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Análise: Dead Cells (Multi) é um jogo com personalidade e muitas inspirações

O jogo da Motion Twin bebe da fonte de jogos como Dark Souls, Castlevania, entre outros, mas não deixa de ter sua própria personalidade.



Dead Cells (Multi) foi desenvolvido pela empresa francesa Motion Twin, que disponibilizou seu projeto para o acesso antecipado nos computadores em 2017, com previsão de ser lançado no dia 7 deste mês de agosto, para todas as plataformas domésticas. E seu game indie, no estilo roguevania, com certeza merece a atenção de seu público alvo, ele é divertido, bonito e charmoso. Mas vamos aos detalhes.

Não é só a morte que nos espera

O jogo não se preocupa em contar uma história profunda e complexa, mesmo que um enredo exista. Nosso personagem é um prisioneiro em uma ilha desconhecida, e começamos com ele já morto, depois de ressuscitado, um guerreiro nos diz que não temos mais uma cabeça, e isso nos torna imortais. Ele volta a vida e no lugar de sua cabeça existe uma chama esfumaçada. Essa característica deixa o protagonista mudo, mas não menos comunicativo.


A comédia é algo bem interessante que o jogo sabe explorar. Não temos um rosto, então a graça acontece com os movimentos que fazemos ao interagir com as coisas e ver um balão com o que estamos pensando. Quando liberamos o ferreiro, e verificamos sua pedra de amolar (a única ferramenta que ele tem no local), o personagem pensa: “isso não pode melhorar armas como arcos. Esse jogo tem um péssimo design.” É super divertido o ver interagindo com o cenário e os NPCs, demonstrando confusão, dando “joinha” ou chutando portas.

A misteriosa ilha onde estamos é perigosa e cheia de lugares abandonados e deformados. E a interação com esses ambientes e NPCs vão nos entregando o enredo, mesmo que muito seja interpretativo. Quando morremos, a ilha se reconfigura, novos cantos são gerados e novos NPCs vão aparecendo, vivos ou mortos. Por exemplo, a primeira pessoa com que interagimos está viva na nossa primeira run, na segunda ela está morta na entrada da próxima fase, e na terceira seu corpo está podre. Fazer essas mudanças conforme seguimos no game é bem interessante e nos instiga a prosseguir querendo descobrir mais.


Ação estilo roguelike

Os desenvolvedores chamam Dead Cells de roguevania, misturando a ação, alguns processos do estilo roguelike, como mapas procedurais, e o estilo de exploração de jogos como Castlevania e Metroid. Para isso, eles criaram os aspectos das salas a mão, sua arte, forma e detalhes, e com isso determinaram em regras como o computador deveria apresentar ao jogador cada uma delas. Isso permite que eles não pareçam artificiais, como poderia acontecer (e acontece) com outros títulos do mesmo estilo.

E no centro do jogo está a ação, que foi tão polida quanto seus mapas. Como um roguelike, ele presa por variedade e múltiplos ataques, lhe dando a opção de usar duas armas por vez, variando de espadas leves, pesadas, arcos e flechas, martelos, entre outras, e mais dois espaços para armadilhas, como bombas que congelam e balistas automáticas. Com as armas em punho que o jogo brilha, a mecânica de combate é muito agradável e fluida de se usar. Isso permite uma esquiva, contra-ataques e pulos mais precisos. Fazer combos com seus equipamentos também é possível, o que diversifica e te faz querer experimentar o máximo de combinações possíveis. O que não funcionou comigo foram os controles usando o analógico, senti que perdia muito o controle do personagem, mas felizmente existe a opção de usar os direcionais.


Como nos jogos da série Souls, a dificuldade aqui é amarga, e morrer vai ser algo bem comum. Claro, o game te ajudará como for possível, te dando pergaminhos para evoluir algum atributo, como Força, Vida ou Estratégia, ou embutindo alguma runa, que nos dão algumas vantagens, como força com o sangue cheio, mais vida. Mas quando somos derrotados pelos inimigos voltamos para o início da primeira fase, na Prisão, sem os status que evoluímos durante a jornada. Esse é um jogo de uma run só, ou seja, se você perder para algum inimigo, vai voltar para o começo da primeira fase, que é a prisão. Isso pode parecer maçante, já que você irá fazer o começo, várias e várias vezes, mas ele consegue divertir em cada uma delas, e até nos fazendo querer superar nosso último embate.

Essa diversão que sentia jogando não me fez ficar menos frustrado em algumas partes. Morrer no chefão era muito fácil, e chegar nele novamente ficava cada vez mais complicado. E devo admitir que deixei o controle algumas vezes, mas sempre havia uma vontade de voltar, e derrotar quem quer que fosse que tivesse me matado. E esse problema não está no jogo, todas as vezes que isso aconteceu a falha era comigo. Eu não me equipei direito, não soube esquivar na hora, deixei que me cercassem, muitos podem ser os motivos. Mas não desistir é muito importante para superar estes desafios.


Muitos detalhes para observar

Para seu visual, o estúdio quis usar o famoso pixel art, e mesmo pixelado, eles fizeram um ótimo trabalho nesse quesito, tanto nas animações de movimento, coisas quebrando, como uma porta ou vaso, o mexer da chama da sua cabeça, quanto na aparência dos mais variados inimigos, que vão de espadachins, criaturas verdes que pulam, criaturas rosa que jogam uma parte do seu corpo e explodem, magos esqueléticos, arqueiros, além dos chefões, incrivelmente difíceis e divertidos.



Ao derrotar os inimigos, podemos ganhar ouro para comprar equipamentos com o vendedor em cada fase, ou célula para trocarmos por melhorias ou itens com o Colecionador, que estará todas as vezes entre os mapas. Além disso, podemos recuperar nossa poção e barra de vida. Essa mecânica é bem útil e muito bem utilizada na jogatina, é ótimo poder relaxar um pouco depois de matar várias criaturas e quase morrer algumas vezes.

O som também faz um ótimo trabalho em Dead Cells, cada fase possui uma música que transmite bem a vibe dela. A Prisão toca uma música um pouco melancólica, no Esgoto ela transmite um ar mais pesado, estamos no meio de uma sujeira. Além dos efeitos de ataque e grunhidos dos inimigos, corvos voando, água caindo.



O jogo ainda possui portas de desafios de tempo, no qual ele cria uma fase totalmente nova, com vários inimigos e nos faz ter que chegar no final dela com vida e derrotar o chefão, ganhando pontos a cada inimigo derrotado. Os fatores dessa fase bônus não são para facilitar, apesar de que aqui os itens não mudam de lugar e eles podem ser bem úteis.

Vale sim a pena!

Com todas essa qualidades, Dead Cells, é um excelente título roguelike para curtir, e pode apostar que você vai adorar as mais de 20 horas de conteúdo que ele vai proporcionar. Mesmo tendo algumas dificuldades com o controle analógico e algumas mortes rápidas bem frustrantes, eu amei toda a experiência e até ri com vários momentos da jogatina. Se você tiver a oportunidade de jogá-lo, aproveite. Vale muito a pena.

Prós

  • Os contos da história vão se moldando conforme você morre e as fases mudam;
  • O sistema de level up funcionar por pergaminhos consumíveis;
  • A variedade dos equipamentos e itens;
  • Movimentação rápida e divertida;
  • Visuais e sons de excelente qualidade;
  • Mapas procedurais muito bem montadas, deixando a jogatina bem fluida e orgânica;
  • Inimigos difíceis de derrotar, mas nunca injustos.

Contras

  • Controle analógico terrível de usar;
  • A frustração de morrer inúmeras vezes virá em algum momento.
Dead Cells — PS4/XBO/Switch/PC — Nota: 9.0 
Versão utilizada para análise: PS4
Análise produzida com cópia digital cedida pela Motion Twin
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Matheus Bigai Ferreira escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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