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Análise: Fear Effect Sedna (Multi) tenta resgatar uma antiga franquia, mas sem muito sucesso

17 anos após o lançamento do último jogo, Fear Effect Sedna tenta trazer de volta uma série que ninguém pediu.




Recentemente, percebe-se certa tendência, em parte das produtoras, de trazer de volta franquias de jogos consideradas esquecidas, dando uma nova cara e conteúdo para jogos que há muito fizeram a alegria de seus fãs. Enquanto algumas conseguem notável sucesso — vide  Tomb Raider (Multi) —, outras simplesmente não valem o esforço de um lançamento, como ocorreu com Legacy of Kain.

Seguindo essa tendência, eis que temos mais um clássico voltando à cena. Com seu último título tendo sido lançado em 2001 para o PSX, a série Fear Effect (PSX) caiu no esquecimento, apesar de ter cumprido um papel modesto em seu lançamento. Agora, 17 anos depois, o jogo dá as caras novamente, trazendo consigo uma narrativa próxima do original, além de contar com personagens já conhecidos e estilo arte semelhante ao de suas origens.

Um thriller envolvente e com pegada mais madura

Fear Effect Sedna é um jogo de ação que muda o estilo de jogo visto nos jogos anteriores para visão isométrica, ou seja, com a câmera com visão superior. Tratando-se de uma sequência direta, sendo, assim, o terceiro jogo da série, apesar da mudança, o título conseguiu manter um dos pontos mais interessantes da franquia, que é sua narrativa, apresentando os fatos de tal maneira que remetem a um filme ou seriado policial com trama envolvente e repleta de ação.

Em um primeiro momento, o foco do jogo é a dupla Hana e Rain, dois rostos já conhecidos dos episódios anteriores. Após realizarem com sucesso uma missão de infiltração e roubo, as garotas voltam para casa. Chegando lá, elas percebem que seu apartamento foi invadido por um mensageiro que necessita de seus trabalhos como mercenárias para assegurar o roubo de outra mercadoria, dessa vez em Paris, onde, de fato, o jogo começa.

Com a apresentação posterior de novos e outros já conhecidos personagens, durante a jogatina, cada um deles apresenta uma personalidade característica, deixando suas particularidades explícitas durante os diálogos. Entre uma missão e outra, as cutscenes já conhecidas da franquia em cel shading contam com uma boa dublagem, dando ainda mais imersão ao game. Outro ponto deveras interessante são as cenas de ação e violência, além de cenas onde há relacionamento entre os personagens, deixando claro que seu público alvo são adultos.

Ação mal elaborada, mas com puzzles interessantes

No original, Fear Effect contava com jogabilidade similar a Resident Evil, com cenários majoritariamente estáticos e pré-renderizados e um sistema de mira parecido. Indo contra suas raízes, FE Sedna utiliza visão isométrica tanto para movimentação quanto para ação. Com controles simples, andar com o analógico direito e mirar com o esquerdo faz com que seja simples criar estratégias para resolver situações. Apesar da escolha não ser ruim, o jogo acaba por ficar um tanto quanto entediante na maioria das vezes, mesmo dando a opção de resolver a situação de maneira furtiva ou partindo para a ação.

Em diversos momentos, é possível ir alternando os personagens para dar cabo a horda de inimigos que aparecem tentando impedir o progresso do jogo. Na versão do Switch, essa troca pode ser feita rapidamente utilizando a touch screen. Embora cada um deles tenha uma arma específica mais forte e com munição limitada, usá-las é raro, já que a pistola ou outras armas padrões resolvem as situações.



Ainda na questão de personagens, o jogo conta com um modo RTS que permite ao jogador automatizar certos movimentos antes de entrar em conflito. Na teoria, esse sistema poderia facilitar momentos em que o número de inimigos é grande, mas, na prática, a utilização é confusa, sem explicações detalhadas do funcionamento, fazendo o jogador resolver a situação segurando o botão de atirar sem parar. É válido ressaltar, entretanto, que, além do modo citado, durante o combate os personagens estão sujeitos ao fator Fear, que é automaticamente ativado quando a barra de HP atinge determinado ponto e faz com que o dano infligido e taxa de acerto mude, dependendo do personagem.

Apesar do foco principal do título ser a ação, o game conta também com a presença de puzzles interessantes, geralmente utilizados para abrir caminho. O charme fica por conta da necessidade (na maioria dos casos) em vasculhar os cenários com dicas implícitas das soluções para os quebra-cabeças. Confesso que fazia tempo que não anotava em um papel pistas encontradas em jogos, somente para poder parar e raciocinar os passos que deveria seguir.

Por fim, para aumentar o fator replay, o jogo conta com colecionáveis espalhados ao longo dos cenários, que contam um pouco mais da história, mas sem serem necessários para uma boa experiência.

Boa utilização do cel shading, mas sem uma trilha sonora memorável


Como dito anteriormente, o fato do jogo parecer um filme acrescenta um charme a mais à jogatina. A utilização gráfica do cel shading já conhecida também contribuiu para deixar as cenas ainda melhores, que contam com boas animações e interpretação por conta dos dubladores.

Entretanto, algo totalmente esquecível é a trilha sonora durante o gameplay. Claramente não se esperava arranjos orquestrados nem nada do tipo, mas durante momentos de exploração e até mesmo durante o combate, as músicas passam uma sensação genérica. Apesar de não chegarem a atrapalhar o desenrolar do game, também acrescentam pouco à obra.

Uma volta modesta, mas com potencial

Apesar dos pesares e de ninguém ter pedido, Fear Effect Sedna volta à ativa, mantendo sua identidade mesmo depois de todos esses anos. A mudança de estilo pode ter sido uma decisão acertada para o momento, mas com certeza não agradou a muitos, principalmente aqueles que gostariam de reviver aquele sentimento nostálgico de um título há muito esquecido. Espera-se que com o anúncio do remake do primeiro título — chamado de Fear Effect: Reinvented —, a série consiga rumar para um caminho memorável, agradando seus antigos jogadores e atraindo a nova geração.

Prós

  • História interessante, fazendo com que o jogador queira descobrir mais sobre o que está acontecendo;
  • Cenas em Cel Shading bem animadas e com boa dublagem;
  • Volta de personagens já conhecidos, mantendo suas características originais;
  • Grau de maturidade, mantendo o foco para o público adulto;
  • Utilização do Touch Screen (Switch) para a troca rápida de personagens e armas.

Contras

  • Falta de dificuldade, com munições infinitas e grande quantidade de kits para recuperação de HP;
  • Trilha sonora existente, mas não memorável;
  • Fator replay quase nulo;
  • Modo RTS interessante, mas mal executado.

Fear Effect Sedna — Switch/PS4/PC/XBO — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Switch

 Revisão: Bruno Alves
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square-Enix

Kaio C. escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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