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Análise: Uma boa história e um point and click de arrepiar. Este é Forgotten Places: Lost Circus (Android/iOS)

Sua vida é um pesadelo. Não, me desculpe, leitor, eu não estava falando, de fato, da sua vida real, mas sim do game que vamos Analisar ... (por Ok em 22/11/2013, via GameBlast)


Sua vida é um pesadelo. Não, me desculpe, leitor, eu não estava falando, de fato, da sua vida real, mas sim do game que vamos Analisar hoje. A jovem Joy acorda todas as noites em prantos, sonhando com um incrível e super detalhado circo no qual ela nunca esteve. No entanto, o lugar existiu de verdade, e é em suas ruínas que ela vai tentar encontrar respostas para suas estranhas visões. Para ela, despertar é o verdadeiro pesadelo.

Procure pelas pistas

Um gênero que se popularizou bastante e, ainda hoje, se mantém razoavelmente firme, com seus seletos fãs, é o point-and-click, cuja tradução direta é "apontar e clicar", contando com diversas variações entre títulos populares e de peso, como Criminal Case e The Walking Dead.

Encontre uma esponja, um grampo de cabelo, onze pincéis de maquiagem...

Forgotten Places: Lost Circus não pode exatamente ser considerado um jogo de "apontar e clicar", ou pelo menos não sua versão para Android e iOS. Como não há mouses em tais sistemas, pode-se dizer que o game é mais um... digamos... "seek-and-touch", ou "procurar e tocar", apesar de eu não fazer ideia quanto à existência do termo.

Mas é basicamente isso que você vai fazer durante todo o jogo, enquanto tenta desvendar a incrível história por trás dos pesadelos: procurar e tocar nos objetos necessários para o progresso. Muito embora alguns objetos a serem procurados realmente estejam ligados à trama, a maioria está lá apenas para dar um desafio a mais ao jogador - afinal, até mesmo o Wally vinha acompanhado de sete vikings e duas moças de vestido lilás para você encontrar.

Mas não só isso

Se nossa Análise terminasse no parágrafo anterior, muitos jogadores já estariam dispostos a dar-lhe uma chance. Contudo, o jogo conta com alguns minigames bem interessantes. Quando Joy é solicitada a remover os balões do teto com um soprador de ar, por exemplo, seus dedos se transformam em uma poderosa brisa. Por outro lado, quando ela encontra um espelho quebrado, o game se torna um quebra-cabeças à moda antiga.

Logo no início do game é necessário restaurar uma fotografia.

Apesar de servir para diversificar as coisas e sair da mesmice, o que dá novos ares à trama e concede pontos ao título, é justamente nesses momentos em que é possível notar por que o jogo se dava tão bem nos PCs, e não tanto nos dispositivos mobile: os dedos do jogador acabam ficando entre seus olhos e a tela, e não poucas vezes o game se transforma em uma espécie de adivinhação, pois não há quase nenhum espaço, a não ser em telas maiores, para ver qual foi a peça que o jogador realmente pegou, e em que posição ela está.

Por sorte (ou planejamento mesmo, já que os desenvolvedores podem ter visto que a frustração subiria a níveis inimagináveis), há um botão de "pular" o desafio, o mesmo que concede dicas para encontrar os objetos perdidos. Depois de um certo tempo sem conseguir prosseguir, uma estrela se acende e basta tocar nela para passar para o próximo objetivo.

Ambientação digna de nota

Se você achou que a história do jogo é só aquilo que foi dito no primeiro parágrafo, se enganou. Isso porque ela é contada alternadamente no mundo real, ou seja, no circo em ruínas, e nas visões e lembranças de Joy, no circo vivo. Em suas lembranças, Joy é uma grande amiga de todo o elenco do circo, e recebe a missão de ajudar nas buscas pelo filhote de tigre que desapareceu.

É claro que, conforme o jogador progride, as coisas vão ficando mais complexas, mas não é necessário entregar nenhum spoiler para falarmos sobre as lindas melodias que embalam a trama. A maioria das músicas do game são extremamente bem construídas, com algumas poucas repetições bruscas.

Os efeitos sonoros também são bem trabalhados. Na cena onde você deve recolher os instrumentos musicais, por exemplo, a cada um que você encontra é tocada uma vinheta referente àquele instrumento.

Os gráficos, como não poderia deixar de ser, são belíssimos e parecem desenhados a mão. Procurar pelos objetos fica muito mais fascinante assim, e não poucas vezes o jogador se pega contemplando a cena apenas por observar. Para os fãs do gênero, o game é uma aquisição e tanto e, apesar de não ser gratuito, não custa caro.

Prós

  • Uma boa história, com momentos de arrepiar misturados a lindas lembranças;
  • Trilha sonora envolvente e bem construída, na maioria das vezes;
  • Gráficos belíssimos que parecem ter sido desenhados a mão;
  • Variedade de minigames entre os momentos "seek-and-touch";
  • Um botão que permite receber dicas ou pular o desafio inteiro;
  • Jogo totalmente em português;
  • Não há qualquer tipo de pressão psicológica para que você termine o desafio mais rapidamente;
  • Apesar de não ser gratuito, não é caro.

Contras

  • Alguns diálogos são bem rasos;
  • Você não vai ter ideia do que fazer em alguns desafios;
  • Repetições bruscas em algumas músicas;
  • Dificuldade de adaptação em telas menores.
Forgotten Places: Lost Circus - Android/iOS - Nota Final: 7.0
Revisão: Catarine Aurora
Capa: Stefano Genachi 

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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