Crônica

Jogos que zerei na era 16 bits

A era 16 bits foi extremamente importante para consolidar os videogames como um grande nicho de mercado, nela surgiram grandes jogos, alguns logrei êxito em finalizá-los.


Quando chegou a década de 1990 eu mal esperava para conhecer os consoles da 4ª geração. Era muito entusiasmado com o poderio do Master System, mas estava ansioso para conhecer o que o novo console da Sega tinha a oferecer.


Finalmente ganhei meu Mega Drive, um modelo japonês vindo direto do Paraguai com um jogo que havia me apaixonado desde a primeira vez que o vi na Shop Game, locadora que frequentei desde criança, o NHL Hockey. Porém o jogo de Hockey não foi o primeiro a ser zerado por mim, usava mais para competir com meu irmão e amigos. Um dos primeiros que lembro em ter zerado foi o Altered Beast.


Não tive muito trabalho com esse jogo, ele era um pouco mais difícil que o do Master System. Mas o que facilitou minha vida foi descobrir os continues eternos que o jogo oferecia apertando B + Start, com esse macete foi muito fácil resgatar mais uma vez Athena das mãos do nefasto Neff, desta vez com gráficos e sons melhores.

Pancadaria nas ruas de Streets of Rage


Um dos jogos mais procurados na era dos 16 bits era o clássico da pancadaria Streets of Rage. Não era um jogo difícil, mas, mesmo assim, ele deu um certo trabalho para zerar e, após muitos game over decorando e estudando um modo de vencer os adversários, finalmente consegui vencer.


Essa tarefa consegui junto como meu companheiro de batalhas, Zequinha. Fomos cedo à Start Games e tiramos o final de semana inteiro para zerar esse jogo. Até chegar na fase do elevador e invadir o quartel general do chefe do sindicato do Crime. A pior parte foi enfrentar as gêmeas do mal da Blaze, sempre levávamos uma surra e acabávamos sem força suficiente para chegar ao final.

Mas com horas de prática descobri um jeito. Como sempre joguei com a Blaze tornou-se até fácil depois da descoberta, para isso bastava ficar de costas para as gêmeas do mal e, assim que elas se aproximassem, bastava apertar B+C. A Blaze dava aquela giratória para trás, era indefensável. Assim conseguimos passar com facilidade delas e chegar ao Chefão, daí era só escolher se iríamos ou não nos unir ao sindicato e finalizar o jogo.

Tentando o impossível, zerar Kid Chameleon


Kid Chameleon (Mega Drive) é um daqueles jogos com dificuldade imensa, entrando no panteão daqueles jogos considerados “inzeráveis” (assim como Battletoads). Contando com mais de 1000 fases e sem a possibilidade de saves, este é um game praticamente impossível de zerar.

Na época eu tinha (e ainda tenho) o cartucho do jogo e tentei por anos chegar o mais longe possível. Mas era um desafio enorme conseguir, o máximo que cheguei foi na fase da mosca. Iria ser derrotado pelo cansaço. Já não aguentava mais olhar todo o dia para aquele jogo. Às vezes tinha até a impressão que ele ria da minha cara.

Porém, assíduo leitor da Supergame, encontrei uma que vinha com uma dica incrível: como passar da fase 1-2 para a última em Kid Chamaleon. Finalmente iria descobrir como era o final daquele pesadelo. Um detalhe que, naquela época, quem conhecesse os macetes – ou cheats – era ovacionado como um rei.


Ledo engano, o último boss era uma das coisas mais difíceis que já vi, uma cabeçona enorme de 12 olhos, impossível de se matar. Passei semanas tentando descobrir como matar o monstrengo e foram inúmeros game over. Até que um dia, em um golpe de sorte, consegui ficar pulando no topo do cabeção. Foi um tiro certeiro. Seus olhos aos poucos iam estourando e continuei nisso até o último explodir, uma sensação de alegria e dever cumprido me veio!

Finalmente zerei o maldito Kid Chameleon. Claro que ainda hoje tenho trabalho em enfrentar aquele chefe e ainda não consegui zerar o jogo sem o macete, acho até que estou velho demais para isso. Deixo esse desafio para a atual geração que gosta de jogar sem tutorial.

Continuando a saga dos Irmãos Mario


Até a quarta geração eu só tive consoles da Sega, mas isso não me impedia de adorar os jogos da Nintendo e a série do bigodudo era uma das que mais amava. Então, foi na casa do meu velho amigo e vizinho, Fernando, que tentamos, mais uma vez, salvar a Princesa Peach do terrível Bowser.


O Super Mario World era até bem mais fácil que o seu antecessor, o Super Mario Bros 3. Mesmo assim, demoramos semanas para chegar ao final do jogo! Isso porque ele era muito extenso, bem maior que o anterior, por isso contávamos com os saves para podermos continuar a jornada nas semanas seguintes.

Lembro que o maior desafio foi passar pelo castelo do Bowser. Mesmo sempre sendo uma das fases mais difíceis do game, vencer o cara de lagarto foi até fácil. Foram necessárias duas ou três tentativas para derrotar o monstrengo e, mais uma vez, salvar a Peach até o seu próximo sequestro.

Vencendo as pistas de Top Gear


Top Gear foi um dos melhores jogos de corrida lançado para um console da Nintendo. Aceitei o desafio de me tornar o melhor piloto do mundo mais uma vez acompanhado do meu amigo Fernando, afinal ele quem tinha o Super Nintendo.


Essa tarefa não foi tão fácil, o jogo é muito frenético e exige toda nossa concentração para não batermos em um retardatário ou em algum obstáculo na pista. Além disso, era necessário uma boa estratégia nas pistas mais longas. Pois, se errássemos a hora de entrar nos boxes para abastecer (ou, como era comum acontecer, errássemos os próprios boxes), era grande a chance de perdermos a corrida, ou até de ficarmos pelo caminho, por falta de gasolina.

Mas passando pista por pista, continente por continente e anotando cada password conquistada, conseguimos vencer. Pouco depois descobrimos numa revista Supergame o famigerado macete de bater no poste de chegada na última volta, com este cheat a gente não só ganhava a pontuação da posição que terminávamos a corrida, mas também a da posição anterior e todas eram somadas na pontuação final. Isso facilitou mais nossa vida e vencer o campeonato acabou se tornando demasiadamente fácil.

O melhor jogo de Fórmula 1 já feito


Super Monaco GP é um dos meus jogos de corrida preferido de todos os tempos, apesar de gostar mais do Ayrton Senna’s Super Monaco GP 2, devido às melhoras de gráficas e de jogabilidade trazidas pelo Próprio Senna, o primeiro jogo da série foi o que me acendeu essa paixão.


No começo foi meio difícil dominar aquele carro, afinal era o jogo que mais se aproximava de um F1 de verdade naquela época. Então, para quem estava acostumado a jogos de corrida em que bastava só acelerar e desviar de obstáculos, o Super Monaco GP foi uma grande evolução para a época.

Além de dominar o carro tive que decorar as pistas, uma por uma, para saber o momento exato de diminuir a marcha, o lado que vinha a curva e os melhores pontos para ultrapassar. Como eu gamei nesse jogo! Depois de descobrir isso tudo consegui, até com certa facilidade, fechar contrato com a Madonna (a McLaren do game) e vencer o primeiro campeonato.

Mas, ao iniciar a segunda temporada para defender o título as coisas ficaram um pouco estressantes. Um certo G. Ceara resolveu me desafiar e o cara simplesmente voava! Eu pensava “é impossível vencer dele!!”. Achei até que não iria mais conquistar o título. Mas, felizmente, isso só durou as duas primeiras corridas. Foi o suficiente para ser rebaixado de equipe, porém não foi problema para mim. Logo voltei a ganhar as corridas e vencer mais uma vez o campeonato, zerando definitivamente o jogo.


Lembro que, saber as pistas de cor – inclusive a do desafio Super Monaco GP – me ajudou muito na sua versão original, a do fliperama. Era bem mais difícil e realista que a do Mega Drive, mas resolvi tentar vencê-la também. O jogo tinha um nível muito grande de dificuldade, tanto que sempre usava 4 marchas, ao invés das 7 que eu usava na versão do Mega.

A primeira pista fui muito bem, terminei em segundo e classificado para o último desafio com a pista molhada. Lutei muito para manter o carro na pista e, mesmo rodando algumas vezes, ainda consegui chegar em 5º lugar. Entretanto, isso não foi o suficiente para zerar o jogo e, com minhas fichas terminadas, acabei por desistir. Mas, surpresa maior eu tive ao sair do cockpit, havia uma pequena plateia olhando meu desempenho, alguns chegaram a me parabenizar. Nesse dia me senti um verdadeiro piloto de Fórmula 1.

A era de ouro dos videogames


A quarta geração foi a que mais desfrutei, foram muitos jogos que consegui zerar: Moonwalker; X-Men 2; Sonic 1 e 2. Todos foram meus companheiros de finais de semana. Desafios que algumas vezes enfrentei sozinho e outras na companhia dos meus amigos e do meu irmão.


Esta foi, para mim, a era de ouro dos consoles e tive a chance de vivenciá-la bem de perto, acompanhei sua chegada e aproveitei cada momento que tive com meu Mega Drive e com o Super Nintendo dos meus amigos. Foi a fase que mais me marcou e, com certeza, marcou a vida de muitos. Durante essa geração, o mercado de entretenimento se rendeu de vez ao fantástico mundo dos videogames e daí por diante só cresceu.

Revisão: Marília Carvalho


Lúcio Amaral é jornalista e advogado, músico por paixão e gamer desde que se conhece por gente. Sua paixão pelos videogames começou na segunda metade dos anos 1980 quando teve seu primeiro videogame, um Philips Odyssey - ou Odyssey² - quando tinha 7 anos. Acompanhou, com muito entusiasmo, todo caminhar tecnológico e assumiu uma paixão pela Sega, sem deixar de flertar sempre com a Nintendo. Hoje é colecionador com um acervo que vem desde a segunda geração de consoles aos mais atuais e encontrou no Blast uma maneira de compartilhar toda sua paixão e convívio com esse fantástico mundo dos videogames.

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