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Análise: Slime-san: Superslime Edition (Multi) — simplicidade esconde game design genial

O jogo traz uma enxurrada de conteúdo nesta edição especial que marca sua estreia nos consoles da Sony e Microsoft.


Não se deixe enganar pelo visual fofinho de Slime-san. Por trás da gosminha verde fofinha e amigável que estampa a capa do jogo, se esconde um título de plataforma brutal para fã nenhum de Super Meat Boy (Multi) botar defeito. Cada pequeno detalhe de Slime-san: Superslime Edition (Multi)  foi cuidadosamente planejado e se interliga de maneira bastante orgânica para formar uma das experiências mais completas de todo o gênero.

O poder da simplicidade

A palavra chave para definir Slime-san é simplicidade. Mais do que uma redução de gastos, a simplicidade do jogo é essencialmente o que torna a experiência tão coesa e o jogo tão simples de entender. Desde o visual aos comandos e inimigos, tudo no jogo foi cuidadosamente pensado para tornar o game simples de entender, mas difícil de dominar.

A começar pelo visual retrô. Muitos outros jogos indies aproveitaram desse visual retrô para homenagear jogos do passado e atacar em cheio a nostalgia dos jogadores mais velhos. Mesmo sendo realmente voltado para um público mais experiente, Slime-chan escolhe o retrô por razões puramente funcionais.

Quatro cores é tudo que o jogo precisa para trazer o seu mundo à vida e funciona perfeitamente bem. A escolha é muito consciente e ajuda o jogador a entender praticamente todas as mecânicas do jogo apenas vendo a sua cor. Desde o começo do jogo, é estabelecido que tudo que é vermelho te machuca e tudo que é verde te ajuda. Conforme o game progride, vemos esse conceito elevado ao extremo, com inimigos verdes que servem de plataforma e pedaços vermelhos do chão que matam ao toque.

Veloz como um foguete

Ao treinar o jogador a responder de certo modo a qualquer elemento do jogo, os desenvolvedores da Fabraz conseguem introduzir novas mecânicas em cada fase sem medo de sobrecarregar o jogador. O próprio Slime-san também ajuda nesse quesito, já que seus comandos são super simples. Ele consegue apenas andar, pular, atravessar plataformas verdes e dar um dash.  As primeiras fases do jogo são feitas para garantir que o jogador tenha um bom domínio dos comandos básicos para depois extrapolar com novos obstáculos.

Slime-san: Superslime Edition também se mostra um jogo bastante rápido. Não é à toa que ele esconde alguns easter eggs de Sonic The Headhog. Além do protagonista ser bem veloz por si só, a própria estrutura das fases é dinâmica e aumenta a sensação de agilidade. Cada fase é separada em quatro segmentos e, se você demorar muito em alguma parte, prepare-se para correr, porque uma onda de suco gástrico começa a tomar a tela.

Devagar quase parando

Esses elementos ajudam o jogo a manter sempre um bom momentum que causa estranheza quando é quebrado, seja nas fases aquáticas ou até em lutas contra chefes. Nas fases aquáticas somos apresentados àquela infame gravidade desajeitada que deixa tudo devagar. O jogo até sugere o uso do dash para se mover com mais facilidade, mas o gostinho ruim de ter que desacelerar num jogo sobre correr contra o tempo continua amargo.

Esse mesmo sentimento está presente em diversas fases com um design um pouco questionável. Não que as fases sejam ruins ou mal planejadas em si, mas elas simplesmente vão contra a experiência geral do jogo e parecem muito deslocadas. É só aparecer plataformas automáticas e corredores estreitos que você sabe que a fase não vai ser tão divertida.

Superconteúdo Edition

Contra os chefes também somos obrigados a desacelerar, mas as lutas são tão criativas e intensas que isso nunca se torna um problema. Como Slime-san é uma criatura da paz super fofinha e nada ameaçadora, para derrotar os chefes temos que solucionar uma série de puzzles. Depois de acertar o chefe três vezes, como já é costume, ele é derrotado. Evite ao máximo morrer, pois, tirando alguns chefes dos DLCs, não tem checkpoint entre as etapas de cada boss.

Não seria uma edição especial se não tivesse algum conteúdo extra. Neste quesito, Slime-san: Superslime Edition supera todas as expectativas. Além das mais de 100 fases da campanha original, a nova versão já vem com todas as atualizações e DLCs lançadas anteriormente que quase dobram o tamanho do jogo. O mais surpreendente é que as novas fases também esbanjam criatividade, como novas mecânicas e protagonistas. Para os fãs do gênero, o jogo com certeza traz um custo-benefício incrível.

Prós

  • Conteúdo que não acaba mais;
  • Design simples e inteligente, fácil de aprender e difícil de dominar;
  • Personagens cativantes espalhados pela cidade do jogo;
  • Diversos desbloqueáveis enriquecem a variedade do jogo.

Contras

  • Algumas escolhas de design atrapalham o andamento do jogo;
  • Reta final pode ser frustrante até pros mais experientes;
  • Não suportar tela cheia pode quebrar a imersão.
Slime-san: Superslime Edition - PC/PS4/XBO/Switch - Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4

Revisão: Renata Bottiglia
Análise produzida com cópia digital cedida pela Fabraz.


Gabriel Mattos faz joguinhos na UFRJ, quando deveria estar estudando Computação. Estuda computação, quando deveria estar escrevendo. Escreve, quando deveria estar dormindo e não dorme, porque fica sempre no Twitter. Também pode ser encontrado noInstagram.

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