador precisa realizar a “Cross-Examination”, um puzzle onde é necessário questionar cuidadosamente as contradições ou apresentar evidências que refutam o depoimento.

O início de uma lenda

A trama central da trilogia acompanha a história do protagonista Phoenix Wright, um advogado de defesa recém-formado que almeja crescer na profissão. Para defender os seus clientes de uma falsa acusação, o novato inexperiente precisa investigar assassinatos, encontrar evidências relevantes, apontar as contradições das testemunhas e contra-argumentar os procuradores, que na maioria das vezes são bem sujos e injustos com o réu.

Durante a jornada, Phoenix vai encontrar uma variedade enorme de personagens excêntricos e carismáticos que conseguem cativar, divertir e emocionar o jogador. Além disso, todos os personagens são explorados com muito carinho e cuidado até a conclusão dos seus respectivos arcos de desenvolvimento.

Sendo assim, não é exagero dizer que a melhor qualidade da série Phoenix Wright são os seus personagens. No entanto, a história principal também não fica muito para trás. Suspense, comédia, bizarrices, melancolia, reviravoltas e tensão. Os tribunais do jogo proporcionam uma "mistureba" de emoções digna de uma novela mexicana, no “bom sentido” da palavra.

É simplesmente assustador como a história consegue se manter cativante por tanto tempo. Os diálogos são afiados, as reviravoltas são surpreendentes, o clima é tenso, mas descontraído sem perder a naturalidade. Realmente parece que tudo pode acontecer dentro daquele tribunal. Até o próprio juiz está disposto a participar da “galhofa” se for necessário.

Apesar de ser uma grande paródia na maioria das vezes, a história ainda arranja tempo para abordar temas sérios com toda a seriedade e aprofundamento necessário. Os personagens simplesmente são tão carismáticos que fica difícil não se conectar emocionalmente de alguma forma com eles. Aliás, não sentir simpatia por “certos” procuradores trapaceiros é uma tarefa praticamente impossível.

O som do crime

Além da narrativa, o acervo de músicas de Ace Attorney Trilogy também é digno de um prêmio. É assustador pensar em como a maioria das OSTs do jogo conseguem combinar perfeitamente com cada situação, mas o destaque mesmo fica para as faixas que tocam durante os julgamentos e elevam a tensão das reviravoltas à escalas estratosféricas.

Como se isso não bastasse, os efeitos sonoros são ainda melhores do que as músicas. Pode atirar a primeira pedra quem nunca escutou um “OBJECTION!” ou “TAKE THIS!” enquanto navegava pela internet. Porém, não é apenas esses bordões que merecem elogios. Todos os sons do jogo são extremamente icônicos, carismáticos e imersivos. Desde o som de uma batida de mão, até o efeito sonoro épico utilizado quando uma reviravolta acontece.

Porém, entre tantas qualidades, Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy também comete alguns erros fatais. Começando com a ausência de uma tradução para a língua portuguesa. Fale o que quiser, mas essa falta de acessibilidade dentro de um jogo focado em diálogos destrói completamente a experiência de alguém que não domina o inglês. Aliás, por se tratar de um jogo sobre advogados, o título ainda exige um conhecimento bem maior do vocabulário de inglês para se dar bem nos julgamentos.

Falando em julgamentos, é extremamente irritante perder “pontos de vida” durante as Cross-Examinations nas vezes em que a sua resposta claramente refuta o argumento da testemunha, mas, mesmo assim, ela ainda é desconsiderada porque a solução do puzzle é extremamente específica. Para solucionar esse problema, o juiz poderia simplesmente apontar o seu erro, porém, muitas vezes, o jogador não chega nem a saber o motivo da desconsideração.

O ritmo da narrativa também oscila bastante entre momentos frenéticos e investigações lerdas. Se você não descobriu exatamente o que é preciso fazer para avançar nessas partes, é capaz que a sua motivação para saber o resto da história diminua bastante, dependendo do tempo que essa investigação te fez ficar preso.

OBJECTION!

Vossa Excelência, essas supostas “provas” não contradizem o fato de que Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy já comprovou a sua inocência. Uma narrativa intrigante, uma qualidade sonora impecável e uma gama incrível de personagens carismáticos já são evidências o suficiente para provar a inocência do réu!

Excelente colocação, senhor Phoenix Wright. Não há motivo para mais enrolações neste tribunal. Todas as provas já foram apresentadas e as testemunhas já foram ouvidas. O caso está oficialmente fechado. O Supremo Tribunal do GameBlast declara que Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy é um jogo magnífico!

Prós

  • Personagens extremamente carismáticos;
  • Trilha sonora e efeitos sonoros;
  • A trama consegue dosar na medida perfeita os momentos de comédia e seriedade;
  • Narrativa intrigante;
  • Gráficos atualizados que não perdem o charme dos sprites originais.

Contras

  • Sem tradução para português;
  • Certas Cross-Examinations são extremamente específicas;
  • Ritmo da narrativa desacelera as vezes.

Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy - PC/PS4/XBO/3DS/Switch - Nota: 9.0

Versão utilizada para análise: PC 
Revisão:Flávio Augusto Priori

Análise produzida com cópia digital cedida pela Capcom

Estudante de jornalismo que não vê a hora de achar um estágio. Apaixonado por videogames e esperando o fim de Hunter x Hunter e Berserk desde que me entendo por gente.

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